quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Como a TAM salvou meu reencontro com colegas da Faculdade

Sabe quando você está nostálgico e morre de saudade de certos tempos? Não que os tempos atuais estejam ruins, mas a distância e a falta de contato com pessoas que compartilharam bons momentos faz dessas coisas. E assim estava eu já há alguns anos por não conseguir localizar os colegas com quem dividi os bancos do curso de jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, concluído em 1984.
No auge do Orkut, catei todo mundo. Nada. Veio o Linkedin. Busquei pelo grupo da Unicap. Nada também.

A saudade aumentava no peito. Poxa! São 28 anos de formatura e nos perdemos totalmente de vista. Ainda via Mônica Silveira, repórter da TV Globo Recife, que não formou conosco mas cursou boa parte. Também via o nome de Sônia Azoubel em algumas edições na mesma emissora, em matérias nacionais. Sabia que Neyde Conde estava na Assessoria de Comunicação da Chesf... será que ainda estava?

Veio, então, o Facebook como a salvação da pátria. Ou melhor, a salvação para a minha saudade. Saí fazendo a mesma busca, desta vez associando-a com o Google. A primeira a localizar foi Ivana Moura, da editoria de Cultura do Diário de Pernambuco. Através de uma matéria no Google descobri que escrevia em um blog. Depois encontrei Abiud Gomes, com sua alegria sem fim... e Roberto Neves... Gisela Didier... Flávia Gusmão... Djalma Agripino Melo Filho, que também se formou em Medicina e preferiu seguir essa profissão.

Através de um encontrei outro... e outro... e outra... e a rede foi se formando, conectando grande parte daqueles jovens da década de 1980. E assim o nosso primeiro encontro foi planejado a partir do final de junho. Tão logo se configurou a data comprei minha passagem de avião. Seria em 24 de novembro, uma semana depois do meu retorno das férias.

De lá de Pernambuco Djalma, Gisela e Flávia viam o local. De cá, eu continuava fazendo minhas buscas pra ter o time inteiro. Também pelo Google consegui localizar Lindemberg ( nosso Junior Bó) lá na Flórida (EUA) e descobri que ele é o organizador do Carnaval Santa Bárbara, lá nos States, que completará 10 anos em 2013.
Eu não aguentava de ansiedade. Viajei com meu marido e um casal de amigos pro Uruguai e Argentina, fiz caminhadas belíssimas mas, ao parar, a cabeça voltava para o encontro. É claro que pelo perfil no Facebook já sabíamos como estávamos cada um. Mas pela rede não dava pra abraçar, conversar, saber como estava e o que fazia. Casou? Tem filhos? Tá trabalhando na área? Seria um encontro... reencontro de tagarelas.
Voltei das férias e na véspera nem queria sair pra noite passar rápido. Mas meu marido me convenceu a ir encontrar nossos vizinhos-amigos, a quem não víamos desde que chegamos, havia uma semana. Tá bom, mas vamos voltar cedo, avisei. E voltamos. Não queria esquecer nenhum detalhe. Nem mesmo as fitinhas do Senhor do Bonfim para abençoar a todos.

Na ansiedade cometi dois errinhos. Ao colocar o alarme para despertar às 3h30 (meu voo era às 5h20), não conferi o dia em que tocaria. Normalmente deixo de segunda a sexta-feira. E a viagem era no sábado. O segundo erro foi beber cerveja. Dois copos foi o suficiente para me fazer relaxar e dormir profundamente. Sem o despertador tocar só acordei quando vi luz na janela. Desesperada, olhei o relógio: 5 horas. Pulei da cama gritando. Porra!!! perdi o voo!! Vamos, vamos!! Tadinho do meu marido. Levantou mais atordoado que eu. Nos vestimos e corremos pro Aeroporto (ainda bem que moro perto). "E agora, será que você consegue embarcar em outro?". Claro! Vou nem que seja na mala de alguém. Estava quase aos prantos, sufocando o choro pra não perder a esperança.
Fui direto no balcão da TAM. Cheguei abanando meu voucher e dizendo que perdi o voo. As lágrimas já estavam marejando os olhos. A educada moça disse que só tinha outro à noite. Não posso, tenho que chegar lá ao meio-dia. " Se a senhora tivesse chegado um pouquinho mais cedo poderia ter embarcado em um com conexão pro Rio". Ai, meu Deus! Por favor, moça! Certamente com pena pelo meu desespero ela disse: " Peraí. Tem um saindo às 8h30, mas a senhora só chegará lá às 15h20, porque ele vai por São Paulo". Não tem problema. Eu tenho é que chegar lá ainda de dia. Muito obrigada. Muito obrigada, agradeci emocionada. A TAM me embarcou em outro avião sem custo adicional, por causa das confusões criadas pelo fato de Salvador ter saído, de última hora, da programação do horário de verão. Que bom pra mim. Valeu TAM!

Aliviada, era hora de avisar minha irmã e pedir pra ela avisar Rosineide, uma das amigas que participaria do encontro. Com essa nunca perdi o contato (mas ela só concluiu conosco; foi da turma anterior). Nunca um voo pareceu tão longo. De Garulhos pro Recife, então, foi uma eternidade. Ainda de São Paulo liguei de novo pra minha irmã. "Diga a Rosineide pra falar pra galera me esperar, por favor"! Calma, respondia ela. Como calma, se eu tinha me planejado há quase quatro meses pra chegar na hora H e corria o risco de não encontrar meus amigos?
Cheguei no horário previsto e já era esperada por minha irmã Vitória, minha mãe e meu sobrinho Thiago. Fomos o mais rápido que Thiago pode. O aeroporto do Recife fica longe do apartamento de minha irmã. Em casa, Rosineide já estava de prontidão. Ainda fomos no endereço errado por minha causa, mas conseguimos chegar no Botequim da Hora e encontrar muitos dos que disseram que iam. Alguns já tinham saído (poucos). Cheguei acenando com minhas fitinhas do Senhor do Bonfim, embalada pelo samba tocado pelo grupo de partido alto no bar. Pense na felicidade que nem cabia no meu peito! Ficamos por ali até pelo menos às 19 horas, atualizando as informações sobre as nossas vidas, fazendo fotos... confraternizando, graças ao Google, ao Facebook e à TAM.

Infelizmente Junior Bó não veio da Flórida, André Avelino ficou preso em Salvador por causa do trabalho, Neyde Conde, Ana Dubeux, Ivana Moura e outros também tiveram seus motivos para não ir ao encontro e se lamentaram. A viagem me permitiu, ainda, o reencontro com dois amigos do pré-vestibular: Nanci Figueiredo e Alexandre Fragoso. Deste vocês terão notícias mais à frente, porque estamos desenvolvendo um projeto de um livro onde eu escrevo e ele ilustra. Aguardem.

Voltei pra minha rotina em Salvador cansada, mas feliz... muito feliz! Nada tão bom como reencontrar amigos, mesmo que eu tenha dificultado tudo. Vai ver que é porque eu gosto das coisas com muita emoção.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Salvador sedia VII Simpósio Internacional de Alcoologia e outras Drogas



Pelo sétimo ano consecutivo a Vila Serena Bahia promove o Seminário Internacional de Alcoologia e Outras Drogas em Salvador. Uma oportunidade de esclarecer e contribuir para as discussões sobre o uso, abuso e dependência de drogas, junto a especialistas de renome internacional e nacional. O evento será no dia 23 de novembro, das 8h às 19h, no Fiesta Bahia Hotel, no Itaigara.
 
 O simpósio também tem o intuito de mobilizar profissionais de saúde e a sociedade para a questão, colocando em debate temas atuais, tais como a relação entre a sexualidade e a dependência; a prevenção nas empresas e as implicações jurídicas na segurança do trabalho e na previdência; o uso do crack em Salvador; o tratamento das dependências e a recuperação sob uma perspectiva filosófica. 
A realização é da Vila Serena Bahia, que tem o apoio da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD), e conta com o patrocínio da Petrobrás e do Governo Federal.

