quinta-feira, 24 de maio de 2007

Aplicar a lei sem olhar a quem


A Polícia Federal do Brasil parece que agora tomou gosto pelas investigações. É uma operação atrás da outra. Só nesse último momento foram duas: furacão e navalha. O engraçado é que ouço por onde ando pessoas dizerem:" Esse é o governo da corrupção". Será mesmo?

Lembro que há cerca de nove anos, quando o governo federal começou a desenvolver campanhas de prevenção ao câncer do colo do útero, as pessoas ficaram assustadas com os altos índices de vítimas divulgados pela imprensa. Elas diziam: " Meu Deus, o que está acontecendo? Por que tantas mulheres estão tendo câncer? Deve ser o hormônio nos frangos." Não tinha aumentado o número de vítimas. Levar os exames até as mulheres fez com que se identificasse mais casos; só isso. Antes muita mulher morria sem nem ter feito um preventivo. E nem sabia que tinha câncer.

Faço essa comparação porque, na minha opinião, as situações são parecidas. Não é este governo que é mais corrupto ou menos corrupto; é a polícia federal que tem recebido carta quase branca para agir e identificar corruptos, inclusive dentro da sua própria corporação, como é o caso dessa mais recente operação, a navalha. Mesmo que ainda haja a tentativa de controle político da ação da PF, nenhum governo deu tanta autonomia a esse órgão. Mesmo que a navalha esteja quase cega...

Uma coisa, porém, é certa: quem tem um pouco de ética e de brio dentro de si, fica triste ao ver que a corrupção tem se alastrado tal qual câncer antes da descoberta da cura. Por isso que é fundamental que o Brasil tenha coragem de cortar o mal pela raiz, seja a erva daninha delegado, deputado, senador, ministro, procurador, prefeito, governador, presidente ou apenas um zé eleitor.

É fazer o certo e aplicar a lei sem olhar a quem.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Celibato: contra ou a favor?


Aproveitando a presença do Papa Bento XVI no Brasil, a Folha On Line faz enquete com seus leitores sobre a obrigatoriedade do celibato. Até o momento em que votei, pouco mais de 5 mil pessoas já tinham se posicionado: 71% contra e 29% a favor. Eu estou incluída no grupo do contra.

Na enquete é informado que estudo do Vaticano aponta que, em 40 anos (1964 a 2004), 69 mil padres abandonaram a batina para se casar. Desses 16% se arrependeram e retornaram ao sacerdócio.

Votei contra. Nessa questão, não mudei de opinião ao longo dos anos. Acho que fazer parte de uma família é fundamental para o amadurecimento das pessoas e para o exercício de transformação. Como um padre celibatário poderá entender os conflitos comuns na vida de uma família? Nunca consegui entender em que um casamento atrapalharia um sacerdote. As outras igrejas permitem, e até estimulam, o casamento dos pastores. O próprio Pedro - a quem a Igreja Católica coloca como o primeiro Papa - era casado. Casamento não tira a pureza do espírito.

Sou a favor do casamento - seja ele oficial ou não. No casamento você pode exercitar o amor, o carinho, o diálogo, a cumplicidade, a solidariedade, a lealdade, a amizade e sexo de excelente qualidade. Também pode exercitar a renúncia e o silêncio nas horas em que ele é necessário. Eu disse "pode", porque nem todas as pessoas casadas se dispõem a esse exercício e culpam o casamento pelas "nóias", angústias e faltas que carregam dentro de si. "Pode" implica em escolha. E por que os padres não podem ter direito a essa escolha?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Eu e o Papa

