quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CARTA AO CÉU - Parabéns é para quem você ama

Oi, mamãe

Desculpe ter passado tanto tempo sem escrever para você. Aliás, há muito tempo não escrevo para as pessoas também.

Sabe, passei a semana passada ansiosa, na expectativa da sua chegada para celebramos o seu aniversário na quarta-feira, 16 de dezembro. Afinal, sempre era por volta do dia 13 que você vinha para Salvador da sua temporada no Recife, para comemorarmos sua nova idade junto com a querida maluquinha Iolanda e para o Natal. Ansiedade igual ficaram minhas irmãs, cada uma em suas casas e do jeito delas, no desejo de lhe abraçar, de lhe desejar saúde e paz, de agradecer por nos ter recebido como filhas.

Sei que muita gente não entende porque agimos assim. Afinal, você retornou ao lar espiritual há 1 ano, 4 meses e 16 dias. Mas fazemos isso por um motivo simples: sabemos que você vive.  Que você está viva e conectada conosco através do amor imenso que sentimos.

Procurei tornar mais fina a sintonia entre nós duas desde os primeiros minutos do dia que marca a sua chegada aqui nessa dimensão para sua última encarnação. Fiz minhas preces e emanei todo o amor e gratidão que tenho por você, mariquinha. Pedi a Deus a oportunidade de abraçá-la em sonho e lembrar desse encontro e desse abraço.

Ao acordar, procurei me vestir com a sua cor preferida. Coloquei vestido e sapato azuis, que contrastaram com meu cabelo vermelho (venho mantendo essa cor, que você tanto gostou e que realça os meus olhos esverdeados). Roberto perguntou para onde eu ia vestida assim. Pensou que tinha alguma coisa especial no trabalho. Eu respondi que tinha me arrumado pelo seu aniversário e que à noite iria com Cida para a missa na Igreja Nossa Senhora Aparecida em sua homenagem.

O dia no trabalho teve momentos estressantes e acabei me atrasando. Decidimos, então, que faríamos uma celebração íntima, com um evangelho no lar. Mas eis que a espiritualidade entrou em ação e programou uma missa ao ar livre, sob árvores, no condomínio em que Cida mora, para o horário em que cheguei lá.

Sabe qual música tocava na hora que cheguei? A oração de São Francisco. Perfeito, né? A missa foi linda, com muitas músicas, dedicada a você, mamãe e a outras pessoas e aniversariantes. Acho que nossa emoção foi tanta, assim como a certeza que você adoraria essa missa, que sentimos sua presença ao nosso lado ao cantarmos o Pai Nosso de mãos dadas. Voltamos para o apartamento abraçadas e de coração leve.

Mas aniversário  tem que também ter parabéns, né? Por isso subimos ao apartamento de Cida e lá, junto com Paulo, com um panetone com chocolate (hummmmmm) e uma vela, cantamos parabéns para você, mamãe. Pedimos que Deus lhe dê muita saúde e paz nesse seu caminhar espiritual. Temos certeza que os anjos disseram amém!

Ficamos felizes por ter certeza da conexão de amor. Principalmente por termos ouvido na missa que quando há amor há ligação na terra e no céu. E temos muito amor por você. Parabéns, mamãe. E obrigada por tudo.

P.S. - A saudade é grande, viu, mulher? Mas vamos suprindo com a lembrança de tantos momentos lindos que vivemos, principalmente nesse período. Ah! Esse ano o Natal não será celebrado na minha casa. Como tia Regina está com 102 anos e cansadinha, precisa evitar muitos deslocamentos. Por isso transferimos para a casa das irmãs de Roberto. Como você sabe o caminho... Qualquer coisa é só sintonizar comigo. E nosso encontro de Réveillon será na casa de Tata e Antão. O caminho desta você também conhece. Beijos.

Sua filha tagarela,

Vanda


domingo, 10 de maio de 2015

CARTA AO CÉU - O difícil dia das mães sem a mãe

Oi, mamãe!

Tanto tempo faz que não lhe escrevo.né? A senhora  me conhece bem e sabe que quando silencio na escrita é porque minha mente está em turbilhão. Quando estou assim, mando mensagens apenas mentalmente. E tenho lhe enviada muitas, todos os dias; em algumas vezes, mais de uma ao dia. Mas hoje, dia oficial dedicado às mães, não poderia ficar sem mandar essa carta para o céu.

