quinta-feira, 29 de março de 2007

A natureza está dentro ou fora de nós?


Quero confabular com vocês sobre um texto traduzido por Débora Menezes e compartilhado no grupo Rebeca e em seu blog, educomverde. blogspot. com. Acho que o autor, Eduardo tem razão na sua análise.Não temos a natureza dentro de nós. Mas acho, também,que mesmo que protegê-la fosse o 11º mandamento, a maioria de nós a desprezaria da mesma forma. É tudo uma questão de consciência, como o próprio pecado. Para quem não tem consciência, não existe pecado, nem culpa, nem remorso. Se não existe consciência da natureza, não existe o certo e o errado. Existe a conveniência de cada um. Infelizmente.
A foto acima é da parte devastada do Pantanal do Mato Grosso, na região próxima a Paconé, extraída do sosterravida.hpg.ig.com.br.


A natureza está fora de nós.

Em seus 10 mandamentos, Deus esqueceu de mencionar a natureza. Entre as ordens que nos enviou desde o Monte Sinai, o Senhor poderia ter agregado mais uma regrinha: “Honrarás a natureza da qual fazes parte”. Mas isso não Lhe ocorreu.Há cinco séculos, quando a América foi aprisionada pelo mercado mundial, a civilização invasora confundiu ecologia com idolatria. A comunhão com a natureza era pecado, e merecia castigo. Segundo as crônicas da conquista (dos espanhóis, principalmente) , os índios nômades que usavam parte do córtex das árvores para se vestir jamais cortavam um tronco inteiro, para não aniquilá-las, e os índios sedentários plantavam cultivos de diversas espécies, com períodos de descanso, para não cansar a terra. A civilização que vinha impôr a devastadora monocultura de exportação, não podiam entender as culturas integradas a natureza, e as confundiu com vocação demoníaca ou ignorância. E assim se seguiu. Os índios de Yucátan e os que depois se juntaram a Emiliano Zapata, perderam suas guerras por atender às semeaduras e colheitas de milho. Chamados pela terra, estes soldados se desmobilizavam em momentos decisivos de combate. Para a cultura dominante, que é militar, assim os índios provavam sua covardia ou sua estupidez.Para a civilização que se diz ocidental e cristã, a natureza é uma besta feroz que deveria ser domada e castigada, para que funcione como uma máquina, colocada a nosso serviço desde sempre e para sempre. A natureza, que era eterna, nos devia escravidão.Muito recentemente nos inteiramos de que a natureza se cansa, como nós, seus filhos; e soubemos que, como nós, pode morrer assassinada. Já não se fala em submeter a natureza; agora, até seus carrascos dizem que temos que protege-la. Mas em um ou outro caso, natureza submetida ou natureza protegida, ela está fora de nós. A civilização que confunde os relógios com o tempo, o crescimento com o desenvolvimento e o grandote com a grandeza, também confunde a natureza com a paisagem enquanto o mundo, labirinto sem centro, se dedica a romper seu próprio céu.(Eduardo Galeano em: Úselo y TíreloEl Mundo Visto Desde uma Ecologia latinoamericana. Grupo Editorial Planeta, Buenos Aires, 1994)

Onde foi que erramos


Hoje, por volta da 8 horas, enquanto Roberto e eu íamos dar uma caminhada na praia, vimos um grupo de meninas indo para a escola. Estavam com farda de uma escola pública da região. Passamos, então, a confabular sobre as mudanças dos tempos para a educação. Desculpem-me, mas não tenho como não dizer " no meu tempo não era assim".
Como muitos sabem, sou pauloafonsina, filha de chesfiano e, portanto, com direito a estudar na escola da Chesf, que era pública (visto que não pagávamos mensalidades - só fardamento e livros). Durante todo o primário estudei das 7 às 11. Mamãe nos acordava cedinho, nos aprontava, dava-nos café com pão e manteiga e depois nos deixava no portão... de casa. Íamos pra escola sozinhos, caminhando por cerca de 2 km, fizesse chuva ou sol. O irmão mais velho pegando na mão do mais novo. (Sou a do meio de 11 irmãos).