A cada dia vamos constatando como nosso pensamento muda, como muda também o nosso comportamento. Tenho acompanhado a cobertura da visita do Papa Bento XVI ao nosso País e percebo que os meus valores em muito foram transformados.
Em 1980 (então com meus 18 anos), durante a primeira visita do Papa João Paulo II, eu morava no Recife. Como tiete fui para o Estacionamento Joana Bezerra (muito grande e aberto) ,acompanhada do meu amigo pauloafonsino Sérgio Vital; tínhamos que ver o Papa. Saímos cedinho para tentar um lugar próximo ao palco, levando em uma mochila frutas, água mineral e biscoitos. Afinal, não tínhamos hora pra voltar e nem dinheiro para comprar lanche. Naquele momento eu ainda me dizia católica e ia para a missa todos os domingos. Ver o maior representante da Igreja Católica era muito emocionante. Foi muito emocionante.
Depois, já em Salvador, em 1991, fiquei novamente emocionada. Desta vez eu acompanhava a vinda do Papa João Paulo II como profissional da imprensa. Foi muito bom aquele momento. Podem rir, mas guardo até hoje o crachá de identificação que me aponta como repórter da Tribuna da Bahia.
Voltando ao ponto inicial: porque e em que mudei? Mudei no modo de ver o Papa. Não sei se porque o atual não tem o mesmo carisma (na minha opinião) de João Paulo II ou porque hoje estudo a doutrina espírita. Não o vejo como "aquele que vai trazer a paz"; talvez como aquele que traga mensagens de paz. Permitir e trazer a paz para onde vivemos é uma responsabilidade nossa, individualmente. Nem mesmo é a responsabilidade de Deus. O que cada um de nós vem fazendo para garantir a paz, a começar pelo seu lar?
Não sinto emoção com a sua presença, mas entendo aqueles que estão emocionados. Que cada um, contudo, tenha a coragem de seguir o seu coração e fazer a sua parte para garantir a paz.

Tratamento merecido

Até quando permitiremos - nós, eleitores - o quadro que se repete sem o menor respeito? O plenário da Câmara dos Deputados aprovou novo reajuste para seus próprios membros. A aprovação foi por votação simbólica e garantiu um reajuste de 28,05%, relativo à inflação do período de dezembro de 2002 a março de 2007. Deputados e Senadores passam a ganhar, retroativo a abril, R$ 16.512,09.
Por que a inflação só é válida para reajustar salários de parlamentares, ministros, desembargadores...? Porque o povo brasileiro não se informa e, deseducado, inconsciente dos seus direitos, continua elegendo os mesmos tipos de representantes, como se locupletassem através das suas ações desrespeitosas. Não dá para entender.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Maioridade penal


O mundo dá voltas. Oh, se dá! Eu que o diga. Nunca imaginei que um dia eu pudesse concordar com alguma coisa dita pelo senador ACM. Pois, hoje me peguei concordando com a sua opinião sobre a maioridade penal. Disse ele, hoje, “ que a pobreza e a miséria, cujo corolário mais cruel é a violência, não se eliminam com leis. Mas as leis podem reduzir a crueldade do impacto da pobreza e da miséria sobre a vida das pessoas.” Disse ainda que “ não é com leis que os chamem à responsabilidade criminal que se evita que os menores de 18 anos, hoje cada vez mais recrutados pelos agentes do crime organizado, continuem a delinqüir.” Mas, com a redução penal, pretende-se evitar que eles prossigam sem que nada lhes aconteça.

E aí está: penso assim também. O Estatuto da Criança e do Adolescente foi um avanço e é muito importante. Temos que cuidar desses, mas não podemos fechar os olhos para o fato de que, ao ficarem conscientes da impunidade, agem com mais bravata e, consequentemente, mais violência e desrespeito ao próximo. Sei que a maioria deles vem de famílias desestruturadas, de uma miséria imensa. Mas pobreza não tem que ser sinônimo de vida bandida. Muita gente boa, trabalhadora e honesta mora em cortiços e favelas por esse mundo afora. Fosse essa a condição para ser bandido, não teríamos tantos filhotes das classes mais abastadas, menores de idade, adentrando para o mundo do crime. Meninas apaixonadas por traficantes e se envolvendo na criminalidade. Meninos que, por se acharem intocáveis, se acham no direito de tocar fogo em mendigos, de roubar, de estuprar .

Dizem que, como mãe (mesmo que emprestada), sou da linha dura. Na verdade, procuro ser justa. Acho que mãe, pai ou responsável deve dar amor e carinho, mas também dar limites, dar educação – principalmente a doméstica. Defendo que, se o jovem de 16 anos é considerado apto a escolher um governante – a votar, ele deve ser considerado apto a responder por seus atos. Ele não é incapacitado mentalmente.