Tenho certeza que hoje teve muita ligação mental para a senhora  desses filhos todos que recebeu nesta encarnação. Dessa vez deve ter sido difícil registrar quem se conectou primeiro. Não deve ser fácil receber ligações mentais de 11 filhos saudosos ao mesmo tempo, mas acredito que a senhora teve o amparo espiritual necessário, assim como estamos tendo aqui nesse momento.

Não tivemos como lhe dar algo material, como sempre fizemos. A reforma da sua cadeira preferida foi o último presente. E o fato de ela estar ali na saleta, sem a sua presença física, aumenta mais ainda a saudade da gente, em especial de Verinha, Tata e Bepe, que estão em Paulo Afonso.

Acredito que o amor reafirmado hoje, com tanta intensidade por todos nós, deve ter lhe deixado feliz. Se pudéssemos escolher, queríamos que estivesse ao nosso lado fisicamente. Mas isso não estava em nossas mãos para decidir. Apenas procuramos entender e aceitar, acreditando fervorosamente que a senhora hoje está bem. Tivemos, inclusive, algumas informações sobre a sua vida na espiritualidade. A senhora sabe que tem gente que não acredita nisso, mas a maioria dos seus filhos acredita. E serena nosso coração saber que seu caminhar prossegue para a evolução, cuidando fraternalmente daqueles que precisam de alguma ajuda aí onde se encontra.

Aqui a nossa vida prossegue. Como já deve saber, retornei para a Defensoria Pública e estou tentando dar o melhor de mim profissionalmente. Sei que está dizendo que eu tome cuidado para não extrapolar nos horários, para priorizar a família e a saúde. Procurarei fazer isso, tenha certeza. Se eu não cumprir depois de passar a Semana da Defensoria, pode puxar a minha orelha.

Entre nós, seus filhos, ainda tem algumas arengas. Como poderia acabar de uma hora pra outra, né? A senhora conhece bem cada um de nós. Mas, vamos continuar tentando estabelecer uma harmonia mais duradoura e estável.

Nosso pai continua o mesmo de sempre, adiando as idas aos médicos e trabalhando todos os dias na eletrônica. Como as operadoras de telefonia aqui na terra estão cada vez piores, e a Tim não foge à regra, principalmente em Paulo Afonso, temos dificuldade de falar com ele com maior frequência. Mas continuamos  enviando a papai, mentalmente,  fluidos de amor para que viva com saúde no corpo e paz no coração e no espírito.

Caso encontre por aí as outras mães que amamos e que já retornaram, dê um beijo nelas por nós. Em especial para vovó Minice e vovó Floriza, tia Neném e Tina, e Tenide.

Receba um beijo em cada um desses olhinhos lindos e um abraço de caranguejo, transmitindo todo o amor e saudade que sinto.

Da sua filha tagarela,
Vanda.


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CARTA AO CÉU: Encontramos en el camino lo que llevamos en el corazón

Querida mamãe

Como vai, luz da minha vida? Tá tudo direitinho com a senhora aí no Céu? Já se habituou à sua nova vida? Desejo que haja brilho em seus olhos. Sei que não deve ser fácil e que a saudade, que pode ser confundida com a tristeza, deve estar batendo forte em seu coração da mesma forma que bate em nós. Mas não se deixe abater pela saudade que emitimos pra você, viu? Olha, estou ansiosa pra lhe contar sobre a nossa viagem e por isso lhe escrevo esta carta.

Lembra que uma das minhas parábolas preferidas é aquela que diz que encontramos no caminho aquilo que levamos no coração?  A senhora sabe que Roberto e eu somos do bem, E então, só encontramos gente legal. Acredita que pedimos uma informação a uma mulher num ônibus em Bogotá, capital da Colômbia, e como ela não sabia responder ligou do celular para a filha? Como íamos descer na mesma parada ela ainda seguiu junto e mostrou como chegar onde queríamos. Foi perigoso? Sei que podíamos ser alvo de uma armadilha, mas seguimos o nosso coração.