PROGRAMAÇÃO – De acordo com a Cannal Assessoria em Comunicação, responsável pela divulgação do evento, uma das atrações internacionais do Simpósio é o fundador da Vila Serena no Brasil, o psicólogo e teólogo John Burns (EUA), a quem entrevistei no ano passado (veja aqui). Doutor em administração de programas de tratamento de dependência e autor de diversos livros sobre a temática, Burns abordará o tema “A neurosociologia do tratamento de dependências”.
Outra conferencista internacional já confirmada é a doutora e professora de Filosofia, Gênero, Mulheres e Estudos da Sexualidade, Peg O’Connor (EUA). Ela ministrará as palestras “Sexualidade e adicção” e “Na caverna: filosofia e adicção”, cujo trabalho explora a adicção e a recuperação a partir das perspectivas filosóficas.  
O coordenador do Programa de Controle e Prevenção de Álcool, Tabaco e Outras Drogas da Petrobras/REDUC e presidente da ABEAD, Joaquim Melo, (RJ), e o mestre e doutor em Toxicologia, Mauricio Yonamine (SP), abordarão como tema “Programa de prevenção na empresa: da implantação à testagem toxicológica”. A desembargadora federal da Justiça do Trabalho, Léa Nunes (BA), e o doutor em Direito do Trabalho e da Seguridade Social, Luciano Martinez (BA), trarão para o debate “As implicações jurídicas da dependência química na segurança do trabalho e no Direito Previdenciário”.
 
Fechando a programação, as conferências sobre “O uso do crack em Salvador-BA” e “Como avaliar um dependente químico” serão ministradas, respectivamente, pelo médico psiquiatra e pesquisador do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD/UFBA), Esdras Cabus (BA), e pela chefe do setor de Dependência Química da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro,  Analice Gigliotti (RJ). 
INSCRIÇÕES - Os interessados em participar do evento podem se inscrever através do site da Vila Serena Bahia (www.vilaserenabahia.com.br/simposio). Até o dia 22 de novembro, os valores são R$50 (estudantes e sócios da ABEAD) e R$ 100 (profissionais). 
VILA SERENA - Centro especializado para tratamento de dependência química de álcool, outras drogas e demais transtornos de impulso. Utiliza uma abordagem humanística, não medicamentosa, baseada nos Doze Passos de Alcoólicos e Narcóticos Anônimos e na Terapia Cognitivo Comportamental. Atua no Brasil desde 1982, sob sistema de franquia, em diferentes estados. Na Bahia, o Vila Serena iniciou suas atividades em 1995, se tornando o primeiro e único centro no Brasil certificado pela ISO 9001:2008. (Fonte: Comitê Brasileiro da Qualidade).

Programação

8h – Abertura
8h30 – Conferência “A Neurosociologia do Tratamento de Dependências”.
         Conferencista: John Burns (EUA)
9h30 – Conferência “Na caverna: Filosofia e Adicção”
         Conferencista: Peg O’Connor (EUA)
10h50 – Mesa Redonda “Programa de prevenção na empresa: da implantação à testagem toxicológica”
         Conferencistas: Joaquim Melo (RJ) e Maurício Yonamine (SP)
14h – Conferência “As implicações jurídicas da dependência química na Segurança do Trabalho e no Direito Previdenciário”
         Conferencistas: Léa Nunes (BA) e Luciano Martinez (BA)
15h10 – Conferência “Sexualidade e Adicção”
         Conferencista: Peg O’Connor (EUA)
16h40 – Conferência “O uso do crack em Salvador-BA”
         Conferencista: Esdras Cabus (BA)
17h40 – Conferência “Como avaliar um dependente químico”
Conferencista: Analice Gigliotti (RJ)

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um apaixonado colecionador de camisas de futebol

Adoro viajar. Sou um pouco turista e um pouco viajeira. Gosto de conhecer os pontos turísticos, mas me encanta mais conhecer as pessoas nesses lugares. Pessoas como Raúl Gutierrez, garçon do restaurante Cabaña Verónica, no Mercado del Puerto, Montevideo, Uruguai.

Jovem, 33 anos, ganha mais atenção que os colegas de todos os restaurantes não apenas por ser muito simpático, mas por ser fã de futebol. Dificilmente um homem passa sem parar para conversar com ele e provar um pouco de Medio y Medio, uma mistura, já engarrafada, de vinho e espumante.


Roberto Araújo e Raúl Gutierrez, colecionador uruguaio, com camisa do Sta Cruz


Romildo Brito, Raúl Gutierrez, com camisa do ypiranga, e Roberto Araújo.
Estamos em férias - Roberto (meu marido) e eu, Romildo e Heloísa, amigos-vizinhos. No primeiro dia que fomos ao Mercado del Puerto os dois pararam para conversar com Raúl, que exibia uma camisa do Ypiranga, time da 2ª Divisão da Bahia. Tem as mesmas cores do seu time uruguaio do coração dele, Peñarol - amarelo e preto. Fizemos foto, brincamos com ele e depois fomos embora.

No segundo dia, quando fomos almoçar no Mercado del Puerto, Raúl estava com outra camisa que ganhara. Desta vez, do Santa Cruz (Recife), meu time em Pernambuco. Apesar de vestido com o uniforme de garçon, Raúl estava sempre com a camisa na mão. Só quando ia servir um pouco do Medio y Medio ou mostrar os tipos de carne é que a colocava em um banco.

Seu sorriso e boa conversa marcada pela paixão pelo futebol e não por times, especificamente, fez com que nos sentíssemos em casa. Desta vez, enquanto Roberto e nossos amigos viam qual a melhor opção de restaurante, resolvi entrevistá-lo para o Forquilha, aproveitando para exercitar o meu espanhol, ainda no básico.

O Brasil, reino do futebol, é o país que lhe atrai com seus times e suas cores. Sua coleção de camisas de times começou com uma do Vasco da Gama (Rio de Janeiro - RJ) que ele mesmo comprou. Ao mostrá-la no Mercado del Puerto para clientes brasileiros, passou a ganhar outras. Só do Vasco ganhou outras quatro. A maioria recebeu pelo correio, enviada depois pelos seus novos amigos. Algumas delas ganhou de dirigentes do time, como a do Santa Cruz e a do América (Belo Horizonte - MG).  Dos times mineiros Raúl também tem em sua coleção a do Cruzeiro.

Sua coleção, que está só começando, tem a camisa do Bahia (Salvador-BA), time de Roberto e Romildo e o meu time baiano. Como ele tem a branca com faixas azul e vermelha no peito, deve ganhar mais uma, a com listas verticais azul, vermelho e branco. As duas dos times baianos ganhou de um professor - Antonio Pitágoras.

Dos times paulistas tem camisa do Palmeiras por enquanto. Espera ganhar a do São Paulo, Santos e demais, menos do Corínthias. Por quê? " No me gusta la torcida". Bom, fazer o que? Sua coleção também tem camisa do Internacional (Porto Alegre - RS).

Esse torcedor apaixonado pelo futebol é casado e tem três filhos. Dois meninos e uma menina. Mas em suas casa tem dois times. A ala masculina é Peñarol, considerado um do times mais tradicionais e vitoriosos da América do Sul: campeão por cinco vezes da Copa Libertadores da América e três títulos mundiais. A ala feminina é Nacional, que tem uma excelente performance dentro do Uruguai, com o maior número de títulos oficiais no país - 124 nacionais e 21 internacionais. A briga é boa.

Conhecer pessoas como Raúl Gutierrez, cheias de alegria e boa conversa, faz minhas viagens gratificantes. E é isso que mais gosto ao viajar - as pessoas que posso conhecer.

