terça-feira, 27 de abril de 2010

Perdão: caminho para a liderança

Assistir "Invictus", que fala sobre Nelson Mandela, me deixou comovida e feliz em ver que, mesmo que sejam exceções, existem pessoas capazes da grandeza do perdão. Tinha pensado em confabular com vocês sobre o filme e o tema, inclusive na questão política, mas ao ler artigo da minha amiga - também jornalista - Carla Ferreira. Temos crenças diferentes: ela - católica praticante; eu - espírita. Ambas, cristãs. Nada que impeça uma grande afinidade e amizade. Li, gostei e preferi pedi sua autorização e postar aqui o que ela escreveu. Confira e dê sua opinião sobre o filme ou sobre o tema.



" Perdão: caminho para a liderança

Por: Carla Ferreira, jornalista.



A prática do perdão é um ponto fundamental para a liderança. Isto me veio à mente esta semana após assistir ao filme “Invictus”, que está em cartaz nos cinemas, sobre o líder Nelson Mandela - sobre quem não possuo um conhecimento aprofundado; mas o suficiente para citar nas palestras sobre liderança como exemplo de líder. A ótica abordada por Clint Eastwood em cima do roteiro de Anthony Peckham e as orientações que faço para uma palestra sobre liderança me reacenderam isto.

Não podemos ser líderes – sobretudo cristãos – se não colocamos em nossa rotina diária a prática do perdão. A mágoa, a angústia, os ressentimentos, o ódio, o rancor nos impedem de ver com serenidade a realidade e de discernir qual a melhor atitude a tomar em qualquer situação. Eles nos enturvam a visão; são capazes de nos afastar da causa (e olha que a nossa é nobre!) e desviar da missão.

Mandela passou a maior parte da vida (30 anos) atrás das grades por causa da opressão racista na África do Sul. Quando saiu e assumiu a presidência, buscou uma convivência saudável com os brancos que o tinham condenado, contrariando o desejo da comunidade negra, que era fazer do momento um motivo de reversão e opressão à casta dos que até então eram seus opressores. Que oportunidade de ‘descontar’, de ‘revidar’! Tudo em nome da igualdade. Igualdade? Houve, sim, uma articulação política nos atos de Mandela; ele precisava dos brancos para governar o país. E este era o caminho para sua missão. Mas nada que o impedisse de promover esta reversão histórica, dando menos poder aos que até então o tinham nas mãos.

Foi em proporções menores ao que viveu Jesus Cristo, nosso líder, ao se entregar por nós, e, antes de morrer, nos perdoar por tê-Lo crucificado. Mas foi mais um exemplo do cotidiano, que nos aproxima de Cristo. Mandela praticou o perdão. Não trazia na alma o rancor, apesar de ter sofrido repressões, sofrido torturas, quando procurou apoiar os brancos. E buscou um fator de união para reunir todos (brancos e negros) à sua causa (o restabelecimento da África do Sul), buscando cumprir sua missão. O fator de união que todo líder deve cultivar apela para a paixão, o afetivo - não o racional. Temos um fator de união, o seguimento a Jesus Cristo e a crença de que, através dele, o Reino de Deus se concretiza aqui e agora, isto é muito sério. Pena que às vezes esquecemos.

Por isto acredito que o perdão é caminho para a liderança - nos leva a reconhecer e superar nossas fraquezas. Deus sempre nos perdoa, temos que aprender a reconhecer isto, e saber perdoar. O perdão nos aproxima de Deus, nos ajuda a sermos líderes pelo Amor e a cumprirmos nossa missão - sempre amparados por esta causa nobre que nos une. A experiência com Deus é fundamental para o líder cristão e o perdão é fruto disso. Isto o filme também nos dá a dica: a legitimidade de Mandela ao enfrentar os negros, ao contrariar o esperado (boicotar os brancos), estava apoiada na experiência. Do que viveu, sofreu, por lutar por uma causa.