Não se preocupe que tomamos cuidado. Andamos bastante pelo Centro Histórico de Bogotá, pela Zona T, onde tem muitos restaurantes e bares, e subimos de teleférico ao Cerro de MonSerrate. Lá tem o Santuário do Senhor Caído e uma via crucis. Como fica a 3.152 metros sobre o nível do mar (altitude), cansa um pouquinho, Pra senhora ter uma ideia, Paulo Afonso fica só a 243 metros e Salvador a apenas 8 metros sobre o nível do mar. Aí já viu como respirar fica um pouquinho mais difícil, né? Mas, sabia que mesmo assim na Semana Santa os fiéis fazem essa via crucis em peregrinação? E pensar que algumas das suas rosas acham que a Serra do Retiro, em Glória, que tem 150 metros de altura e é caminho de peregrinação também, é muito alto.

Com tantas notícias sobre os grupos políticos criminosos da Colômbia, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), confesso que tínhamos medo de conhecer o país. Mas como é sabido que o governo colombiano tem buscado a paz depois de causar várias baixas nesse grupo considerado terrorista, decidimos ousar. E não nos arrependemos. Encontramos uma cidade muito organizada e com pessoas mais confiantes nas ruas: nativos e turistas. A senhora iria gostar de ver aquela cidade com seus prédios feitos de tijolinho, que eles chamam de ladrilho.

Mamãe, as ruas são monitoradas por jovens que estão prestando serviço militar. Tem um a cada intervalo de menos de 50 metros. Na Colômbia o serviço militar também é obrigatório e o recruta (como chamamos no Brasil) pode servir no exército ou na polícia, por um ou dois anos. Com seus casacos verde-abacate podem ser visto à distância e são atenciosos e simpáticos. Ao menos foram assim conosco. Bem que no Brasil poderiam fazer a mesma coisa, não é?

Ah! O transporte público, apesar de lotado nos horários de pico, é muito bom comparado com o nosso. Com a Transmilênio eles tem estações de norte a sul, com três partes que eles chamam de vagões e linhas de A a J. Os ônibus são daqueles grandes, articulados, e passam a intervalos de 5 a 15 minutos, A passagem é de $ 1,800 pesos colombianos nos horários de pico e $ 1.500 nos outros horários. Em real isso fica aproximadamente R$ 1,30 e R$ 1,19. Muito mais barato que em Salvador, que está R$ 2,80.Só usamos táxi à noite. Pra variar conversamos muito com o taxaista. Así que puedo practicar mi español.

Mulher, esta viagem fez a saudade de você bater forte. É muito estranho passar em cada cidade e não poder mais comprar um presente pra você. Afinal, a senhora não precisa mais disso. Situações assim é que dificultam um pouquinho a saudade. Quando vejo os casaquinhos, então, sinto um friozinho na barriga pensando em como você ficaria linda com eles. Saudade é assim, né? Não se preocupe. Compartilho mentalmente com a senhora cada canto que visito. Tomara que possa receber minhas mensagens e minhas emoções. Depois lhe falarei sobre a Catedral de Sal.

Receba o abraço de caranguejo e o beijinho em seus olhos dessa filha tagarela.
Com amor,
Vanda.


domingo, 2 de novembro de 2014

CARTA AOS CÉUS - O que significa finados?

Querida mamãe

Como passou nesses últimos dias? Desejo que bem, apesar de toda a saudade recheada de tristeza  emitida hoje por seus queridos, pela passagem do Dia de Finados. Achamos que você partiu muito cedo. Tá certo. Setenta e sete anos e meio não é tão cedo. Mas é que quando amamos desejamos não nos separar nunca. E você sabe que suas crias, mesmo morando em estados diferentes, sempre foram muito grudadas à senhora, né?

A senhora sabe que a maioria de nós não pode ir à Paulo Afonso, render homenagem no local onde repousa os seus despojos carnais, juntos aos do seu pai, vovô Zezinho, sua mãe, vovó Minice, e sua irmã caçula, tia Nenen. Mas tenho certeza que percebeu nossos pensamentos e nossos sentimentos de cada canto que estamos.

