quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CARTA AO CÉU: Encontramos en el camino lo que llevamos en el corazón

Querida mamãe

Como vai, luz da minha vida? Tá tudo direitinho com a senhora aí no Céu? Já se habituou à sua nova vida? Desejo que haja brilho em seus olhos. Sei que não deve ser fácil e que a saudade, que pode ser confundida com a tristeza, deve estar batendo forte em seu coração da mesma forma que bate em nós. Mas não se deixe abater pela saudade que emitimos pra você, viu? Olha, estou ansiosa pra lhe contar sobre a nossa viagem e por isso lhe escrevo esta carta.

Lembra que uma das minhas parábolas preferidas é aquela que diz que encontramos no caminho aquilo que levamos no coração?  A senhora sabe que Roberto e eu somos do bem, E então, só encontramos gente legal. Acredita que pedimos uma informação a uma mulher num ônibus em Bogotá, capital da Colômbia, e como ela não sabia responder ligou do celular para a filha? Como íamos descer na mesma parada ela ainda seguiu junto e mostrou como chegar onde queríamos. Foi perigoso? Sei que podíamos ser alvo de uma armadilha, mas seguimos o nosso coração.

Não se preocupe que tomamos cuidado. Andamos bastante pelo Centro Histórico de Bogotá, pela Zona T, onde tem muitos restaurantes e bares, e subimos de teleférico ao Cerro de MonSerrate. Lá tem o Santuário do Senhor Caído e uma via crucis. Como fica a 3.152 metros sobre o nível do mar (altitude), cansa um pouquinho, Pra senhora ter uma ideia, Paulo Afonso fica só a 243 metros e Salvador a apenas 8 metros sobre o nível do mar. Aí já viu como respirar fica um pouquinho mais difícil, né? Mas, sabia que mesmo assim na Semana Santa os fiéis fazem essa via crucis em peregrinação? E pensar que algumas das suas rosas acham que a Serra do Retiro, em Glória, que tem 150 metros de altura e é caminho de peregrinação também, é muito alto.

Com tantas notícias sobre os grupos políticos criminosos da Colômbia, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), confesso que tínhamos medo de conhecer o país. Mas como é sabido que o governo colombiano tem buscado a paz depois de causar várias baixas nesse grupo considerado terrorista, decidimos ousar. E não nos arrependemos. Encontramos uma cidade muito organizada e com pessoas mais confiantes nas ruas: nativos e turistas. A senhora iria gostar de ver aquela cidade com seus prédios feitos de tijolinho, que eles chamam de ladrilho.

Mamãe, as ruas são monitoradas por jovens que estão prestando serviço militar. Tem um a cada intervalo de menos de 50 metros. Na Colômbia o serviço militar também é obrigatório e o recruta (como chamamos no Brasil) pode servir no exército ou na polícia, por um ou dois anos. Com seus casacos verde-abacate podem ser visto à distância e são atenciosos e simpáticos. Ao menos foram assim conosco. Bem que no Brasil poderiam fazer a mesma coisa, não é?

Ah! O transporte público, apesar de lotado nos horários de pico, é muito bom comparado com o nosso. Com a Transmilênio eles tem estações de norte a sul, com três partes que eles chamam de vagões e linhas de A a J. Os ônibus são daqueles grandes, articulados, e passam a intervalos de 5 a 15 minutos, A passagem é de $ 1,800 pesos colombianos nos horários de pico e $ 1.500 nos outros horários. Em real isso fica aproximadamente R$ 1,30 e R$ 1,19. Muito mais barato que em Salvador, que está R$ 2,80.Só usamos táxi à noite. Pra variar conversamos muito com o taxaista. Así que puedo practicar mi español.

Mulher, esta viagem fez a saudade de você bater forte. É muito estranho passar em cada cidade e não poder mais comprar um presente pra você. Afinal, a senhora não precisa mais disso. Situações assim é que dificultam um pouquinho a saudade. Quando vejo os casaquinhos, então, sinto um friozinho na barriga pensando em como você ficaria linda com eles. Saudade é assim, né? Não se preocupe. Compartilho mentalmente com a senhora cada canto que visito. Tomara que possa receber minhas mensagens e minhas emoções. Depois lhe falarei sobre a Catedral de Sal.

Receba o abraço de caranguejo e o beijinho em seus olhos dessa filha tagarela.
Com amor,
Vanda.


Nenhum comentário:

Postar um comentário