O ser exemplo através da persistência no cumprimento da missão é outro; nada o impedia de desviar da missão, ele sabia o que queria, o que acreditava e estava disposto a enfrentar qualquer barreira – até que passasse por cima de seus anseios e necessidades pessoais. A causa é mais importante. E outros: a visão da comunidade como um todo; o olhar do outro; o apelo à afetividade; o saber se posicionar ou calar na hora certa. Coisas do ser humano mesmo. Nada demais. Ouvi no Aprofundamento do Escalada este ano a seguinte frase: a principal característica da santidade é a humanidade. Tereza de Calcutá já dizia que a santidade é uma necessidade de todos nós. Somos capazes de aceitar o Chamado, de perdoar, de sermos líderes e de levar a causa de Jesus para todo canto. Basta a gente se propor e se lançar. O mundo precisa de nós.

O filme traz uma frase-efeito interessante: “agradeço a Deus por tudo, por eu ser senhor do meu destino e capitão da minha alma”. Deus criou cada um de nós com potencial para sermos líderes, temos todas as ferramentas em nossas mãos, em nosso corpo, mente, alma. O psiquiatra Roberto Crema, numa palestra sobre liderança no século XXI, falou que o ser humano é uma promessa, uma possibilidade, e que todos nós somos convocados para ser aquilo que nós somos (outra dica da liderança, buscar o encontro com nós mesmos) e que se investirmos na semente, na dimensão do coração, da alma, poderemos nos tornar seres humanos plenos: “quando você se coloca no seu caminho, que é o caminho da sua promessa, o caminho com coração, então o mistério conspira por você e você evolui de uma existência perdida, alienada, para uma existência escolhida, ofertada”.

Para Crema, nós não estamos aqui para a normalidade e sim para trazer uma diferença, para liderar e se nós não somos líderes é porque nós nos perdemos ou nos conformamos. Difícil esquecermos os rancores e mágoas que nos afastam de nossos irmãos, da causa, mas, basta a gente se propor, e rezar. Deus ‘assopra’ para nós os caminhos de buscarmos esta semente que guardamos dentro de nós. A gente precisa acreditar nisso. Gosto da frase da música “Canção da vida” : “A gente é que faz o destino da vida, Deus só participa com sopro de Pai”. É isto, e fica a dica do filme. "

sexta-feira, 16 de abril de 2010

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - O filho possível


Fiquei emocionada, há poucos minutos, ao ler uma reportagem da Revista Época, enviada para o o grupo Sinjorba por nosso colega Carlão de Oliveira. É a reportagem O filho possível, que mostra que a classe médica pode, sim, tratar as pessoas com dignidade, dando-lhes conforto e atenção nas horas mais difíceis. Vou transcrever na íntegra o texto de Eliana Brum e postar a foto de Marcelo Min, que retrata Cristiane Nascimento e seu filho Lucas, na UTI da Divisão de Neonatologia do Caism, na Unicamp, no momento em que ela sussurra palavras de amor e o coração dele acelera. Parabéns para a equipe do Caism. Isso é que é valorizar a vida, mesmo que ela seja curta.

" Acompanhamos uma UTI neonatal que trabalha com cuidados paliativos. Nela, a medicina faz diferença mesmo quando não há cura

Eliane Brum (texto) e Marcelo Min (fotos)


AMOR DE MÃE Cristiane Nascimento e seu filho Lucas, na UTI da Divisão de Neonatologia do Caism, na Unicamp. Ela sussurra palavras de amor, e o coração dele acelera


A fotografia acima mostra Cristiane Nascimento minutos depois de saber que não há cura para seu filho. Lucas tem câncer. O tumor no cérebro nasceu com ele. Na cirurgia, não foi possível arrancá-lo por completo. No dia desta foto, 22 de janeiro, Lucas completava 2 meses. As imagens eternizam sua história. Não a história com que Cristiane sonhou. Mas a história possível.

Ao dar à luz, mulheres como ela precisam se desprender do filho sonhado para alcançar o filho real. Com a ajuda da equipe de cuidados paliativos, Cristiane aprende a valorizar cada detalhe da vida de seu bebê, não importa o tamanho que ela tenha. Como neste momento, ao aconchegar o filho no colo e sussurrar que o ama. O aparelho da UTI mostra que, mesmo em coma, ao ouvir a voz da mãe o coração do filho bate mais rápido.

