sexta-feira, 6 de outubro de 2017

São Francisco é a inspiração para me livrar de mágoas

Será que somos capazes, mesmo, de fazer exatamente o que pede São Francisco de Assis em sua prece? Você não conhece? Talvez pense que não, mas acho que conhece. Ela diz assim:

"Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde houver ódio que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé..."


Sempre achei, no alto da minha presunção, vaidade e orgulho, que eu era, sim, capaz de ser parte dessa oração. Sei, e quem está ao meu redor sabe, que realmente procurei, durante anos, levar amor onde havia ódio, perdoar ofensas, buscar a união e alimentar a fé. Assim fiz para a construção da minha família com o meu amor. Também o fiz para a reconstrução e harmonia da grande família construída por meu pai.


Fiz isso por quase uma década, inspirada pelo exemplo de amor e perdão dado por minha mãe. Procurei me aproximar e trazer juntos quase todos, com carinho e atenção. Mas alguma coisa não fiz direito. mesmo pedindo e procurando fazer o que diz ainda São Francisco:

"Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz."

Com a passagem da minha mãe ao outro lado do caminho, em agosto de 2014, algo se quebrou. Não sei se em mim ou se em cada um dos que fazem parte da grande família do meu pai. Tal qual o vento, muitas palavras foram ditas, ouvidas e interpretadas de formas diferentes por cada um. Muitas ações atingiram diferentemente um a um, deixando marcas indesejadas

Tranquei lágrimas. Contive palavras. Silenciei. E aí tive que confessar a mim mesma que eu era fraca. Ou seria frágil a palavra correta? Deixei a tristeza e a mágoa ocupar um espaço em meu coração. Mas busquei vencer. A saudade era maior. Lamentavelmente, nada mais estava como antes. Nem mesmo conseguia mais falar com meu pai todos os dias, ou ao menos em qualquer dia que eu quisesse ouvir a voz dele. Seu celular estava sempre desligado. Ele não sabia. Estava literalmente cego.

Eu continuei fingindo que estava tudo bem.Que não alimentaria sentimentos negativos. O bate-papo virou semanal, aos sábados. E era o melhor momento da semana para mim. Até que foi interrompido em junho deste ano (2017), pois papai precisou seguir para o outro lado do caminho. Mais lágrimas, mais saudade, mais silêncio.

Quarta-feira, 4 de outubro, foi comemorado o Dia de São Francisco de Assis. Um santo íntimo, digamos assim, pois foi em sua novena que comecei a namorar Roberto, um bocado de anos atrás. Mas também foi o dia que marcou quatro meses da despedida de papai. Lembrei dos dois e fiquei muito triste. De saudade e pela constatação que ainda sentia martelar no peito uma mágoa que não gosto de sentir.

No caminho de casa, dirigindo, não liguei para nenhum dos muitos irmãos, como sempre faço. Nem mesmo para uma amiga querida que digo ser uma filha de outra encarnação. Preferi cantar a oração de São Francisco para me encontrar e me fortalecer. Disse com força para tornar verdade dentro de mim a última parte da oração:

"Ó Mestre, Fazei que eu procure mais, consolar, que ser consolado; compreender, que ser compreendido; amar, que ser amado. Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna".

Em casa, também nada conversei com meu amor. Só eu e Deus. Estava envergonhada de ainda ter esse sentimento dentro de mim.

Antes do dia 4 acabar, recebi a mensagem de que a vida prossegue e que cada dia é a esperança de novos tempos, que deve prevalecer o amor e a luz. Sabe como? Antes de desconectar o celular sempre olho as mensagens da minha família. Pouco faltava para a meia-noite e quando vi que uma nova vida se concretizou na família.

Havia nascido, logo depois das 22 horas, a pequena Beatriz, minha sobrinha-neta, filha de @Vanessa Patrício Amorim. A segunda Beatriz na família. E a segunda a nascer no dia de São Francisco, compartilhando aniversário com a tia @Vany, minha sobrinha. Pedi perdão a Deus e dormi mais leve.

Vou continuar tendo essa oração como inspiração, embora saiba que a caminhada é longa. Só não precisa ser muito longa. Vou tentar de novo. Vou fazer a parte que me cabe. Sei que conseguirei, em breve, dizer "Xô, mágoa! Você não me pertence!"

E você? Consegue seguir alguma parte da Oração de São Francisco (de Assis)? Fique à vontade para contar.




quarta-feira, 19 de julho de 2017

Tenho um amor que estava escrito nas estrelas

Quem não tem uma religião ou professa uma fé pode até achar piegas ou presunçoso dizer "Sou uma pessoa abençoada ". Mas, como não ligo muito para o que as pessoas possam pensar, reafirmo para mim mesma que sou, de fato, uma pessoa abençoada. 

Hoje, acordei feliz, como na maioria dos meus dias. Dormi e acordei bem, aconchegada ao lado de alguém que parece fazer parte da minha vida desde sempre. Alguns já me disseram que desde outras vida. E não duvido. Pra quê, se ter essa impressão ou informação só aumenta a minha certeza que o nosso amor estava escrito desde sempre?