Todas as escolas da Chesf funcionavam em quatro turnos: 7 às 11, 11 às 15, 15 às 19; à noite tinha escola pra adulto.

Tínhamos quatro meses de férias: dezembro, janeiro, fevereiro e julho. As de julho sempre encarei meio ressabiada, porque nunca passava meu aniversário na escola.

Fazíamos a ponta do lápis com uma banda de gillete (lâmina de barbear) que nossas mães enrolavam em um pedaço de papel e colocavam dentro do nosso livro.

Pois bem, íamos sozinhos, sem medo de ladrão, estuprador ou sequestrador. No máximo, medo do papafigo (Isso é assunto pra outra confabulação).
Com quatro horas de aula (com um intervalo de 30 minutos) e quatro meses de férias, o aproveitamento era excelente, a repetição baixa e a grande maioria aprendia o que se ensinava.

Hoje, quase que não se tem férias, algumas escolas ficam com horários obsoletos e o índice de aproveitamento, de aprendizado, é ridículo de tão ínfimo. Tem um monte de gente entrando e saindo da faculdade sem saber escrever ou interpretar um texto.

Usávamos a gillete todos os dias, mais de uma vez (dependia de quanta palhaçada queria se fazer para os colegas enquanto a professora estava escrevendo no quadro) e nunca tive relato de um colega cortar o outro. As diferenças se resolviam na mão: entre os meninos, com socos; entre as meninas, com puxões de cabelo (talvez fosse este um dos motivos porque mamãe sempre cortava nossos cabelos curtinhos). Sempre cercados pelos colegas que estimulavam os briguentos com suas torcidas. Nunca aconteceu nada de grave. E olhe que eu tinha uns dois colegas que estavam sempre dispostos a brigar.

E aí? Onde foi que erramos? Acho que na falta do amor, da atenção e do limite. Dê a sua opinião.

domingo, 18 de março de 2007

AMOR se escreve com T-E-M-P-O


Quando saí de Paulo Afonso, aos 17 anos, para estudar no Recife, deixei uma família atormentada pelo AMOR traído. Sentia-me culpada por ter aceitado o incentivo de minha irmã Vitória e partido para buscar o meu sonho de ser jornalista. Lá deixei uma mãe e irmãos sofridos com o amor não correspondido do meu pai. Pelo menos não correspondido como desejávamos. No Recife encontrei amigos, muitos, que trago no coração até hoje: Alexandre, Rejane, Rosineide, Rosália, Ivana, Menezes, Adel Barros. Mas é sobre uma que não está nessa lista que quero falar: Nanci. Da mesma idade que a minha, cabelos loiros, pele bem alva, magrinha, um sorriso meigo e amigo. Foi a primeira pessoa a falar comigo no Colégio Boa Vista. Foi a pessoa que mais ouviu minhas angústias e mais me ofereceu o ombro para chorar minhas tristezas, que naquele momento eram muitas. Passei no vestibular, cursei Jornalismo na Unicap e depois de mais dois anos - totalizando seis no Recife - voltei para Paulo Afonso. Nanci foi pra João Pessoa, na Paraíba.

Apesar da amizade tão forte, perdemos o contato. Os anos passaram e todas as vezes, poucas, em que voltei a Pernambucõ tentava localizá-la. Meu coração sentia sua falta. Queria compartilhar sua meiguice com outras pessoas, principalmente com Roberto, que foi motivo de tanto choro de saudade naquela época e que hoje é motivo de tanto amor e paz. Nunca desisti. No ano passado consegui, finalmente, localizá-la. Nossa amizade prossegue virtualmente. Ainda não nos reencontramos pessoalmente, mas acredito que isso acontecerá em breve.