Lucas está numa UTI diferente. A Divisão de Neonatologia do Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher (Caism), da Universidade de Campinas (Unicamp), pratica os cuidados paliativos no tratamento de bebês malformados ou com doenças graves. Todos os esforços são empreendidos para curar. Quando não é possível, a equipe suspende tratamentos invasivos e dolorosos – e amplia os cuidados com a família e com o luto. Cada bebê tem uma história. E é preciso cuidar bem dela.

Nesta semana, entra em vigor no Brasil o novo Código de Ética Médica. Pela primeira vez, a prática dos cuidados paliativos foi incluída entre as normas que os médicos devem seguir na profissão. Se é novidade no tratamento de doentes terminais adultos, nas unidades neonatais a prática dos cuidados paliativos é uma raridade ainda maior. A experiência da Unicamp tem derrubado preconceitos – e alterado destinos.

A cada ano, 45 mil brasileiras perdem seus filhos antes que eles completem 365 dias de vida. A essas mulheres, os profissionais de saúde costumam afirmar, com a força das verdades absolutas: “Você é jovem, vai ter outro filho”. Ou: “Você nem teve tempo de se apegar, vai superar”. Parentes e amigos repetem a toda hora essas frases. Omitem- se de escutar a dor. E calam o luto de quem precisa vivê-lo para seguir adiante.

A morte nos assombra a todos. Mas a perda de um bebê é o avesso da lógica. Ninguém espera que quem acabou de nascer possa morrer. Um filho não é apenas uma combinação única dos genes dos pais, mas a soma de seus melhores desejos de continuidade. Isso faz com que essa morte seja a menos aceita – e a mais silenciada.

Até 2001, a neonatologia do Caism era mais uma das unidades do país a acreditar que a função de profissionais de saúde limitava-se a curar doenças. Centro de referência para 42 municípios paulistas, ele acolhe os casos mais graves de malformação fetal e bebês prematuros. A morte, portanto, não é uma estrangeira em seus corredores. Mas só por descuido da recepcionista os médicos encontravam- se com os pais após a perda dos filhos. Era no setor de óbito que a família recebia a notícia, da boca de desconhecidos.

Quem mudou essa prática e transformou a unidade em algo novo no Brasil foi um bebê. Ele parava de respirar dezenas de vezes por dia. A cada uma, era preciso reanimá-lo. A equipe passou a conviver com a iminência de sua morte – e com o medo do plantonista de não conseguir revivê-lo. Não havia cura. Mas ninguém queria que ele morresse em seus braços.

Como cuidar desse bebê? Deveriam parar de reanimá-lo ou continuar prolongando seu sofrimento? A quem caberia decidir? E como conversar com os pais? As perguntas infiltraram- se no cotidiano da enfermaria. Tanto que exigiram respostas que ninguém ali tinha, apesar dos muitos diplomas e das décadas de experiência.

Sem poder conviver com tantos pontos de interrogação, a equipe buscou ajuda. Convidou a psicóloga Elisa Perina para dar uma palestra sobre a morte. Elisa trabalha há quase 30 anos no Centro Infantil Boldrini, em Campinas, uma referência no tratamento de crianças e adolescentes com câncer. É uma das precursoras da prática dos cuidados paliativos no Brasil.

Com Elisa, a equipe descobriu que a questão era mais difícil do que poderiam supor. Os profissionais não poderiam lidar com a morte de um bebê se antes não lidassem com a perspectiva da própria morte. “Antes de abrir espaço externo, é preciso abrir o interno”, diz Elisa. Foi um longo caminho até a equipe estar preparada para cuidar de bebês como Lucas para além da perspectiva da cura.

A conversa de Cristiane

Cristiane torce as mãos, nervosa. Na sala a esperam duas pediatras, psicóloga e assistente social. Estão ali para explicar a Cristiane que o câncer de Lucas não tem cura – e que a família pode contar com elas para garantir conforto. Não apenas emocional, mas prático.

A primeira preocupação da equipe é iluminar as dúvidas da mãe, para que a dor não seja agravada por incertezas de diagnóstico. É importante que a família esteja segura de que todos os recursos da medicina foram usados na tentativa de curar o bebê. A certeza de ter feito tudo o que era possível é essencial para a saúde dessa família no presente – e no futuro.