Se você quiser contribuir para a coleção de Raúl Gutierrez, pode mandar sua encomenda para ele no Restaurante Cabaña Verónica, no Mercardo del Puerto, Montevideo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Itapuã: lixo, buracos e calçadas irregulares

Hoje acordei cedo e aproveitei a caminhada para comprar meu remédio para pressão ( é, faço parte do time desde 2010). Para alongar a caminhada, em vez de seguir pela orla, fui pelas ruas internas, saindo de Piatã/Plakafor para Itapuã. Assim eu mataria dois coelhos de uma cajadada só.
Situação costumeira da Rua Dias Gomes, Piatã, apesar de a Limpurb recolher.

Duas coisas me incomodaram. Duas coisas que tem a ver com educação e com poder público. A primeira foi com as calçadas. Claro que não é novidade pra mim, pois, volta e meia, opto por caminhar por essas ruas. Mas, incomoda a mim o fato de as pessoas não terem educação e não se preocuparem com o próximo ao fazerem suas calçadas. Definitivamente, não dá para deficientes físicos e/ou visuais e idosos caminharem por essas ruas. Tem cestas de lixo, tem plantas, tem degraus de mais de 60 cm de altura de uma pra outra. E tem podas de árvores e entulhos, misturados com lixo, em muitos pontos .

Algumas pessoas dizem que sou radical. Particularmente digo que sou 8 ou 800. Como?? Sim, não é 8 ou 80. Sou radical em determinadas situações. É em casos como esses, digo que primeiro se faz uma campanha educativa e logo depois se exige, punindo quem não segue a regra. A Lei deOrdenamento, Uso e Ocupação do Solo (LOUOS) prevê que o morador tem que fazer a calçada e que ela tem que permitir a mobilidade. Prevê um monte de coisas e punição, no bolso. Mas não há fiscalização. Portanto, não há punição. Nem mesmo para os mal educados que insistem em entulhar as calçadas com o que não quer em sua casa, até sofá comido por cupins, mesmo que o carro da Limpurb tenha acabado de passar.

A segunda coisa foi a varrição das ruas. Em apenas três delas encontrei garis trabalhando. Na primeira, a calçada e o acostamento eram “varridos” com um ciscador de grama, em vez de vassourão. Na segunda, o gari tinha vassourão, mas varria em uns pedaços da calçada e da rua e em outros não. Mas o que me deixou mais curiosa foi na Dorival Caymmi. Cheguei nela por uma rua próxima às antigas lojas de 1,99, a cerca de uns 150 a 200 metros do 7º Centro de Saúde. Ali estavam pelo menos três garis varrendo. Varreram a avenida, mas deixaram a calçada do posto de saúde tomada por folhas de amendoeira – comuns nessa região – e por lixo deixado pelos vendedores e transeuntes. A mesma coisa se repetiu na calçada larga do ponto de ônibus defronte à loja Insinuante. Oxente... não deveria ser varrido tudo?

Aí, mais uma vez, entra a educação e o poder público. Será que os garis que varrem as ruas são treinados para a tarefa? Vale lembrar que homem não tem muito costume com vassoura. Acho que falta esse treinamento, inclusive, para os garis que passam quebrando com suas machadinhas, literalmente, as calçadas e o precário asfalto para retirar o mato. Os trabalhadores tem que ser treinados. E o poder público tem que supervisionar o serviço que está sendo pago.

Levei cerca de uma hora na minha caminhada. Cheguei em casa grata por ter condições de me locomover mesmo em áreas que exijam maior esforço, como essas ruas. Mesmo que não consiga mais ler bulas sem colocar óculos, considero-me com boa visão. Não tenho labirintite e outras ites comuns aos idosos (ainda não cheguei lá), nem preciso de muletas ou cadeiras de rodas. Mas, como fica quem tem alguma deficiência?
O poder público tem que intervir urgente. Claro que, agora, só a partir de janeiro, com o próximo prefeito que ainda não sabemos quem será. Mas cada um de nós também pode fazer sua parte. Olha aí umas sugestões:

Faça ou conserte sua calçada de forma que os pedestres possam andar por ela. Elas tem que ser retas e contínuas. Se tiver um declive muito acentuado, faça degraus decentes ou rampa, se não ficar muito inclinada.

Ao fazer as podas, corte os galhos em pedaços pequenos e coloque em sacos. Deixe no seu quintal até o dia e horário da coleta do lixo. Coloque o lixo na rua, próximo ao horário em que o caminhão passará.

Se está fazendo reforma, contrate um contêiner e vá colocando seus entulhos. Seus vizinhos não tem que receber a sua sujeira. Nada também de sair colocando entulhos nos buracos no asfalto. O peso dos carros só fará com que os buracos aumentem de tamanho.

Se cada um fizer a sua parte. Teremos uma cidade melhor.

Já confabulei sobre isso em outra ocasiõe. Confira.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Homenagem à natureza

Hoje é um dia especial. Minha primeira lembrança é pelo dia dedicado a São Francisco de Assis. Foi durante sua festa, em Paulo Afonso, que há 35 anos Roberto e eu começamos a namorar.  Dia do Velho Chico, o rio que tanto tem feito pelo nosso sertão, que tem abrigado em seu leito tantas usinas hidroelétricas e que está minguando sem que nada seja feito, concretamente, para lhe fortalecer.

Hoje também é o Dia da Natureza, tão machucada por nós e tão bem retratada pelo ex-deputado estadual e poeta Gilberto Brito em seu poema Súplica da Natureza, que compartilho com vocês.
 SÚPLICA DA NATUREZA - Por Gilberto Brito
Não faças isso comigo não, criatura, eu sou a tua mãe. Sou tão boa para tu e para teus irmãos todos.

Faça, não. Sofro. Sofro muito. Tu fazes isso e eu vou me entristecendo, murchando e a cada momento perdendo vigor, energia, morrendo. Cada dia que passa tu vais fazendo assim: maltrata hoje, maltrata amanhã, todo dia, toda hora, sem parar um segundo, sequer. E olha que eu não te nego nada. Tudo que tens, eu te dei. Tudo que queres, eu te dou. Dou para você e meus outros filhos todos. Até os que nada pedem, não choram, nada dizem, sequer pensam, pois juízo não têm.

Eu quero continuar a servir a vida inteira, o tempo todo. Dia e noite, sem nunca parar.

"Papai" me criou ensinando a cuidar de vocês todos, preocupado no aperfeiçoamento, na glória, no bem. Até "os outros", os que vivem matando para viver, "respeitam" o que "Papai" ensinou. Só comem o tanto certo, sem acabar com a espécie da qual é "irmão". Aliás, um serve ao outro, constituindo uma família grande, bonita, harmoniosa, unida, repleta de tudo que é bom.

Vamos permanecer coesos, pensando um no outro. Não é preciso pensar em mim, não. Eu dou o meu jeito. "Papai" me dá forças. Pense em teus irmãos. Pense nos meus netos, nos teus filhos. Tu já pensastes se Adão e Eva não tivessem existido? Então, como você quer acabar comigo? Só eu tenho tudo que tu queres e nada te cobro, nada te peço. Só quero paz, respeito, sensibilidade.

Até a inteligência que tu tens e por meio dela me agrides, eu te dei. A força, a cor, a beleza, a saúde, o pão do sustento, a luz, a energia, o oxigênio de tocar o pulmão. A água de beber, coisa tão gostosa, tão boa. Eu te faço dormir, te faço até sonhar um sonho lindo, em lugar gostoso, de paisagens lindas, com amor. Até amar eu te ensinei. Eu te ensinei como fazer o teu próprio filho, a continuação de cada um.