Claro que o sistema carcerário é falho. Claro que até o sistema de abrigo de menores é falho. Não fosse assim, não veríamos tantas rebeliões. Precisamos criar condições de reinserir na sociedade aqueles que cometeram crimes e pagaram por eles. Precisamos reformar esse sistema judiciário que manda para a cadeia quem mata um passarinho e deixa livre quem rouba o dinheiro público ( inclusive juizes). Precisamos ampliar o acesso à educação e mudar o próprio sistema de educação. Precisamos de uma reforma ampla para dar dignidade a todos. Mas isso leva tempo. Enquanto isso, acho correto que aqueles que cometam crimes hediondos sejam condenados à prisão, mesmo que tenham 16 anos.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Liberdade de imprensa existe?

Hoje é comemorado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa. Minha confabulação é: LIBERDADE DE IMPRENSA EXISTE? SE SIM, EM QUE CONSISTE?

Logo nas primeiras horas da manhã fui pesquisar sobre o tema na internet. Ali encontrei a Declaração sobre os princípios fundamentais relativos à contribuição dos meios de comunicação de massa para o fortalecimento da Paz e da compreensão internacional para a promoção dos Direitos Humanos e a luta contra o racismo, o apartheid e o incitamento à guerra, proclamada em 28 de novembro de 1978 na vigésima reunião da Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e à Cultura, celebrada em Paris.
Essa declaração faz referência a resolução 59 (1) da Assembléia Geral das Nações Unidas, adotada em 1949, que declara: "A liberdade de informação é um direito humano fundamental e alicerce de todas as liberdades às quais estão consagradas as Nações Unidas [...] A liberdade de informação requer, como elemento indispensável, a vontade e a capacidade de usar e de não abusar de seus privilégios. Requer também, como disciplina básica, a obrigação moral de pesquisar os fatos sem prejuízo e difundir as informações sem intenção maliciosa [...]".

Aí fui procurar conceitos de liberdade e encontrei o seguinte: 1) O conceito técnico e filosófico de liberdade significa AUTONOMIA DE ESCOLHA, não fazendo distinção entre intenção e ato. 2) Do ponto de vista legal, O INDIVÍDUO É LIVRE QUANDO A SOCIEDADE NÃO LHE IMPÕE NENHUM LIMITE INJUSTO, DESNECESSÁRIO OU ABSURDO. 3) O consenso universal reconhece a RESPONSABILIDADE DO INDIVÍDUO SOBRE SUAS AÇÕES EM CIRCUNSTÂNCIAS NORMAIS, e em razão disso o premia por seus méritos e o castiga por seus erros. Considerar que alguém não é responsável por seus atos implica diminuí-lo em suas faculdades humanas, uma vez que só aquele que desfruta plenamente de sua liberdade tem reconhecida sua dignidade.

Voltando à primeira declaração citada acima, temos o Artigo 2, item 2, que diz que “ O acesso ao público à informação deve ser garantido mediante a diversidade das fontes e dos meios de informação de que disponha, PERMITINDO ASSIM A CADA PESSOA VERIFICAR A EXATIDÃO DOS ACONTECIMENTOS E ELABORAR OBJETIVAMENTE SUA OPINIÃO SOBRE OS ACONTECIMENTOS. Para esse fim, os jornalistas devem corresponder às expectativas dos povos e dos indivíduos, favorecendo assim a participação do público na elaboração da informação ”. No item 4, diz “ Para que os meios de comunicação possam promover em suas atividades os princípios da presente Declaração, é indispensável que os jornalistas e outros agentes dos órgãos de comunicação, em seu próprio país ou no estrangeiro, desfrutem do estatuto que lhes garanta AS MELHORES CONDIÇÕES PARA EXERCER A SUA PROFISSÃO.”

Volto à pergunta : Liberdade de Imprensa existe? Creio que não. O que vemos hoje é uma luta dos empresários da comunicação, cada um defendendo seus próprios interesses e fazendo com que os jornalistas deixem de lado o que aprenderam sobre a premissa de que todo fato tem duas versões, que devem ser apresentadas à sociedade. A teórica liberdade de imprensa gira de acordo com o famoso IP ( interesse do patrão). E esse interesse tem varáveis econômicas, políticas, etc. O IP tem se institucionalizado de tal forma que alguns jornalistas fizeram a opção de não ouvir mais os dois lados. Chegaram a incorporar um poder tal que uma boa parte deles deixou de lado a narrativa para apresentar sua opinião – nem sempre especializada – sobre tudo e sobre todos. Auto intitularam-se “ donos da verdade”.