Cristiane faz muitas perguntas. Todas são respondidas com informação – e com afeto. “Se não tiver jeito de curar, eu e meu marido preferíamos que nosso bebê não fizesse outras cirurgias”, diz ela. E engole soluços.

Ela conta que não consegue cuidar de seu filho mais velho. Que tem poupado os familiares das informações mais duras e sente que pode implodir de dor. Que o marido tem vindo pouco ao hospital porque estava desempregado e só tinha conseguido trabalho fazia duas semanas. Que a vida está muito, muito difícil.

A pediatra Jussara de Lima e Souza, coordenadora do grupo, diz: “Você precisa deixar os outros cuidarem de você. Você está cuidando de todo mundo, e eles não sabem quanto você está sofrendo. Sem saber, não podem ajudar. Nós podemos cuidar para que o Lucas não sinta dor, mas não podemos fazer com que sobreviva. O que podemos é ajudar você e sua família a passar por isso”.

A conversa dura duas horas. Cristiane decide levar o filho mais velho ao hospital, para que ele possa conhecer o bebê e entender aonde a mãe vai todos os dias. Até então, o menino pensa que a mãe o abandona para se divertir com um irmão desconhecido. A assistente social coloca-se à disposição para conversar com o patrão do marido e encontrar uma forma de liberá-lo por algumas horas. A mãe pode passar a noite num dos alojamentos quando quiser ficar mais com Lucas. Cristiane é estimulada a pensar sobre tudo o que lhe daria conforto. Médicos, enfermeiras, assistentes sociais e psicóloga podem ser contatados a qualquer momento.

É uma conversa entre uma equipe de saúde e a mãe de um bebê com câncer. É uma conversa entre pessoas dispostas a alcançar a dor do outro. A informação mais importante para Cristiane é que ela não está sozinha. “Você está cuidando do Lucas da melhor maneira possível”, diz a assistente social Elaine Salcedo. “Vocês têm uma história, que vai ficar com você, seja o que for que aconteça.”

Quando a conversa termina, Cristiane decide almoçar. Nos últimos dias, só comia quando passava mal. A equipe mostra a ela que precisa comer para ser capaz de cuidar de Lucas. E que é importante – e não errado – cuidar de si mesma.

Cristiane coloca Lucas no colo. É a foto que abre esta reportagem. Lucas morreu em 15 de março. Esta foto é, para Cristiane, a lembrança de que ele viveu. "

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Você conhece outros bons exemplos que estejam sendo praticados não apenas em hospitais, mas em qualquer área? Compartilhe conosco. Se você tem interesse em saber mais sobre a morte na infância, segundo o espiritismo, leia o Livro dos Espíritos.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Contribuindo com o espiritismo

Como já falei em outras confabulações, frequento o Instituto Espírita Boa Nova, em São Cristovão (Salvador), do qual estou afastada desde outubro e para onde pretendo retornar. Nesse momento, a convite da minha sobrinha Paula Miranda,estou fazendo o curso básico no Centro Espírita Harmonia, apesar de já ter feito no Boa Nova e de já ser passista lá. Dentro da minha proposta de mudanças, aceitei o convite, até para conhecer o trabalho desse outro centro e ver como posso contribuir para a aprimoração do nosso trabalho com Newton Simões, a quem muito admiro e gosto.

Fazer esse curso me deu oportunidade de participar de uma peça de teatro na VII Semana Espírita e relembrar os meus bons tempos de colégio, quando sempre participava de grupos de dança folclórica e de teatro. Claro que fui levada, de bom grado, por Paulinha. A apresentação aconteceu no dia 12/04/10, no auditório do Centro Harmonia (Piatã).

A Peça - " Chico Xavier, um homem chamado amor", de Fernando Santos e direção de Maria Eugênia Farias, mostra Chico Xavier (Fernando Santos), desencarnado, em socorro de Clara (Vanja Veridiano), sua amiga, que suplica a Deus por auxílio ao seu irmão Lucas (muitíssimo bem interpretado por Psit Mota), também desencarnado, que vagueia na erraticidade, atormentado pelo torvelinho de ideias fixas a lhe manter preso dento da revolta e intolerância.

