quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Quatro requisitos para casar

Estavam reunidos em um bate-papo, durante comemoração de aniversário de uma amiga, quatro ou cinco jovens casais de namorados, entre 21 e 25 anos. Na pauta,  os principais requisitos para casar. "Abelhuda" contumaz, fui convidada a dar meu pitaco, que passo agora pra vocês.

1º requisito - Estar namorando, noivando ou morando com alguém com quem tenha amizade, cumplicidade, bom sexo e com quem dê boas risadas. Os orientais já diziam isso. Viver com alguém requer um exercício constante, que exige não apenas paixão. Esta passa com o tempo. Tem que ter amor, tolerância e paciência para que, juntos, encontrem o equilíbrio da relação. Se desde o namoro há brigas constantes, ciúmes exagerados e frustrações por o(a) outro(a) não ser o que você gostaria, não será o casamento que vai mudar isso. Se cada um se dispõe a se adequar para fazer a outra pessoa mais feliz; se há disposição para a divisão de tarefas; se há disposição em compartilhar momentos em atividades em que um goste mais que o outro... há mais chances, em meu entender, de um casamento dar certo.

2º requisito - Cada um deve ter a sua profissão. Seja ela por formação (diploma superior) ou não. É importante que o casal cresça junto: intelectualmente, moralmente e materialmente. Claro que há casais que não preencheram esse requisito e vivem juntos há mais de 20 anos.  Mas, no geral, quando um depende do outro, a coisa se complica mais. Hoje tudo é mais caro. Se os dois tem uma profissão que lhes dê uma boa remuneração, mais rapidamente conseguirão fazer os investimentos - ou aquisições materiais - mais rapidamente. Vale lembrar que casar com tudo dado pelos pais ou família é muito fácil, mas não prepara para enfrentar desafios futuros. O bom é conquistar por si mesmo, juntos, a partir da vara de pescar dada pelos pais: a formação que lhe garantiu uma profissão à sua escolha. Quanto mais cedo se conclui os estudos (ops! Estudos nunca são concluídos... o aprendizado é constante) formais, mais chance de preencher o requisito seguinte.

3º requisito - Ter emprego. Fundamentalíssimo!!! Um amor e uma cabana é utopia romântica e está mais que provado que não funciona. Para facilitar o entrada no mercado de trabalho, mostre interesse na profissão escolhida desde a faculdade. Busque estágios, faça network. Aprenda que as redes sociais é também para mostrar seu potencial e não apenas para publicar bobagens que nos faz rir. Não ter dinheiro no final do mês para pagar as contas desestabiliza a maioria dos casais, por mais amor que tenham. A fase de namorar, ou ficar, com alguém que não tem interesse em estudar ou trabalhar, interesse em crescer, só porque é bonitinho(a) ou gostosinho(a) é apenas na adolescência. E mesmo assim deve ter cuidado, porque o sexo começa cada vez mais cedo e transar pode significar a chegada de um bebê. E aí? Aí, o bicho pega!

4º requisito - Ter onde morar. Quem casa deve querer casa. Morar na casa dos pais é o Ó. Sei que muitos jovens hoje vivem um casamento fake na casa dos pais, só tendo o bom do casamento: o sexo. Não contribui com nada nas despesas da casa. Come, bebe, transa, dorme, vê TV, tem carro à disposição... Quando vão enfrentar a vida sozinhos, tendem a se separar nas primeiras dificuldades financeiras. Então, ter onde morar é essencial, seja alugado ou próprio.Por isso é bom retomar um costume da minha geração que foi deixado pra trás com o apoio de pais protetores: o de se preparar para casar assim que tem certeza que o primeiro requisito está devidamente preenchido. Diminuir os gatos com as baladas e com roupas e outras coisitas, fazer uma poupança tão logo tenha renda própria (pode começar de pouquinho, já a partir do estágio profissional) ajuda e muito.

Acha que vai demorar muito? Depende de cada um. Quanto mais foco tiver, mais rápido se conquista o emprego, a casa e pode se pensar em filhos. Só recomendo não deixar pra pensar nisso - filhos - depois dos 30 anos, principalmente para as mulheres. A vida está muito estressante e a fertilidade pode dar uma reviravolta lhe deixando na mão. Enquanto não estão prontos, monitorem a fertilidade com exames periódicos.

No mais, amar é bom. Casar é bom. Viver junto pode ser um pouquinho difícil ou muito difícil. Vai depender de como você viveu cada etapa. Se formos sinceros conosco, poderemos ver o potencial do nosso futuro.

Torço pra ver esse grupinho casado e com bebês lindos!.

E você? Quais os requisitos e a ordem deles para casar, em sua opinião? Confabule comigo

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Adolescente traficando é crime?

Os jornais de hoje abordam um tema polêmico. Adolescente que trafica drogas deve ser considerado criminoso e deve ser apreendido ? Gostaria de confabular sobre isso com você.