Hoje, 19 de julho, comemoro oficialmente duas datas importantes: a do nascimento e a da formalização do casamento com Roberto. Digo oficialmente porque tenho datas duplicadas. Vai ver que é porque gosto de celebrar a vida e me afirmo como aberta à felicidade. 

Nasci dia 17 de julho, mas meu pai, Seu Nilton, ao me registrar acabou colocando dia 19. E recebo abraços nos dois dias. Ninguém chega atrasado. Já no casamento, formalizamos no cartório no dia 19 e recebemos as bênçãos, através de uma cerimônia mística (uma adaptação do casamento Wicca), no dia 20.

Sobre inaugurar um motor 5.5 digo que é uma honra e uma dádiva. Mesmo que eu esteja quase 20 quilos acima do meu peso ideal. Mesmo que não possa mais falar e abraçar pessoalmente a minha querida Nicinha Amorim e meu querido Nilton Cavalcante Amorim, que foram chamados para o outro lado do caminho. Ela, há 2 anos, 11 meses e 19 dias. Ele, há 1 mês e 15 dias. 

Mas tenho 10 irmãos vindos do amor de Nilton e Nicinha, e mais seis irmãos do segundo casamento de papai. Tenho um monte de sobrinhos, outro tanto de sobrinhos-netos, cunhados e cunhadas queridos. 

E, muito importante, tenho Roberto, meu filho do coração Acácio e a filha do coração Bruna, sua esposa. Ela, a nora, garante que tenho neta canina, Vicky, embora meu amor pela cadelinha não a transforme em neta.

Mas é sobre as bodas de casamento que gosto de falar. Dizem que 15 anos é de Cristal. Que quem chega a isso tem uma relação sólida.  Mas, pra não esquecer que sou múltipla, tem a boda de 23 anos de reencontro (também neste mês), que não sei que nome leva, e a de 40 anos do primeiro beijo e primeiro namoro. Como essa será em outubro, procurarei seu nome lá pra frente. E ter tantos anos de história com alguém é uma grande dádiva, né não?

Para muita gente, até para você que o conhece, meu amor pode não ser um cara bonito. Tem características físicas comuns do Recôncavo baiano (sua mãe, dona Alaíde, era de Santo Amaro). 

Mas, mesmo assim o acho um gato. O meu gato. Não o gato no sentido de lindo. Mas o gato no sentido de gostar de se enroscar, de gostar do contato das nossas peles, de compartilhar sentimentos e sensações. 

De gostar de assistir um filme abraçado a mim. De gostar de caminhar de mãos dadas. De gostar de dormir de conchinha mesmo depois de tantos anos lado a lado.

Somos diferentes. Muito diferentes. Sou mais comunicativa que ele (tagarela mesmo, confesso). 

Gosto de me exercitar durante o dia (desde que a preguiça não bata). Ele prefere o anoitecer. Gosto de festa à noite, para poder colocar velas e me arrumar. Ele, durante o dia, pra ficar de bermuda e chinelo. 

Adoro ler. Ele, nem tanto. Adoro dançar. Ele se permite o forró pra me agradar. Nas reformas em casa, então, somos muito diferente e discutimos muito, mas no final conseguimos chegar a um acordo.

Mas também somos iguais. Bem iguais. 

Adoramos viajar (ele planeja e organiza tudo e eu o sigo). Adoramos receber os amigos. Curtimos nos abraçar ao acordar, ao nos encontrar na cozinha para o café, ao sair para o trabalho e ao retornar para casa ( isso nos dá uma energia forte e do bem para o dia todo). A terapia do abraço é uma constante em nossos dias. 

Gostamos de cuidar da casa e de depois sentar para relaxar com uma cervejinha gelada. Curtimos assistir filmes juntinhos, mesmo que ele durma antes da metade.


Inaugurar motor 5.5 ao lado de Roberto, que em setembro inaugurará seu motor 6.0, numa celebração de tantos anos de convivência é ter a comemorar. Principalmente em tempos em que as pessoas não têm  paciência uma com a outra, em que tolerância é palavra desconhecida do vocabulário dos casais e em que a paixão meteórica é cantada amplamente nos sucessos sertanejos como se fosse amor. 

Não. Amor que faz sofrer não é amor.

De tempos em tempos digo a Roberto o quanto o amo. "Já disse hoje que te amo", brinco. Ele sempre responde que não, com um sorriso leve no rosto, só pra me deixar declarar o meu amor. 

Literalmente ele nunca disse me amar em todos esses anos. Já fez como no filme Ghost: "idem". Isso não me incomoda nem me deixa insegura ou desconfiada, porque todos os dias ele diz me amar, com atitudes. 