Paulinha, eu, Carla Rios (minha nora), Lorena de Araujo (sobrinha) e Maria Conceição, sob coordenação de Renata Rossini (cenografia e sonoplastia), representávamos espíritos no umbral. Renata (obsessora e depois o espírito do bem Angela) e Mário Melo (obsessor e depois o espírito Emanuel, que sempre acompanhou Chico) comandavam a obsessão a Lucas. As "umbraletes" apenas faziam a coreografia mostrando o que esperava Lucas.

Foi uma experiência muito boa, não apenas por lembrar minha adolescência, mas principalmente por ter podido contribuir para esclarecimento dos presentes - encarnados e desencarnados, através da representação. Participaram ainda da peça Cristiano Figueiredo, Jéssica Lane e Milton Fonseca.

Confesso que me senti meio que traindo o Boa Nova, mas tenho certeza de que tudo tem o seu porque e, quando do meu retorno a ele, poderei contribuir muito mais.

Final da apresentação da peça " Chico Xavier, um homem, chamado amor".

Da esq. para dir.: Carla Rios, Renata Rossini, Lorena Araújo, Vanda Amorim.
Agachadas: Maria da Conceição e Paula Miranda.

Fernando Santos se inspirou, para seu texto, nos relatos de entrevistas de Chico Xavier quando encarnado e em mensagens psicografadas, quando desencarnado. Na peça, Chico exorta o valor do trabalho na tarefa de aprendizado que é a reencarnação, lançando uma perspectiva de religiosidade cristã a nos auxiliar uns aos outros.

Quer saber mais sobre a vida após a morte? Leia as obras de Allan Kardec, principalmente o Livro dos Espíritos.

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - Licença-paternidade será maior

Fiquei tanto tempo com apenas um foco que não consegui coletar boas notícias na web, jornais, ou ao meu redor. Hoje, ao ler o jornal da Câmara Federal (que chega com atraso na Assembleia Legislativa da Bahia) vi que está sendo analisado pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) o Projeto de Lei 6753/10, do Senado, que finalmente faz justiça aos homens que assumem sua condição de pai-mãe.

De autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB /SE), o projeto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/43), assegurando ao empregado a licença-paternidade por todo o período da licença-maternidade (120 a 180 dias) ou pela parte restante dela que caberia à mãe, em caso de morte, de grave enfermidade ou do abandono da criança, bem como nos casos de guarda exclusiva do filho pelo pai. A licença-paternidade hoje é de apenas cinco dias.

De acordo com o site da Câmara Federal, o prazo para emendas encerrou no último dia 6. O relator é o deputado Ribamar Alves (PSB-MA). A proposta prevê que o empregado também faz jus à licença-paternidade de igual duração em caso de adoção, desde que a licença-maternidade não tenha sido requerida. O projeto também será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O projeto vai mais além. Prevê também benefício para pais que têm crianças de até três anos de idade com deficiência ou que necessitam de tratamento continuado. O empregado que trabalhar em empresas que tenham mais de 50 funcionários terá o direito de se ausentar do serviço por até 10 horas por semana, sem prejuízo de sua remuneração. Ele poderá compensar no mesmo dia ou depois, desde que a compensação não ultrapasse duas horas diárias do horário normal do trabalho. Isso, segundo o senador Antonio Carlos Valadares, já é realidade em países como Itália, Portugal e França que preveem, além da licença-maternidade, períodos de afastamento para o cuidado dos filhos tanto pelo pai quanto pela mãe.
Fiquei muito feliz com essa possibilidade. Ainda mais em saber que o projeto tramita em caráter conclusivo na Câmara Federal. Desta forma, a sociedade poderá corrigir a injustiça que sempre foi cometida com os homens que são mais que pais responsáveis: são pessoas que assumem o papel de pai e mãe, mostrando que se eles - os homens - não assumiram esse papel décadas e séculos atrás é porque sempre lhes foi retirado esse direito. Sempre defendi que não apenas educar, mas, principalmente, cuidar dos filhos é função também de pais; não apenas de mães.