O Superior Tribunal de Justiça acha que se o adolescente for detido por tráfico e não tiver passagem pelo crime na polícia, não deve, obrigatoriamente, ficar apreendido.. Pelo menos é o que diz  a Súmula 492, publicada na semana passada.

Mas o procurador de Justiça Marcio Sergio Christino, em entrevista ao Folha de São Paulo, diz que a súmula do STJ é um "passe livre" para o tráfico. "Vai ficar mais fácil para o traficante contratar esse adolescente para trabalhar como vendedor. Só basta dizer que ele não vai ser punido e, pronto, seu negócio será mantido."

Apoiado por muitos e contestado por outros tantos, o Estatuto da Criança e do Adolescente ( ECA) prevê que a internação só deve acontecer em três ocasiões: quando o ato infracional (o crime) for cometido mediante violência ou grave ameaça, se houver reiteração ou se o jovem descumprir medida disciplinar anterior.

Como o envolvimento de adolescentes com as drogas aumentou absurdamente, principalmente no uso do crack, os juízes, em grande parte, passaram a determinar a apreensão do adolescente que trafica - seja para alimentar o vício, seja para ganhar dinheiro "fácil". O resultado, como mostra os números em São Paulo, é que o número de internos aprendidos por tráfico passou de 21% do total em 2006 para 43% até o momento, em 2012.

Caso os juízes sigam a Súmula 492 do STJ, a superlotação diminuirá nas casas de acolhimento de adolescentes infratores. Mas, determinar apenas outras medidas socioeducativas, como liberdade assistida e prestação de serviço comunitário, vai ajudar a reduzir o número de adolescentes envolvidos com o tráfico de drogas? Tenho minhas dúvidas. Aliás, tenho minhas certezas: não ajudará. Precisamos de medidas integradas, como sugeri em outras confabulações (confira aqui e aqui).

Sei que são muitos os defensores do tratamento pela redução de danos. Mas, por conhecer de perto o grau de dependência gerado pelo crack, redução de danos não resolve. Polêmica ou não, sou a favor do internamento para desintoxicação. Por quê os adolescentes flagrados no tráfico de drogas não são redirecionados para tratamento e posterior reinserção?

Qual sua opinião?

Confabulações relacionadas:
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domingo, 12 de agosto de 2012

Homenagem ao meu pai



Hoje, 12 de agosto, além do Dia dos Pais, é dia do meu pai, Nilton Cavalcante Amorim, pai dos meus 16 irmãos - somos 11 filhos de Nicinha Amorim e seis filhos de Delma. Alguns de nós tem dentro de si sentimentos contraditórios em relação ao nosso pai. Um misto de amor e raiva pelo seu rigor.

Seu Nilton, que completa hoje 79 anos, é de uma geração onde o marido/pai era o provedor e exercia plenamente a função paterna, impondo ordem e disciplina quando a mãe pedia socorro na lida com os filhos.

Papai é pessoa que não sabe, por iniciativa própria, demonstrar seu amor; mas, sabe retribuir. Nunca tivemos luxo; tampouco passamos fome. Seu orgulho é nunca ter deixado os filhos, e as mães, passarem necessidade. Para ele, a educação é o maior legado e seus filhos só teriam casado quando formados. Mas nem sempre os filhos ouvem os pais.... Por isso, seu Nilton tem 23 netos e cinco bisnetos e nem todos os filhos tem formação universitária.

Natural do sertão de Alagoas, meu pai saiu da roça cedo pra ir trabalhar em Forquilha (Paulo Afonso), na construção das hidroelétricas pela CHESF. A esta empresa dedicou pelo menos 40 anos da sua vida. Aos 17/18 anos começou como trabalhador braçal, passando a telefonista, eletricista, técnico em  eletrônica e técnico em telecomunicação. Nesta área todos os cursos foram por correspondência pelo Instituto Universal. Como chefe do laboratório de telecomunicação da CHESF ajudou a implantar as torres e linhas de distribuição do sinal de TV. Na década de 70 muitas mulheres o xingavam nos horários das novelas, porque sua comunicação com a torre repetidora era ouvida em todos os aparelhos: sob chuvisco na imagem ouvia-se "alô maravilha, serra da maravilha, câmbio". Se fosse em final de novela, então... às vezes achava que ele fazia de propósito.

Orgulhoso e autosuficiente, características herdadas por quase todos os seus filhos, papai passa por dura provação. Está quase cego e dependendo de todos para ir ao trabalho - sim!, seu Nilton mantém sua oficina eletrônica em Paulo Afonso e vai  para lá de segunda a sábado, chova ou faça sol. Depende de todos para praticamente tudo.
Independentemente do sofrimento que possa ter causado às mães dos seus filhos na condição equivocada do ser macho, sempre tive, tenho e terei orgulho deste homem obstinado, inteligente e dedicado. Nem posso falar mal da sua teimosia porque eu e meus irmãos também a temos em grau elevado.

