quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando se quebra a autoridade

Apesar de achar o futebol uma arte, linda e não tão fácil como muitos pensam, sou torcedora de Copa do Mundo. Só assisto jogo da Seleção Brasileira e quando o faço sou palpiteira, como todo bom torcedor. Sempre considerei equivocado o sistema de gestão do futebol, com um turn over altíssimo de técnicos. É um troca troca danado. Sobe técnico e cai técnico por causa da boa ou má performance do time. Pergunto sempre ao meu marido e a meu filho, torcedores do Bahia, porque jogador nunca é responsabilizado pela baixa produtividade do que interessa: gol? Eles nunca sabem explicar direito. Ou as explicações nunca me convencem.
Nesta semana, tive a resposta com o caso Neymar x Dorival Junior, no Santos. A chave do problema deve estar, mesmo, no patrocínio. Um contrato é encerrado sob argumento do presidente do Santos de que a situação com o técnico ficou insuportável, só porque Dorival quis persistir na punição que impôs ao jogador.
Um filme rodou rápido na minha cabeça: já vimos essa estória antes nas escolas brasileiras. Com o surgimento das escolas privadas, onde o pai pagava para o filho muitas vezes fingir que estudava e ter apenas o certificado de conclusão, a direção das escolas começou a tirar a autoridade do professor. Os estudantes foram ficando cada vez mais ousados e a indisciplina se expandiu para as escolas públicas.
Neymar é muito jovem e não tem, certamente, maturidade para conviver com a fama e o volume de dinheiro que entra em seu bolso mensalmente. Alçado à condição de estrela, acha que tudo pode, inclusive xingar técnico em campo, diante das câmaras, para todo o país ver. Aliás, acha não. Pode! Tanto que o técnico foi considerado birrento por querer manter a punição.
Acho que Dunga estava certo quando não o convocou para a Copa deste ano. Gosto da autoridade do Dunga, mesmo que milhões o conteste. Resta esperar que dirigentes de futebol, e o técnico da Seleção, Mano Menezes, tenham coragem suficiente para impor disciplina a jovens que vivem realidade tão absurdamente distantes dos demais jovens do país, que mal conseguem emprego de um a dois salários mínimos, mesmo que tenham feito faculdade.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Já planejou sua velhice?


A partir de quantos anos você acha que alguém pode ser considerado velho? Você acha que está velho? Ou está perto disso? Acha que é muito cedo para pensar nisso? Engana-se. O planejamento é fundamental para uma velhice com conforto e segurança. Infelizmente, a maioria de nós, no Brasil e no mundo, nem tá aí pra velhice que chega.

Quer ver? Pesquisa internacional de saúde Bupa Health Pulse 2010, divulgada no último dia 17/09/2010, em Londres, revela o surgimento de uma geração que ainda se sente jovem e saudável aos 70 e 80 anos, mas que não se preocupa em planejar a velhice. Realizada pelo instituto de pesquisa independente Ipsos Mori,o levantamento envolveu 12.262 entrevistados em 12 países, incluindo o Brasil, entre 10 de junho e 14 de julho de 2010.

No Brasil, 46% dos entrevistados não se preocupam em envelhecer. Além disso, 17% dos entrevistados encaram com bons olhos a terceira idade, o maior índice registrado no mundo todo. Porém, 64% dos brasileiros não se preparam para a velhice, em termos de reservar dinheiro ou de pensar em como ser assistido no caso de não poder cuidar de si próprio. Mais da metade (53%) nem sequer começou a pensar nela, enquanto a maioria deixa completamente de se preparar para as realidades do futuro. Apenas 7% reservaram algum dinheiro e 76% acreditam que a família estará lá para dividir o ônus de cuidar deles. Só tem um problema: um relatório feito pela London School of Economics (LSE) e divulgado no dia 16/09/2010 revela que a 'rede informal de assistência' (o padrão tradicional de famílias cuidando de seus idosos) está se desintegrando, enquanto o número de idosos carentes de assistência vem crescendo.

Certo está o diretor médico da Bupa Internacional, Sneh Khemka, ao lembrar que o Brasil, assim como muitos países, vem enfrentando uma crise na assistência médica e social. “Muitos pensam que seus parentes estarão prontos para cuidar deles, mas nossas estruturas familiares estão mudando e as pessoas precisam começar a planejar e conversar o quanto antes sobre a futura assistência que terão."

A partir dessas informações, sugiro um exercício a você:

Faça um levantamento na sua família e veja a média do tempo de vida dos seus pais, tios e avós. Deu o quê: 60, 75, 80, 90 anos? Observe, agora, com quem esses idosos vivem ou viveram seus últimos anos. Você assumiu a responsabilidade por algum deles, principalmente pais ou avós? Não precisavam? Ótimo. Precisavam? Se não foi você, quem cuidou? Você tem dedicado algum tempo das suas preciosas e corridas horas para lhes dedicar um pouco de carinho?

Vamos a outra etapa agora. Você tem filhos? Sim? Como é a sua relação com eles? Você os tem preparado para serem profissionais de sucesso na carreira que abraçarem ou ajuda nas suas despesas até agora, mesmo que tenham passado dos 25 anos? Você os tem preparado para serem solidários e amigos ou estimularam/estimulam o egoísmo, o mimo exagerado?

Bom, em minha avaliação, se você nunca assumiu quaisquer responsabilidade por um idoso da sua família, mesmo que seja a de telefonar para saber como está ou de visitar para dar um abraço e ouvir as histórias de suas vidas; se você não tem preparado seu filho para ser independente, mas sem perder a solidariedade e o afeto, estão coloque suas barbas de molho. No mínimo, faça um plano de previdência complementar, porque raramente quem não cuida é cuidado. É a Lei da Ação e Reação.

Mas ainda dá tempo de fazer alguma coisa. Comece telefonando agora mesmo para seus pais e avós, se ainda são vivos, e dê a eles o prazer de ouvir sua voz dizer que sente saudade. Seus pais e avós não estão mais neste plano? Então dê atenção a outros idosos da família. Em paralelo, seja firme em seu amor por seus filhos, lembrando que educar é composto de SIM e NÂO. Quem não sabe assumir responsabilidades na juventude e na vida adulta, poderá ter problemas na velhice.

Eu tenho cuidado dos meus idosos. Ainda falto planejar financeiramente minha velhice. Boa sorte pra você.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O bloqueio de Gaza em cifras


Recebi do Gabinete de Imprensa da seção espanhola da Anistia Internacional matéria detalhando o prejuízo financeiro que o bloqueio de Gaza vem causando. Segundo o texto de Ángel Gonzalo e Manuel Sobrino, embora Israel permita a entrada em Gaza de alguns envios de agências internacionais de ajuda humanitária, estes fornecimentos estão estritamente limitados e sofrem frequentes atrasos. As agências da ONU calculam que os custos adicionais de armazenamento e transporte causados pelos atrasos provocados pelo bloqueio somaram em trono de 5 milhões de dólares em 2009.

De acordo com o Organismo de Obras Públicas e Socorro das Nações Unidas (UNRWA), desde que começou o bloqueio, o número de refugiados que vive na mais absoluta pobreza na Faixa de Gaza triplicou. Estas famílias carecem de meios para adquirir até os produtos mais básicos, como sabão, material escolar e água potável. Segundo a ONU, mais de 60 % das famílias padecem atualmente de "insegurança alimentar".

O desemprego está aumentando vertiginosamente em Gaza, pois os negócios estão sobrevivendo a duras penas com o bloqueio. Em dezembro de 2009 a ONU informou de que o desemprego em Gaza era superior a 40 por cento. Este desemprego massivo, unido à pobreza extrema e a alta dos preços dos alimentos, causada pela escassez, tem feito com que quatro de cada cinco habitantes de Gaza dependam da ajuda humanitária.

Junto ao mal estado crônico do sistema de esgoto, a má qualidade da água é motivo de grande preocupação para as organizações de ajuda humanitária em Gaza, onde a diarreia causa 12 por cento das mortes entre os jovens. A proibição quase total das exportações foi muito difícil para os agricultores, agravada pela ofensiva militar que destruiu 17 por cento das terras agrícolas, juntamente com estufas e dispositivos de irrigação, e deixou outros 30 por cento inutilizados nas zonas intransitáveis de segurança temporária, ampliadas pelo exército israelense depois do fim da ofensiva. Em Gaza, os ataques israelenses durante a Operação Chumbo Fundido danificaram ou destruíram edifícios e infraestruturas civis, incluindo hospitais, escolas e os sistemas de fornecimento de agua e eletricidade.

• Calcula-se que 280 das 641 escolas de Gaza sofreram danos e 18 foram destruídas. Mais da metade dos habitantes de Gaza são menores de 18 anos, e a interrupção de sua educação, devido aos danos causados durante a operação ‘Chumbo Fundido’ e a persistência do boicote israelense, está tendo um efeito devastador.

