segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Ano Novo - passei de ano


 Nos tempos de escola, não havia nada melhor que iniciar um novo ano em uma nova série. Significava que estava vencendo etapas... evoluindo. Mesmo que tivesse passado pelo baque de ir para recuperação em uma matéria, o novo ano tinha sabor de vitória. Claro que sabia que poderia ter algumas dificuldades na nova caminhada, se a recuperação enfrentada foi por não ter conseguido apreender os conhecimentos. Lá na frente eu seria testada de novo. Cabia a mim estudar para não ter mais uma queda.

A sensação que tenho ao iniciar um novo ano - o ano de 2012 - é semelhante. Considero que venci etapas em 2011. Mas sei também que passei em algumas provas apenas depois de ter feito recuperação. Inicio o novo ano com alegria, determinação, esperança e fé.

Alegria por ter uma família maravilhosa - uma grande família, vale dizer - e amigos do coração. Determinação em seguir meus projetos pessoais e profissionais, buscando seguir uma receita de equilíbrio para não danificar a máquina (o corpo físico que me foi emprestado e o espiritual, que registra as marcas das quedas) além do desgate comum ao tempo.

Caminho com esperança de poder ver o despertar coletivo da consciência de que nos foi concedido o livre arbítrio e que somos responsavéis por tudo o que desejamos e alcançamos - mesmo que os resultados sejam negativos. Somos responsáveis por nosso bem estar, por nossa saúde, por nosso crescimento moral, espiritual e também pela evolução profissional. Não podemos culpar ninguém por nossos fracassos - pessoais, profissionais e até pelos problemas de saúde.

E alimento a fé de que teremos mais um ano caminhando lado a lado com Nilton Cavalcante Amorim, meu pai, que no momento se encontra enfermo. Infelizmente ele não soube dar manutenção do corpo físico no tempo certo. Mas tenho fé na sua recuperação.

Que cada um de vocês faça a sua parte em 2012. 

Lembre-se, Deus lhe deu o poder. Use-o bem e será feliz.


domingo, 30 de outubro de 2011

Eficácia da metodologia dos Alcoolicos e Narcóticos Anônimos na berlinda

Certa vez, ao conversar com um adicto que passou 50 dias internado para tentar se livrar da dependência das drogas, ele me dissera que desistiu de ir para as reuniões do NA. Segundo ele, os encontros com o grupo os deixava sempre pra baixo, quando o que ele buscava era algo que lhe desse forças para continuar "limpo". O motivo: no grupo que frequentava havia poucos ou quase nenhum relato de alguém que conseguisse ficar muito tempo sem recair. Era comum, segundo ele, recaídas semanais. E ele preferiu caminhar só. Uma boa solução? Não, segundo John E. Burns, doutor em Administração de Programas de Tratamento de Dependência Química. Em sua opinião, o melhor para o pós tratamento é o grupo. É nele que está o poder.

John Burns, com quem conversei também sobre o tratamento de adolescentes, disse que apenas 30% dos dependentes que se submetem  a tratamento de 30 a 90 dias, alcançam uma recuperação. Mas que essa propabilidade  cresce para 60 a 80% quando o dependente químico participa de atividades em grupos posteriormente à internação por cerca de 2 anos. Isso se dá porque o grupo está sempre em fluxo: pessoalmente, emocionalmente e fisicamente.

Mas esse especialista admite que o modelo atual dos AAs e NAs está com data de validade vencida, vamos dizer assim. Burns disse que é grato ao AA, que muito o ajudou quando precisou, mas lamenta que eles tenham virado um culto rígido aos 12 passos. Por isso defende a necessidade de esses grupos modificarem suas metodologias, usando novas dinâmicas. Talvez aí esteja o sucesso, nos Estados Unidos, do Smart Recovery. Em sua opinião, é preciso entender que o tratamento da dependência química é uma arte e não uma ciência.

John E. Burns durante sua palestra no VI Simpósio de Alcoologia e outras drogas.
Em sua palestra Uma abordagem cognitivo comportamental: Smart Recovery, no VI Simpósio de Alcoologia e outras Drogas, promovido pelo Vila Serena Bahia, John Burns destacou que nos Estados Unidos centros de tratamento de curto prazo estão sendo substituídos por instituições de longo prazo que são financeiramente viáveis. Entre os modelos citou pensões, condomínios, escolas, empresas, igrejas, clubes recreativos e esportivos, cafés, clubes de livros e programas de rádio e televisão. Ele lembra que o tratamento em grupos tem a vantagem de não ter custo, ao contrário das internações curtas.