Meu amor por você, Nilton Cavalcante Amorim, é incondicional e eterno. Feliz Dias dos Pais. Feliz Aniversário! Que Deus permita - e o senhor se cuide - para que possamos conviver neste plano, nesta encarnação, por mais tempo!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Sem medo de ter 50 anos

Na minha adolescência houve o rumor de que o mundo acabaria no ano 2000. Em minha sede de viver, ficava indignada. Deus não poderia fazer isso comigo. Afinal, eu teria só 38 anos e não teria vivido quase nada. Naquele momento eu sonhava em completar 15 anos, debutar... sim, debutar, dançar valsa, como ainda hoje acontece em algumas cidades pequenas. Depois disso já planejava meu sonho dos 18 e dos 25 anos. Por que essas idades? Porque eram emblemáticas para mim.  Nos 15 eu me tornaria "moça". Aos 18 entraria na vida adulta e aos 25 queria minha independência financeira. Como, então, o mundo poderia acabar quando eu nem tivesse chegado aos 40 anos?
Meus 15 anos chegaram. Eu cursava a 8ª série. Não participei do Baile de Debutantes. Meu pai me convenceu que eu lucraria mais se fizesse uma festinha em casa, onde eu poderia receber meus amigos e colegas da escola. No baile, os convites seriam limitados, como acontece hoje nas festas de formatura. Não foram todos os que convidei para minha festa, mas os que foram se divertiram muito. E eu, claro, fiquei feliz com a comemoração da minha nova idade.
No mesmo ano, dois meses depois, encontrei o meu amor na figura de um carinha de 20, cabeludo, vindo da capital, Salvador.Não ficamos juntos pra toda vida, como achava que seria. Pelo menos nos meus 18 anos, recebidos em Recife, onde estudava, ele não estava comigo. Mas entrei na vida adulta dando um rumo à minha intelectualidade e ao meu projeto de 25 anos - iniciava a faculdade de Comunicação Social - Jornalismo, na Unicap. Esquecida, completamente, do fim do mundo previsto para 2000.
Os esperados 25 anos chegaram três anos depois de formada. Já tinha voltado pra minha cidade natal, Paulo Afonso, e seguido para Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia. Independente, era diretora de programação e jornalismo da Rádio Alvorada, onde tinha meu próprio programa de variedades e jornalismo - Jogo Aberto, o carro-chefe da emissora. Comemorei com novos amigos - Milton, Nini e filhos. A amizade permanece. Também não estava ao lado do meu amor dos 15 anos e  nem lembrava do fim do mundo.
Sonhei, então, como minha chegada aos 30 anos. E sem planejar, os comemorei ao lado daquele amor da adolescência, reencontrado e reiniciado aos 27 anos. Ele já não era tão cabeludo. Eu já não estava na Paulo Afonso dos 15, no Recife dos 18, nem na Teixeira de Freitas dos 25 anos. Estava em Salvador, como repórter da Tribuna da Bahia e freelance em uns outros lugares, como a maioria dos jornalistas. Sonhei com filhos nesta época, mas eles não vieram. Tinha, porém, ganhado um emprestado. E o fim do mundo estava apagado das minhas lembranças.
Como numa câmera acelerada chegou o ano fatídico: 2000. E o mundo não acabou, graças a Deus! Imaginei, então, como seria chegar aos 40 anos. E ele chegou lindo e feliz! Estava há um ano morando em uma casa com jardim, como na minha infância e adolescência, bem acompanhada pelo meu amor dos 15 anos e seu filho, meu filho emprestado. Oficializamos nossa união de tantos anos no cartório e em uma cerimônia mística celebramos esse amor e a minhas quatro décadas de vida. Naquele dia marquei a próxima comemoração: meus 50 anos.
O tempo volta a correr e a ameaça do fim do mundo volta a pairar sobre nós. Desta vez os maias teriam deixado escrito que tudo acabaria em 2012. Mas... logo nos meus 50 anos?! Ah, não!! Decidi não esquentar, mas não esquecer que eu queria ter 50 anos. E eles chegaram, em 17 de julho, me pegando sem nenhum medo de ser feliz. De cabelos curtos e grisalhos, sem nenhum pingo de tinta senão a que restava do castanho escuro original, festejei minha nova idade e, em nova cerimônia mística, renovei os laços de amor e união com aquele por quem me apaixonei aos 15 e reencontrei aos 27. Como na minha adolescência, não pude reunir todos os amigos. mas os que foram somaram suas energias às nossas, à minha, no jardim da nossa casa.
O ano de 2012 já passou da metade e sinto-me honrada e orgulhosa de ser cinquentona. Sinto-me jovem, em plenitude intelectual e cercada pelo amor da minha família e dos amigos. Cercada pelo amor do meu primeiro e atualíssimo amor - Roberto, e do meu filho emprestado, Cacá. Sem medo de ter 50 anos. Próximo projeto? Festejar os 60 anos. Como será que estarei - estaremos - ao entrar, oficialmente, na "terceira idade"? Não sei, mas tenho 10 anos pela frente para me cuidar e chegar bem, acompanhada, sempre, do amor que encontrei aos 15 anos.