Sabe o que fui fazer hoje depois da minha prece e conversa matinal dirigida a você? Fui cuidar do corpo e da mente. Participei de mais uma corrida e dessa vez - aliás, pela segunda vez - Roberto foi comigo. Que bom né? Mas ainda não coorrrooo. Corro e ando. Corro e ando. Assim fizemos os 6 km. Não sou - ainda - uma corredora, mas pretendo chegar lá. Na madrugada da terça saíremos para mais uma viagem de férias. Dessa vez vamos pra Colômbia e Equador. Eita!!! De lá mandarei notícias.

Mamãe, a senhora sabe que sou curiosa e gosto de pesquisar, né? Outros queridos nossos já regressaram antes de você, mas só com a sua partida é que tive curiosidade de pesquisar sobre o dia de finados.  Encontrei que finados significa "que chegou ao fim", que está morto.  Também li que foi a Igreja Católica que determinou no século XIII que o Dia de Finados deveria ser celebrado no dia 2 de novembro. Como católica, a senhora certamente sabia que a Igreja Católica diz que nesse dia os vivos devem interceder pelas almas que estão no purgatório aguardando a purificação para entrarem no Céu. Mas será que sabia que os protestantes (mais conhecidos ultimamente no Brasil como evangélicos ou cristãos) não acreditam que exista purgatório e que não tem o hábito de orar pelas pessoas que desencarnaram? Eu não sabia. De qualquer forma, como muitas vezes sou do contra, não concordo com nenhum dos dois grupos.

Também não acredito em purgatório. Pelo menos não na concepção da Igreja Católica. E tenho o hábito de orar por aqueles que faleceram. Acredito que faz bem aos espíritos - de vocês que regressaram e nosso, que aqui continuamos.

E aí encontrei na internet um arquivo interessante do O Imortal - Jornal de divulgação espírita, sobre o Dia de Finados. Ali está escrito que vocês que já partiram costumam também ir aos cemitérios nesse dia, sintonizados no pensamento das pessoas queridas - familiares e amigos- que foram ali prestar uma homenagem. Logo que li isso, pensei: "poxa, então minha prece, meu abraço, meu beijo e minha conversa com mamãe hoje não foi sentida porque eu não estava no cemitério?". Continuei a ler e vi que o que santifica o ato de lembrar é a prece ditada pelo coração, não importa onde eu estiver. Ufa! Que alívio! Então você recebeu a lembrança de todos nós, mesmo os que não puderam ou não quiseram visitar seu túmulo. Recebeu as flores reais e as flores mentalizadas.

Na verdade, mamãe, não gosto muito do termo "finados". Não considero que a senhora e todas as pessoas que amo que já regressaram tenham "chegado ao fim". Acho, sim, que esta reencarnação chegou ao fim pra vocês, mas que todos estão vivos, porque a vida prossegue. É eterna. Tenho certeza que a senhora já sabe disso e sente a fluir no seu corpo. Aliás, no seu perispírito, porque o corpo que lhe foi emprestado já foi devolvido.

Receba minha saudade com meu abraço de caranguejo e meu beijinho em seus olhos.

Sua filha tagarela.

Vanda.




sexta-feira, 31 de outubro de 2014

CARTAS AO CÉU - Cada estrela é alguém querido que regressou

Querida mamãe,

Desejo que a senhora esteja bem e já recuperada da enfermidade que a fez regressar ao plano espiritual há três meses. Sinto que suas dores já passaram e que está cada dia mais forte, com uma luz a irradiar em seu corpo espiritual. Sinto que sabe que está viva e que, apesar da saudade de toda essa imensa família que ainda tem missão a cumprir aqui, está bem. Sei, inclusive, que a sua saudade é maior que a nossa. Afinal, cada um dos seus 11 filhos, 19 netos e sete bisnetos sentem saudades sua, mas você sente a saudade de todos nós.

Desde menina sempre achei que cada estrela é alguém muito querido e de muita luz que regressou após cumprir sua missão. Sei que a ciência e a astronomia têm suas definições para as estrelas. Mas prefiro ter essa. E como a sua história nesta encarnação se concentrou no nordeste, principalmente na divisa entre Bahia, Pernambuco e Alagoas, estou aguardando mais uma estrela azul – das maiores – a brilhar naquela direção. Se ajudar a se posicionar, vi que a Latitude geográfica de Paulo Afonso, onde a senhora viveu por mais de 60 anos, é 09º 24' 22" S e a Longitude 38º 12' 53" W. Tenta achar um lugarzinho por ali, viu? Quem sabe a sua luz e energia não contribui para ajudar o nosso Velho Chico.

