terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Amar todos os dias ajuda nas despedidas


No domingo passado li e compartilhei um mensagem atribuída ao espírito André Luiz, psicografada por Chico Xavier. Ela diz assim:

“Se tiver que amar, ame hoje. Se tiver que sorrir, sorria hoje. Se tiver que chorar, chore hoje. Pois o importante é viver hoje. O ontem já foi e o amanhã talvez não venha.

Fiquei confabulando com meus botões: será que tenho feito isso? Numa rápida revisão das minhas atitudes acho que sim. Pelo menos na maioria das vezes. Em minha casa pratico a terapia do abraço e do beijo.  Não saio de casa sem dar um beijo em meu marido e meu filho. Ao voltar, faço a mesma coisa. Quando meus pais ou meus irmãos estão em minha casa, faço a mesma coisa. Abraço. Beijo. Minha mãe se derrete com beijinho nos olhos. Criei até o abraço de caranguejo que tem feito sucesso porque, além do amor transmitido, é uma rápida massagem. Não sabe como é? Eu lhe ensino, pois aprendi ao ver caranguejos em um viveiro na praia da Sereia, em Maceió..


Abraço de caranguejo:

Abrace a pessoa, cruzando os seus braços no meio das costas dela. Depois, com as mãos espalmadas, vá passando essa mão do meio para fora. Faça isso da cintura até perto dos ombros. Faça esse movimento com pressão, passando todo o amor que você sente. A sensação será a de que sua mão se multiplicará.


Desde adolescente preferi observar e não repetir ações que tenham causado dor em pessoas perto de mim. Não acredito muito  na velha frase que só se aprende errando. Não! Podemos aprender observando também.  Como já ouvi relatos de casos em que pessoas que saíram de casa brigados com filho, marido, irmão ou pais e não tiveram oportunidade de fazer as pazes por um ou outro ter morrido, prefiro não arriscar. Sei lá o que vai acontecer no próximo minuto!

Também no domingo fomos surpreendidos com a tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), com 232 jovens mortos até o momento. Não consigo deixar de pensar em quantos deles deixaram de dizer ou fazer algo que queriam, mas preferiram adiar para curtir a festa acreditando que, por serem jovens, teriam todo o tempo do mundo. 

Penso nos pais, irmãos, amigos... Quantos deles terão, além da dor pela brusca e trágica separação,  a culpa de não ter demonstrado o amor que sentiam em sua plenitude, de não ter perdoado falhas e mágoas por ventura provocadas anteriormente?

Aí, lembro de uma palestra que assisti do espírita Luiz Bassuma, onde ele falou sobre "estar de malas prontas" para o regresso. É, segundo ele, um exercício diário de avaliação das atitudes. Se eu morresse hoje, levaria alguma culpa por algo que fiz ou deixei de fazer? Tenho rancor guardado em meu coração?  Fiz a alguém o que não gostaria que fizessem a mim? Um exercício difícil, convenhamos. 

Como um adicto e/ou um alcoólico em recuperação, sou uma pessoa autoritária, sem tolerância e paciência com muita coisa, mas em recuperação. Fico mansa um dia de cada vez. Só por hoje. Procuro não guardar rancor ou mágoa. Procuro exercitar o perdão - embora pouco ou quase nada tenha a perdoar. Tento não esperar muito das pessoas e, para não sofrer por causa do esquecimento de alguém querido pelo meu aniversário, antecipo-me e alardeio que meu aniversário é naquele dia e que estou buscando meu abraço, meu carinho... a depender da pessoa, claro, o meu presente. Com meu pai e minha mãe,ligo para eles no interior, inclusive, para agradecer por eles terem viabilizado a minha vinda nesta encarnação. Isso não quer dizer que não tenho recaída. Tenho, sim. E como!!


Sabe, Chico Xavier disse certa vez que:


“Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta.”

Tenho procurado colocar coisas boas, que me façam leve e feliz e que levem alegria e felicidade para os que estão ao meu lado.

E você? Tem feito seu exercício? Tem coragem de estender a mão primeiro em uma aliança de reconciliação e paz?  Tem revisado sua mala diariamente para não ser surpreendido com uma separação inevitável, em uma data desconhecida, daqueles que tem um lugar em seu coração? Permita-se fazer boas inscrições nas páginas do seu livro do tempo. Assim, garantirá que, em uma partida inesperada, seu coração seja tomado apenas pela saudade, jamais pela culpa.

