quinta-feira, 26 de março de 2009

Jornalista, só com diploma

Artigo do presidente da Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade. Concordo com o seo teor.
Jornalista, só com diploma

Em 1964, há 45 anos, na madrugada de 1º de abril, um golpe militar depôs o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura de 21 anos no Brasil. Em 2009, a sociedade brasileira pode estar diante de um novo golpe. Desta vez contra o seu direito de receber informação qualificada, apurada por profissionais capacitados para exercer o jornalismo, com formação teórica, técnica e ética.A exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista, em vigor há 40 anos (1969/2009), encontra-se ameaçada. O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará, também em 1º de abril, o recurso que questiona a constitucionalidade da regulamentação da profissão de jornalista. O ataque à profissão jornalística é mais um ataque às liberdades sociais, cujo objetivo fundamental é desregulamentar as profissões em geral e aumentar as barreiras à construção de um mundo mais pluralista, democrático e justo.

É importante esclarecer: defender que o Jornalismo seja exercido por jornalistas está longe de ser uma questão unicamente corporativa. Trata-se, acima de tudo, de atender à exigência cada vez maior, na sociedade contemporânea, de que os profissionais da comunicação tenham uma formação de alto nível. Depois de 70 anos da regulamentação da profissão e mais de 40 anos de criação dos Cursos de Jornalismo, derrubar este requisito à prática profissional significará retrocesso a um tempo em que o acesso ao exercício do Jornalismo dependia de relações de apadrinhamentos e interesses outros que não o do real compromisso com a função social da mídia.

A Constituição, ao garantir a liberdade de informação jornalística e do exercício das profissões, reserva à lei dispor sobre a qualificação profissional. A regulamentação das profissões é bastante salutar em qualquer área do conhecimento humano. É meio legítimo de defesa coorporativa, mas sobretudo certificação social de qualidade e segurança ao cidadão. Impor aos profissionais do Jornalismo a satisfação de requisitos mínimos, indispensáveis ao bom desempenho do ofício, longe de ameaçar à liberdade de Imprensa, é um dos meios pelos quais, no estado democrático de direito, se garante à população qualidade na informação prestada - base para a visibilidade pública dos fatos, debates, versões e opiniões contemporâneas.

A existência de uma Imprensa livre, comprometida com os valores éticos e os princípios fundamentais da cidadania, portanto cumpridora da função social do Jornalismo de atender ao interesse público, depende também de uma prática profissional responsável. A melhor forma, a mais democrática, de se preparar jornalistas capazes a desenvolver tal prática é através de um curso superior de graduação em Jornalismo.

A manutenção da exigência de formação de nível superior específica para o exercício da profissão, portanto, representa um avanço no difícil equilíbrio entre interesses privados e o direito da sociedade à informação livre, plural e democrática.

A sociedade já disse o que quer: jornalista com diploma. Pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, em setembro de 2008, em todo País , mostrou que 75% dos brasileiros são a favor da exigência do diploma de Jornalismo.

Não apenas a categoria dos jornalistas, mas toda a Nação perderá se o poder de decidir quem pode ou não exercer a profissão no país ficar nas mãos de interesses privados e motivações particulares. Os jornalistas esperam que o STF não vire as costas aos anseios da população e vote pela manutenção da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista no Brasil. Para o bem do Jornalismo e da própria democracia.

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quarta-feira, 25 de março de 2009

Assessor de Comunicação na Bahia

Gostaria de entender porque o Governo do Estado da Bahia não tem mantido a simetria salarial nos seus órgãos e autarquias nos cargos de assessor de comunicação social. Enquanto a Lei Orgânica da Polícia Civil, aprovada em janeiro deste ano durante a convocação extraordinária da Assembleia Legislativa, enquadra o assessor de comunicação no cargo DAS-2C, outros órgãos estão sendo reestruturados mantendo o cargo como DAS-3, que implica em uma diferença de cerca de R$1.000. Isso sem contar a gratificação por dedicação exclusiva, que muda de acordo com a vontade do gestor.