Infelizmente nenhuma operadora de telefonia disponibiliza pacotes para falar com quem está em outra dimensão, em alguma cidade especial desse mundão de Deus. Acho que quando inventarem vão ganhar muito dinheiro.  Não ter a nossa conversa matinal diária por telefone é o que me faz muita falta. Mas como sou tagarela e quero sempre saber como a senhora está, falo mentalmente e às vezes até alto mesmo, sozinha, quando saio pro trabalho, quando retorno e quando vou dormir. Tou sendo chata? Se tiver dê um sinal, viu?Não quero incomodá-la.  Mas quero que esteja aproveitando bem a oportunidade de se livrar de todas as dores e doenças, de se fazer forte e cada vez mais linda. Que esteja tendo reencontros que a deixe feliz. Quero ver você brilhar.

Aqui nossa vida prossegue. Tivemos a eleição onde Dilma foi reeleita no segundo turno. Não foi uma eleição fácil. Acho que a senhora teria ficado agoniada com a guerra que teve nas redes sociais entre os eleitores de Dilma e de Aécio. Essa guerra continua até agora. Como o Brasil ficou praticamente dividido, eleitores sem noção do Sul e Sudeste tão caindo de pau nos eleitores do Nordeste. Já pensou que besteira? Somos todos brasileiros, né?   Mas ninguém pode desprezar o nordestino porque a senhora, como boa nordestina, sabe como nosso povo é guerreiro. Quem sobreviveria a décadas de seca? Mas deixa pra lá. Logo logo arranjam outra coisa pra se preocupar. Amar ao próximo como a si mesmo é uma boa opção, né?  

Vou ficando por aqui, cheia de saudades. Receba meu abraço de caranguejo e meus beijinhos nos olhos (acho que não precisa mais de óculos, né?).

Sua filha que fala pelos cotovelos,

Vanda.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A vida é marcada por palavras. Quais são as suas?

Algumas pessoas dizem que nossas vidas são marcadas por ações. Acho que são por palavras. Afinal, são as palavras que conduzem as nossas ações. E até essas ações tem nome, não é verdade? Quais são as palavras que marcam e conduzem a sua vida? Eu sei de algumas minhas, mas não consigo ainda dar ação a todas elas. Mas tive o privilégio de conviver, nesta encarnação, por todos os meus 52 anos, com alguém que chegou, sofreu, amou, amadureceu, evoluiu e regressou com palavras e ações muito bem marcadas: minha mãe, Maria Cleonice Amorim, que se despiu da carne que lhe foi emprestada por Deus e regressou para a plenitude espiritual no último 1º de agosto.

Palavras: AMOR, FAMILIA, PERDÃO, AMOR
A vida de mamãe foi sendo marcada por palavras ao longo dos seus 77 anos e meio, como também são palavras os nossos nomes. O dela começou como Maria Cleonice Melo, filha de Sivirino e Domenícia, sertanejos pernambucanos que foram para Paulo Afonso em busca de uma vida melhor quando da construção das usinas hidroelétricas. Depois passou a Maria Cleonice Amorim, quando contraiu matrimônio com nosso pai, Nilton Cavalcante Amorim, aos 17 anos de idade.

Mas Nicinha é como a maioria a conhece, apesar de filhos e netos a chamarem também de Cleo e, mais recentemente, uma das bisnetas passou a lhe chamar de Teteo. Para nós, a palavra que traduz Cleonice, Nicinha, Cleo e Teteo é Rainha, a nossa rainha.

A maioria de nós não sabe quais foram as palavras-chave da missão que nos foi dada ao ser colocada aqui por Deus, nosso Pai. Mas Nicinha, mesmo que não soubesse, aceitou e cumpriu várias palavras-chave da sua missão. A primeira delas foi CUIDAR. Cuidou dos seus irmãos, cuidou do seu marido e dos seus 11 filhos, cuidou dos seus pais. Também cuidou de netos e ajudou a cuidar de bisnetos.