• Partes da rede elétrica de Gaza foram igualmente bombardeadas durante o conflito e requerem reparações urgentes que ainda não foram autorizadas. Isto, somado ao fato de que Israel segue restringindo o fornecimento de combustível industrial a Gaza, significa que 90 por cento da população de Gaza sofre cortes diários de energia durante períodos de quatro a oito horas.

• Desde então, só se tem reparado uma pequena parte dos graves danos causados pela ofensiva israelense em moradias, infraestruturas civis, serviços públicos, fazendas e negócios, porque a população civil, e as agências de ajuda humanitária e da ONU que a assistem, são proibidas de importar materiais como cimento e vidro, exceto em poucos casos.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

COmo reciclar tampas de garrafas pet

Você já sentiu, como eu, que precisa usar mais a criatividade? Sempre tenho esse sentimento quando recebo algum e-mail ou vejo reportagens sobre novas formas de reciclagem. Depois que a gente vê a técnica, pergunta: como é que não vi que isso podia ser feito assim? Mas sei a resposta: não estou totalmente com olhos de ver essas possibilidades.
Acabo por deixar passar muita oportunidade de contribuir para a preservação ambiental. Abaixo, repasso uma técnica simples, porém útil para o dia-a-dia em casa, principalmente na cozinha. É uma dica para aproveitamento da tampa de garrafas pet ou garrafinhas de água mineral. Vai evitar, inclusive, pequenas discussões sobre "quem rasgou o saco?" para retirar um pão ou um pouco de outro alimento que estava preso em um saco plástico com um nó.
Confira e sinta-se a vontade para repassar, assim como estou fazendo agora.

Corte logo abaixo do gargalo usando tesoura ou outro cortador.


Passe o saco plástico por dentro do gargalo cortado.

Depois basta fechar com a tampa.

A parte que sobrou você pode usar para outras coisas, como vasos para sua horta, flores ou outra coisa que sua criatividade sugerir. Se tiver outra ideia, compartilhe conosco.

sábado, 11 de setembro de 2010

O impacto e os desafios do crack

Conheci o trabalho da Vila Serena Bahia há uns três ou quatro anos. E por esses dias encontrei Rosely Brito, diretora desse centro de tratamento de dependência química e outros vícios à época e que hoje está afastada - sua filha Priscila está agora fazendo o trabalho que antes fazia. Rosely me contou que a Vila Serena vai realizar, no próximo 1º de outubro, o V Simpósio Internacional de Alcoologia e Outras Drogas, que acontecerá no Fiesta Bahia Hotel, com o patrocínio da Petrobras. Muito boa a iniciativa, que trará gente especialista no assunto para debater com a sociedade bauana, entre outros temas, o impacto e os desafios do crack.

O simpósio tem como objetivo mobilizar e sensibilizar os profissionais e a sociedade como um todo, avançando no entendimento do uso, abuso e dependência de drogas. A Vila Serena é uma rede de centros especializados para tratamento de dependência química e outros transtornos de impulso. Atua no Brasil desde 1982, em diferentes estados. Além de oferecer tratamento especializado, presta consultorias organizacionais, realiza treinamentos e capacitações e também promove eventos científicos, como este, para mobilizar e sensibilizar os profissionais e a sociedade como um todo. A Vila Serena Bahia fica localizada na Av. José Leite, 418, Caji – Lauro de Freitas.

Os interessados poderão se inscrever no site
http://www.vilaserenabahia.com.br/simposio/. Até o dia 25 de setembro o valor da inscrição é R$ 85 para profissionais e R$ 45 para estudantes ( que deverão comprovar matrícula). Para inscrição após essa data, ou no dia do evento, o valor é de R$ 125 para profissionais e R$ 85 para estudantes. Maiores informações através do telefax (71) 3378-1535 ou do e-mail simposio@vilaserenabahia.com.br.

Confira a programação:


PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA
Sexta - feira, 01 de outubro de 2010



Horário Atividade
07:30 – 8:00 - Inscrições e credenciamento

08:00 – 08:30 Mesa de Abertura
Solenidade de Abertura - Vila Serena BA/ PETROBRAS / SENAD
08:30 – 09:30 - Conferência NacionalTratamento da Dependência Química: Uma abordagem humanística e o mito poético.
Conferencista: John E. Burns (EUA)
- Ph.D. DEAP Fundador do Vila Serena no Brasil. Psicólogo e Teólogo. Mestre em Sociologia na Azuza Pacific University, doutor em Administração de Programas de Tratamento de Dependência Química pelo Union Institute. Autor de diversos livros sobre tratamento de dependência química.

09:30 – 10:30 - Conferência Internacional
Crack: O impacto do uso e seus desafios
Conferencista: Steven J. Lee (EUA)
- Médico Psiquiatra especializado em dependência química. Professor de psiquiatria da Universidade de Columbia e do Instituto de Toxicodependência em Nova York. Membro da Associação Americana de Psiquiatria, onde atuou em duas comissões nacionais. Membro da Sociedade Americana de Medicina e Adicção. Diplomado na Academia Americana de Psiquiatria e Adicção.Tem publicado artigos em periódicos médicos sobre adicção, é revisor editorial de revistas de medicina sobre dependência química e recentemente publicou um livro intitulado "Superando a adicção da metanfetamina cristal: Um Guia Essencial para ficar limpo.”
10:30 – 10:50 - Coffee break
10:50 – 12:00 - Conferência Internacional
Remédio: Medicação ou Droga?
Conferencista: Steven J. Lee (EUA)

12:00 – 14:00 - Almoço14:00 – 15:10 - Mesa RedondaTratamento de Dependência Química nas Empresas: O Olhar InstitucionalCoordenadora: Moema Britto Raquelo (BA)
Membros:
Joaquim Ferreira de Melo Neto – PETROBRAS (RJ) - Médico do Trabalho da Petrobras/REDUC, Mestre em Saúde Coletiva pela UFRJ, Coordenador do Programa de Álcool, Tabaco e Drogas da Petrobras/REDUC.
Socorro Maria Coelho Araújo – ALUMAR (MA) - Assistente Social, Especialista em Terapia de Casal e Família pela DOMUS de Porto Alegre, Especialista em Dependência Química pela USP. Coordenadora do PARE- Programa de Apoio e Recuperação do Empregado (ALUMAR).
Clenilda Ananias - MINERAÇÃO CARAÍBA (BA) - Assistente Social, MBA em Consultoria e Gestão de Pessoas pela FIB, Especialista em Serviço Social e Políticas Sociais pela UNB, Pós graduada em Administração e Planejamento Social pelo Inst. Aleixo. Coordenadora do Programa de Prevenção e Recuperação de Dependência Química da Mineração Caraíba.

15:10 – 16:20 - Conferência Nacional
Prevenção de Recaída. O dia a dia da Fase de Manutenção: Aderência, Recaída, Mentira, Vínculo.
Conferencista: Silze Morgado (SP)
- Formada em Comunicação Social e especialista em Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Há 15 anos atua na Vila Serena SP, assessorando e desenvolvendo Políticas e Programas de Dependência Química e Outras Compulsões nas empresas (Avon, BankBoston,BMF, Bayer Schering, BRFOODS, Caterpillar, Copebras, Credicard, Embraer,FIBRIA, Fosfertil, Metrô, Natura, SABESP, Transportadora Americana e outras).
16:20 – 16:40 - Coffee break16:40 – 17:40 - Conferência NacionalO Impacto das drogas na sociedade brasileira – busca de soluções
Conferencista: Ronaldo Laranjeira (SP) -
Médico psiquiatra e PhD em Psiquiatria pela Universidade de Londres. Professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo. Professor orientador do programa de pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) da UNIFESP. É o Investigador principal do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas, um dos recém-criados INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) do CNPq.

18:00 - Encerramento

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Os anônimos suplentes do Senado



No período em que cobria política na Tribuna da Bahia, sempre estive muito atenta à legislação eleitoral. Como assessora de comunicação de parlamentares, continuei acompanhando. Mas, em nenhum momento, consegui entender ou aceitar essa loucura que é COMPRE 1 e LEVE 2 na eleição para o Senado. Pior, muita gente não sabe dessa "promoção". Na verdade, a maioria dos eleitores não sabe nem qual é o 2 que está levando, ou melhor, dando passe livre para o Senado.

Enquanto milhares de cidadãos queimam as pestanas estudando para ser aprovado em um concurso com salário de pouco mais de R$ 4 mil, milhões de eleitores elegem, sem saber, suplentes de senadores que podem assumir o cargo em qualquer momento. Muitos são filhos ou cônjuges dos candidatos 1.

De acordo com o DIAP - Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar , senadores tem um subsídio mensal R$ 16.512,09. Isso multiplicado por 15 vezes, uma vez que cada senador recebe o mesmo valor no início e no final de cada sessão legislativa. Pode contratar seis assessores parlamentares e cinco secretários parlamentares pagos pelo Senado a um custo total de R$ 54 mil. Tem verba indenizatória de R$ 15 mil para gastar nos estados, com aluguel, gasolina, alimentação. Os que não moram em apartamento funcionais em Brasília recebem Auxílio-moradia de R$ 3.800. Tem uma cota postal que varia de R$ 4 mil/mês (senador do estado menos populoso (AP)) a R$ 60 mil/mês (senador do estado mais populoso (SP)).