Em nome de uma falsa liberdade de imprensa tentam cercear o direito de uma categoria de trabalhador – sim, jornalista é trabalhador – ter o seu conselho de classe, como mais de 50 categorias os tem ( absorvidas em 30 conselhos). Tentam anular um direito adquirido de uma profissão reconhecida, sob argumentos de que a exigência de diploma atravanca a liberdade de imprensa. Mas ninguém se preocupa em oferecer melhores salários e condições de trabalhado ao profissional da imprensa. Nem mesmo a classe consegue se unir e se fortalecer nesse sentido.

Ao longo de 22 anos de profissão tenho visto muitos abusos em nome da liberdade de imprensa. Tenho visto os meios de comunicação serem tomados por pessoas sem ética e sem moral que cometem absurdos protegidos sob a aba da liberdade de imprensa. O arrendamento de horários de rádios e tvs contribuiu muito para isso. Exemplos todos nós, jornalistas e radialistas, conhecemos. No interior e na capital, jornais se proliferam com o objetivo de arrancar dinheiro de políticos. Fazem acusações sem direito de resposta. Tudo em nome da liberdade de imprensa.
Termino aqui por hoje sem saber a resposta: em que consiste a liberdade de imprensa? Se você sabe, confabule comigo.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Amigos valem mais de R$ 30 mil



Sempre achei que amigos são o que temos de mais importante na vida. Amigo vale mais que dinheiro. Mesmo sabendo disso, nem sempre tenho conseguido priorizar o contato com aqueles que trago com carinho no coração. O corre-corre da vida pressiona e acabo me concentrando em quem estiver mais próximo. Quando percebo minha falta, contudo, corro para uma conversa por telefone, pelo MSN ou uma visita surpresa, sempre muito boa, mesmo que rápida.


Lendo notícias do mundo no Folha On Line não é que tive a confirmação de que ver amigos vale um salário de R$ 30 mil? A reportagem da BBC Brasil diz que esta constatação é resultado de um estudo realizado no Reino Unido por Nick Powdthavee, especialista Economia Aplicada a temas de felicidade. Depois de uma enquete com 8 mil britânicos ele concluiu que uma pessoa que ganha R$ 3.300 e encontra com frequência os amigos para uma conversa despreocupada é tão feliz quanto outra que tem salário dez vezes mais alto e sacrifica sua vida social.
Como ele chegou a esse resultado? Pedindo aos entrevistados que colocassem etiquetas de preço em amigos, parentes e vizinhos, para concluir que, se for possível comprar felicidade, ela tem um alto preço. Nick diz que os resultados mostram claramente que um aumento no nível de envolvimento social equivale a dezenas de libras adicionais por ano em termos de satisfação de vida. Já o aumento de renda, por outro lado, traz muito pouca felicidade, garante o pesquisador.

O estudo foi conduzido no Instituto de Educação, da Universidade de Londres, e será publicado no próximo da revista científica Journal of Social-Economics. Veja os cálculos: a média de renda da amostra foi de 10 mil libras esterlinas por ano - cerca de R$ 3.300 mil por mês. Mas pessoas que tinham este salário e viam seus amigos quase todos os dias se mostraram tão felizes quanto as que ganhavam 95 mil libras por ano -mais de R$ 31,5 mil- e nunca ou quase nunca se encontravam com seus amigos. Vê-los um par de vezes por mês traria tanta felicidade quanto ganhar 67 mil libras por ano --mais de R$ 22 mil por mês, calculou o economista. Já encontrá-los uma ou duas vezes por semana seria tão prazeroso quanto contabilizar R$ 26.500 todo mês (69.500 libras a cada ano). O melhor resultado da pesquisa é que os ganhos de felicidade resultantes da convivência social são mais duráveis que os resultantes de aumentos de salário.

Que tal o exercício proposto nesse trabalho do especialista britânico? Comecemos agora a listar nossos amigos, etiquetá-los e voltar a visitá-los para suprir nosso caixa de felicidade. Muitas vezes, além de boas risadas, de abraços e carinhos sinceros, esses encontros ainda podem render soluções para algum problema que nos aflige, inclusive de desemprego. Vamos à ação!