Resolvi contar essa história ao receber uma mensagem dela sobre o AMOR, uma mensagem forte e que nos faz refletir: Temos escrito corretamente a palavra AMOR? Se você está escrevendo com a palavra TEMPO, sim. Se você não tem tempo escrevê-la, é bom parar para tentar aprender e não chorar depois porque não teve TEMPO. Ainda bem que eu tive tempo de dizer a Nanci que ela continua morando em meu coração. Mesmo que tenha dito mais de 20 anos depois.

Transcrevo o final da mensagem recebida de Nanci.

" Se você não tiver tempo para amar, crie. Afinal, o ser humano é um poço de criatividade. E o tempo...bom, o tempo... é uma questão de preferência. Anda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. "

quinta-feira, 15 de março de 2007

De volta aos tempos de faroeste


Voltamos ao tempo do faroeste. O Clube de Cabos e Soldados da PM do Rio de Janeiro resolveu incentivar a população a denunciar os assassinos de policiais. Neste ano, segundo a Agência Estado, já foram assassinados 29 soldados, sendo que sete deles estavam em combate e os demais foram alvos de assaltantes ou de represália de traficantes que tiveram comparsas presos ou mortos. Em média, um policial militar morre a cada 72 horas no Rio. Em 2006, foram 144 mortos, dos quais 25 estavam em serviço.

Por quê voltamos ao faroeste? Porque o incentivo está na forma de pagamento de recompensa de R$ 2 mil para quem der informações que levem à prisão dos assassinos.Confabulando com meus botões, sinto um arrepio passar perto, pelo perigo que tal iniciativa representa. E por temer o que pode vir adiante é que questiono se isso é possível, diante da Lei. Mas, gente, falo da Lei/ legislação. Não da lei que tem imperado junto às polícias, onde matar também virou regra. Os familiares daqueles que foram assassinados por balas perdidas ou por terem sido considerados bandidos indevidamente também poderão oferecer recompensa? O linchamento será permitido?Seria bom que as autoridades - autoridades, não uma associação de classe - tomasse as providências para colocar um freio nisso, antes que volte a lei do talião, onde vale o olho por olho, dente por dente.

Segurança Pública X Direitos Humanos II

A mesma discussão tem ocorrido no âmbito da Assembléia Legislativa da Bahia,onde foi aprovado requerimento de urgência para o projeto de resolução que funde as comissões de Justiça e Direitos Humanos com a de Segurança Pública. A oposição defendia a instalação da Comissão de Segurança Pública, isoladamente. Volto a defender que a Segurança Pública é um Direito do cidadão. Senão, vejamos alguns dos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal:
" Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; "
Por quê tanta celeuma, afinal? Será mesmo em interesse da sociedade?

Segurança Pública X Direitos Humanos

Confabule comigo. Segurança Pública nada tem a ver com Direitos Humanos ou os dois estão intrinsecamente ligados? Eu entendo que a Segurança Pública faz parte dos Direitos Humanos. Não consigo entender, portanto, porque a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou a criação do Fundo de Combate à Violência e Apoio às Vítimas da Criminalidade. Essa proposta foi apresentada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (PFL) e seguirá para votação em Plenário.O fundo vigoraria até o ano de 2020 e seriam investidos R$3 bilhões anuais.
Para o Fundo de Combate à Violência e Apoio às Vítimas da Criminalidade, a principal fonte de financiamento são os bens e recursos apreendidos do crime organizado, que responderiam por 75% do montante. O restante viria do Orçamento da União. Sua função seria viabilizar ações preventivas, dar apoio a vítimas da violência e a integrantes do programa de proteção à testemunha, além de criar e manter cursos de formação e especialização de agentes públicos da área de segurança pública. O fundo de combate à criminalidade, de autoria do senador Antonio Carlos Magalhães, prevê também linhas de crédito especial para agentes de segurança pública e vítimas da criminalidade em programas de habitação, criação de programas especiais de saúde, educação e complementação de renda.
Atualmente já existe o Fundo Nacional de Segurança Pública, cujo valor previsto no Orçamento para este ano é de R$566 milhões. Os recursos são repassados para estados e municípios para a compra de equipamentos e a implementação de ações preventivas.Então pergunto: por quê criar novo fundo? Por quê não inserir as novas fontes de financiamento no já existente Fundo de Segurança Pública? Se for o caso, funde-se e muda o nome, para torná-lo mais abrangente. Não se pode fechar os olhos e achar que é só criando fundos que vamos resolver a questão. Temos que mudar, principalmente, nosso modo de pensar e agir, ter mais solidariedade,caridade - principalmente a moral.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Sem vagas