Esse candidato invisível ainda poderá dispor, se o senador visível renunciar, pedir licença ou morrer, de uma cota telefônica de R$ 500 mensais; verba para passagens aéreas - valor mínimo é de R$ 4,3 mil (para os eleitos pelo Distrito Federal) e máximo de R$ 16 mil, para os do Acre; e 25 litros de combustível por dia.
Cada senador tem direito a uma cota de serviços gráficos, na Gráfica do Senado, para material estritamente relativo à atividade parlamentar, de R$ 8.500 por ano. Ele recebe gratuitamente, nos dias úteis, cinco publicações, entre jornais e revistas.


Veja quem são os "brindes" da eleição para o Senado na Bahia:


ALBIONE SOUZA SILVA ( PSTU)Suplente 1 - ALCIONE SOUZA SILVA (Mesmo sobrenome!?!)
Suplente 2 - MOEMA MARIA FIUZA DO NASCIMENTO
CARLOS HENRIQUE SAMPAIO ( PCB)
Suplente 1 - DIRCEU REGIS RIBEIRO
Suplente 2 - TEODORO BEZERRA FLÔR
CESAR AUGUSTO RABELLO BORGES ( PR - A BAHIA TEM PRESSA )
Suplente 1 - TERCIA MARIA AZEVEDO PIMENTEL DOS SANTOS BORGES (Esposa!!)
Suplente 2 - AILTON ARAUJO SEPULVEDA
EDSON GONCALVES DUARTE ( PV )Suplente 1 - ROQUE ARAS
Suplente 2 - HELOISA GERBASI SAMPAIO
EDVALDO PEREIRA DE BRITO ( PTB - A BAHIA TEM PRESSA )
Suplente 1 - OSVALDO AMARANTE DA GAMA SANTOS
Suplente 2 - IRMA LEMOS DOS SANTOS ANDRADE
JOSÉ CARLOS ALELUIA COSTA ( DEM - A BAHIA MERECE MAIS )
Suplente 1 - ANTONIO CARLOS PEIXOTO DE MAGALHÃES JÚNIOR (Suplente de ACM e atualmente no exercício do mandato)
Suplente 2 - CARMEM LÚCIA GERINO MACIEL
JOSÉ RONALDO DE CARVALHO (DEM - A BAHIA MERECE MAIS)Suplente 1 - ANA OLÍMPIA HORA MEDRADO
Suplente 2 - ROSELIDIANA AZEVÊDO FARIAS
LIDICE DA MATA E SOUZA ( PSB - PRA BAHIA SEGUIR EM FRENTE )Suplente 1 - NESTOR DUARTE GUIMARAES NETO
Suplente 2 - JUÇARA FEITOSA DE OLIVEIRA
LUIS CARLOS FRANÇA ( PSOL )
Suplente 1 - CICERO RIBEIRO DE ARAÚJO
Suplente 2 - EDESEO MARTINS BRASIL
WALTER DE FREITAS PINHEIRO ( PT - PRA BAHIA SEGUIR EM FRENTE )
Suplente 1 - ROBERTO DE OLIVEIRA MUNIZ
Suplente 2 - SILVIA NASCIMENTO CARDOSO DOS SANTOS CERQUEIRA
ZILMAR ALVERITA DA SILVA ( PSOL )
Suplente 1 - NELSON ARAUJO FILHO
Suplente 2 - MIRALVA ALVES NASCIMENTO


E aí? Gostaria de ter um suplente na sua vaga de concurso? Nesta eleição não podemos fazer nada. Mas podemos nos unir e mudar essa situação mais na frente. Basta queremos. Você quer?


Leia mais sobre o assunto no Política Livre.

sábado, 28 de agosto de 2010

O drama de ter alguém da família que usa drogas



Em um momento em que vemos adolescentes e jovens de toda a sociedade - sejam de famílias pobres, classe média ou ricas - sucumbirem à tentação das drogas, a inserção, por Sílvio de Abreu, do envolvimento com drogas pelo personagem Danilo na novela Passione, da Rede Globo - um atleta, de família rica em dinheiro, mas pobre em harmonia - é muito oportuna.

A reação da família, em especial da mãe - Stela , vivida por Maitê Proença, deve servir de alerta para quem já convive com o problema ou venha a conviver. Ninguém está livre de viver este inferno. Sim, é um inferno psicológico, emocional e financeiro.

As cenas que mostraram a mãe cedendo ao filho, acreditando nele e desistindo de mandá-lo de volta para a clínica de onde fugiu quando o organismo sentiu mais forte a necessidade da droga, foram muito fortes. E certamente fez muitos corações que já viveram momentos parecidos, a exemplo do meu, ficar apertado.

Stela está errada. Sinval, o filho mais jovem e o mais equilibrado da família, está certo. Danilo não fugiu porque a Clínica é ruim; o fez porque sentiu falta da droga. Stela perceberá o seu erro em breve. Como confirmei quando do tratamento de alguém próximo a mim na clínica Vila Serena, em Lauro de Freitas, Salvador, a família tem que aprender a exercitar o não, a confiar desconfiando. Digo confirmei porque sempre entendi que temos que amar, mas ser atentos e firmes pra saber a hora de dizer sim e de dizer não.

Danilo, como todos os que sucumbem às drogas, sejam elas lícitas (álcool e cigarro) ou ilícitas( cocaína, crack, maconha...), não está mentindo quando diz que não vai usar mais, que não quer mais, que vai conseguir se controlar. Essa vontade existe, de fato, dentro dele (os terapeutas que bem o sabem). Mas o dano, a dependência gerada pela droga no organismo fala mais alto. Aliada a uma fragilidade psicológica e, acrescento, espiritual (principalmente), o adicto (aquele que se tornou dependente da droga) volta a fazer uso. Ele passa a ser manipulador para alcançar seus objetivos; agressivo para vencer os empecilhos; cego para os riscos que suas ações envolvem ao roubar para conseguir dinheiro para comprar a droga. Essas características, em minha opinião, já poderiam existir na pessoa, embora nunca ativadas antes das drogas.

Mas o amor de Stela é importante, se Sílvio Abreu também a torná-la firme, mais à frente. O amor é a melhor arma. Dar votos de confiança é também importante. Somos seres mutantes e capazes de nos transformar para o bem ou para o mal. Ah! E para a internação ter sucesso, a pessoa precisa querer ser tratada.

Bom lembrar que, na espiritualidade, a ajuda só chega àqueles que a pedem. O livre arbítrio é respeitado até nesses momentos. Mas, cá pra nós, aqui, enquanto encarnados, não é nada fácil ver alguém que amamos se entregando às drogas sem tentar conduzi-lo, na marra mesmo, para o que acreditamos ser a salvação. Bom lembrar que fazer as vontades e ceder às pressões e às chantagens não ajuda em nada.

E você? Já viveu uma situação parecida? Já se envolveu com drogas? Como agiu? Como venceu? Confabule conosco.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - Defensoria da Bahia faz atendimento domiciliar

Notícias boas temos aos montes. Mas, infelizmente, a grande mídia tem valorizado mais a divulgação de escândalos e de casos de violência. Aqui, dentro da nossa corrente da mídia pelo bem, aplaudo a iniciativa da Defensoria Pública da Bahia de implantar o atendimento domiciliar para idosos e portadores de necessidades especiais na regional de Santo Antonio de Jesus.

Segundo informações do site da Defensoria baiana, que tem à frente a defensora geral e idealista Tereza Cristina Ferreira, desde o dia 1º de julho deste ano foi inaugurado o serviço, que tem o objetivo de facilitar o acesso à Justiça de pessoas que tenham dificuldades de locomoção. Ele está sendo realizado pelos defensores Armando Novaes e Guiomar Fauaze, que já atenderam a 13 assistidos em suas casas.

O procedimento também é destinado a pessoas hospitalizadas e pode ser agendado através do número (75) 3632-0712. Após o contato, a Defensoria retorna a ligação para marcar o dia e horário da visita, que poderá acontecer de segunda à sexta-feira, no período de 8h às 12h e de 14h às 18h. Os moradores de Santo Antonio que necessitem do serviço domiciliar da Defensoria podem obter mais informações no Disque Defensoria - 129.

Que este serviço possa ser ampliado para todos os municípios atendidos pela Defensoria. Como temos aí novo concurso para ampliação do número de defensores, muito pouco, por sinal, para um Estado tão grande, quem sabe?

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Quatro gerações unidas pelo amor


Nicinha. Fátima. Giovanna. Shopia.
Quatro gerações unidas pelo amor.
Quatro mulheres com vidas distintas a se entrelaçar.