Diz isso ao me acordar com um abraço, ao preparar nosso café da manhã, ao perguntar o que quero comer nos finais de semana, ao saber (isso mais recentemente, mas muito bem sabido) me presentear com sapatos que amo e me surpreender com uma linda orquídea em complemento a um presente, como fez hoje. 

Diz também ao me receber com um abraço todos os dias no jardim das nossa casa quando chego cansada depois de um longo dia dedicado ao trabalho. 

Também demonstra seu amor ao ficar ao meu lado, em silêncio, quando me vê triste e silenciosa, sem querer conversar. E diz, ainda, quando acordo nostálgica e meto música clássica na casa (embora ele não curta muito). 
Então, como já disse Tetê Espínola, "Signo do destino, que surpresa ele nos preparou, meu amor, nosso amor estava escrito nas estrelas, tava, sim". 

Sou abençoada, sei disso, e agradeço a Deus todos os dias por ter minha grande família e minha pequena família. Mas também peço a Deus sabedoria diariamente para continuar alimentando esse amor que me faz forte e feliz.

Sabe o que peço também a Deus? Que ilumine cada um de vocês para que se permitam a um amor assim: companheiro, cúmplice, atencioso, leal. 

Acredite: o amor é possível!

Você tem um amor? Conte pra gente.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Nilton Amorim:"O trabalho edifica o homem e o estudo alimenta a mente".



Era uma vez um jovem sertanejo, que labutava na roça com seus irmãos e pai na zona rural de Cacimbinhas, Alagoas, mas sonhava com um algo mais. 

Aos 17 anos, soube que a Companhia Hidroelétrica de Paulo Afonso - Chesf iria construir uma hidroelétrica em Forquilha, Bahia. Decidiu, então, seguir os passos do irmão mais velho e foi atrás do emprego.

Assim começa, na Bahia, a história de Nilton Cavalcante Amorim, meu pai. Nascido em 12 de agosto de 1933, Riacho do Mel, um sitio em Palmeiras dos Índios, Nilton foi o segundo dos 10 filhos de Floriza Cavalcante Amorim e João Braz Amorim, agricultores. Ela, de Pernambuco. Ele, de Alagoas. 

Sua infância e adolescência foram vividas entre os povoados Mata Burro, Tingui e Lagoa do Boi, na árdua lida com roças e secas intermitentes. Nem mesmo tinha acesso regular à escola, tamanha a dificuldade enfrentada, comum às famílias no sertão.

O irmão mais velho, Manoel Cavalcante Amorim, já tinha seguido para Forquilha e Nilton decidiu repetir seus passos. Partiu para Forquilha, na Bahia, bem na divisa com o seu estado natal. Foi determinado a conseguir uma vaga na Companhia. Acreditava que era a sua chance de conquistar uma vida melhor. 

Em 7 de outubro de 1950 chegou a Forquilha, no Município de Glória, Nordeste da Bahia, que posteriormente passou a ser conhecida como Paulo Afonso, cidade que abriga cinco hidroelétricas.

Como Nilton, milhares de homens – alguns mais jovens, outros, mais velhos – tinham na Chesf a oportunidade de ter um emprego e renda para alimentar a si e à sua família. A disputa era grande. Chegavam aos montes homens de Alagoas, Paraíba, Pernambuco e até mesmo de outras áreas da Bahia. O trabalho era braçal, mas isso não lhe intimidava. Quem cuidava da roça já estava acostumado. 

O problema para Nilton Cavalcante Amorim era seu tipo físico: franzino, pouco mais de 1,60 m. Também era problema a sua idade – 17 anos. Para trabalhar tinha que ter 18. Para ser escolhido junto a uma multidão, Nilton ficou na ponta dos pés. 

Para ser contratado, disse que tinha 18 anos. Prova não tinha. Só sua palavra. Naquele tempo não se exigia documentos. Aliás, nem todas as pessoas tinham registro de nascimento ou outro documento de identidade. E assim foi escolhido na presença do engenheiro Apolônio Sales (primeiro presidente da Chesf) com mais um batalhão de peões.

Operário
 
Sua experiência na Chesf começou em 16 de outubro de 1950 como trabalhador braçal na construção da barragem para implantação das usinas Paulo Afonso I, II e III. Sua primeira matrícula foi 304. 

Nilton contava que depois de um dia de trabalho duro estava tão cansado que não tinha ânimo para estudar. Tampouco tinha incentivo de quem quer que fosse. Até ali tinha só até a 4ª série.

Junto com o irmão Manoel, morou no alojamento da Chesf, na área dos antigos galpões, perto do lago que depois viraria o balneário. Dividia o espaço em redes com quase uma centena de outros trabalhadores. 

Por considerar inseguro, vez que não tinham armários para guarda dos seus pertences, Nilton e o irmão resolveram alugar um canto na Vila Poty.

Ao final do primeiro ano de trabalho na Chesf, Nilton Amorim, o galeguinho dos olhos azuis, como muitos colegas o chamavam, passou a trabalhar na montagem da subestação. A atividade, além de menos cansativa que a anterior, despertou a necessidade e o interesse em estudar. 