Isto pode ser visto no Projeto de Lei17.688/2008, que está sendo votado na Assembleia Projeto de Lei, alterando a estrutura organizacional e de cargos em comissão da Secretaria de Cultura - SECULT, da Fundação Pedro Calmon - Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia - FPC e do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia - IRDEB. Em todos estes órgãos o cargo é no valor menor. Será que o assessor da Polícia Civil tem mais trabalho, diante da insegurança que assola a Bahia.

Diploma para jornalista em julgamento

Na próxima quarta-feira, 01/04, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar a ação do Ministério Público Federal, que pede a extinção da obrigatoriedade do diploma de jornalistas. Desde novembro de 2006, por causa de decisões de juízes que deram ganho de causa para pessoas que trabalhavam em veículos de comunicação, profissionais que já atuam na área mas não têm diploma podem exercer o jornalismo. Alguns dos que ganharam a causa eram motoristas, faxineiros...
O presidente da Federação dos Jornalistas, Sérgio Murilo, lembra bem que as profissões evoluem: " Antigamente a advocacia não exigia diploma. As escolas de medicina surgiram a partir de um certo momento de desenvolvimento da humanidade. A atividade jornalística, que tem repercussão pública, precisa conter exigências maiores."
Murilo acredita que se o STF fizer um julgamento rigorosamente técnico, não tem como não acompanhar a decisão dos tribunais inferiores, que sempre foram a favor da manutenção do diploma: "Se prevalecerem outras motivações e interesses, aí de fato se corre risco. Não acredito que o STF faça isso”.
Sou jornalista por formação. Atendi o meu desejo, a minha vocação despontada desde criança, como destaquei em carta encaminhada aos ministros do STF em setembro do ano passado. Muitos outros profissionais defendem a manutenção do direito conquistado, da valorização do investimento financeiro, intelectual e pessoal que fez para se fazer apto a desempenhar um papel previsto em lei, como o fez o jornalista e professor Edson Luiz Spenthof, presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), em Carta aberta do FNPJ aos ministros do STF.
Desejo firmemente que o bom senso e a justiça paire sobre os integrantes do STF - quero meu diploma mantido.

terça-feira, 24 de março de 2009

transexual grávido - desejos confusos?

No ano passado, confabulei com vocês sobre Thomas Beati, um transexual que estava grávido. Agora é a vez de Ruben Noe Coronado, 25 anos, espanhol. Alguns sites de notícia dão Ruben como ex- Estefania, com processo de mudança efetivado, mas sem a perda dos órgãos sexuais e do aparelho reprodutor feminino. Outros apontam que Estefania estava em processo de mudança de sexo e que vive hoje como homem e parece homem, devido aos hormônios que tomou.

Ruben namora Esperanza, 43, que já tem dois filhos e não poderia mais engravidar. Como queria ser pai, resolveu fazer inseminação artificial e está grávido - ôpa! Será grávida? - de gêmeos. Em seus planos para depois do parto, previsto para setembro, está completar a cirurgia de mudança do sexo, casar com a parceira e assumir o papel de pai dos bebês. Ele vive como um homem, mas ainda é considerado uma mulher de direito espanhol.

Enquanto isso, Thomas Beati gostou tanto de ser mãe que está grávido de novo.

Como não pensar na indefinição em que vivem essas duas mulheres que querem - será?? - ser homens? É claro que deve ser muito difícil tomar a decisão de passar de um sexo para outro, daí a necessidade de acompanhamento psicológico antes da cirurgia transformadora.
O natural seria que, ao fazer opção por deixar de ser mulher e passar a ser homem, tomando hormônio para provocar as mudanças físicas e submetendo-se a cirurgias mutiladoras, essas pessoas assumissem suas novas condições como sendo do gênero masculino. E estes, sabemos, não tem desejos de ser mães; sim, de ser pais. Ou não?

