Ele disse, com a autoridade de especialista que é, o que eu já comentei no Forquilha em relação à políticas governamentais no Brasil e Bahia para esta área: " É preciso que a dependência de droga seja tratada como uma questão de saúde pública e que o tratamento seja de forma integrada entre as diversas especialidades, porque os riscos são clínicos e psicológicos."
Como estava contribuindo com a Vila Serena na divulgação do evento, pude conversar bastante com o simpático Restrepo. E aí ele me explicou porque a dependência química tem que ser tratada como saúde pública de forma integral: quem usa drogas, lícitas ou não, pode desenvolver aids, tuberculose, infecção pulmonar e problemas cardiovasculares, além de transtornos mentais.A sua estimativa é que cerca de 30 a 40% das pessoas que usam alguma substância psicotrópica acabam desenvolvendo enfermidade mental.
| Dr. Ricardo Restrepo e eu, no VI Simpósio de Alcoologia e Outras Drogas. |
Com este quadro, Ricardo Restrepo defende que escolas de Medicina tornem obrigatório, na graduação, o ensino de disciplinas sobre enfermidades mentais e uso de substâncias que causam dependência, até como forma de acabar com o estigma em relação a transtornos mentais.
Quanto a termos êxito nessa árdua luta para salvar nossos jovens das drogas, na opinião de Restrepo isso é possível, desde que os governantes se conscientizem que investir apenas em programas policiais ou judiciais não adianta. “É preciso ter disposição política para investir mais em saúde pública,” alerta. Eu confabulei com vocês sobre isso no post Combate às drogas .
Quanto tempo mais teremos para cuidar disso com seriedade? Se você tem alguma dependência, qual sua opinião? Gostaria de saber também o que pensa se vc é da área de saúde pública.
| A equipe da Vila Serena Bahia, organizadora do Simpósio, com Ricardo Restrepo. Da esquerda pra direita: Priscila Brito, Júlia Damiana e Moema Raquelo |
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