Em relação ao Brasil, Burns parabenizou o governo pela recente Resolução – RDC 29, de 30 de junho de 2011, editada pela Anvisa, que prevê no parágrafo único do Art. 1º , que “o principal instrumento terapêutico a ser utilizado para o tratamento das pessoas com transtornos decorrentes de uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas deverá ser a convivência entre os pares (...)”. Para ele, é o reconhecimento que o poder está no grupo e que este é o seu próprio terapeuta.

Mas isso não significa que assistentes sociais, psicólogos e terapeutas sejam dispensáveis. Tanto que Burns também elogiou a iniciativas de algumas empresas no Brasil que estão investindo em tratamento de dependência em grupos, com a supervisão desses profissionais, oferecendo chance de recuperação aos funcionários, em vez de demiti-los e criar um problema social.

Qual sua opinião sobre a metodologia dos NAs e AAs? Conte pra gente.

Reinserção social é fundamental na recuperação de adictos adolescentes


Ter acompanhado na manhã de sexta-feira, 28/10, o VI Simpósio sobre Alcoologia e Outras Drogas, promovido pela Vila Serena Bahia em Salvador, me deu a oportunidade de encontrar eco para outras avaliações que eu já tinha feito através das confabulações no Forquilha, como o combate ao crack  e olhos fechados para as drogas. Uma delas é a de que nenhum país vai conseguir tirar seus adolescentes da dependência química se não trabalhar com a reinserção social.

Conversando com o doutor John E. Burns, fundador da Vila Serena no Brasil
Tive essa confirmação com John E. Burns (EUA), doutor em Administração de Programas de Tratamento de Dependência Química, psicólogo, teólogo e mestre em sociologia que há 30 anos fundou a Vila Serena no Brasil a partir de experiências adquiridas enquanto se tratava, nos Estados Unidos, da dependência do álcool. Depois de assistir pedaços de sua palestra sobre o Smart Recovery, considerado uma ferramenta de auto monitoramento para o dependente, pude conversar com ele, que me garantiu: o caminho para se livrar do vício é a mudança de atitude, de modo de viver.

No caso do adulto (isso considerado por ele como uma pessoa acima dos 18 anos de idade), o caminho é a terapia em grupo. No caso do adolescente, é a oportunidade de tratamento e a garantia da reinserção social. Isso quando falamos de meninos e meninas pobres, porque para os de classe média e alta, a situação é diferente. John Burns diz, no alto da sua experiência, que os adolescentes das classes média e alta tem resistência em mudar; enquanto os pobres não tem como mudar.

Então não bastaria os governantes apenas encararem a dependência química como caso de saúde pública, como defende Ricardo Restrepo. É preciso investir em educação, desporto, moradia, capacitação profissional e oportunidade de trabalho. Caso contrário, lembra Burns, ao sair de um tratamento o jovem voltaria para o mesmo lugar e estaria fadado a se envolver, mais uma vez, com as drogas. Então, não adianta  investir em CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou ampliação de leitos psiquiátricos para o tratamento da dependência, porque a recuperação para a dependência de qualquer droga depende da mudança de vida; a substância é circunstancial.

Você que está confabulando comigo tem algum tipo de dependência? Está disposto a mudar de vida? Então siga em frente. Se quiser, você consegue.

Na próxima confabulação trataremos da questão dos grupos de pós tratamento da dependência. John Burns considera que os tradicionais grupos de pós tratamento de dependências precisam se atualizar para conseguir contribuir com uma recuperação mais prolongada do adicto, seja ele dependente de drogas lícitas ou ilícitas.

Até lá.



Droga é caso de saúde pública e não apenas de polícia

Na última sexta-feira, 28/10, acompanhei os trabalhos do VI Simpósio de Alcoologia e Outras Drogas, promovido anualmente pela Vila Serena Bahia, uma instituição privada que trata de dependências: químicas ou não. É um tema muito interessante até porque diz respeito a cada um de nós, mesmo para aqueles que não sofrem por ter um adicto na família. Um dos palestrantes que mais me chamou atenção, pela manhã, foi o psiquiatra colombiano Ricardo Restrepo, residente há 17 anos nos Estados Unidos e diretor da clínica de psicofarmacologia e adicção do Instituto de Adicção de Nova York (EUA).