O que vocês acham dessa proposta? Ela mudará alguma coisa na sua vida?

sábado, 10 de abril de 2010

Hipertensão - um ônus que me permiti


Uma das frases que mais costumo falar é que tudo que nos acontece é porque permitimos. E que temos que arcar com os ônus e com os bônus dessas permissões. Quero, então, falar com vocês sobre o ônus que gerei para mim ao me permitir ser absorvida completamente por um projeto profissional.

Em 2007 fui convidada a compor a equipe de trabalho da defensora geral recém eleita na Bahia, Tereza Cristina Ferreira. Ela tinha (tem, porque está no seu segundo mandato) um projeto lindo para essa instituição que, de fato, é essencial para garantir o acesso à Justiça. E queria minha colaboração na Assessoria de Comunicação Social, especialmente na implantação de um programa de Comunicação Interna. Formei equipe com a também jornalista Carla Ferreira e começamos a tocar o trabalho.

A Defensoria Pública da Bahia cresceu rapidamente em estrutura. Praticamente dobrou o número de defensores logo no primeiro ano de gestão de Tereza Cristina. E a Ascom também cresceu, com permissão da defensora geral. Passamos de um estagiário de Jornalismo para três (sendo um para atendimento da Escola Superior) e ganhamos um assistente administrativo. Carla Ferreira foi tocar sua vida de empresária na Cannal Assessoria em 2008, sendo substituída por Jamile Menezes. O crescimento da Ascom prosseguiu com uma estagiária de designer gráfico; remanejamos para a equipe uma profissional de Relações Públicas para cuidar da Comunicação Interna e consolidamos a agregação do Cerimonial ao setor. Com esta nova estrutura, assumi a coordenação da Ascom.

Apesar de nossa equipe ter crescido, o ritmo de trabalho ficou cada vez mais acelerado. Muitas reuniões, muitas ações na Capital e no Interior. A Defensoria está presente em 33 municípios (comarcas). E aí entra a minha permissão.

Apesar de também fazer assessoria de imprensa de parlamentar, passei a me dedicar muito à Defensoria. Eu acordava pensando em estratégias e nas demandas e pendências. No gabinete do parlamentar, dividia o tempo, monitorando a equipe através do bate-papo do e-mail institucional. Passei a sair cada vez mais tarde. Antes era 19 horas. Depois foi 20 horas, 21, até sair em alguns dias por volta da meia-noite. Para não deixar pendências no outro trabalho, passei a ir mais cedo para o gabinete. E minha caminhada matinal foi excluída da agenda.

A minha vida pessoal passou a ficar em último plano. Logo eu, que sempre valorizei tanto a família. Por sorte tenho um marido companheiro, compreensivo, paciente. Mas que já começava a reclamar por eu trabalhar tanto. Não ter podido dar atenção à minha mãe por dois dezembros seguidos - quando ela vem para Salvador - e às minhas irmãs que moram em São Paulo e vieram em férias me angustiou. Nem mesmo tempo para cuidar do Forquilha eu tinha.

Na dia da abertura do Carnaval, onde a Defensoria estaria de plantão, tive um pico de pressão de 190 x 130. Apesar de assustada, fui negligente e não procurei assistência. No dia seguinte, na minha folga, a pressão voltou a subir e fui levada por meu marido para uma emergência. Ainda assim trabalhei no Carnaval. Passado o plantão, caí na real e decidi renunciar ao projeto de contribuir para o fortalecimento da Defensoria com seu público interno e externo. Pedi exoneração.

O ônus que me permiti foi a hipertensão. Só aí comecei a cuidar de mim. O cardiologista me confirmou hipertensa. Fui ao oftalmologista (retinólogo) para verificar se minha retina sofrera algum dano, como ocorreu com meu pai, que teve oclusão (trombose nos vasos da retina) e está praticamente cego - recebi o diagnóstico de retinopatia hipertensiva nível II. Esqueci de perguntar quantos são os níveis. De qualquer forma, passou do I. E logo mais terei avaliação de um neurologista.