Juntou-se a outros trabalhadores e contrataram um professor para prepará-los para o exame de madureza (de acordo com o artigo 99, e seu parágrafo único da Lei 4.024, de 20 de dezembro de 1961 (equivalente ao atual Supletivo)). Aprovado, pode iniciar o 1º ano colegial (Administração de Empresas) Colégio Sete de Setembro.

Por um período ocupou a função de telefonista, mas retornou logo para a montagem. Quando a montagem mecânica da subestação acabou, Nilton Amorim passou a trabalhar na instalação elétrica da usina, que foi inaugurada em 1955.

Iniciando a família
 
Nesse mesmo ano nasceu sua primogênita, Maria de Fátima, fruto do seu casamento (em 1954) com Maria Cleonice Galindo Melo, imigrante de Pesqueira (PE). 

Nesta época morava nas casas tipo O, perto da Escola Adozindo Magalhães de Oliveira. A partir daí passou a trabalhar como eletricista na parte da operação da Usina Paulo Afonso I, onde atuou por seis anos. 

Depois da casa perto do Adozinho, Nilton e a família foram morar nos galpões, perto de onde ele já tinha morado assim que entrou na Chesf. Menos de um ano depois ganhou o direito de morar em uma casa maior, na Rua L (atual Rua das Camélias), 96.

Com ambição de crescer profissionalmente, decidiu fazer no Instituto Monitor, pioneiro em educação à distância no Brasil, os cursos de Rádio e Televisão, e Eletrônica. 

Também começou a estudar Inglês com o professor Aquino, que era o chefe dos Correios naquela época, em aulas particulares. Para isso, adquiriu um gravador de áudio com fita de rolo, onde estudava diariamente na sua oficina, em nossa casa.


Com o certificado de técnico em Eletrônica e em Rádio e Televisão em mãos, em 1961, Nilton Amorim pediu para trabalhar no setor de Eletrônica da CHESF. Com orgulho lembro que meu pai instalou o sistema de som da Escola Adozindo Magalhães de Oliveira, onde todos os dias ouvíamos e cantávamos a oração de São Francisco. 

História da comunicação
 
Em 1962 (ano em que nasci), começou a contribuir para que os pauloafonsinos e moradores das cidades circunvizinhas de Alagoas e Pernambuco tivessem acesso à transmissão do sinal de televisão.

Sua história se entrelaça com a história da Chesf, com a história de Paulo Afonso e a história da televisão e da comunicação em Paulo Afonso e região. 

A história da Comunicação em Paulo Afonso passa diretamente pela história deste técnico em telecomunicações, Nilton Cavalcante Amorim. 

Em grande parte das quatro décadas que trabalhou na Companhia Hidroelétrica de Paulo Afonso foi um dos principais responsáveis pela implantação do sinal de televisão no município e em outros municípios vizinhos da Bahia, Pernambuco e Alagoas.
Não lembro de todos. Da esquerda para direita: Araújo, (...),(...), papai, Hans e Hermes

Naquele ano a Chesf deu início à repetição do sinal de televisão com um equipamento “caseiro” feito por Nilton Amorim e outros técnicos no laboratório de Eletrônica da empresa. Na Serra da Maravilha (AL), a equipe teve que subir a pé com os equipamentos e material para instalação da torre de transmissão. 

Anos depois a Chesf fez a estrada, facilitando o trabalho de manutenção. Foram instaladas por Nilton Amorim e colegas repetidoras em Paulo Afonso (na antiga Fazenda Chesf), Maravilha, Água Branca e Prata (AL), Garanhuns e Itaparica (PE).
Em 1964, aos 31 anos, Nilton Amorim assumiu a chefia do Laboratório de Eletrônica da Chesf

Dali ele supervisionava o trabalho de pesquisa de sinal das emissoras, o pedido de aquisição de equipamentos (feitos ao Rio de Janeiro), a instalação das torres e linhas de energia e dava manutenção às repetidoras de televisão. 

Nessa época convivíamos constantemente com alguns dos seus amigos, a exemplo de Gérson Campeão, Moacy e Seu João da repetidora (da Fazenda Chesf).

Edson Siqueira, operador de subestação e posteriormente operador de Sistema da Chesf, disse que sempre admirou Nilton Amorim: “Excelente técnico, muito inteligente e reconhecido em todo o Nordeste”. Ele conta que ao chegar a Goianinha (PE), onde a Chesf tinha uma importante subestação de distribuição de linhas, Nilton Amorim já era citado como uma das maiores autoridades em telecomunicação da Chesf.

Sinal de Televisão

Na década de 1970 o sinal de TV já chegava a muitas casas. Mas não em todas. Era comum a televisão solidária, onde os vizinhos assistiam novelas e programas no domingo à noite na casa de quem tinha a TV. 

Em nossa casa era uma Telefunken preto e branco, compartilhada com todos os vizinhos, que enchiam a sala e a ária (terraço ou varanda). 