Nicinha... sete décadas de experiência, 11 vidas viabilizadas,
milhões de sonhos sonhados... outros tantos nem perto chegados
Amor...frustração...solidão...perdão...amor

Fátima... cinco décadas de jornada, 2 vidas geradas,
muitos sonhos realizados... alguns sonhos deixados pra trás
amor...consciência...perdão...amor

Giovanna... três décadas em exercício de evolução
muitos sonhos...muitas realizações
amor...amor...amor

Shopia .... décadas a viver
a sonhar...a realizar
amor...paz...descobrimento...amor

Nicinha. Fátima. Giovanna. Shopia.
Quatro gerações unidas pelo amor.
Quatro mulheres com vidas distintas a se entrelaçar.

Quatro espíritos de mãos dadas
para continuar uma caminhada de evolução.




quarta-feira, 28 de julho de 2010

Criminalização da violência nos estádios em questão

A sanção da lei que criminaliza a violência nos estádios, que ocorreu ontem, 27/07/10, em minha avaliação, é oportuna e ao mesmo tempo equivocada. Vixe! E pode algo ser bom e ser ruim ao mesmo tempo? Claro que sim! Principalmente quando ela não encontra, ou não oferece, o equilíbrio.

A nova lei cria regras mais rígidas - ótimo! Mas determina punição com cadeia - péssimo! Generalizar e banalizar a detenção contradiz a mais recente diretriz do próprio Ministério da Justiça, que tem investido em ampla campanha para sensibilização da sociedade em relação às penas alternativas.
Não podemos esquecer, ainda, que o Brasil, sem exceção de Estado, enfrenta superlotação nos presídios e delegacias. Estas, inclusive, perdendo a sua característica de detenção temporária para averiguação, gerando protestos dos agentes de polícia que tem sido transformados em agentes penitenciários. No site do Ministério da Justiça busquei agora pela manhã dados atualizados da população carcerária e encontrei estatística fechada em dezembro de 2009, que soma 473.626 presos em todo o País, incluindo delegacias.
Criar mais uma lei que pune com cadeia é equívoco. Não adianta o Ministério da Justiça querer investir, através do Departamento Penitenciário Nacional, R$ 478 milhões para criar cerca de 35 mil novas vagas no sistema prisional brasileiro. Os governantes do nosso país, e o nosso próprio povo, precisa investir em educação e nas penas alternativas, sim! Porque para homicídios e outros delitos mais graves o Código Penal já está aí. E olhe que carece de revisões periódicas.
Precisamos de educação, de informação sobre relações humanas, filosofia e sociologia nas escolas. Mas também precisamos que nós, pais, reassumamos o comando em nossos lares, lapidando nossos filhos desde a infância, como orienta inclusive na Bíblia (para aqueles que a tem como lei maior). Temos que aprender, de uma vez por todas, que amar não é apenas dizer SIM. E que dizer NÃO é importante, essencial para o equilíbrio na vida e que não traumatiza, como preconizaram alguns psicólogos nas décadas de 80 e 90.
Quem tem a educação no berço sabe o que é certo e o que é errado; sabe os limites do comportamento. E quem tem esta educação associada à educação formal, consegue viver em equilíbrio, aceitando a vitória em um dia e a derrota em outro.
E você, o que pensa sobre isso? Confabule comigo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Viver entre tapas e beijos não é amar



Tenho o privilégio de ter um grupo de vizinhos que gosta de se reunir com frequência, não apenas para uma cerveja e para provar os dotes culinários de alguns, mas também para conversarmos sobre assuntos diversos.

Recentemente, conversei com uma delas sobre os relacionamentos dos nossos filhos com as namoradas deles. Parecia normal, para eles - que tem idade entre 23 e 26 anos - um namoro marcado pelo ciúme excessivo, pelas brigas diárias - presenciais, por telefone e virtuais . Minha vizinha disse:" é assim mesmo. Outro dia achei que eles estavam brigando, mas eles disseram que não, apesar de se tratarem com palavras ácidas, sarcasmo e até mesmo palavrões".

Eis que chega no local onde trabalho uma revista chamada Cidadania, da Fundação Bunge, em sua edição 54. Nunca tivera, até então, a oportunidade de ler nenhuma outra edição desta publicação, que aborda questões tão importantes para a sociedade. A matéria principal trata do tema da minha conversa com minhas vizinhas: a agressividade que marca os relacionamentos dos jovens.

Segundo a reportagem - Vamos discutir a relação? - nove entre 10 jovens já sofreram ou praticaram atos de violência contra o(a) parceiro(a). Esse foi o resultado da pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coordenada pela pesquisadora Kathie Njaine, que ouviu 3.205 jovens entre 15 e 19 anos de 104 escolas públicas e privadas de 10 capitais brasileiras.

O resultado é preocupante e deve ser levado a sério por nós, adultos, que convivemos com jovens, sejam eles filhos, sobrinhos, alunos, estagiários ou qualquer que seja o tipo de relacionamento.

O mais impressionante é que, apesar de vivermos em um mundo machista, com um número cada vez maior de mulheres vítimas de violência doméstica, a pesquisa apontou que as jovens estão muito mais agressivas que os homens. Disseram ter praticado violência verbal contra o parceiro 33,3% das adolescentes, contra 22,6% dos rapazes. Em relação à violência física, 28,5% delas disseram ter agredido os namorados, enquanto apenas 16,8% dos namorados admitiram ter cometido contra as meninas.

E para quem pensa que apenas homens forçam carícias (na pesquisa considerada violência sexual), o resultado da pesquisa mostra que as garotas também estão jogando duro em suas relações: 49% dos jovens e 32,8% das garotas disseram já ter cometido esse tipo de violência.

Monica Amaral, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), na reportagem, defende que a agressão pode ser uma forma de recuperar ativamente situações vividas de forma passiva durante a infância. Magdalena Ramos, terapeuta de casais, também vê influência da família nessa questão. Ela atribui o problema à falta de convivência entre a família: " A família mora sob o mesmo teto mas não se encontra".

Concordo com as especialistas que alertam para a necessidade de recuperação do diálogo entre jovens e adultos, com a retomada e fortalecimento do núcleo familiar, que é a base para tudo. Concordo, também, com a importância da participação da comunidade escolar nesse processo de recuperação da auto-estima do jovem e do conceito verdadeiro do amor.

Nós, adultos, precisamos dar o exemplo de que o amor é um sentimento para fazer bem, não para fazer sofrer. Que amar não significa que dois vão virar um, mas que serão duas pessoas, distintas, com objetivos e sentimentos em comum. Que o amor se fortalece com o respeito, com a confiança, com o companheirismo; mas que é destruído pelo ciúme, possessividade, agressividade, desrespeito.

Entretanto, muitos de nós, adultos, nunca experimentou - nunca se permitiu experimentar - um amor de verdade. Não apenas paixão, daquela que chega com apenas um tesão avassalador e que acaba tão rápido como veio. Muitos de nós também tem amado os filhos com superproteção, impedindo o seu amadurecimento psicológico.

Que tal confabular sobre isso? Como é seu jeito de amar? O amor lhe faz feliz? Traz paz e confiança em seu coração?

domingo, 25 de julho de 2010

Aborto de fetos anencéfalos

Meu amigo Chico Muniz, jornalista como eu e também espirita, enviou-me dias atrás um link sobre uma polêmica que estava sendo travada entre uma defensora pública e seguidores de um blog que se posicionam contra o aborto e em defesa da vida. Tudo porque a defensora postara, em seu twiter, que tivera o prazer de entregar um alvará autorizando o aborto de um feto anencéfalo. E Muniz pediu que eu desse um parecer sobre o assunto.

Se esse pedido tivesse ocorrido há uns 15 anos atrás, certamente eu teria dito que era direito da mãe, sim, e que ninguém tem nada com isso. Mas, os anos passaram, amadureci, comecei a estudar a doutrina espírita e muitos conceitos que tinha desenvolvido na juventude, quando, inclusive, defendia o direito ao aborto, mudaram. Eu tinha muitas dúvidas de quando a vida começava, de fato. Dúvidas que foram sendo dissipadas com o estudo e com o passar do tempo.
Aprendi que todos temos direito à vida - ao reencarnar. E que muitas vezes o nosso tempo de vida, assim como a nossa condição física para viver, pode ter sidos definidos anteriormente, como desafios a serem vencidos. Com isso, passei a entender que mesmo um bebê anencéfalo tem um projeto de vida.

Segundo informações que encontrei no site http://www.anencephalie-info.org/ , "crianças com esse distúrbio nascem sem couro cabeludo, calota craniana, meninges, cérebro com seus hemisférios e cerebelo, embora normalmente tenham preservado o tronco cerebral. O tecido cerebral restante é protegido somente por uma fina membrana. A criança é cega, surda e não tem ou tem muito poucos reflexos. Cerca de 40% dos fetos anencefálicos morre intra-útero e 25% ao nascer. Aqueles que sobrevivem têm uma expectativa de vida de poucas horas, poucos dias e muito raramente poucos meses." Mas essa curta vida pode ser, inclusive, um processo de valorização da vida tanto para o espírito do bebê quanto para aqueles que o receberam como pais.