Foi o trabalho que fez isso comigo? Não. Fui eu mesma. Sempre cobrei de todos da família para que se cuidassem. Mas negligenciei da minha própria vida. Nem mesmo ao Instituto Espírita Boa Nova, onde trabalho, estava indo.

Renunciar a uma receita não é fácil. Mas o fiz e ganhei em qualidade de vida. Agora retomo projetos pessoais; reassumi o comando da minha casa, antes entregue à empregada e tenho mais tempo para retribuir o amor daqueles que sempre olharam e esperaram por mim. Também retomei as caminhadas diárias e estou muito bem. Esse é o bônus da minha última pemissão. Ainda não retomei os trabalho no Boa Nova. O farei em breve.

E você, tem noção dos ônus e bônus que as suas permissões lhe trazem ou trarão? Venha confabular comigo.

Por que nossas meninas se envolvem com homens adultos?


O que está acontecendo com as nossas garotas? Aliás, com nossas meninas? Será que elas estão crescendo rápido demais ou continuam frágeis e inocentes, alvos fáceis de pessoas mal intencionadas? Quero confabular hoje sobre as meninas-moça, entre 11 e 14 anos.

Tenho visto repetidamente nos meios de comunicação duas situações que envolvem as meninas: as de sedução por homens adultos e as de envolvimento e fuga para curtirem seus namorados ou “ficantes”.

Outro dia ouvi, em um programa de rádio, um ouvinte na faixa dos "inta" pedindo orientação, porque uma vizinha, de 13 anos, que tinha corpo de mulher, ficava provocando ele, paquerando-o, insistindo. Ele foi aconselhado a cair fora, porque poderia se meter em uma fria. Vejamos o que prevê a lei no Brasil:

A lei entende que adolescentes entre 14 e 17 anos têm capacidade de consentir com a transa. Portanto, se for consentido, a adolescente pode transar mesmo que o (a) parceiro(a) seja maior de idade. Mas, até o dia em que completa 14 anos, a adolescente é considerada incapaz de consentir; transar com uma menina dessa idade é considerado estupro com violência presumida, um crime hediondo, mesmo que ela diga que transou porque quis. A pedofilia diz respeito a relacionamentos de maiores de 18 anos com menores de 12 anos.

Ao fazer minha caminhada na praça perto da minha casa, no bairro de Piatã, na companhia de uma senhora de 75 anos que mora na redondeza, fiquei sabendo que ela casou aos 13 anos. Aliás, o pai dela a obrigou a casar com um homem na faixa dos 30 anos. Ela teve filhos com ele, mas enviuvou cedo ( ele bebia muito). Casou mais uma vez e teve outros filhos. Hoje está viúva de novo. Garante que sofreu muito com o primeiro casamento. Nem mesmo seus filhos foram registrados pelo pai.

O que mudou em mais de 60 anos? O que mudou na vida? Atualmente, um casamento como o da minha vizinha seria um escândalo. Aliás, não aconteceria, porque o homem teria que cumprir pena por estupro. Desde que tivesse transado com a garota, é claro.

Mas tem os casos onde não há intenção de casamento, apenas de sexo e prostituição, como o ocorrido em Itabuna, com um professor de 51 anos que transava com meninas de 12 e 13 anos. E lhes pagava pela transa.

Há também os casos como as meninas Rafaela, 12, e Bruna, 14, que fugiram de suas casas em Salvador e ficaram sumidas por seis dias. Nesse período ficaram fazendo rodízio entre as casas dos seus "ficantes".
Nos dois casos, meu questionamento é: onde estão os pais dessas meninas? Ou, pelo menos, as mãe? Não há como, nos tempos atuais, não dialogar abertamente com as meninas sobre sexo e sobre as ameaças e perigos que estão a lhe rondar.

Mas considero que dois pontos devem ser levados em consideração. Nas classes mais pobres, principalmente nas favelas, as crianças sofrem muita exposição ao sexo. A maioria delas dormem no mesmo cômodo que os pais - ou que a mãe e seu companheiro, e são praticamente obrigadas a presenciar o ato sexual entre eles. Nas classes com mais recursos, não há esse problema. Em compensação, há a ausência quase que total dos pais - da mãe e o acesso sem controle à internet.