Muitas mulheres xingavam Nilton sem nem mesmo conhecê-lo. É que nos horários das novelas era comum a sua voz interromper a programação enquanto se comunicava com a torre repetidora. Em todos os aparelhos da cidade, acompanhado de chuvisco na imagem, ouvia-se o “alô maravilha, serra da maravilha, câmbio”. Se fosse em final de novela, então... 

Às vezes achavam que era de propósito, mas ele garantia à família e amigos que não; apenas tentava resolver problemas na transmissão do sinal.

Formatura de Administração de Empresas
Educação

Em seu aprimoramento no saber, Nilton Cavalcante Amorim, além de cursar Administração de Empresas, também cursou Contabilidade no Colégio Sete de setembro. 

Como técnico em Telecomunicações chegou ao nível funcional mais alto possível dentro da Chesf - auxiliar de Engenharia III. Dali, só engenheiro. 

Infelizmente, na década de 1980 não havia o atual acesso aos cursos de nível superior nas cidades do interior. Para cursar Engenharia naquele período teria que morar no Recife, capital pernambucana onde estava instalada a sede da Companhia. 

Isso seria muito
Eu e meu pai na formatura de Contabilidade
difícil sem os subsídios que a
Chesf dava aos funcionários em Paulo Afonso, como residência, água, luz, escola e assistência à saúde. Tudo gratuitamente.

Viver fora da Chesf seria muito difícil com tantas bocas para alimentar, corpos para vestir e mentes para educar. 

Em Paulo Afonso era muito mais que isso, pois sempre tinha um irmão, sobrinho ou um cunhado a abrigar. Também tinha iniciado uma nova família com Maria da Luz Rocha, natural de Maravilha.

Aposentadoria e empreendedorismo

Nilton Cavalcante Amorim permaneceu chefiando o Laboratório de Eletrônica, que depois passou a Laboratório de Telecomunicações, até aposentar-se com 41 anos e 5 meses de trabalho, aos 58 anos e 5 meses de idade.  

Na época, o tempo máximo de serviço era 35 anos. Quando se afastou, ou melhor, foi afastado a contragosto porque queria continuar seu serviço na Chesf, o funcionamento das repetidoras já estava mais estabilizado, uma vez que a Chesf entregara a repetição para as empresas geradoras, a exemplo da Detelpe (Recife-PE), Gazeta de Alagoas, SBT e Globo, na Bahia.

Com a aposentadoria, Nilton Amorim, que já tinha uma oficina eletrônica em sua residência, se tornou um empreendedor. 

Abriu a Eletrônica e Papelaria Amorim, empresa familiar, na Travessa José Firmino Lins com a Rua Pedro Mendes. Pouco tempo depois abriu uma fábrica familiar de móveis tubulares – a Metal & Cia, na Rua Presidente Médici com a Rua Alto Nova. Alguns anos depois decidiu fechar a Metal & Cia e transferiu para este imóvel a eletrônica.

Desde a sua aposentadoria trabalhou diariamente, de segunda a sábado, mesmo que partir de 2005 não contasse com a mesma visão que o fez conhecer cada circuito e componentes eletrônicos de rádio e televisão. 

A cegueira, que começou a alcançá-lo a partir de 2015, o impediu de conhecer internamente os aparelhos digitais. Mas havia poucos técnicos com tanto conhecimento como ele nos aparelhos eletroeletrônicos analógicos.

Registro feito na Eletrônica Amorim em janeiro de 2013, já cego
Duas famílias

Sua família foi ampliada com mais seis filhos, desta vez com a sua companheira e, a partir de 2015, esposa legalmente, Maria da Luz Rocha – Delma. São 17 filhos, 29 netos e sete bisnetos. Todos vivos. Além disso, já são esperados até o final do ano de 2017, mais um neto (ou neta) e mais uma bisneta.

Em 4 de junho de 2017, apenas três meses antes de completar 84 anos, Nilton Cavalcante Amorim retornou ao plano espiritual. 

Deixou como legado o ensinamento de que filho é para toda a vida; Deixou a ética, a responsabilidade, a honestidade e que o trabalho edifica o homem e o estudo alimenta a mente. 


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CARTA AO CÉU - Parabéns é para quem você ama

Oi, mamãe

Desculpe ter passado tanto tempo sem escrever para você. Aliás, há muito tempo não escrevo para as pessoas também.

Sabe, passei a semana passada ansiosa, na expectativa da sua chegada para celebramos o seu aniversário na quarta-feira, 16 de dezembro. Afinal, sempre era por volta do dia 13 que você vinha para Salvador da sua temporada no Recife, para comemorarmos sua nova idade junto com a querida maluquinha Iolanda e para o Natal. Ansiedade igual ficaram minhas irmãs, cada uma em suas casas e do jeito delas, no desejo de lhe abraçar, de lhe desejar saúde e paz, de agradecer por nos ter recebido como filhas.