Até filho meu que não é irmão seu, te serve tanto. Te ajuda. Sou eu que mando ele te servir. E você, o que me dizes, o que falas? Diga em que errei, onde errei. Eu te eduquei com amor, respeito e ordem. Te dei do vigor da força ao repouso eterno do cansaço que a vida traz.

Eu sou a única mãe que gera, pare, cria e depois recolhe ao ventre. A minha placenta é eterna e o meu leite nunca seca. Meu prazo de procriação está nas suas mãos, filho querido. Eu quero continuar parindo, criando, frutificando, te dando irmãos. Fecunda para tudo, para todos e para o bem.

Eu quero ver crianças a sorrir. 
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Conversa sobre corrupção com uma vítima silenciosa



Em fila de banco tudo pode acontecer. Mesmo que seja uma fila não fila – aquelas que são marcadas apenas por senhas. Em tempo de política e denúncias de corrupção, então, qualquer coisa é mote para uma conversa.

Na tarde de hoje, enquanto aguardava a minha vez em uma agência do Santander, que só aconteceria depois de outros 50, comecei a conversar com um homem e uma mulher por causa da esperteza de outro homem. Esperteza traduzida em desrespeito a todos aqueles que aguardavam atendimento prioritário e que não foi barrada pelo bancário que atendia no caixa especial.
O bancário chamou um número. Quem o tinha não apareceu. Chamou outro. Foi ao caixa um deficiente físico. Logo em seguida chegou outro homem, com uma senha na mão. Não tinha mais de 60 anos. Nem mesmo 50 aparentava. Não tinha eficiência aparente. Cego não era, porque foi sozinho, e rápido, para o caixa. Também não estava com criança de colo. Grávido? Não!!  Comentei: será que ele está acompanhando o outro rapaz? Porque ele não tem nenhum dos requisitos pra atendimento prioritário. Não estava. Acabou o caixa atendendo os dois. Um deles sem o direito de estar naquele caixa.

A mulher que estava ao meu lado disse que por isso que nosso Brasil estava assim; todo mundo queria ganhar de qualquer jeito, nem que fosse desrespeitando o próximo. O homem do outro lado concordou. E eu respondi: falam tanto da corrupção dos políticos e agem dessa forma, burlando regras; mas não se acham desonestos. Falamos das construções em terrenos invadidos, como na Avenida Jorge Amado, Imbuí. Atualmente lá tem de tudo: supermercados, academia, restaurantes, lojas de carros usados... Se o terreno é invadido, como conseguiu liberação da Sucom para a instalação do negócio? Alguém recebeu pra dar o alvará? Papo vai papo vem, a mulher contou pra gente os dois problemas que vive. Ela começou a desabafar. Por duas vezes é vítima da desonestidade, da negligência... Enfim, da corrupção generalizada.
Primeiro caso: a mulher luta há 18 anos pra construir em um terreno de sua propriedade no Vale do Ogunjá, na subida para o Engenho Velho de Brotas. Não tem conseguido autorização por causa da falta de cidadania de outras pessoas, que jogam lixo e entulhos em seu terreno. E por causa dos trabalhadores da Limpurb, que usam uma retroescavadeira para retirar o lixo e acabam levando, a cada vez, um pedacinho do morro, tornando-o uma encosta perigosa. “Ouvi dizer que eles ganham por peso da caçamba. Então, quanto mais terra do morro junto com o lixo, mais pesado fica”, disse a coitada.  Já não tem esperanças de nada. Pensa em denunciar ao Fantástico. Do lado do seu terreno, com a mesma encosta, alguém já construiu.

Segundo caso: ela comprou um carro, foi ao Detran, verificou débitos e depois de receber o OK do próprio Detran pagou a transferência, pagou seguro. Foi surpreendida quando foi fazer a vistoria. Apesar de ter feito a pesquisa no próprio Detran, só depois de tudo lhe disseram que o carro que ela tinha comprado era um clone. Oxii!! E daí? Entrou na Justiça? Entrou. E há pelo menos dois anos seu processo não anda. Estaria na mão do juiz, sem receber decisão. Foi na Corregedoria? Ouvidoria? Foi. Na Corregedoria teria sido orientada a ter cuidado, porque nunca se sabe o que essa gente é capaz. Quem é essa gente? Não sabe. Sugeri que ela procurar na Rádio Metrópole o programa Metrópole Serviço, do dia da Ouvidoria do Tribunal de Justiça, e falasse sobre o seu processo. Ela disse que ia fazer isso, mas estava já pra desistir. Da construção e do carro. Tem medo. Acha que sua vida vale mais que os quase 40 mil do carro e o que ganharia do negócio que quer abrir em seu terreno no Ogunjá.
Os 15 minutos na fila do banco não foram cumpridos. Levei 1 hora e 30 minutos pra ser atendida, enquanto o esperto tirou senha prioritária sem ser do grupo prioritário e foi atendido sem problema com o bancário do caixa. E sem nenhum dos outros clientes chiar. Com certeza também não teve problema de consciência.

Na imprensa e nas redes sociais o tema é a corrupção. Mas, como podemos falar dos políticos se em cada canto vemos corrupção em todos os níveis? Corrupção não se faz apenas com o dinheiro público. Será que estamos virando uma terra sem lei? Será que o mundo mesmo é dos mais espertos? Espero que não. Embora a minha luz de esperança esteja um pouquinho fraca, não a deixarei apagar.

E você? Acha que o mundo é cada um por si? Passa por cima das outras pessoas ou exerce a cidadania, respeitando o direito alheio pra poder exigir seu próprio direito? Em que nível está sua esperança?  Confabule comigo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sentimento de culpa dos pais atrapalha educação dos filhos

Ser pai e mãe é difícil. Sempre foi e sempre será. Nem mesmo sei se há pessoas preparadas para educar e criar os filhos. É difícil quando os filhos chegam para pais muito jovens. Difícil também para homens e mulheres que decidem ter seus filhos mais maduros.

Não sou psicóloga, embora goste de ler sobre o tema. Mas digo sem medo que preparar uma criança para a vida não é fácil. Se pintar sentimento de culpa, então, a coisa degringola. E como pinta sentimentos de culpa!

É por sentimento de culpa que muitas mães que trabalham fora de casa não corrigem os erros dos seus filhos nem impõem limites. " Fico fora o dia todo... na hora que estou com ele não quero ser chata e brigar com meus filhos". Acho que você já ouviu isso. Ou será que você fala isso com frequência? Nem lembram que o que importa é a qualidade do tempo e não a quantidade do tempo que passamos no tempo que dedicamos aos nossos filhos.

Tem pais que tem sentimento de culpa por não ter dinheiro para dar aos filhos as coisas que eles desejam. Se passou um bom tempo desempregados, então, a culpa cresce horrores. "Porque os filhos dos outros podem ter e o meu não?", costumam dizer. É como se a função dos pais fosse, exclusivamente, oferecer aos filhos os bens materiais cobiçados, anunciados na TV ou vistos no corpo ou na casa de amigos e/ou familiares.

Tem ainda os pais separados, que tentam amenizar a culpa abrindo totalmente a guarda. E aí são vítimas de chantagens dos filhos.Eles não querem que os filhos sofram ainda mais. Em quase todas as situações os pais querem dar aos filhos o que nunca tiveram, mesmo que os filhos não façam por merecer. É a substituição do SER pelo TER.

Um ponto é comum nas religiões: os pais são guardiões dos filhos. Cabe a eles cuidar para que tenham o alimento, o agasalho e o teto para morar. Essas são funções básicas, que estão acompanhadas da responsabilidade com a educação. Mas não é apenas a educação relacionada com o crescimento intelectual. A educação que possibilite o crescimento moral e espiritual é imprescindível. E aí entra outra regra para os pais - biológicos ou não: saber dizer não, ser observador para identificar as tendências de comportamento e corrigi-las se necessário.