É claro que os tempos tem mudado muito. Muito mesmo. Será, então, natural entender essa ambiguidade? Não sei. A mim parece que não há muita convicção no desejo de mudança, nem coerência nas atitudes. Além, claro, de uma nota evidente de sensacionalismo. Segundo o Dayli Mail, Ruben/Estefania declarou que planeja ganhar dinheiro com as fotos da gravidez.

E você, o que acha?

quarta-feira, 18 de março de 2009

Meninas e mulheres

Uma questão tem martelado minha mente neste intervalo da última confabulação: a elevação do número de crianças vítimas de abuso sexual por parte de pai, padrasto, tio, vizinho ou outra pessoa próxima à família.

Tenho conversado com várias pessoas sobre isto e não consigo entender o que está ocorrendo. É certo que talvez, hoje, não haja necessariamente mais abuso do que já houve em outros tempos; talvez, como em outras questões, a exemplo do estupro em mulheres jovens e adultas, não tenha aumentado os casos, apenas as vítimas ou os seus responsáveis tenham mais coragem de se expor e denunciar. mas não indigna menos ver, dia após dias, dois ou três casos de abuso de crianças ou pré-adolescentes por dia nos noticiários. Muitas vítimas com idades tenras - 5 e até 2 anos - e acusadas pelos agressores como " sedutoras".

Sempre que leio declarações de pais e outros agressores de que foram seduzidos pelas meninas, lembro-me de crianças que vejo na praia, no shopping ou em outros locais públicos. Muitas delas vestidas pelas mães como se adultas fossem. A influência da mídia - gerada principalmente na falta de limites por parte dos pais, que acreditam que assistir a tudo o que passe na televisão ajuda na formação das suas crianças - antecipa drasticamente o erotismo e banaliza as relações.

Tenho me perguntado o seguinte: se eu ou você vemos em algumas crianças a sensualidade precoce e o comportamento acintosamente erótico nas praias, por exemplo, onde meninas de biquinis dançam os pagodes, num vai e vem intenso que simulam atos sexuais, outras pessoas também vão perceber. Nem todos, contudo, conseguem vê-las como crianças.

A pedofilia é doença ou safadeza? Terá, ainda, alguma influência espiritual? Sim, porque quem acredita, como eu, na reencarnação, sabe da pluralidade das nossas vidas e de que a obsessão é possível, mas sempre há o livre arbítrio, a razão, a conduta e a atitude do indivíduo sobre as suas vontades. Vou propor discussão sobre isso a Newton Simões, coordenador do Instituto Espírita Boa Nova, para tentar entender melhor o que está acontecendo.

Enquanto isso, lamento que nossas crianças percam a sua infância - seja estimuladas por mães que se projetam nelas e as transformam em miniaturas de mulheres, seja por homens que não conseguem conter seus instintos. Foi o tempo, como na minha infância, em que era comum, nos rios ou nas praias, que as crianças nas quais não tinha saído ainda a "pedra do peito" podiam vestir apenas a calcinha do biquine em um saudável topless.

Qual a sua opinião sobre isso? Quem tem culpa neste quadro caótico?

quinta-feira, 12 de março de 2009

De volta às confabulações

Salvador pós Carnaval vive com centros médicos e hospitais lotados com pessoas com dengue ou virose - ou com a gripe Dalila. Roberto, meu marido, contraiu a Dalila; eu prefiro dizer que peguei Sansão. Creio, inclusive, que estar com Sansão gerou um impacto maior que com Dalila. São duas semanas com ele, restando agora muita tosse e secreção. Não aumentei a estatística de atendimento. Preferi tratar-me em casa. Com isso, não tive ânimo para sentar-me defronte ao computador e confabular com vocês, o que volto a fazer agora. Que minha volta seja bem vinda a vocês, como a participação de vocês é sempre bem recebida por mim.