A Assembléia Legislativa da Bahia vai precisar aumentar o estacionamento. Depois de o presidente Marcelo Nilo decretar que os servidores têm que assinar livro de ponto, achar uma vaga está sendo coisa rara. Novos tempos? Que isso dure.

regulamentação de estágios

A Comissão de Educação do Senado realizou audiência pública ontem, 13/03, para discutir o projeto da Lei do Estágio, do senador Osmar Dias (PDT-PR), que pretende regulamentar estágios para estudantes do ensino médio, profissional e superior. Para Dias, a lei incentivaria mais empresas a oferecer estágios.Se for aprovado, o projeto garantirá que os estágios serão de no máximo seis horas diárias e dois anos de duração; que os contratantes --públicos ou particulares-- não terão mais de 20% do quadro preenchido por estágios; que os estagiários serão estudantes matriculados, com freqüência comprovada; e que eles terão 15 dias de recesso, a cada ano de trabalho.O projeto prevê ainda que os contratantes procurem instituições sem fins lucrativos para oferecer vagas e buscar candidatos.
Não sei se as empresas vão contratar mais, como acha o deputado. O quadro que vemos hoje, a partir dos anúncios publicados nos jornais locais disponibilizando vagas, é o de empresas querendo contratar estudantes para substitutir profissionais, por ser mão-de-obra mais barata. E, na grande maioria, o estágio oferecido é de 8 horas. É esperar pra ver. Mas, que precisa pôr ordem, isso precisa.

faça algo por você


Você está fazendo alguma coisa, pelo menos, que goste? Se sim, parabéns. Se não, está sendo burro e pode ficar ainda menos inteligente e depressivo. Pesquisa realizada na Universidade Franklin Rosalind, nos Estados Unidos, aponta que um único episódio de estresse extremo pode ser o suficiente para destruir novas células nervosas no cérebro. Os pesquisadores acreditam que a perda dessas células possa ser uma das causas da depressão. Eles descobriram que o estresse afeta as células do hipocampo, a área do cérebro responsável pelo aprendizado, memória e emoção. O hipocampo é uma das regiões cerebrais que continua a desenvolver células nervosas durante a vida, tanto nos ratos quanto em seres humanos.

A boa notícia é que o estresse não impediu a produção de novas células, como acreditavam alguns cientistas. Mas as células tiveram mais dificuldade em sobreviver, o que significa que houve uma redução no número de neurônios novos para processar sentimentos e emoções. Uma semana após o teste, apenas um terço das novas células produzidas havia sobrevivido. A sobrevivência dos neurônios em longo prazo também foi comprometida.Os pesquisadores acreditam que o estudo possa ajudar no desenvolvimento de tratamentos para impedir que situações muito estressantes causem problemas de depressão.

Para o professor David Kendall, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, apesar de o estresse extremo ser prejudicial à saúde, níveis moderados podem ser benéficos."A regra parece ser que um pouco de estresse é bom para você, mas o estresse severo e imprevisível é ruim", disse.

Portanto, lembre-se rápido do que lhe dá prazer e determine um horário para se dedicar a essa atividade, cumprindo-o como prioridade. Vale ler, ouvir música, cantar, nadar, fazer sexo, caminhar ou simplesmente ficar parado em uma praia e ficar vendo o mar ou o por-do.sol. A escolha é sua.

Onde é o lugar de cientista?