Não deve haver espaço para a culpa, seja ela por qualquer um dos motivos elencados acima. É na família que temos que exercitar o companheirismo, a solidariedade, a humildade, a amizade. Quando deixamos de estimular isso por algum motivo, nossos filhos podem se perder pelo caminho, sofrendo e nos fazendo sofrer. Claro que seguir as regras não significa que nossos filhos estarão livres da contaminação pela parte podre da sociedade. Mas, aí, teremos a certeza de que a nossa parte foi feita. Se erros foram cometidos por nossos filhos, foram pelo livre arbítrio dele. E  eles aprenderão, pelo amor ou pela dor, que pra cada ação há uma reação. Melhor, pra todos, que seja pelo amor. Então, deixe a culpa de lado e aprenda a dizer NÃO!

Se você tem filho, sabe dizer não? E como filho, sabe receber o não? Sabem o valor dessa palavra pequenininha na educação? Confabule comigo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Quatro requisitos para casar

Estavam reunidos em um bate-papo, durante comemoração de aniversário de uma amiga, quatro ou cinco jovens casais de namorados, entre 21 e 25 anos. Na pauta,  os principais requisitos para casar. "Abelhuda" contumaz, fui convidada a dar meu pitaco, que passo agora pra vocês.

1º requisito - Estar namorando, noivando ou morando com alguém com quem tenha amizade, cumplicidade, bom sexo e com quem dê boas risadas. Os orientais já diziam isso. Viver com alguém requer um exercício constante, que exige não apenas paixão. Esta passa com o tempo. Tem que ter amor, tolerância e paciência para que, juntos, encontrem o equilíbrio da relação. Se desde o namoro há brigas constantes, ciúmes exagerados e frustrações por o(a) outro(a) não ser o que você gostaria, não será o casamento que vai mudar isso. Se cada um se dispõe a se adequar para fazer a outra pessoa mais feliz; se há disposição para a divisão de tarefas; se há disposição em compartilhar momentos em atividades em que um goste mais que o outro... há mais chances, em meu entender, de um casamento dar certo.

2º requisito - Cada um deve ter a sua profissão. Seja ela por formação (diploma superior) ou não. É importante que o casal cresça junto: intelectualmente, moralmente e materialmente. Claro que há casais que não preencheram esse requisito e vivem juntos há mais de 20 anos.  Mas, no geral, quando um depende do outro, a coisa se complica mais. Hoje tudo é mais caro. Se os dois tem uma profissão que lhes dê uma boa remuneração, mais rapidamente conseguirão fazer os investimentos - ou aquisições materiais - mais rapidamente. Vale lembrar que casar com tudo dado pelos pais ou família é muito fácil, mas não prepara para enfrentar desafios futuros. O bom é conquistar por si mesmo, juntos, a partir da vara de pescar dada pelos pais: a formação que lhe garantiu uma profissão à sua escolha. Quanto mais cedo se conclui os estudos (ops! Estudos nunca são concluídos... o aprendizado é constante) formais, mais chance de preencher o requisito seguinte.

3º requisito - Ter emprego. Fundamentalíssimo!!! Um amor e uma cabana é utopia romântica e está mais que provado que não funciona. Para facilitar o entrada no mercado de trabalho, mostre interesse na profissão escolhida desde a faculdade. Busque estágios, faça network. Aprenda que as redes sociais é também para mostrar seu potencial e não apenas para publicar bobagens que nos faz rir. Não ter dinheiro no final do mês para pagar as contas desestabiliza a maioria dos casais, por mais amor que tenham. A fase de namorar, ou ficar, com alguém que não tem interesse em estudar ou trabalhar, interesse em crescer, só porque é bonitinho(a) ou gostosinho(a) é apenas na adolescência. E mesmo assim deve ter cuidado, porque o sexo começa cada vez mais cedo e transar pode significar a chegada de um bebê. E aí? Aí, o bicho pega!

4º requisito - Ter onde morar. Quem casa deve querer casa. Morar na casa dos pais é o Ó. Sei que muitos jovens hoje vivem um casamento fake na casa dos pais, só tendo o bom do casamento: o sexo. Não contribui com nada nas despesas da casa. Come, bebe, transa, dorme, vê TV, tem carro à disposição... Quando vão enfrentar a vida sozinhos, tendem a se separar nas primeiras dificuldades financeiras. Então, ter onde morar é essencial, seja alugado ou próprio.Por isso é bom retomar um costume da minha geração que foi deixado pra trás com o apoio de pais protetores: o de se preparar para casar assim que tem certeza que o primeiro requisito está devidamente preenchido. Diminuir os gatos com as baladas e com roupas e outras coisitas, fazer uma poupança tão logo tenha renda própria (pode começar de pouquinho, já a partir do estágio profissional) ajuda e muito.

Acha que vai demorar muito? Depende de cada um. Quanto mais foco tiver, mais rápido se conquista o emprego, a casa e pode se pensar em filhos. Só recomendo não deixar pra pensar nisso - filhos - depois dos 30 anos, principalmente para as mulheres. A vida está muito estressante e a fertilidade pode dar uma reviravolta lhe deixando na mão. Enquanto não estão prontos, monitorem a fertilidade com exames periódicos.

No mais, amar é bom. Casar é bom. Viver junto pode ser um pouquinho difícil ou muito difícil. Vai depender de como você viveu cada etapa. Se formos sinceros conosco, poderemos ver o potencial do nosso futuro.

Torço pra ver esse grupinho casado e com bebês lindos!.

E você? Quais os requisitos e a ordem deles para casar, em sua opinião? Confabule comigo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Adolescente traficando é crime?

Os jornais de hoje abordam um tema polêmico. Adolescente que trafica drogas deve ser considerado criminoso e deve ser apreendido ? Gostaria de confabular sobre isso com você.

O Superior Tribunal de Justiça acha que se o adolescente for detido por tráfico e não tiver passagem pelo crime na polícia, não deve, obrigatoriamente, ficar apreendido.. Pelo menos é o que diz  a Súmula 492, publicada na semana passada.

Mas o procurador de Justiça Marcio Sergio Christino, em entrevista ao Folha de São Paulo, diz que a súmula do STJ é um "passe livre" para o tráfico. "Vai ficar mais fácil para o traficante contratar esse adolescente para trabalhar como vendedor. Só basta dizer que ele não vai ser punido e, pronto, seu negócio será mantido."

Apoiado por muitos e contestado por outros tantos, o Estatuto da Criança e do Adolescente ( ECA) prevê que a internação só deve acontecer em três ocasiões: quando o ato infracional (o crime) for cometido mediante violência ou grave ameaça, se houver reiteração ou se o jovem descumprir medida disciplinar anterior.

Como o envolvimento de adolescentes com as drogas aumentou absurdamente, principalmente no uso do crack, os juízes, em grande parte, passaram a determinar a apreensão do adolescente que trafica - seja para alimentar o vício, seja para ganhar dinheiro "fácil". O resultado, como mostra os números em São Paulo, é que o número de internos aprendidos por tráfico passou de 21% do total em 2006 para 43% até o momento, em 2012.

Caso os juízes sigam a Súmula 492 do STJ, a superlotação diminuirá nas casas de acolhimento de adolescentes infratores. Mas, determinar apenas outras medidas socioeducativas, como liberdade assistida e prestação de serviço comunitário, vai ajudar a reduzir o número de adolescentes envolvidos com o tráfico de drogas? Tenho minhas dúvidas. Aliás, tenho minhas certezas: não ajudará. Precisamos de medidas integradas, como sugeri em outras confabulações (confira aqui e aqui).

Sei que são muitos os defensores do tratamento pela redução de danos. Mas, por conhecer de perto o grau de dependência gerado pelo crack, redução de danos não resolve. Polêmica ou não, sou a favor do internamento para desintoxicação. Por quê os adolescentes flagrados no tráfico de drogas não são redirecionados para tratamento e posterior reinserção?