Sei que muita gente não entende porque agimos assim. Afinal, você retornou ao lar espiritual há 1 ano, 4 meses e 16 dias. Mas fazemos isso por um motivo simples: sabemos que você vive.  Que você está viva e conectada conosco através do amor imenso que sentimos.

Procurei tornar mais fina a sintonia entre nós duas desde os primeiros minutos do dia que marca a sua chegada aqui nessa dimensão para sua última encarnação. Fiz minhas preces e emanei todo o amor e gratidão que tenho por você, mariquinha. Pedi a Deus a oportunidade de abraçá-la em sonho e lembrar desse encontro e desse abraço.

Ao acordar, procurei me vestir com a sua cor preferida. Coloquei vestido e sapato azuis, que contrastaram com meu cabelo vermelho (venho mantendo essa cor, que você tanto gostou e que realça os meus olhos esverdeados). Roberto perguntou para onde eu ia vestida assim. Pensou que tinha alguma coisa especial no trabalho. Eu respondi que tinha me arrumado pelo seu aniversário e que à noite iria com Cida para a missa na Igreja Nossa Senhora Aparecida em sua homenagem.

O dia no trabalho teve momentos estressantes e acabei me atrasando. Decidimos, então, que faríamos uma celebração íntima, com um evangelho no lar. Mas eis que a espiritualidade entrou em ação e programou uma missa ao ar livre, sob árvores, no condomínio em que Cida mora, para o horário em que cheguei lá.

Sabe qual música tocava na hora que cheguei? A oração de São Francisco. Perfeito, né? A missa foi linda, com muitas músicas, dedicada a você, mamãe e a outras pessoas e aniversariantes. Acho que nossa emoção foi tanta, assim como a certeza que você adoraria essa missa, que sentimos sua presença ao nosso lado ao cantarmos o Pai Nosso de mãos dadas. Voltamos para o apartamento abraçadas e de coração leve.

Mas aniversário  tem que também ter parabéns, né? Por isso subimos ao apartamento de Cida e lá, junto com Paulo, com um panetone com chocolate (hummmmmm) e uma vela, cantamos parabéns para você, mamãe. Pedimos que Deus lhe dê muita saúde e paz nesse seu caminhar espiritual. Temos certeza que os anjos disseram amém!

Ficamos felizes por ter certeza da conexão de amor. Principalmente por termos ouvido na missa que quando há amor há ligação na terra e no céu. E temos muito amor por você. Parabéns, mamãe. E obrigada por tudo.

P.S. - A saudade é grande, viu, mulher? Mas vamos suprindo com a lembrança de tantos momentos lindos que vivemos, principalmente nesse período. Ah! Esse ano o Natal não será celebrado na minha casa. Como tia Regina está com 102 anos e cansadinha, precisa evitar muitos deslocamentos. Por isso transferimos para a casa das irmãs de Roberto. Como você sabe o caminho... Qualquer coisa é só sintonizar comigo. E nosso encontro de Réveillon será na casa de Tata e Antão. O caminho desta você também conhece. Beijos.

Sua filha tagarela,

Vanda


domingo, 10 de maio de 2015

CARTA AO CÉU - O difícil dia das mães sem a mãe

Oi, mamãe!

Tanto tempo faz que não lhe escrevo.né? A senhora  me conhece bem e sabe que quando silencio na escrita é porque minha mente está em turbilhão. Quando estou assim, mando mensagens apenas mentalmente. E tenho lhe enviada muitas, todos os dias; em algumas vezes, mais de uma ao dia. Mas hoje, dia oficial dedicado às mães, não poderia ficar sem mandar essa carta para o céu.

Tenho certeza que hoje teve muita ligação mental para a senhora  desses filhos todos que recebeu nesta encarnação. Dessa vez deve ter sido difícil registrar quem se conectou primeiro. Não deve ser fácil receber ligações mentais de 11 filhos saudosos ao mesmo tempo, mas acredito que a senhora teve o amparo espiritual necessário, assim como estamos tendo aqui nesse momento.

Não tivemos como lhe dar algo material, como sempre fizemos. A reforma da sua cadeira preferida foi o último presente. E o fato de ela estar ali na saleta, sem a sua presença física, aumenta mais ainda a saudade da gente, em especial de Verinha, Tata e Bepe, que estão em Paulo Afonso.

Acredito que o amor reafirmado hoje, com tanta intensidade por todos nós, deve ter lhe deixado feliz. Se pudéssemos escolher, queríamos que estivesse ao nosso lado fisicamente. Mas isso não estava em nossas mãos para decidir. Apenas procuramos entender e aceitar, acreditando fervorosamente que a senhora hoje está bem. Tivemos, inclusive, algumas informações sobre a sua vida na espiritualidade. A senhora sabe que tem gente que não acredita nisso, mas a maioria dos seus filhos acredita. E serena nosso coração saber que seu caminhar prossegue para a evolução, cuidando fraternalmente daqueles que precisam de alguma ajuda aí onde se encontra.