E quanto ao papel da Defensoria Pública nestes casos? Bem, fui assessora de Comunicação da Defensoria Pública da Bahia por quase três anos. E tive a oportunidade de ver que a instituição estava sendo cada vez mais procurada, em diversas partes do Estado, por gestantes de fetos anencéfalos que queriam interromper a gravidez. Lembro de pelo menos três casos, em curto espaço de tempo, onde os defensores públicos lograram sucesso nas suas defesas e conseguiram que a Justiça autorizasse o aborto.

Quando recebi a primeira informação e o pedido de divulgação,enfrentei um conflito interior. E agora? Divulgava só no site da Defensoria ou enviava a decisão da Justiça para a imprensa? Refleti, conversei com alguns colegas, debati com a defensora autora da ação e fiz minhas preces. Entendi que o livre arbítrio estava sendo exercitado pelos atores da questão: a mãe, o (a) defensor (a)público (a) e o(a) juiz(a). A mãe, demonstrava não estar preparada emocional e espiritualmente para levar até o final uma gravidez que não teria o resultado que ela sonhava. O representante da Defensoria Pública, que tem a missão de assegurar o acesso da Justiça àqueles que não podem pagar por advogados e o representante da Justiça cumpriam o seu papel constitucional.

Decidi publicar no site e sugerir uma pauta para um jornal e uma emissora de TV local (Salvador-BA). Queria que o tema fosse discutido com mais amplidão. Nenhum dos dois quis "comprar" a pauta. A Defensoria continuou - e deve continuar - sendo procurada por mães imaturas e assustadas com a gestação de anencéfalos.

Aprendi que não posso impedir que as coisas aconteçam. Pelo menos não condenando, agredindo verbal ou fisicamente quem tenha opinião oposta à minha. Posso apenas contribuir, com o esclarecimento ( assim como venho sendo esclarecida em muitos momentos), para que decisões que viabilizem a evolução individual possam ser tomadas. Se fosse comigo, provavelmente gostaria de levar a gravidez até o final, para que o espírito que acolhi pudesse completar a sua jornada e eu pudesse cumprir a minha missão. E se fosse você?



http://www.anencephalie-info.org/p/perguntas.php#9

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Pais que abusam sexualmente de filhas

Certa vez, no Instituto Espírita Boa Nova, Newton Simões falava sobre obsessão e nos contou sobre um caso que tinha ajudado, como médium experiente que é. Uma família o procurou porque a filha, uma criança entre cinco e seis anos de idade, vinha apresentando comportamento estranho. Ela agia como se estivesse sendo incomodada sexualmente por alguém; só que não havia ninguém do lado dela. No processo de desobsessão foi descoberto que quem a assediava era o seu avô, que tinha desencarnado há pouco tempo. Porém, o espírito desencarnado entendia que aquela menina era uma amante que teve em vida anterior; não sua neta, como aconteceu na sua última encarnação. Revoltado, ele não aceitava a rejeição da garotinha às suas investidas. Foi explicado a ele, pelo médiun, que mesmo que a menina tivesse, em outra vida, se relacionado com ele de outra forma, neste momento ela era sua neta e que ele não poderia/deveria interferir dessa forma.

Conto esse fato porque mais uma vez o mundo fica chocado com a história de uma filha que é abusada sexualmente anos a fio por aquele que a recebeu como filha. Um pai que vê a filha como mulher, que a ama e deseja ( ou apenas a deseja), e que nela gera filhos. Como no caso da Áustria, no caso do Brasil, nos cafundós do Maranhão, a filha também vivia em cativeiro (um casebre em uma ilha) e teve sete filhos do pai.. Não vou aqui retomar a notícia ou citar nomes de vítimas e algozes. Vocês poderão ver detalhes dessas histórias através das reportagens em todos os jornais e tvs.

A minha confabulação é sobre o sentimento de posse de pais/mães sobre suas filhas/seus filhos durante cada encarnação. Casos com os citados acima chocam, principalmente, por terem gerado filhos. Mas não podemos esquecer de tantos outros casos em que filhas são abusadas pelos pais por anos seguidos, algumas vezes com o conhecimento, e consentimento, das mães. Praticamente em todos o abuso começa na infância da filha.

Não tenho conhecimento, contudo, de mães que abusem sexualmente dos seus filhos. Pelo menos não que tenha chegado a conhecimento através dos meios de comunicação. Mas ouvimos com frequência queixas de namoradas, noivas ou esposas sobre a possessividade de sogras sobre seus namorados, noivos ou maridos. Nesta semana, inclusive, soube de um caso em que o filho estava com casamento marcado no civil e a mãe praticamente enloqueceu: ameaçou o marido de incendiar o carro dele caso permitisse a concretização do casamento, ameaçou filhas que fossem participar da cerimônia... enfim, declarou que o filho não casaria, porque ele era dela. Anos atrás ouvi um relato de uma jovem indignada, porque teria percebido que a sogra sempre ficava observando quando ela e o namorado se abraçavam, se beijavam. " Vejo desejo sexual nos olhos dela. É horrível, mas ela deseja o filho!", desabafou comigo.

O que levaria, então, alguns homens a concretizarem seus desejos por suas filhas e as mulheres a reprimirem, expressando-o apenas na sua posse, onde nenhuma mulher é suficiente boa para seus filhos ? Seria a própria cultura onde ao homem foi concedida a liberdade sexual e à mulher a repressão da libido? Seria o instinto maternal, que se sobrepõem ao desejo? Por que alguns homens agem dessa forma e outros agem como verdadeios pais, com amor, respeito, carinho? É por doença? Safadeza? Não sei explicar.

Entretanto, considero, por acreditar na vida após a morte e na reencarnação, que quando recebemos um espírito como filho, seja ele genético ou do coração, temos o compromisso de ajudá-lo em sua vida atual, contribuindo para a sua evolução, seja espiritual, moral ou intelectual. De preferência as três juntas. Isso independetemente do tipo de relação que existiu em outra encarnação. Quando não conseguimos... aliás, quando nem tentamos, estamos empacando na nossa própria evolução.


Qual a sua opinião sobre isso? Confabule comigo.


sexta-feira, 4 de junho de 2010

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - Transformando Hábitos para a Saúde do Planeta

É muito bom ver que gestores públicos também podem ser comprometidos com a qualidade de vida, contrapondo-se às constantes, e decepcionantes, denúncias de prevaricação e malversação do dinheiro público.

Em 2008 o deputado estadual Gilberto Brito me possibilitou conhecer a Escola Ambiental de Mogi das Cruzes, em São Paulo. Fui como sua assessora, para conferir de perto e buscar mais informações sobre o trabalhado ali realizado sob coordenação da professora Maria Inês Soares Costa Neves.

Hoje (04/06/10), recebi da professora um e-mail relatando sobre o sucesso de mais um programa desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes - o " Transformando Hábitos para a Saúde do Planeta".

O objetivo é reduzir em 20%/mês, por um período mínimo de 6 meses, o consumo de água e energia elétrica nas unidades escolares. A Escola Ambiental de Mogi das Cruzes apoia e assessora as unidades escolares com palestras para alunos e comunidade e materiais para consulta. Ou seja, através de sensibilização sobre o tema proposto, são oferecidas aos educadores, gestores e funcionários da área administrativa das escolas municipais de Mogi das Cruzes ferramentas de aprendizagem através de práticas diárias.

O Projeto conta com o apoio da Secretaria Municipal de Obras, SEMAE e Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente. Furnas Centrais Elétricas também apoia este projeto, que envolve as 93 escolas no uso consciente de energia elétrica e água.

De acordo com dados da Secretaria de Educação desse município, até o dia de hoje foi economizado em 530 contas de água e 593 contas de energias das escolas da rede municipal de Mogi das Cruzes R$ 214.240,72. É mole ou que mais?

No mês de maio último a professora Maria Inês apresentou este trabalho em Braga/Portugal ( entre outros 4 projetos da Escola Ambiental de Mogi das Cruzes). O melhor disso é que as crianças estão aprendendo nas escolas e aplicando a lição em casa. Então, ainda há esperança de mudança.

Se você quiser conhecer o projeto, acesse o link abaixo.
http://www.reflorestevida.com/rv/downloads/apostilas/apostila_tranformando_habitos.pdf

O trabalho é muito bom. Você também pode conferir reportagem na Globo News, Programa Via Brasil.
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1275127-7823-ESCOLAS+ADOTAM+HABITOS+DE+CONSUMO+INTELIGENTES+EM+MOGI+DAS+CRUZES+SP,00.html

Você conhece outros trabalhos bons que estejam sendo desenvolvidos? Então informe através do e-mail correntedobempelamidia@gmail.com ou deixe um comentário nesta postagem.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O privilégio de ter moral com Jesus


A vida tem seus mistérios. A espiritualidade tem seus mistérios. Muitos de nós tem curiosidade de saber como funcionam as coisas após a morte. Muitos de nós sabe o que espíritos desencarnados se dispõem a contar.

Todos nós temos o nosso "anjo da guarda". Os mediuns tem os seus mentores. Os católicos tem os santos, o Espírito Santo; alguns deles, Nossa Senhora (Maria, mãe Jesus) e o próprio Jesus como orientadores.