Outra palavra-chave da sua missão foi AMOR. Nicinha amou mesmo quando achou que não seria mais capaz de amar devido a desilusão. Ela amou de forma infinita e incondicional a sua família e aquele aceitou como marido e pai dos seus filhos.

Com tamanho amor, Nicinha passou a se permitir o exercício de mais duas palavras-chave: a e o PERDÃO. Com a fé ela deixou o perdão se fazer forte e presente em sua vida, em seu coração, em sua alma. Mamãe descobriu que perdoar alivia a alma, deixa o corpo leve, deixa a vida leve, como se um grande peso fosse tirado dos seus ombros.

ALEGRIA
O amor ainda lhe ensinou o exercício de outras duas palavras da sua missão: TOLERÂNCIA e PACIÊNCIA. Afinal, são palavras essenciais quando lidamos com o outro, principalmente quando o outro é filho, marido, irmão, pais ou até amigos.

RESPEITO e HUMILDADE foram palavras que sempre estiverem presentes na missão de vida de Nicinha. Ela aprendeu, com tantos filhos diferentes entre si, que as pessoas precisam ser respeitadas mesmo que diferentes e que temos sempre que ter humildade para admitir os nossos sentimentos, para admitir que somos passíveis de erro, para perdoar... Humildade para amar, para viver.

Mais uma palavra-chave da missão de Nicinha: CARIDADE. Esta palavra fez parte da vida de mamãe desde os tempos de menina, quando seus pais tinham pouco, mas ensinavam a dividir. Assim ela fez conosco, procurando nos ensinar que onde há amor não há espaço para egoísmo e para orgulho.

A sua devoção à Nossa Senhora intensificou a palavra caridade e a uniu a outra; GRATIDÃO. Nicinha sempre se declarou grata a Deus por ter visto seus 11 filhos ficarem adultos e serem pais; alguns deles avós. Por ter visto sua família se multiplicar de 11 para 37 pessoas, sem incluir genros e noras. Grata por outras bençãos recebidas, como a de ter feito muitos amigos por onde passou. Aprendeu e nos ensinou o valor das palavras AMIZADE e ALEGRIA.

VIDA e GRATIDÃO
A sua missão como filha, esposa, mãe, sogra, avó, bisavó, também incluiu outras palavras: HARMONIA e UNIÃO. Aprendeu-as e as transmitiu em todas as suas relações,principalmente nas relações familiares. Nicinha pediu a cada um dos seus 11 filhos para deixarem apenas o amor, harmonia e união fazerem parte das nossas vidas. Ela sabia bem as qualidades e os defeitos de cada um de nós. Coisas de mãe de 11 filhos tão diferentes entre si como são os dedos das mãos.

As palavras VIDA e MORTE são inerentes de todas as missões. A diferença está que costumamos deixar a alegria tomar conta de nós quando Deus nos manda um novo ser, enquanto costumamos deixar a tristeza e o pranto invadir nossos espaços quando Deus chama algum de nós, dos nossos, de volta. Não tem sido diferente conosco, mas estamos exercitando muitas das palavras que Nicinha aplicou tão bem em sua trajetória nesta encarnação.

Somos gratos a Deus pela palavra AMOR, transmitida por nossa rainha através da sua companhia amorosa e dedicada numa vida de 77 anos e meio.

Agradecemos pela palavra PERDÃO, que nos foi ensinada por um ser em evolução, capaz de perdoar e tentar apagar a mágoa mais profunda do seu coração.

ALEGRIA, AMOR E FÉ
Somos gratos pelas palavras HUMILDADE, TOLERÂNCIA, PACIÊNCIA, CARIDADE e FÉ que nos foram transmitidas em pílulas diárias por nossa mãe.

Somos gratos pelas palavras UNIÃO, RESPEITO e HARMONIA, estimuladas por Nicinha no convívio entre nós, irmãos, para aplicação em nossas vidas.

Com o regresso da nossa mãe estamos aprendendo a força da palavra SAUDADE e o sentido da palavra PAZ. A saudade é forte em nossos corações, mas as palavras GRATIDÃO e AMOR estarão sempre presentes em nossos corações, até a eternidade.A paz ao lado de Jesus, a quem tanto amou e confiou é o que desejamos a Nicinha. Temos certeza que o seu livro de palavras, que chamamos MISSÃO, foi concluído com louvor.