Você acha que o lugar de cientista é em universidades ou em empresas? Ou em ambos? No Brasil, o lugar de cientista ainda é na universidade e não nas empresas, ao contrário do que acontece com a Coréia do Sul. Aqui, só 10% dos cientistas trabalham em companhias. Lá, 80% estão trabalhando em empresas. Esses números, divulgados na revista Você S.A. deste mês, mostra como o Brasil ainda não acordou para a necessidade de investir em pesquisa. Como não ficar atrás no ranking mundial de inovação?

terça-feira, 13 de março de 2007

O tempo da polícia

A Tribuna da Bahia deu hoje que, de acordo com o Centro de Documentação e Estatística Policial da Bahia, de 198 homicídios registrados de janeiro até o dia 5 de março deste ano, apenas 39 foram solucionados. A média de prazo que as delegacias têm para inquérito é de 30 a 60 dias. Esses números mostram lerdeza total. Mas, que tal a equipe da TB levantar os dados de, pelo menos, o mesmo período em 2005 e 2006? Assim daria para seus leitores fazerem uma avaliação neutra. Nunca precisei solucionar problemas com homicídios. Mas, das três vezes em que registrei queixa em delegacias de Salvador ( duas por roubo na loja que o meu marido tinha e uma por assalto ), nunca recebi informação se foi realizada investigação. E eles não ocorreram neste ano.

Incesto em debate


O que é o certo e o que é o errado? Quem determina isso: as leis ou as religiões, ou ambas? Quero confabular sobre uma notícia publicada em curiosidades, na Tribuna da Bahia de hoje. Vejamos: Um casal de irmãos alemães, que há anos têm um relacionamento estável que deixou como frutos quatro filhos, apresentará uma petição no Tribunal Constitucional (TC) com o objetivo de obter a legalização da união. “Antes do final de Fevereiro, apresentarei a reivindicação ao TC”, disse um dos advogados do casal, Endrik Wilhelm. O casal Patrick S., 30 anos, e Susan K., 22 anos, moram juntos com sua filha mais nova, Sofia, de 1 ano. Tanto o casal como seu advogado parecem estar convencidos de que conseguirão declarar inconstitucional o artigo 173 do código penal, que qualifica o incesto como crime e fixa penas de prisão de até 3 anos para quem tiver relações sexuais com os filhos, e de até 2 anos para os que fizerem o mesmo com o pai, a mãe, o irmão ou a irmã. Joachim Frömling, outro advogado do casal, considera o artigo 173 “uma violação aos direitos fundamentais e uma relíquia histórica”. Em 2002, Patrick S. foi condenado a 1 ano de prisão após gerar seu primeiro filho, Erick, mas ganhou liberdade provisória.

Esse tema - incesto - se entrelaça com o tema abordado ontem - homossexualismo. Fomos criados sob a orientação de que o homem tem que se relacionar com a mulher para formar uma família. Esse relacionamento não pode ser entre filhos e mães, filhas e pais ou irmãos com irmãs.

Do ponto de vista legal, a sociedade brasileira criminaliza a prática do incesto. Segundo a interpretação do Código Penal, o incesto praticado por adultos contra crianças abaixo de 14 anos é considerado violência sexual, independente de ser empregada a força física. Por outro lado, o Código Civil proíbe casamento entre parentes de primeiro grau (pais e filhos, irmãos e irmãs. A proibição social e/ou legal do incesto existe praticamente em todas as culturas e sociedades. Essa interdição transformou a prática do incesto em um tabu, o que o torna tema controverso, obstando uma abordagem mais isenta de valores de julgamento morais.

Pesquisando na web descobri que, segundo ongs internacionais, as relações homossexuais são condenadas pela lei em pelo menos 80 países, entre eles a Arábia Saudita e o Irã, que a punem com a morte. No Brasil o homossexualismo não é criminalizado, mas para muita gente é considerado pecado, assim como o incesto.

Newton Simões, coordenador do Instituto Espírita Boa Nova (ao qual frequento), diz que não é a lei que torna algo pecado; apenas o torna proibido. O pecado só existe dentro da nossa consciência. O que é pecado pra mim pode não ser pra outra pessoa.