Qual sua opinião?

Confabulações relacionadas:
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Poder Público se omite de tratar dependência química
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Corrente do bem: governo acorda para combater as drogas



domingo, 12 de agosto de 2012

Homenagem ao meu pai



Hoje, 12 de agosto, além do Dia dos Pais, é dia do meu pai, Nilton Cavalcante Amorim, pai dos meus 16 irmãos - somos 11 filhos de Nicinha Amorim e seis filhos de Delma. Alguns de nós tem dentro de si sentimentos contraditórios em relação ao nosso pai. Um misto de amor e raiva pelo seu rigor.

Seu Nilton, que completa hoje 79 anos, é de uma geração onde o marido/pai era o provedor e exercia plenamente a função paterna, impondo ordem e disciplina quando a mãe pedia socorro na lida com os filhos.

Papai é pessoa que não sabe, por iniciativa própria, demonstrar seu amor; mas, sabe retribuir. Nunca tivemos luxo; tampouco passamos fome. Seu orgulho é nunca ter deixado os filhos, e as mães, passarem necessidade. Para ele, a educação é o maior legado e seus filhos só teriam casado quando formados. Mas nem sempre os filhos ouvem os pais.... Por isso, seu Nilton tem 23 netos e cinco bisnetos e nem todos os filhos tem formação universitária.

Natural do sertão de Alagoas, meu pai saiu da roça cedo pra ir trabalhar em Forquilha (Paulo Afonso), na construção das hidroelétricas pela CHESF. A esta empresa dedicou pelo menos 40 anos da sua vida. Aos 17/18 anos começou como trabalhador braçal, passando a telefonista, eletricista, técnico em  eletrônica e técnico em telecomunicação. Nesta área todos os cursos foram por correspondência pelo Instituto Universal. Como chefe do laboratório de telecomunicação da CHESF ajudou a implantar as torres e linhas de distribuição do sinal de TV. Na década de 70 muitas mulheres o xingavam nos horários das novelas, porque sua comunicação com a torre repetidora era ouvida em todos os aparelhos: sob chuvisco na imagem ouvia-se "alô maravilha, serra da maravilha, câmbio". Se fosse em final de novela, então... às vezes achava que ele fazia de propósito.

Orgulhoso e autosuficiente, características herdadas por quase todos os seus filhos, papai passa por dura provação. Está quase cego e dependendo de todos para ir ao trabalho - sim!, seu Nilton mantém sua oficina eletrônica em Paulo Afonso e vai  para lá de segunda a sábado, chova ou faça sol. Depende de todos para praticamente tudo.
Independentemente do sofrimento que possa ter causado às mães dos seus filhos na condição equivocada do ser macho, sempre tive, tenho e terei orgulho deste homem obstinado, inteligente e dedicado. Nem posso falar mal da sua teimosia porque eu e meus irmãos também a temos em grau elevado.

Meu amor por você, Nilton Cavalcante Amorim, é incondicional e eterno. Feliz Dias dos Pais. Feliz Aniversário! Que Deus permita - e o senhor se cuide - para que possamos conviver neste plano, nesta encarnação, por mais tempo!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sem medo de ter 50 anos

Na minha adolescência houve o rumor de que o mundo acabaria no ano 2000. Em minha sede de viver, ficava indignada. Deus não poderia fazer isso comigo. Afinal, eu teria só 38 anos e não teria vivido quase nada. Naquele momento eu sonhava em completar 15 anos, debutar... sim, debutar, dançar valsa, como ainda hoje acontece em algumas cidades pequenas. Depois disso já planejava meu sonho dos 18 e dos 25 anos. Por que essas idades? Porque eram emblemáticas para mim.  Nos 15 eu me tornaria "moça". Aos 18 entraria na vida adulta e aos 25 queria minha independência financeira. Como, então, o mundo poderia acabar quando eu nem tivesse chegado aos 40 anos?
Meus 15 anos chegaram. Eu cursava a 8ª série. Não participei do Baile de Debutantes. Meu pai me convenceu que eu lucraria mais se fizesse uma festinha em casa, onde eu poderia receber meus amigos e colegas da escola. No baile, os convites seriam limitados, como acontece hoje nas festas de formatura. Não foram todos os que convidei para minha festa, mas os que foram se divertiram muito. E eu, claro, fiquei feliz com a comemoração da minha nova idade.
No mesmo ano, dois meses depois, encontrei o meu amor na figura de um carinha de 20, cabeludo, vindo da capital, Salvador.Não ficamos juntos pra toda vida, como achava que seria. Pelo menos nos meus 18 anos, recebidos em Recife, onde estudava, ele não estava comigo. Mas entrei na vida adulta dando um rumo à minha intelectualidade e ao meu projeto de 25 anos - iniciava a faculdade de Comunicação Social - Jornalismo, na Unicap. Esquecida, completamente, do fim do mundo previsto para 2000.
Os esperados 25 anos chegaram três anos depois de formada. Já tinha voltado pra minha cidade natal, Paulo Afonso, e seguido para Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia. Independente, era diretora de programação e jornalismo da Rádio Alvorada, onde tinha meu próprio programa de variedades e jornalismo - Jogo Aberto, o carro-chefe da emissora. Comemorei com novos amigos - Milton, Nini e filhos. A amizade permanece. Também não estava ao lado do meu amor dos 15 anos e  nem lembrava do fim do mundo.
Sonhei, então, como minha chegada aos 30 anos. E sem planejar, os comemorei ao lado daquele amor da adolescência, reencontrado e reiniciado aos 27 anos. Ele já não era tão cabeludo. Eu já não estava na Paulo Afonso dos 15, no Recife dos 18, nem na Teixeira de Freitas dos 25 anos. Estava em Salvador, como repórter da Tribuna da Bahia e freelance em uns outros lugares, como a maioria dos jornalistas. Sonhei com filhos nesta época, mas eles não vieram. Tinha, porém, ganhado um emprestado. E o fim do mundo estava apagado das minhas lembranças.
Como numa câmera acelerada chegou o ano fatídico: 2000. E o mundo não acabou, graças a Deus! Imaginei, então, como seria chegar aos 40 anos. E ele chegou lindo e feliz! Estava há um ano morando em uma casa com jardim, como na minha infância e adolescência, bem acompanhada pelo meu amor dos 15 anos e seu filho, meu filho emprestado. Oficializamos nossa união de tantos anos no cartório e em uma cerimônia mística celebramos esse amor e a minhas quatro décadas de vida. Naquele dia marquei a próxima comemoração: meus 50 anos.
O tempo volta a correr e a ameaça do fim do mundo volta a pairar sobre nós. Desta vez os maias teriam deixado escrito que tudo acabaria em 2012. Mas... logo nos meus 50 anos?! Ah, não!! Decidi não esquentar, mas não esquecer que eu queria ter 50 anos. E eles chegaram, em 17 de julho, me pegando sem nenhum medo de ser feliz. De cabelos curtos e grisalhos, sem nenhum pingo de tinta senão a que restava do castanho escuro original, festejei minha nova idade e, em nova cerimônia mística, renovei os laços de amor e união com aquele por quem me apaixonei aos 15 e reencontrei aos 27. Como na minha adolescência, não pude reunir todos os amigos. mas os que foram somaram suas energias às nossas, à minha, no jardim da nossa casa.
O ano de 2012 já passou da metade e sinto-me honrada e orgulhosa de ser cinquentona. Sinto-me jovem, em plenitude intelectual e cercada pelo amor da minha família e dos amigos. Cercada pelo amor do meu primeiro e atualíssimo amor - Roberto, e do meu filho emprestado, Cacá. Sem medo de ter 50 anos. Próximo projeto? Festejar os 60 anos. Como será que estarei - estaremos - ao entrar, oficialmente, na "terceira idade"? Não sei, mas tenho 10 anos pela frente para me cuidar e chegar bem, acompanhada, sempre, do amor que encontrei aos 15 anos.











terça-feira, 8 de maio de 2012

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM: Albergue Bezerra de Menezes

Sempre digo que o mal nunca vence o bem, mesmo que batalhas perdidas para ele ganhe mais ibope que as batalhas ganhas pelo bem. Vitórias como a do Albergue Bezerra de Menezes, que há 41 anos tem dado assistência à pessoas que estão à margem da vida - abandonados por si mesmos ou por familiares. Idosos. Jovens. Gente que precisa de amor. Gente que ganha alimento para a alma e para o corpo.