Como nosso aprendizado prossegue, temos o compromisso de buscar preencher nosso livro com as palavras que nossa mãe nos ensinou e nos deixou como legado.

E você? Quais as palavras compõem o livro da sua vida?


segunda-feira, 16 de junho de 2014

Por onde anda seu primeiro amor?


Gente, Marina e André, que namoraram na adolescência, se reencontraram aos 85 e 87 anos e voltaram a namorar. Adorei a história.

Na semana passada tivemos os festejos para Santo Antônio, considerado um santo casamenteiro. Além das novenas, muita mulher, ao menos nas cidades pequenas, fazem simpatias e adivinhações pra ver se o amor está chegando e quem será. Eu mesma fiz isso quando tinha quase 15 anos e você pode conferir clicando aqui. Mas o tema da minha confabulação não é adivinhações ou simpatias ou novenas para Santo Antônio. Quero conversar com vocês sobre o primeiro amor. Você lembra do seu? Você se manteve junto a ele até agora?

No dia de Santo Antônio encontrei uma amiga no arraiá da Praça Segredos de Itapuã, pertinho da minha casa. Conversa vai, conversa vem, ela me contou que o pai, com 87 anos, está namorando. Verdade? Quem? Voltou a namorar com a primeira namorada, que hoje tem 85 anos. Olha que lindo!! Se eu já achava a minha história super romântica (leia aqui), imagina essa. Como boa canceriana quis saber de todos os detalhes, que compartilho com vocês.

Certo dia o pai da minha amiga estava chegando na casa dela. Quando ele entrou, uma senhora, mãe de uma vizinha da minha amiga, veio perguntar a ela quem era aquele homem. Ela respondeu que era o seu pai. A mulher perguntou se o nome era André (fictício). Ela disse que sim e aí a mulher chorou, emocionada. Disse que ele era o seu primeiro amor, que nunca tinha esquecido. E voltou pra casa da filha.

Ao entrar em casa, minha amiga perguntou ao pai se ele conhecia uma mulher chamada Marina (também fictício). Depois de perguntar o porquê, respondeu que sim. Que tinha tido uma namorada com esse nome. Aí minha amiga lhe contou o que aconteceu e disse que Marina era a mãe da vizinha do lado e que o reconhecera depois de tantos anos.

Os dois, então, foram colocados em contato e, do jeito deles, retomaram o namoro. Marina não mora com a filha e nem no mesmo condomínio. Mas mora num bairro próximo. André também não mora na casa de minha amiga, a sua filha, mas também mora perto.

Esse reencontro romântico, contudo, tem uma pedra no caminho: o Alzheimer que já invade um pouco a memória de André. Os remédios que usa tem dado um ritmo mais lento a essa "queima de arquivos". Como sabemos, o Alzheimer apaga, primeiro, a memória recente e, por último, a memória emocional. Então Marina, apesar de ter sido lembrada por André por fazer parte das suas recordações amorosas, de vez em quando fica sem o namorado, porque ele esquece que marcou o encontro (memória recente).

Com esse reencontro fiquei pensando em Marina. Por que ela se emocionou tanto ao reencontrar o seu primeiro amor e retomou o namoro já, ambos, com idade avançada? Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece. Eu nunca esqueci o meu e tive a sorte de retomar o namoro. No meu caso não vivi 10 anos - o tempo que ficamos separados - pensando nele, mas o amor reacendeu com o reencontro. E no caso de Marina... será que ela sempre o amou, mesmo tendo casado com outro e constituído família? Ou foi como eu?.

Não para por aí minhas perguntas: será que não vivemos plenamente e longamente o amor primeiro por imaturidade ou por destino? E o reencontro, será que estava escrito nas estrelas? Será o primeiro amor o encontro e reencontro de almas?

Sei de histórias de pessoas que casaram com seu primeiro amor e continuam casados e apaixonados, como minha irmã caçula, Kátia Luciana  e seu amor Edilson. Mas na maioria das vezes não é assim. Queria saber como foi com você. Seu primeiro amor ainda é o atual? Se o primeiro amor se perdeu no caminho, você ainda pensa nele? Se o reencontrasse, voltaria a amá-lo? Deixe aqui sua história, junto com a minha e a de Marina.