Minha tia Nenem, o anjo que subiu ao céu há dois dias, católica praticante e de fé extrema, sempre dialogou com Jesus. Quando fez sua primeira cirurgia grave, em que tinha menos de 10% de sair com vida do centro cirúrgico, assim agiu - mesmo contra a vontade do marido e filhos - dizendo ter conversado com Jesus e dito a ele que estava pronta: para partir ou para ficar.

Tia Nenen sempre se questionava porque Jesus ia deixando ela ficar e qual era a sua missão.

Mas, voltando aos mistérios: ela sempre sonhava em reunir de novo os filhos. Nem sempre era possível porque moravam (meus primos) em regiões diferentes da Bahia (uma no Oeste, outro no Sul e outro no Nordeste), enquanto ela estava em Sergipe. Sempre sonhava em reunir os amigos, os sobrinhos (filhos emprestados que amou intensamente) e, principalmente, seus irmãos. Isso era mais difícil ainda. Cada um em um lugar diferente, cada um envolvido demais com suas próprias vidas, seus trabalhos... Só os via separadamente, ou em pequenos grupos. Além disso tinha a saudade permanente daqueles que partiram antes: seus pais Zezinho e Dominicia, sua filha Tina, seu sobrinho Nenen (Atenágora)...

Pois não é que, ao meu ver, a danada tinha mesmo moral com Jesus?!?! Como ela tinha essa intimidade com ele e chegou sua hora de partir, deixando-nos momentaneamente, conseguiu apoio para que sua viagem acontecesse, possibilitando que, no dia do seu aniversário muitos se reunissem em sua homenagem, mesmo que em um funeral.Danada mesmo esse anjo - Tia Nenen.

Nós, que nunca arranjavámos tempo pra um grande encontro, largamos tudo e, de diversos pontos, de Pernambuco e da Bahia, nos dirigimos para Aracaju, onde ela foi sepultada. Ali estava seu amado Abel, Tinho, Bany e Caca (filhos), Plínio (neto-filho), Nicinha (sua irmã querida) e suas filhas Tata, Danda (eu), Aninha e Cida, e os genros de Nicinha Antão e Roberto (meu marido), Dila e Dô (filhos de sua irmã Têca), suas noras Zélia e Rosinha, e a neta Manuela.

Não senti tristeza, até por saber que ela vinha se preparando para partir. Senti uma grande paz e não pude deixar de achar graça da sua estratégia: seu aniversário foi lembrado por todos aqui e, se lhe foi permitido (como acredito, pois ela era um anjo), também comemorado do "outro lado", recebida com amor pelos que foram antes e já citei acima.

Para o marido, filhos e pra sua irmã a dor da separação ficará presente por tempo indeterminado. Para mim, apenas a saudade e a honra de ter tido a oportunidade de ser alguém com quem Tia Nenen gostava de conversar, inclusive para desmistificar sobre o espiritismo. Sempre vou sorrir ao lembrar e ouvir sua voz entusiasmada dizendo: " Danda! Que maravilha". Tia Nenen, mesmo com os contratempos dos quais quase ninguém escapa, sempre celebrou a vida.

Como ela, quero estar de malas prontas quando chegar minha hora de seguir. Também quero ficar mais vigilante para não deixar de ver e demonstrar meu amor por falta de tempo. E você, tem preparado sua mala dia a dia? Confabule comigo.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Um anjo subiu ao céu

Privilegiadas são as pessoas, como eu e todos da minha família, que tem a oportunidade de conviver com um anjo. Maria das Mercês Galindo Melo - Tia Nenen - é este anjo. Irmã caçula da minha mãe, sempre teve uma palavra amiga, um gesto de carinho, amor e conforto para quem precisou e a teve do seu lado. Tem um dom especial de saber usar as palavras e apaziguar ânimos exaltados.

Este anjo perdeu uma das asas com o desencarne de sua filha mais velha, Cristina (Tina), há quase 20 anos. Foi cultivando outra asa ao criar o neto órfão, Plínio. Nas outras asas sempre manteve seus outros filhos: Alberto, Albany e Cláudia.


Perdeu outros pedaços de asas com o desencarne dos seus pais, Zezinho e Dominicia. Mas recebeu o conforto do companheiro Abel, que nunca deixou a tristeza se aprofundar em seu coração. A distância dos irmãos - Nicinha, Teca, Manoelzinho e Cicinho fazia cair algumas penas, volta e meia.


Como todo anjo, teve provas a enfrentar em sua missão. Como contraponto à força emocional do seu coração está a fragilidade física do mesmo. Consequência do Diabetes e Colesterol veio a angina, a falência dos rins, a diálise diária. Tudo com o apoio do marido-amigo Abel, que muitas Verificar ortografiavezes precisava usar de palavra firme para conter a audácia desse anjo, que insistia em vencer com todo sorriso, as limitações impostas pela fragilidade do corpo e resistia a ser cuidada como sempre cuidou de todos.


Suas asas, seu amor, sua fé em Jesus e Abel a levaram, várias vezes, a viagens impossíveis a qualquer um outro com a mesma fragilidade. Com alegria e determinação enfrentou muitas vezes centenas de quilômetros que a separavam de Cláudia (sua caçula, que mora em Barreiras), de Albany ( em Porto Seguro), de Tinho (em Sobradinho), de Nicinha (em Paulo Afonso), de Teca (em Recife). Seu ponto de saída, Aracaju.


Algumas vezes tive o privilégios do convívio em pit stops na minha casa (Salvador), reabastecendo-nos de amor recíproco, de alegria, de companheirismo, de conversas sobre espiritualidade. Em uma dessas paradas, pude ver a alegria e emoção do encontro das duas irmãs que tanto se amam: ela e a minha mãe, a quem titia chama de "nega". Lindo.


Em todos os momentos em que esteve internada em hospitais, sempre conversou com Jesus e se colocou à disposição: para ir ficar ao seu lado no céu ou para ficar ao lado dos seus amores aqui na Terra. Ele sempre deixou para levá-la depois, tornando-a exemplo e bálsamo para enfermos no hospital que já tinham a esperança fragilizada. Sua resistência, sua alegria, sua rápida recuperação eram o alento que eles precisam para acelerar suas próprias curas. Os médicos e pacientes sempre agradeciam a presença desse anjo.


Hoje, dia 10 de maio, às 13h30, um dia antes do seu aniversário, Jesus decidiu que estava na hora do anjo voltar ao céu, de reencontrar aqueles que partiram antes. Sua missão foi cumprida com louvor. A nós, que ainda temos a caminhar, deixa o legado de que o amor vale mais que tudo. A ela e a Jesus, o agradecimento pela oportunidade do convívio. Segue leve, anjo querido, anjo de amor.




domingo, 9 de maio de 2010

Amor de mãe

Antes de conhecer o espiritismo simplesmente parabenizava minha mãe, dona Cleonice, pela passagem do Dia das Mães. Não tinha noção da profundidade da nossa relação. Hoje, como tenho feito na última década, falei com ela por telefone e, antes de qualquer coisa, agradeci:

  • por ter permitido concretizar esta minha encarnação
  • por ter me amado acima de tudo
  • pelas palmadas e puxões de orelha como corrigenda
  • pelos não dito para impor limites
Infelizmente muitos filhos e filhas, hoje, não pode agradecer pelos dois últimos itens. Nunca tiveram um não na infância e hoje recebem não agudo da vida. Muitos não tiveram (não tem) limites e seguem (seguirão) dessa forma até que esbarrem nas consequências drásticas das suas atitudes.

Neste dia das mães, desejo a todas as mulheres que de alguma forma tem filhos - biológicos, adotivos ou emprestados (enteados) - que aprendam a equilibrar o amor com a responsabilidade que assumiu ainda antes de encarnar. Ter/receber um filho é assumir a incumbência de ajudar a lapidar um espírito em evolução (como somos todos nós). Que não procure compensar a ausência pelo trabalho ou estudo com a permissividade nociva. Lembrar que há momento do sim e do não. Momento de falar e de calar. Momentos de apenas amar.

Eu sou mãe emprestada,mas nem por isso amo menos o meu filho Acácio.

Parabéns às outras mãe da minha família:
Minhas irmãs:
Maria de Fátima - mãe de Giovanna Fabiana (futura mãe de Shopia) e Ítalo

Maria da Vítória - mãe de Thiago José e Victor

Vânia Maria- mãe de Evanice (mãe de Everton), Vaniery e Vanessa

Mirian - Mãe de Álvaro Luiz, Adilson Junior e Emilli e avó de Antonio.