Qualquer que seja a razão dessa grande incidência de casos de relacionamentos de adultos com menores de 14 anos, não acredito que seja a lei que vá coibir. Há necessidade de orientação, de diálogo. E se os pais não tem condições de fazer isso, que as escolas possam entrar no circuito, urgente. Inclusive orientando os próprios pais.

Qual a sua opinião sobre isso? Por que nossas meninas se envolvem com homens adultos?
Boneca de autoria do blog
http://inhaarteartesanato.blogspot.com/2009/11/menina-palitoboneca-palito-1.html

sábado, 3 de abril de 2010

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - Ceará dá lição de promoção da Paz.


O Diário do Nordeste, jornal de Fortaleza (CE), tem como marca divulgar bons exemplos em todas as áreas, principalmente na Educação. Uma das mais recentes reportagens, publicada em 1º de abril, Dia da Mentira, é uma grande verdade, digna da Corrente da Mídia pelo Bem, mostrada no texto do repórter Maurício Vieira. Seu relato conta a experiência do município cearense de Maracanaú, que fez a opção de incentivar aos alunos das escolas municipais as qualidades do valor humano, construindo a cultura de paz entre os alunos.

Primeiro, os números das salas foram trocados por nomes de pessoas que derem grande contribuição para a paz no mundo. Depois, as escolas incluíram no conteúdo das disciplinas os trabalhos desenvolvidos pelos pacifistas – antes os alunos ficavam restritos ao aprendizado de fatos e personalidades que fizeram história por meio das guerras.

Maurício Vieira conta que “em cada sala, professores e alunos colocam em prática as qualidades dos valores humanos e estudam a história de Jesus Cristo, Madre Tereza, Gandhi, Martin Luther King e Chico Xavier, além de outros pacifistas que também desenvolveram ações por um mundo melhor.” E que, além da biografia de cada um deles, os alunos estudam temas relacionados ao respeito, paz, amor, solidariedade, fé, justiça, ética e humildade. Essas mensagens ficaram estampadas nas salas de aula e são trabalhadas no decorrer do ano letivo. Semanalmente, os alunos desenvolvem atividades sobre os diversos temas.

A diretora da Escola EMEF Rui Barbosa, no Bairro Piratininga, Maria de Fátima do Vale, disse ao repórter que o tema trabalhado na semana é desenvolvido pelos alunos através de trabalhos de pintura, do teatro, de vídeos. Eles ficam livres para desenvolver suas habilidades.

Essa nova metodologia, segundo a reportagem, surgiu em 2007, por meio do Programa Cultura de Paz nas Escolas e já garantiu excelentes resultados na relação professor-aluno e, também, na conscientização dos estudantes para a inclusão de valores humanos na família. O Programa Cultura de Paz, desenvolvido nas 90 escolas de Maracanaú com cerca de 1.700 educadores, tem o objetivo de levar ações e mensagens pacifistas para os 44 mil alunos matriculados na rede municipal, como também aos familiares e amigos.

A reportagem traz depoimento da professora Criseilane Menezes, conhecida por Cris. Para ela, a paz torna-se possível quando cada aluno passa a respeitar sua vida, independente de religião. Ela destaca que ensinam que paz é também respeitar o meio ambiente, o livro, os amigos e a si mesmo, mas que o segredo para que haja uma cultura de paz, é reconhecer e aprender que cada um tem os limites que devem ser respeitados.

Essa reportagem me faz lembrar a campanha do governo da Bahia, que considero equivocada e que vem sendo desenvolvida desde o Carnaval sob o slogan “A Bahia na luta pela paz”. Esse título me incomodou desde a primeira vez que o vi em outdoor. Quem quer paz não LUTA por ela, mas PROMOVE ações pacifistas. E a experiência do Ceará, como esta de Maracanaú, e a de mediação escolar, com o mesmo objetivo de estimular a paz, deveriam ser seguidas por todos.

E você, conhece alguém ou alguma instituição, pública, privada ou ONG que esteja desenvolvendo algo de bom? Então envie sua informação através de um comentário neste post. Faça parte da Corrente da Mídia pelo Bem.