Tomei conhecimento do Albergue Bezerra de Menezes através do seu presidente, César Brandão, ontem pela manhã, durante a cobertura de uma audiência no Tribunal de Justiça da Bahia.

Sr, Bionor Rebouças Brandão, fundador do Albergue Bezerra de Menezes
Sr. Bionor Rebouças Brandão, fundador do albergue
A história começou com o pai de César, Sr. Bionor Rebouças Brandão, agricultor e comerciante, espírita. Depois de ter recebido orientação do seu mentor espiritual, Sr. Bionor fundou o albergue, em 10 de outubro de 1970, para atendimento às vítimas de uma epidemia de tuberculose em Itabuna, que eram abandonadas pela família por medo da contaminação, gerado pela ignorância. Os trabalhos foram conduzidos por ele até 1988, quando fez seu retorno à vida espiritual em 25 de setembro. A partir daí César Brandão, economista e professor na área de empreendedorismo, assumiu os trabalhos.

Atualmente o Albergue Bezerra de Menezes atende a 91 pessoas com idades que vão dos 20 aos 91 anos. Mas, durante  o seu tempo de atividade, mais de 28.400 pessoas já foram beneficiadas pela caridade do grupo, que tem hoje 21 funcionários.
O Albergue Bezerra de Menezes, segundo César Brandão, cuida de pacientes com diversos tipos de patologia, procurando lhes oferecer conforto, respeito, amor e carinho, no sentido de reabilitar sua saúde e dignidade.

A instituição hospeda e alimenta seus pacientes, oferece transporte, intermedia autorizações para para exames e consultas, fornece medicamentos e encaminha para outros centros quando necessário. Atividades culturais e de lazer também são promovidas.


Caso você queira fortalecer essa instituição, tem várias opções. Se mora em Itabuna (BA), pode contribuir mensalmente atravaés de carnê.  Para quem é da cidade ou de qualquer outra cidade/Estado, pode fazer depósito em conta favor do Albergue Bezerra de Menezes no Banco do Brasil – Agência 3175-5 C/C 310.019-7. Também podem ser doados alimentos, produtos de limpeza e higiene pessoal, roupas e sapatos (em estado aproveitável).

Como você vê, o bem existe. Torná-lo mais forte depende de cada um de nós.

terça-feira, 6 de março de 2012

Personalidade-legenda: todos nós temos uma e não sabemos

Durante a leitura do livro "A vida continua...", ditada pelo espírito André Luiz ao saudoso Chico Xavier, deparei-me com um trecho que chamou a minha atenção mais especialmente (capítulo 23, pág.186):
" (...) nossos irmãos atrelados ao desespero e à revolta encontram razões para censurar-nos, sempre que preferimos desempenhar na Terra a função  de personalidades-legendas".

Minha curiosidade foi aguçada. Afinal, o que era (ou o que é) uma personalidade-legenda? Logo mais à frente veio a explicação.

 " Muitas vezes somos no mundo titulares desses ou daqueles encargos sem que venhamos a executá-los de modo efetivo. Costumamos ser maridos-legendas, pais-legendas, filhos-legendas, administradores-legendas. Usamos  rótulos sem atender às obrigações que eles nos indicam."

Na hora lembrei de uma das primeiras palestras que ouvi de Newton Simões no Instituto Espírita Boa Nova, onde ele falou que costumávamos usar máscaras: tínhamos uma máscara para a família, para os amigos, para o trabalho... e, muitas vezes, para nós mesmos. Mas achei a personalidade-legenda um tema ainda mais profundo que a máscara. Não tinha como não refletir e depois confabular aqui com vocês.

Será que estou adotando muitas personalidades-legendas? Será que tenho executado de modo efetivo os encargos que assumi nesta encarnação?

O primeiro foi o de filha, seguido do de irmã de muitos irmãos (16), no núcleo mais importante da sociedade, que é a família. Será que exerço em plenitude essas funções ou terei negligenciado esse papel em muitos momentos, priorizando outras coisas?

Precisamos nos manter firmes nos caminhos que escolhemos
Depois veio o papel de aluna e amiga. Soubera aprender e apreender tudo o que me fora passado pelos professores (que tive sorte de tê-los dedicados), aproveitar as oportunidades que me foram dadas pela vida e por meus pais?

Mais adulta, tenho o encargo de ser jornalista profissional, atualmente no desempenho de assessoria de imprensa. Será que cumpro com minhas obrigações? Será que me empenho para alcançar resultados com eficiência e eficácia?

E  papéis tão importantes como o de filha e irmã desempenho no meu novo núcleo familiar: esposa e mãe (emprestada). Será que tenho sido mulher companheira, amiga? Será que, mesmo sem ter parido, dedico amor ao meu filho como se biológico fosse?

Confesso que fiquei encucada. Não quero ser filha-legenda, irmã-legenda, amiga-legenda, profissonal-legenda, esposa-legenda ou mãe-legenda. Se tenho sido, peço desculpas e me disponho a ficar mais atenta aos papéis que aceitei assumir. Afinal, por mais difícil que seja, precisamos nos manter firmes nos caminhos que escolhemos.

E você? Será que tem adotado alguma ou muitas personalidades-legendas? Confabule comigo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Eu namoro meu marido

Para namorar, basta gostar de sentir o outro junto de si
Certa vez, em um final de semana, uma jovem contava suas peripécias com o marido, também jovem. Dizia, às gargalhadas, que tinha ido dançar com ele e ficaram fingindo que eram namorados. Meu marido, Roberto, me chamou para ouvir a história: " Vanda, venha ouvir essa!". Fui até o grupo e a jovem repetiu a história.

_ Fingindo que eram namorados? Como assim?, perguntei.

_ Claro! Porque não não somos mais namorados. Agora somos marido e mulher. Aí a gente se abraçava e ria, fingindo que a gente era namorados.

Fiquei besta com essa conversa. Roberto olhava sorrindo pra mim, esperando minha reação.

_ Menina, vocês tem tão pouco tempo de casados (pouco mais de um ano) e já pensam assim? Pois eu e Roberto estamos juntos há 22 e continuamos namorados. No Dia dos Namorados fazemos todo o ritual como se não morássemos juntos. Chegamos do trabalho, tomamos banho separados, nos arrumamos e começamos nosso jantar, que faço em casa mesmo. Só depois, com música romântica e à luz de velas, é que trocamos presentes.

_ Ah! Não venha com essa! Depois que casa muda...

_ Muda se você quiser. Pergunte a Roberto se ele não gosta disso...

Roberto ria maroto, enquanto outro garoto olhava pra ele e dizia: "Gosta! Gosta! Olha a cara dele!"

Na verdade, o que é ser namorados? E por que não se continua a namorar depois que casa oficialmente?

Para mim, namorar não é apenas beijar, transar e viver como se só existisse isso. Para mim, namorar é fazer coisas que gosta, com alguém que você gosta e que gosta de estar com você. Pra namorar, além de ter tesão, tem que ter amizade, cumplicidade... mas sem aquela história de que somos uma só pessoa. Não! Namorado e amigo que ama respeita a individualidade e a diferença do outro.