Aqui a nossa vida prossegue. Como já deve saber, retornei para a Defensoria Pública e estou tentando dar o melhor de mim profissionalmente. Sei que está dizendo que eu tome cuidado para não extrapolar nos horários, para priorizar a família e a saúde. Procurarei fazer isso, tenha certeza. Se eu não cumprir depois de passar a Semana da Defensoria, pode puxar a minha orelha.

Entre nós, seus filhos, ainda tem algumas arengas. Como poderia acabar de uma hora pra outra, né? A senhora conhece bem cada um de nós. Mas, vamos continuar tentando estabelecer uma harmonia mais duradoura e estável.

Nosso pai continua o mesmo de sempre, adiando as idas aos médicos e trabalhando todos os dias na eletrônica. Como as operadoras de telefonia aqui na terra estão cada vez piores, e a Tim não foge à regra, principalmente em Paulo Afonso, temos dificuldade de falar com ele com maior frequência. Mas continuamos  enviando a papai, mentalmente,  fluidos de amor para que viva com saúde no corpo e paz no coração e no espírito.

Caso encontre por aí as outras mães que amamos e que já retornaram, dê um beijo nelas por nós. Em especial para vovó Minice e vovó Floriza, tia Neném e Tina, e Tenide.

Receba um beijo em cada um desses olhinhos lindos e um abraço de caranguejo, transmitindo todo o amor e saudade que sinto.

Da sua filha tagarela,
Vanda.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CARTA AO CÉU: Encontramos en el camino lo que llevamos en el corazón

Querida mamãe

Como vai, luz da minha vida? Tá tudo direitinho com a senhora aí no Céu? Já se habituou à sua nova vida? Desejo que haja brilho em seus olhos. Sei que não deve ser fácil e que a saudade, que pode ser confundida com a tristeza, deve estar batendo forte em seu coração da mesma forma que bate em nós. Mas não se deixe abater pela saudade que emitimos pra você, viu? Olha, estou ansiosa pra lhe contar sobre a nossa viagem e por isso lhe escrevo esta carta.

Lembra que uma das minhas parábolas preferidas é aquela que diz que encontramos no caminho aquilo que levamos no coração?  A senhora sabe que Roberto e eu somos do bem, E então, só encontramos gente legal. Acredita que pedimos uma informação a uma mulher num ônibus em Bogotá, capital da Colômbia, e como ela não sabia responder ligou do celular para a filha? Como íamos descer na mesma parada ela ainda seguiu junto e mostrou como chegar onde queríamos. Foi perigoso? Sei que podíamos ser alvo de uma armadilha, mas seguimos o nosso coração.

Não se preocupe que tomamos cuidado. Andamos bastante pelo Centro Histórico de Bogotá, pela Zona T, onde tem muitos restaurantes e bares, e subimos de teleférico ao Cerro de MonSerrate. Lá tem o Santuário do Senhor Caído e uma via crucis. Como fica a 3.152 metros sobre o nível do mar (altitude), cansa um pouquinho, Pra senhora ter uma ideia, Paulo Afonso fica só a 243 metros e Salvador a apenas 8 metros sobre o nível do mar. Aí já viu como respirar fica um pouquinho mais difícil, né? Mas, sabia que mesmo assim na Semana Santa os fiéis fazem essa via crucis em peregrinação? E pensar que algumas das suas rosas acham que a Serra do Retiro, em Glória, que tem 150 metros de altura e é caminho de peregrinação também, é muito alto.

Com tantas notícias sobre os grupos políticos criminosos da Colômbia, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), confesso que tínhamos medo de conhecer o país. Mas como é sabido que o governo colombiano tem buscado a paz depois de causar várias baixas nesse grupo considerado terrorista, decidimos ousar. E não nos arrependemos. Encontramos uma cidade muito organizada e com pessoas mais confiantes nas ruas: nativos e turistas. A senhora iria gostar de ver aquela cidade com seus prédios feitos de tijolinho, que eles chamam de ladrilho.

Mamãe, as ruas são monitoradas por jovens que estão prestando serviço militar. Tem um a cada intervalo de menos de 50 metros. Na Colômbia o serviço militar também é obrigatório e o recruta (como chamamos no Brasil) pode servir no exército ou na polícia, por um ou dois anos. Com seus casacos verde-abacate podem ser visto à distância e são atenciosos e simpáticos. Ao menos foram assim conosco. Bem que no Brasil poderiam fazer a mesma coisa, não é?

Ah! O transporte público, apesar de lotado nos horários de pico, é muito bom comparado com o nosso. Com a Transmilênio eles tem estações de norte a sul, com três partes que eles chamam de vagões e linhas de A a J. Os ônibus são daqueles grandes, articulados, e passam a intervalos de 5 a 15 minutos, A passagem é de $ 1,800 pesos colombianos nos horários de pico e $ 1.500 nos outros horários. Em real isso fica aproximadamente R$ 1,30 e R$ 1,19. Muito mais barato que em Salvador, que está R$ 2,80.Só usamos táxi à noite. Pra variar conversamos muito com o taxaista. Así que puedo practicar mi español.