Ele disse, com a autoridade de especialista que é, o que eu já comentei no Forquilha em relação à políticas governamentais no Brasil e Bahia para esta área: " É preciso que a dependência de droga seja tratada como uma questão de saúde pública e que o tratamento seja de forma integrada entre as diversas especialidades, porque os riscos são clínicos e psicológicos."

Como estava contribuindo com a Vila Serena na divulgação do evento, pude conversar bastante com o simpático Restrepo. E aí ele me explicou porque a dependência química tem que ser tratada como saúde pública de forma integral: quem usa drogas, lícitas ou não, pode desenvolver aids, tuberculose, infecção pulmonar e problemas cardiovasculares, além de transtornos mentais.A sua estimativa é que cerca de 30 a 40% das pessoas que usam alguma substância psicotrópica acabam desenvolvendo enfermidade mental.


Dr. Ricardo Restrepo e eu, no VI Simpósio de Alcoologia e Outras Drogas.
 E aí temos dois problemas, comuns, segundo Ricardo Restrepo, a todos os países, não só os latinoamericanos: falta de capacidade de profissionais de saúde pública que lidam com adicto, que não sabem dar o diagnóstico correto, e a falta de vontade política dos governantes em tratar a questão como caso de saúde pública. Ele me garantiu que poucos profissionais, atualmente, estão habilitados para identificar enfermidades mentais em dependentes químicos.

Com este quadro, Ricardo Restrepo defende que escolas de Medicina tornem obrigatório, na graduação, o ensino de disciplinas sobre enfermidades mentais e uso de substâncias que causam dependência, até como forma de acabar com o estigma em relação a transtornos mentais.

Quanto a termos êxito nessa árdua luta para salvar nossos jovens das drogas, na opinião de Restrepo isso é possível, desde que os governantes se conscientizem que investir apenas em programas policiais ou judiciais não adianta. “É preciso ter disposição política para investir mais em saúde pública,” alerta. Eu confabulei com vocês sobre isso no post  Combate às drogas  .

Quanto tempo mais teremos para cuidar disso com seriedade? Se você tem alguma dependência, qual sua opinião? Gostaria de saber também o que pensa se vc é da área de saúde pública.



A equipe da Vila Serena Bahia, organizadora do Simpósio, com Ricardo Restrepo.
Da esquerda pra direita: Priscila Brito,  Júlia Damiana e Moema Raquelo


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vício da internet leva jovens brasileiros à era dos substitutos


Bruce Willis em Substitutos (Surrogates)

Ontem pipocou nas redes sociais e demais mídias o Relatório Mundial de Tecnologia Conectada, elaborado pela Cisco, que mostra que quase dois terços (63%) dos jovens universitários e adultos em início de carreira consideram a rede mundial algo imprescindível, e mais da metade a descreve “como parte integrante de sua rotina”.


A Cisco abordou dois universos em sua pesquisa, onde foram ouvidas mais de 5 mil pessoas de 14 países: uma com universitários e outra com jovens trabalhadores com até 30 anos de idade. Jovens brasileiros participaram.

Incrível, e preocupante, o resultado obtido com os universitários nesses países e, principalmente, no Brasil. Eu já sabia do vício de adolescentes e jovens com a internet. Recentemente uma sobrinha minha, de 14 anos, postou em seu mural no Facebook que seus pais deveriam agradecer por ela ser viciada em internet e não em drogas ou bebidas. Eu comentei que nenhum vício é legal, nem mesmo o da internet, porque ao nos dedicarmos a ele, deixamos de produzir, de viver, de amar, de fazer amigos reais, que a gente pode abraçar, conversar, rir, brigar – porque não?, fazer as pazes...

De qualquer forma, o resultado do relatório mostra que as coisas são mais graves do que eu pensava. Entre todos os entrevistados, dois em cada cinco universitários disseram que a web é mais relevante para eles que namorar, sair com os amigos ou ouvir música. No Brasil, 72% preferem navegar na rede.