Vera Lúcia- Mãe de Sidney e Wagner

Kátia Luciana - mãe de Ícaro Moan e Irla

Andrea - mãe de Adriele e Emanuele

Fabiane - Mãe de Fernanda e Felipe

Alex Sandra - mãe recente de Júlia Beatriz

Minhas cunhadas:
Valdir - mãe de Pascácia e Robertinho

Nadja - Mãe de Naira

Prazeres - Mãe de Rodrigo e Bárbara

Rosa (esposa de ÁLvaro) - Mãe de Natália e Ramon
E também à Delma , mãe das minhas irmãs/irmão) Andrea, Alex Sandra, Fabiane, Tatiane, Liliane e Helton.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Perdão: caminho para a liderança

Assistir "Invictus", que fala sobre Nelson Mandela, me deixou comovida e feliz em ver que, mesmo que sejam exceções, existem pessoas capazes da grandeza do perdão. Tinha pensado em confabular com vocês sobre o filme e o tema, inclusive na questão política, mas ao ler artigo da minha amiga - também jornalista - Carla Ferreira. Temos crenças diferentes: ela - católica praticante; eu - espírita. Ambas, cristãs. Nada que impeça uma grande afinidade e amizade. Li, gostei e preferi pedi sua autorização e postar aqui o que ela escreveu. Confira e dê sua opinião sobre o filme ou sobre o tema.



" Perdão: caminho para a liderança

Por: Carla Ferreira, jornalista.



A prática do perdão é um ponto fundamental para a liderança. Isto me veio à mente esta semana após assistir ao filme “Invictus”, que está em cartaz nos cinemas, sobre o líder Nelson Mandela - sobre quem não possuo um conhecimento aprofundado; mas o suficiente para citar nas palestras sobre liderança como exemplo de líder. A ótica abordada por Clint Eastwood em cima do roteiro de Anthony Peckham e as orientações que faço para uma palestra sobre liderança me reacenderam isto.

Não podemos ser líderes – sobretudo cristãos – se não colocamos em nossa rotina diária a prática do perdão. A mágoa, a angústia, os ressentimentos, o ódio, o rancor nos impedem de ver com serenidade a realidade e de discernir qual a melhor atitude a tomar em qualquer situação. Eles nos enturvam a visão; são capazes de nos afastar da causa (e olha que a nossa é nobre!) e desviar da missão.

Mandela passou a maior parte da vida (30 anos) atrás das grades por causa da opressão racista na África do Sul. Quando saiu e assumiu a presidência, buscou uma convivência saudável com os brancos que o tinham condenado, contrariando o desejo da comunidade negra, que era fazer do momento um motivo de reversão e opressão à casta dos que até então eram seus opressores. Que oportunidade de ‘descontar’, de ‘revidar’! Tudo em nome da igualdade. Igualdade? Houve, sim, uma articulação política nos atos de Mandela; ele precisava dos brancos para governar o país. E este era o caminho para sua missão. Mas nada que o impedisse de promover esta reversão histórica, dando menos poder aos que até então o tinham nas mãos.

Foi em proporções menores ao que viveu Jesus Cristo, nosso líder, ao se entregar por nós, e, antes de morrer, nos perdoar por tê-Lo crucificado. Mas foi mais um exemplo do cotidiano, que nos aproxima de Cristo. Mandela praticou o perdão. Não trazia na alma o rancor, apesar de ter sofrido repressões, sofrido torturas, quando procurou apoiar os brancos. E buscou um fator de união para reunir todos (brancos e negros) à sua causa (o restabelecimento da África do Sul), buscando cumprir sua missão. O fator de união que todo líder deve cultivar apela para a paixão, o afetivo - não o racional. Temos um fator de união, o seguimento a Jesus Cristo e a crença de que, através dele, o Reino de Deus se concretiza aqui e agora, isto é muito sério. Pena que às vezes esquecemos.

Por isto acredito que o perdão é caminho para a liderança - nos leva a reconhecer e superar nossas fraquezas. Deus sempre nos perdoa, temos que aprender a reconhecer isto, e saber perdoar. O perdão nos aproxima de Deus, nos ajuda a sermos líderes pelo Amor e a cumprirmos nossa missão - sempre amparados por esta causa nobre que nos une. A experiência com Deus é fundamental para o líder cristão e o perdão é fruto disso. Isto o filme também nos dá a dica: a legitimidade de Mandela ao enfrentar os negros, ao contrariar o esperado (boicotar os brancos), estava apoiada na experiência. Do que viveu, sofreu, por lutar por uma causa.

O ser exemplo através da persistência no cumprimento da missão é outro; nada o impedia de desviar da missão, ele sabia o que queria, o que acreditava e estava disposto a enfrentar qualquer barreira – até que passasse por cima de seus anseios e necessidades pessoais. A causa é mais importante. E outros: a visão da comunidade como um todo; o olhar do outro; o apelo à afetividade; o saber se posicionar ou calar na hora certa. Coisas do ser humano mesmo. Nada demais. Ouvi no Aprofundamento do Escalada este ano a seguinte frase: a principal característica da santidade é a humanidade. Tereza de Calcutá já dizia que a santidade é uma necessidade de todos nós. Somos capazes de aceitar o Chamado, de perdoar, de sermos líderes e de levar a causa de Jesus para todo canto. Basta a gente se propor e se lançar. O mundo precisa de nós.

O filme traz uma frase-efeito interessante: “agradeço a Deus por tudo, por eu ser senhor do meu destino e capitão da minha alma”. Deus criou cada um de nós com potencial para sermos líderes, temos todas as ferramentas em nossas mãos, em nosso corpo, mente, alma. O psiquiatra Roberto Crema, numa palestra sobre liderança no século XXI, falou que o ser humano é uma promessa, uma possibilidade, e que todos nós somos convocados para ser aquilo que nós somos (outra dica da liderança, buscar o encontro com nós mesmos) e que se investirmos na semente, na dimensão do coração, da alma, poderemos nos tornar seres humanos plenos: “quando você se coloca no seu caminho, que é o caminho da sua promessa, o caminho com coração, então o mistério conspira por você e você evolui de uma existência perdida, alienada, para uma existência escolhida, ofertada”.

Para Crema, nós não estamos aqui para a normalidade e sim para trazer uma diferença, para liderar e se nós não somos líderes é porque nós nos perdemos ou nos conformamos. Difícil esquecermos os rancores e mágoas que nos afastam de nossos irmãos, da causa, mas, basta a gente se propor, e rezar. Deus ‘assopra’ para nós os caminhos de buscarmos esta semente que guardamos dentro de nós. A gente precisa acreditar nisso. Gosto da frase da música “Canção da vida” : “A gente é que faz o destino da vida, Deus só participa com sopro de Pai”. É isto, e fica a dica do filme. "

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - O filho possível


Fiquei emocionada, há poucos minutos, ao ler uma reportagem da Revista Época, enviada para o o grupo Sinjorba por nosso colega Carlão de Oliveira. É a reportagem O filho possível, que mostra que a classe médica pode, sim, tratar as pessoas com dignidade, dando-lhes conforto e atenção nas horas mais difíceis. Vou transcrever na íntegra o texto de Eliana Brum e postar a foto de Marcelo Min, que retrata Cristiane Nascimento e seu filho Lucas, na UTI da Divisão de Neonatologia do Caism, na Unicamp, no momento em que ela sussurra palavras de amor e o coração dele acelera. Parabéns para a equipe do Caism. Isso é que é valorizar a vida, mesmo que ela seja curta.

" Acompanhamos uma UTI neonatal que trabalha com cuidados paliativos. Nela, a medicina faz diferença mesmo quando não há cura

Eliane Brum (texto) e Marcelo Min (fotos)


AMOR DE MÃE Cristiane Nascimento e seu filho Lucas, na UTI da Divisão de Neonatologia do Caism, na Unicamp. Ela sussurra palavras de amor, e o coração dele acelera


A fotografia acima mostra Cristiane Nascimento minutos depois de saber que não há cura para seu filho. Lucas tem câncer. O tumor no cérebro nasceu com ele. Na cirurgia, não foi possível arrancá-lo por completo. No dia desta foto, 22 de janeiro, Lucas completava 2 meses. As imagens eternizam sua história. Não a história com que Cristiane sonhou. Mas a história possível.

Ao dar à luz, mulheres como ela precisam se desprender do filho sonhado para alcançar o filho real. Com a ajuda da equipe de cuidados paliativos, Cristiane aprende a valorizar cada detalhe da vida de seu bebê, não importa o tamanho que ela tenha. Como neste momento, ao aconchegar o filho no colo e sussurrar que o ama. O aparelho da UTI mostra que, mesmo em coma, ao ouvir a voz da mãe o coração do filho bate mais rápido.

Lucas está numa UTI diferente. A Divisão de Neonatologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Universidade de Campinas (Unicamp), pratica os cuidados paliativos no tratamento de bebês malformados ou com doenças graves. Todos os esforços são empreendidos para curar. Quando não é possível, a equipe suspende tratamentos invasivos e dolorosos – e amplia os cuidados com a família e com o luto. Cada bebê tem uma história. E é preciso cuidar bem dela.

Nesta semana, entra em vigor no Brasil o novo Código de Ética Médica. Pela primeira vez, a prática dos cuidados paliativos foi incluída entre as normas que os médicos devem seguir na profissão. Se é novidade no tratamento de doentes terminais adultos, nas unidades neonatais a prática dos cuidados paliativos é uma raridade ainda maior. A experiência da Unicamp tem derrubado preconceitos – e alterado destinos.