É claro que, quando se está casado, com todas as responsabilidades assumidas pelo casal e não por terceiros (comum hoje em dia, onde os jovens brincam de casamento na casa dos pais, com tudo pago por eles), o sonho do amor 24 horas dissipa um pouco. Mas, quando há transparência e cumplicidade na relação, quando ambos entendem que casamento é compartilhar bons momentos e outros nem tão bons - como renunciar a compras supérfluas, ou às vezes até importantes, porque senão falta dinheiro para pagar alguma conta - a nuvem que atrapalha o amor é muito leve e nada muda.

Tirar a liberdade do outro, com ciúme e possessividade como se dono (ou dona) fosse, isso sim pode acabar com o romantismo, com a paixão, com o tesão e o amor em um casamento. Achar que não precisa fazer mais nada para conquistar a outra pessoa, porque já casou com ela... isso também muda o clima no casamento.

Mas, se você usa e abusa da criatividade na conquista, se você se cuida para estar bonita (bonito) para si e para o parceiro(a), se você se permite alimentar o amor, a paixão e o tesão com pequenas doses diárias... então você terá um (a) namorado(a) enamorado(a) por um longo tempo... para mim, por toda uma vida (ou todas as vidas, já que acredito em reencarnação).

E você, acha que o casamento é o fim do romance? O que você faz para manter acesa a chama do amor e tesão ?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A coragem de ser diferente

A sociedade é dura com todos, mas não intimida a todos. Algumas pessoas encarnam de forma tão determinada que superam desafios e escancaram sua ousadia no viver. É claro que, apesar da audácia, não agradam a todos. Mas conseguem o mais importante: agradar a si mesmo ao ter coragem de enfrentar seus próprios bichos, ao ter coragem de quebrar paradigmas.

Você conhece alguém assim? Eles parecem ser poucos ao nosso redor, mas tive o privilégio de conhecer uma dessas pessoas: Newton Lima Simões Filho - Newtinho para a maioria que o conhece.

Reconheço que, ao conhecê-lo, assustei-me um pouco com sua irreverência e sua forma de lidar com a doutrina no Instituto Espírita Boa Nova. Mas, fascinou-me sua energia, sua sede de conhecimento, sua dedicação extrema ao estudo das coisas da espiritualidade, através dos livros da codificação feita por Allan Kardec, da física quântica, da filosofia... Com tanto conhecimento, está além do nosso tempo. E com orgulho, mas também humildade, se dispôs a compartilhar o que aprendeu.

Sua coragem maior foi fundar o Instituto Espírita Boa Nova com outras pessoas que pensavam como ele e tinham o compromisso de cuidar do lado espiritual, ajudando encarnados e desencarnados. E é nisso que está outra parte da sua coragem. Apesar de grande parte dos centros espíritas seguirem um sistema que lembra um pouco rituais da Igreja Católica, Newton Simões sempre teve a coragem de realizar sessões mediúnicas abertas, onde as vítimas de obsessão viam e ouviam a comunicação dos seus obsessores através dos médiuns do Boa Nova. Seu objetivo: impactar a consciência das pessoas sobre o fato de que temos responsabilidade sobre as coisas que nos acontecem; que não somos totalmente vítimas ou réus.

Suas palestras sempre foram marcadas pela alegria e irreverência. Sempre pautadas no conhecimento adquirido. Quando necessário, sabia impor disciplina aos trabalhadores e até aos assistidos, assim precisasse.

O tema MORTE sempre foi abordado nas doutrinárias ministradas por Newton. É a única certeza que temos na vida; só não sabemos como e quando acontecerá, dizia. Era importante vivermos como se fossemos morrer amanhã, não deixando nada para dizer ou fazer amanhã. Se ama, ame agora; se tem mágoa, tente dissipá-la; se tem medo, tente vencê-los.

O retorno à espiritualidade liberta o espírito, aprendemos no estudo da doutrina. A vida prossegue em um plano paralelo ao que estamos. E permanecemos onde se encontra o nosso tesouro, seja ele a família, o trabalho, os amigos - de preferência quando tudo isso está junto.

Estive afastada por pelo menos dois anos das atividades do Boa Nova, onde contribuía com a leitura de textos para reflexão e onde fiz, a pedido de Newton, umas duas palestras. Nesse tempo vinha estudando a doutrina na Universidade Livre do Espírito da Fundação Lar Harmonia. Queria me fortalecer em conhecimento para voltar a trabalhar com o Boa Nova. Pelo visto levei tempo de mais.

Como sempre, não somos consultados sobre a hora da passagem. Não somos consultados sobre a nossa passagem; tampouco sobre a passagem daqueles a quem amamos. E foi dessa forma que a espiritualidade definiu que estava na hora de Newton Simões retornar, deixando-nos sem a sua presença física no lar e no Boa Nova. Para que não sofresse com prolongamentos, teve um infarto fulminante. Todos os que o amam foram pegos de surpresa. Provavelmente a espiritualidade não queria contestações - a presença dele do outro lado era necessária.

Aqui deixou o legado da importância do estudo para a evolução; deixou a mensagem de que compromissos podem e devem ser assumidos com alegria e irreverência, mesmo que nos custem sacrifícios. Principalmente, que a família não é apenas aquele de sangue, mas que se estende em laços eternos a todos aqueles que compartilham dos mesmos ideais, que se permitem viver uma grande amizade e viver em exemplo de caridade. 

O Instituto Espírita Boa Nova retomará seus trabalhos no próximo sábado, 3 de março, sob coordenação de Celeste e Ana. Muito em breve, certamente, terá de volta o seu fundador, desta vez no Plano espiritual. Que os trabalhos prossigam pautados na caridade, na alegria e na responsabilidade ensinados por Newton Simões.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ano Novo - passei de ano


 Nos tempos de escola, não havia nada melhor que iniciar um novo ano em uma nova série. Significava que estava vencendo etapas... evoluindo. Mesmo que tivesse passado pelo baque de ir para recuperação em uma matéria, o novo ano tinha sabor de vitória. Claro que sabia que poderia ter algumas dificuldades na nova caminhada, se a recuperação enfrentada foi por não ter conseguido apreender os conhecimentos. Lá na frente eu seria testada de novo. Cabia a mim estudar para não ter mais uma queda.

A sensação que tenho ao iniciar um novo ano - o ano de 2012 - é semelhante. Considero que venci etapas em 2011. Mas sei também que passei em algumas provas apenas depois de ter feito recuperação. Inicio o novo ano com alegria, determinação, esperança e fé.

Alegria por ter uma família maravilhosa - uma grande família, vale dizer - e amigos do coração. Determinação em seguir meus projetos pessoais e profissionais, buscando seguir uma receita de equilíbrio para não danificar a máquina (o corpo físico que me foi emprestado e o espiritual, que registra as marcas das quedas) além do desgate comum ao tempo.

Caminho com esperança de poder ver o despertar coletivo da consciência de que nos foi concedido o livre arbítrio e que somos responsavéis por tudo o que desejamos e alcançamos - mesmo que os resultados sejam negativos. Somos responsáveis por nosso bem estar, por nossa saúde, por nosso crescimento moral, espiritual e também pela evolução profissional. Não podemos culpar ninguém por nossos fracassos - pessoais, profissionais e até pelos problemas de saúde.

E alimento a fé de que teremos mais um ano caminhando lado a lado com Nilton Cavalcante Amorim, meu pai, que no momento se encontra enfermo. Infelizmente ele não soube dar manutenção do corpo físico no tempo certo. Mas tenho fé na sua recuperação.

Que cada um de vocês faça a sua parte em 2012. 

Lembre-se, Deus lhe deu o poder. Use-o bem e será feliz.