Como pode ser isso? Sei que vivemos no Brasil uma paranóia gerada pelo aumento da criminalidade. Mas, daí a substituir o contato pessoal pelo virtual... Como seremos em uma década? Será que iguais aos personagens do filme Substitutos (Surrogates, com Bruce Willes e direção de Jonathan Mostow), no qual os homens vivem isolados em seus quartos e se comunicam por meio de robôs-clones?

Eu não gostaria de ver os jovens que amo viverem assim. A vida é real quando podemos olhar no olho, tocar as mãos, sentir a pele num abraço, ouvir a voz do outro sem a interferência eletrônica.

E você? Qual a sua opinião ou sua experiência? Você troca a vida pela internet?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Serviço Militar ajuda na luta contra deliquência juvenil?



Local onde era cumprido o serviço militar obrigatório em Mendoza - Argentina 
 Adoro férias e faço questão de gozá-las. Já teve um período de minha vida em que podia não podia viajar. Em outros, viajar por apenas 15 dias. Em outros, por trabalhar com assessoria de comunicação na área política, no máximo viajava por uma semana. Apenas uma escapulida, vamos dizer assim. Mas hoje faço questão dos 30 dias. Um luxo? Não. Um direito que faz bem.

Férias é bom, principalmente quando é curtida com alguém que, mesmo diferente de você, gosta de coisas parecidas. É bom porque relaxa e porque lhe permite conhecer novas culturas, apreciar novas paisagens, aprender coisas novas, ver outras contextualizações políticas e, daí, poder comparar com a sua realidade.

Agora em setembro vi que em Mendoza, Argentina, a sociedade e o governo enfrenta dificuldades como as nossas devido à deliquência juvenil. Vi, no Paseo Sarmiento ( um calçadão que corta três ruas no centro histórico da cidade), uma família chorar publicamente sua dor, em protesto feito com um megafone. Motivo: um adolescente da família morreu em confronto com a polícia, com pelo menos 14 tiros.

É certo que não vi, nas áreas que andei, grupos de jovens em situação que gerasse insegurança ou medo. O centro da cidade é monitorado por câmaras. Nada posso dizer das áreas periféricas, porque não passei por lá. Mas vi que é nas noites que a pobreza se apresenta em Mendoza, a terra dos vinhos, com mais de 1000 bodegas (vinículas). No Paseo Sarmiento, enquanto sentada nas cadeiras de um bar no calçadão, vi pobres crianças, adolescentes e adultos pedindo esmolas aos turistas. Também ao escurecer e nos finais de semana surgiam os camelôs, que estendiam suas mercadorias em mantas sobre as calçadas. 

Durante o passeio que fizemos para a Alta Montanha, o guia Gabriel nos mostrou uma área do exército onde era cumprido o serviço militar obrigatório. Uma área grande, incrustada próxima às montanhas pré cordilheiras (dos Andes). Gabriel, profundo admirador do libertador San Martin, defendia a volta do serviço obrigatório, que há pouco mais de uma década passou a ser opcional na Argentina, tal qual no Brasil. Em sua opinião, se todos tivessem que passar pela disciplina do exército talvez não houve tanta deliquência juvenil.

Não sei se só o serviço militar resolveria. Mas concordo que ajudaria em muito. Já confabulei outras vezes sobre o problema social que vivemos e apontei a falta de disciplina como um dos fatores da desordem em que vivemos hoje. Disciplina que os pais/as mães não sabem mais dar. Disciplina que muitos pais/mães talvez nem tenham recebido enquanto filhos. Tem faltado o exercício do NÃO.

E você? Considera que o serviço militar obrigatório pode ajudar a reduzir a delinquência juvenil? Quero saber sua opinião. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Hipocrisia acaba com personagem na novela Morde & Assopra


A hipocrisia marca a nossa sociedade. Um dos exemplos mais novos é a saída da atriz Nívea Stelmann  da novela Morde & Assopra, da Rede Globo. As informações apontam que o Ministério da Justiça, através da sua Classificação Indicatica, considerou que a história vivida pelo personagem de Nívea é muito pesado para o horário: uma ex-garota de programa, Lavínia, que ao chegar na cidade para se casar com o banqueiro Oséas ( Luis Mello)descobre que ele é o pai do homem por quem ela tinha se apaixonado. Ela é vítima de violência doméstica por causa do ciúme que o marido tem do seu passado. O filho, Fernando (Rodrigo Hilbert), que ainda a ama, quer livrá-la das surras do pai.