A cada ano, 45 mil brasileiras perdem seus filhos antes que eles completem 365 dias de vida. A essas mulheres, os profissionais de saúde costumam afirmar, com a força das verdades absolutas: “Você é jovem, vai ter outro filho”. Ou: “Você nem teve tempo de se apegar, vai superar”. Parentes e amigos repetem a toda hora essas frases. Omitem- se de escutar a dor. E calam o luto de quem precisa vivê-lo para seguir adiante.

A morte nos assombra a todos. Mas a perda de um bebê é o avesso da lógica. Ninguém espera que quem acabou de nascer possa morrer. Um filho não é apenas uma combinação única dos genes dos pais, mas a soma de seus melhores desejos de continuidade. Isso faz com que essa morte seja a menos aceita – e a mais silenciada.

Até 2001, a neonatologia do Caism era mais uma das unidades do país a acreditar que a função de profissionais de saúde limitava-se a curar doenças. Centro de referência para 42 municípios paulistas, ele acolhe os casos mais graves de malformação fetal e bebês prematuros. A morte, portanto, não é uma estrangeira em seus corredores. Mas só por descuido da recepcionista os médicos encontravam- se com os pais após a perda dos filhos. Era no setor de óbito que a família recebia a notícia, da boca de desconhecidos.

Quem mudou essa prática e transformou a unidade em algo novo no Brasil foi um bebê. Ele parava de respirar dezenas de vezes por dia. A cada uma, era preciso reanimá-lo. A equipe passou a conviver com a iminência de sua morte – e com o medo do plantonista de não conseguir revivê-lo. Não havia cura. Mas ninguém queria que ele morresse em seus braços.

Como cuidar desse bebê? Deveriam parar de reanimá-lo ou continuar prolongando seu sofrimento? A quem caberia decidir? E como conversar com os pais? As perguntas infiltraram- se no cotidiano da enfermaria. Tanto que exigiram respostas que ninguém ali tinha, apesar dos muitos diplomas e das décadas de experiência.

Sem poder conviver com tantos pontos de interrogação, a equipe buscou ajuda. Convidou a psicóloga Elisa Perina para dar uma palestra sobre a morte. Elisa trabalha há quase 30 anos no Centro Infantil Boldrini, em Campinas, uma referência no tratamento de crianças e adolescentes com câncer. É uma das precursoras da prática dos cuidados paliativos no Brasil.

Com Elisa, a equipe descobriu que a questão era mais difícil do que poderiam supor. Os profissionais não poderiam lidar com a morte de um bebê se antes não lidassem com a perspectiva da própria morte. “Antes de abrir espaço externo, é preciso abrir o interno”, diz Elisa. Foi um longo caminho até a equipe estar preparada para cuidar de bebês como Lucas para além da perspectiva da cura.

A conversa de Cristiane

Cristiane torce as mãos, nervosa. Na sala a esperam duas pediatras, psicóloga e assistente social. Estão ali para explicar a Cristiane que o câncer de Lucas não tem cura – e que a família pode contar com elas para garantir conforto. Não apenas emocional, mas prático.

A primeira preocupação da equipe é iluminar as dúvidas da mãe, para que a dor não seja agravada por incertezas de diagnóstico. É importante que a família esteja segura de que todos os recursos da medicina foram usados na tentativa de curar o bebê. A certeza de ter feito tudo o que era possível é essencial para a saúde dessa família no presente – e no futuro.

Cristiane faz muitas perguntas. Todas são respondidas com informação – e com afeto. “Se não tiver jeito de curar, eu e meu marido preferíamos que nosso bebê não fizesse outras cirurgias”, diz ela. E engole soluços.

Ela conta que não consegue cuidar de seu filho mais velho. Que tem poupado os familiares das informações mais duras e sente que pode implodir de dor. Que o marido tem vindo pouco ao hospital porque estava desempregado e só tinha conseguido trabalho fazia duas semanas. Que a vida está muito, muito difícil.

A pediatra Jussara de Lima e Souza, coordenadora do grupo, diz: “Você precisa deixar os outros cuidarem de você. Você está cuidando de todo mundo, e eles não sabem quanto você está sofrendo. Sem saber, não podem ajudar. Nós podemos cuidar para que o Lucas não sinta dor, mas não podemos fazer com que sobreviva. O que podemos é ajudar você e sua família a passar por isso”.

A conversa dura duas horas. Cristiane decide levar o filho mais velho ao hospital, para que ele possa conhecer o bebê e entender aonde a mãe vai todos os dias. Até então, o menino pensa que a mãe o abandona para se divertir com um irmão desconhecido. A assistente social coloca-se à disposição para conversar com o patrão do marido e encontrar uma forma de liberá-lo por algumas horas. A mãe pode passar a noite num dos alojamentos quando quiser ficar mais com Lucas. Cristiane é estimulada a pensar sobre tudo o que lhe daria conforto. Médicos, enfermeiras, assistentes sociais e psicóloga podem ser contatados a qualquer momento.

É uma conversa entre uma equipe de saúde e a mãe de um bebê com câncer. É uma conversa entre pessoas dispostas a alcançar a dor do outro. A informação mais importante para Cristiane é que ela não está sozinha. “Você está cuidando do Lucas da melhor maneira possível”, diz a assistente social Elaine Salcedo. “Vocês têm uma história, que vai ficar com você, seja o que for que aconteça.”

Quando a conversa termina, Cristiane decide almoçar. Nos últimos dias, só comia quando passava mal. A equipe mostra a ela que precisa comer para ser capaz de cuidar de Lucas. E que é importante – e não errado – cuidar de si mesma.

Cristiane coloca Lucas no colo. É a foto que abre esta reportagem. Lucas morreu em 15 de março. Esta foto é, para Cristiane, a lembrança de que ele viveu. "

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Você conhece outros bons exemplos que estejam sendo praticados não apenas em hospitais, mas em qualquer área? Compartilhe conosco. Se você tem interesse em saber mais sobre a morte na infância, segundo o espiritismo, leia o Livro dos Espíritos.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Contribuindo com o espiritismo

Como já falei em outras confabulações, frequento o Instituto Espírita Boa Nova, em São Cristovão (Salvador), do qual estou afastada desde outubro e para onde pretendo retornar. Nesse momento, a convite da minha sobrinha Paula Miranda,estou fazendo o curso básico no Centro Espírita Harmonia, apesar de já ter feito no Boa Nova e de já ser passista lá. Dentro da minha proposta de mudanças, aceitei o convite, até para conhecer o trabalho desse outro centro e ver como posso contribuir para a aprimoração do nosso trabalho com Newton Simões, a quem muito admiro e gosto.

Fazer esse curso me deu oportunidade de participar de uma peça de teatro na VII Semana Espírita e relembrar os meus bons tempos de colégio, quando sempre participava de grupos de dança folclórica e de teatro. Claro que fui levada, de bom grado, por Paulinha. A apresentação aconteceu no dia 12/04/10, no auditório do Centro Harmonia (Piatã).

A Peça - " Chico Xavier, um homem chamado amor", de Fernando Santos e direção de Maria Eugênia Farias, mostra Chico Xavier (Fernando Santos), desencarnado, em socorro de Clara (Vanja Veridiano), sua amiga, que suplica a Deus por auxílio ao seu irmão Lucas (muitíssimo bem interpretado por Psit Mota), também desencarnado, que vagueia na erraticidade, atormentado pelo torvelinho de ideias fixas a lhe manter preso dento da revolta e intolerância.

Paulinha, eu, Carla Rios (minha nora), Lorena de Araujo (sobrinha) e Maria Conceição, sob coordenação de Renata Rossini (cenografia e sonoplastia), representávamos espíritos no umbral. Renata (obsessora e depois o espírito do bem Angela) e Mário Melo (obsessor e depois o espírito Emanuel, que sempre acompanhou Chico) comandavam a obsessão a Lucas. As "umbraletes" apenas faziam a coreografia mostrando o que esperava Lucas.

Foi uma experiência muito boa, não apenas por lembrar minha adolescência, mas principalmente por ter podido contribuir para esclarecimento dos presentes - encarnados e desencarnados, através da representação. Participaram ainda da peça Cristiano Figueiredo, Jéssica Lane e Milton Fonseca.

Confesso que me senti meio que traindo o Boa Nova, mas tenho certeza de que tudo tem o seu porque e, quando do meu retorno a ele, poderei contribuir muito mais.

Final da apresentação da peça " Chico Xavier, um homem, chamado amor".

Da esq. para dir.: Carla Rios, Renata Rossini, Lorena Araújo, Vanda Amorim.
Agachadas: Maria da Conceição e Paula Miranda.

Fernando Santos se inspirou, para seu texto, nos relatos de entrevistas de Chico Xavier quando encarnado e em mensagens psicografadas, quando desencarnado. Na peça, Chico exorta o valor do trabalho na tarefa de aprendizado que é a reencarnação, lançando uma perspectiva de religiosidade cristã a nos auxiliar uns aos outros.

Quer saber mais sobre a vida após a morte? Leia as obras de Allan Kardec, principalmente o Livro dos Espíritos.