Converse comigo. Conte-me o que pensa sobre isso.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Somos todos deuses?

Retomo minhas confabulações, suspensas em novembro do ano passado. Como promessa de ano novo quero me determinar a confabular com vecês ao menos uma vez por semana, estejam onde estiver. Hoje minha cabeça está tomada por um pensamento: será que somos todos deuses? Devemos ser ou pensamos que somos. Explico.

http://www.depquimicaesociedade.com.br/index.php/plano-integrado-de-enfrentamento-ao-crack/Ontem, um amigo do Facebook compartilhou em apoio uma postem de alguém que dizia que todos os viciados em crack deveriam ser executados porque só dão despesas aos cofres públicos. Ele se posicionou contra a internação compulsória e defendeu que os dependentes da droga deveriam ser colocados em um navio e serem afundados no mar. Vixe! Não é por aí!

Hoje, enquanto termino o café da manhã e me levanto para ir ao trabalho, ouço uma chamada do noticiário da globo dizendo que um ministro do Japão defendia que os idosos doentes deveriam ter a morte acelerada pelo mesmo motivo: despesas para os cofres públicos. Um sonoro "Oxi, tá doido?!!" foi a minha reação. Só vi a matéria na íntegra depois.

Com duas situações seguidas da outra estou me perguntando se somos deuses. Só Deus, afinal, pode dizer quando a vida deve acabar. Claro que muiiiita gente não liga pra isso e sai tirando a vida do outro e até a sua própria. Mas acredito que a vida se extingue, naturalmente, quando tem que ser.

Sei pessoalmente dos problemas que são causados por usuários de droga. Mas nem por isso acho que eles tem que ser executados. Evidente que na loucura provocada pelo vício muitos deles procuram, inconscientemente a própria morte - seja por overdose, por um traficante a quem deve ou pela polícia em uma suposta reação.

http://silylandia.blogspot.com.br/2011/03/respeite-o-idoso.htmlSei que as pessoas estão vivendo mais porque, mesmo com toda a miséria que ainda existe no mundo, a qualidade de vida melhorou. Infelizmente muitos passam dos 80 anos sem a saúde que gostariam de ter e/ou que gostaríamos, como familiares, que tivessem. E sofremos ambos - eles e nós.

Coincidentemente, os dois casos estão relacionados diretamente com família. E aí me pergunto: será que as pessoas esquecem que a roda da vida gira e, com isso, o que vai, volta? Os dois casos, em minha opinião, refletem falta de amor. As famílias estão desestruturadas, com os pais se omitindo dos seus papéis e fazendo as vezes, apenas, de fornecedores. Desde bebês os filhos crescem sem saber que há limites, que existe o não, que todas ação tem uma reação e que cada ato traz uma consequência.

De criança se pode entrar em uma armadilha da droga e não conseguir sair dela facilmente, principalmente se os pais não tiverem grana para bancar as caras clínicas ou comunidades terapêuticas espalhadas pelo Brasil. As ações públicas para o tratamento de drogadas, antes da internação compulsória de São Paulo e futuramente da Bahia, se limitavam a ações psicossociais ambulatoriais via CAPs ou outros centros. Quem tá no fundo da lama não consegue discernir o que é melhor para si.

Quando alcançamos a idade avançada sofremos consequência de como vivemos daí pra trás. Se vivemos com qualidade, teremos velhice com qualidade. Para o oposto, uma vida com danos ao corpo, mente e alma nossos de cada dia.

Verbas públicas são desviadas todos os dias no Brasil e no mundo. Se fossem destinadas à educação, à moradia, à geração de emprego, à alimentação, prioritariamente, teríamos que gastar bem menos com a saúde.

Portanto, vamos ser menos deuses, colocar nossos pés no chão e fazer a parte que cabe a cada um nesta caminhada: cuidar de quem está sob sua responsabilidade, amando, educando, respeitando. Vamos ajudar a salvar aqueles que ainda podem ser salvos. Afinal, como diz a frase atribuída a Edmund Burke, para que o mal vença basta que os bons não façam nada. Vamos deixar que Deus defina quem vai, e quando vai, morrer.

Qual a sua opinião sobre isso? Confabule comigo.