Mulher, esta viagem fez a saudade de você bater forte. É muito estranho passar em cada cidade e não poder mais comprar um presente pra você. Afinal, a senhora não precisa mais disso. Situações assim é que dificultam um pouquinho a saudade. Quando vejo os casaquinhos, então, sinto um friozinho na barriga pensando em como você ficaria linda com eles. Saudade é assim, né? Não se preocupe. Compartilho mentalmente com a senhora cada canto que visito. Tomara que possa receber minhas mensagens e minhas emoções. Depois lhe falarei sobre a Catedral de Sal.

Receba o abraço de caranguejo e o beijinho em seus olhos dessa filha tagarela.
Com amor,
Vanda.


domingo, 2 de novembro de 2014

CARTA AOS CÉUS - O que significa finados?

Querida mamãe

Como passou nesses últimos dias? Desejo que bem, apesar de toda a saudade recheada de tristeza  emitida hoje por seus queridos, pela passagem do Dia de Finados. Achamos que você partiu muito cedo. Tá certo. Setenta e sete anos e meio não é tão cedo. Mas é que quando amamos desejamos não nos separar nunca. E você sabe que suas crias, mesmo morando em estados diferentes, sempre foram muito grudadas à senhora, né?

A senhora sabe que a maioria de nós não pode ir à Paulo Afonso, render homenagem no local onde repousa os seus despojos carnais, juntos aos do seu pai, vovô Zezinho, sua mãe, vovó Minice, e sua irmã caçula, tia Nenen. Mas tenho certeza que percebeu nossos pensamentos e nossos sentimentos de cada canto que estamos.

Sabe o que fui fazer hoje depois da minha prece e conversa matinal dirigida a você? Fui cuidar do corpo e da mente. Participei de mais uma corrida e dessa vez - aliás, pela segunda vez - Roberto foi comigo. Que bom né? Mas ainda não coorrrooo. Corro e ando. Corro e ando. Assim fizemos os 6 km. Não sou - ainda - uma corredora, mas pretendo chegar lá. Na madrugada da terça saíremos para mais uma viagem de férias. Dessa vez vamos pra Colômbia e Equador. Eita!!! De lá mandarei notícias.

Mamãe, a senhora sabe que sou curiosa e gosto de pesquisar, né? Outros queridos nossos já regressaram antes de você, mas só com a sua partida é que tive curiosidade de pesquisar sobre o dia de finados.  Encontrei que finados significa "que chegou ao fim", que está morto.  Também li que foi a Igreja Católica que determinou no século XIII que o Dia de Finados deveria ser celebrado no dia 2 de novembro. Como católica, a senhora certamente sabia que a Igreja Católica diz que nesse dia os vivos devem interceder pelas almas que estão no purgatório aguardando a purificação para entrarem no Céu. Mas será que sabia que os protestantes (mais conhecidos ultimamente no Brasil como evangélicos ou cristãos) não acreditam que exista purgatório e que não tem o hábito de orar pelas pessoas que desencarnaram? Eu não sabia. De qualquer forma, como muitas vezes sou do contra, não concordo com nenhum dos dois grupos.

Também não acredito em purgatório. Pelo menos não na concepção da Igreja Católica. E tenho o hábito de orar por aqueles que faleceram. Acredito que faz bem aos espíritos - de vocês que regressaram e nosso, que aqui continuamos.

E aí encontrei na internet um arquivo interessante do O Imortal - Jornal de divulgação espírita, sobre o Dia de Finados. Ali está escrito que vocês que já partiram costumam também ir aos cemitérios nesse dia, sintonizados no pensamento das pessoas queridas - familiares e amigos- que foram ali prestar uma homenagem. Logo que li isso, pensei: "poxa, então minha prece, meu abraço, meu beijo e minha conversa com mamãe hoje não foi sentida porque eu não estava no cemitério?". Continuei a ler e vi que o que santifica o ato de lembrar é a prece ditada pelo coração, não importa onde eu estiver. Ufa! Que alívio! Então você recebeu a lembrança de todos nós, mesmo os que não puderam ou não quiseram visitar seu túmulo. Recebeu as flores reais e as flores mentalizadas.

Na verdade, mamãe, não gosto muito do termo "finados". Não considero que a senhora e todas as pessoas que amo que já regressaram tenham "chegado ao fim". Acho, sim, que esta reencarnação chegou ao fim pra vocês, mas que todos estão vivos, porque a vida prossegue. É eterna. Tenho certeza que a senhora já sabe disso e sente a fluir no seu corpo. Aliás, no seu perispírito, porque o corpo que lhe foi emprestado já foi devolvido.

Receba minha saudade com meu abraço de caranguejo e meu beijinho em seus olhos.

Sua filha tagarela.

Vanda.