Nossa confabulação, neste tópico, é se o incesto é pecado, além de crime. Qual a sua avaliação sobre o casal citado aqui? Aguardo sua opinião.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Homossexualismo nas escolas


Notícia da Agência EFE sobre projeto educacional piloto, implementado pelas autoridades britânicas em Londres, cai como uma bomba na sociedade heterosexual ortodoxa (nas qual muitos de nós estamos incluídos). O projeto prevê a distribuição, entre alunos ingleses de 4 a 11 anos de idade, de livros que abordam a homossexualidade. Essa informação foi capturada do dominical "The Observer" pela EFE.

Entre os volumes destaca-se um conto de fadas protagonizado por um príncipe que após rejeitar três princesas acaba se casando com um homem, além das histórias de uma menina astronauta com duas mães e de um pingüim com dois pais. O projeto foi aprovado por 14 colégios e uma autoridade educativa local. Se for bem-sucedido, será estendido a todo o país.

Tenho conhecidos e casos na família que vivem a homossexualidade. Respeito-os e os amo. Sei que os casamentos gays têm acontecido em todo o mundo, que casais gays estão adotando crianças... Sei tudo isso. Mas confesso que não estou preparada para tamanha transformação.

Segundo a EFE, a diretora do projeto, Elizabeth Atkinson, defende que "O mais importante desses livros é que mostram a realidade a crianças pequenas". Eu entendo que sim, mas não deixo de ficar preocupada. A iniciativa foi duramente criticada por grupos religiosos, que exigem que os livros sejam apresentados antes aos pais para que estes possam examiná-los e emitir sua opinião.

E se esse projeto fosse adotado no Brasil, qual seria a sua reação? Gostaria de ouvi-los. Quem sabe consigo abrir mais os meus horizontes heteros.

EDUCAÇÃO SEM NOÇÃO DE TEMPO


Para estrear o FORQUILHA, optei por confabular sobre o tema Educação. Lendo notícias na web das duas últimas semanas, uma me chamou a atenção. Segundo notícia publicada na Folha de São Paulo, no último dia 6, o governo do Estado de São Paulo vai mudar o sistema de reprovação dos alunos da rede pública a partir de 2008: haverá quatro ciclos de dois anos no ensino fundamental e, ao final de cada um, o aluno poderá ficar retido. Hoje, são dois ciclos de quatro anos, ao final dos quais o aluno pode ser reprovado e repetir um ano. O objetivo é detectar falhas de aprendizado e corrigi-las a tempo. A TEMPO? Que tempo? A secretária da Educação do Estado de São Paulo, Maria Lucia Vasconcelos, acredita que, avaliando o aluno em períodos mais curtos, as lacunas de aprendizado serão localizadas e corrigidas antes.

Confabulando com meus botões, resta-me a impressão que os educadores, em busca de estatísticas limpas e estimulantes, esqueceram a noção de tempo, de agilidade. E sinto falta do conceito de tempo que tinham as minhas professoras do primário e do ginásio (hoje Ensino Fundamental) no Colégio Paulo Afonso /SPEI, mantido pela CHESF em Paulo Afonso. De 1970 a 1977, período em que terminei o 1º Grau, as lacunas eram identificadas imediatamente no desenrolar das unidades. As recuperações eram semestrais e quando não se conseguia corrigir o aluno não tinha alternativa: precisava "tomar pau" ( ser reprovado) para dar mais uma chance de sua mente absorver o conteúdo.

Há pelo menos uns 10 anos a orientação mudou. A regra passou a ser aprovar, mesmo que o professor tenha a consciência de que o aluno nada aprendeu e não tem capacidade de ir para uma série mais adiantada. Entre os objetivos tinha o de aumentar a auto-estima dos alunos fraquinhos. Acho que estimulou foi a certeza de que não precisa estudar, porque ninguém "toma pau".

Não há jeito de não dizer uma expressão que sempre ouvimos dos nossos pais e avós: " No meu tempo não era assim". Chorar sobre o leite derramado não adianta.