terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um apaixonado colecionador de camisas de futebol

Adoro viajar. Sou um pouco turista e um pouco viajeira. Gosto de conhecer os pontos turísticos, mas me encanta mais conhecer as pessoas nesses lugares. Pessoas como Raúl Gutierrez, garçon do restaurante Cabaña Verónica, no Mercado del Puerto, Montevideo, Uruguai.

Jovem, 33 anos, ganha mais atenção que os colegas de todos os restaurantes não apenas por ser muito simpático, mas por ser fã de futebol. Dificilmente um homem passa sem parar para conversar com ele e provar um pouco de Medio y Medio, uma mistura, já engarrafada, de vinho e espumante.


Roberto Araújo e Raúl Gutierrez, colecionador uruguaio, com camisa do Sta Cruz


Romildo Brito, Raúl Gutierrez, com camisa do ypiranga, e Roberto Araújo.
Estamos em férias - Roberto (meu marido) e eu, Romildo e Heloísa, amigos-vizinhos. No primeiro dia que fomos ao Mercado del Puerto os dois pararam para conversar com Raúl, que exibia uma camisa do Ypiranga, time da 2ª Divisão da Bahia. Tem as mesmas cores do seu time uruguaio do coração dele, Peñarol - amarelo e preto. Fizemos foto, brincamos com ele e depois fomos embora.

No segundo dia, quando fomos almoçar no Mercado del Puerto, Raúl estava com outra camisa que ganhara. Desta vez, do Santa Cruz (Recife), meu time em Pernambuco. Apesar de vestido com o uniforme de garçon, Raúl estava sempre com a camisa na mão. Só quando ia servir um pouco do Medio y Medio ou mostrar os tipos de carne é que a colocava em um banco.

Seu sorriso e boa conversa marcada pela paixão pelo futebol e não por times, especificamente, fez com que nos sentíssemos em casa. Desta vez, enquanto Roberto e nossos amigos viam qual a melhor opção de restaurante, resolvi entrevistá-lo para o Forquilha, aproveitando para exercitar o meu espanhol, ainda no básico.

O Brasil, reino do futebol, é o país que lhe atrai com seus times e suas cores. Sua coleção de camisas de times começou com uma do Vasco da Gama (Rio de Janeiro - RJ) que ele mesmo comprou. Ao mostrá-la no Mercado del Puerto para clientes brasileiros, passou a ganhar outras. Só do Vasco ganhou outras quatro. A maioria recebeu pelo correio, enviada depois pelos seus novos amigos. Algumas delas ganhou de dirigentes do time, como a do Santa Cruz e a do América (Belo Horizonte - MG).  Dos times mineiros Raúl também tem em sua coleção a do Cruzeiro.

Sua coleção, que está só começando, tem a camisa do Bahia (Salvador-BA), time de Roberto e Romildo e o meu time baiano. Como ele tem a branca com faixas azul e vermelha no peito, deve ganhar mais uma, a com listas verticais azul, vermelho e branco. As duas dos times baianos ganhou de um professor - Antonio Pitágoras.

Dos times paulistas tem camisa do Palmeiras por enquanto. Espera ganhar a do São Paulo, Santos e demais, menos do Corínthias. Por quê? " No me gusta la torcida". Bom, fazer o que? Sua coleção também tem camisa do Internacional (Porto Alegre - RS).

Esse torcedor apaixonado pelo futebol é casado e tem três filhos. Dois meninos e uma menina. Mas em suas casa tem dois times. A ala masculina é Peñarol, considerado um do times mais tradicionais e vitoriosos da América do Sul: campeão por cinco vezes da Copa Libertadores da América e três títulos mundiais. A ala feminina é Nacional, que tem uma excelente performance dentro do Uruguai, com o maior número de títulos oficiais no país - 124 nacionais e 21 internacionais. A briga é boa.

Conhecer pessoas como Raúl Gutierrez, cheias de alegria e boa conversa, faz minhas viagens gratificantes. E é isso que mais gosto ao viajar - as pessoas que posso conhecer.

Se você quiser contribuir para a coleção de Raúl Gutierrez, pode mandar sua encomenda para ele no Restaurante Cabaña Verónica, no Mercardo del Puerto, Montevideo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Itapuã: lixo, buracos e calçadas irregulares

Hoje acordei cedo e aproveitei a caminhada para comprar meu remédio para pressão ( é, faço parte do time desde 2010). Para alongar a caminhada, em vez de seguir pela orla, fui pelas ruas internas, saindo de Piatã/Plakafor para Itapuã. Assim eu mataria dois coelhos de uma cajadada só.
Situação costumeira da Rua Dias Gomes, Piatã, apesar de a Limpurb recolher.

Duas coisas me incomodaram. Duas coisas que tem a ver com educação e com poder público. A primeira foi com as calçadas. Claro que não é novidade pra mim, pois, volta e meia, opto por caminhar por essas ruas. Mas, incomoda a mim o fato de as pessoas não terem educação e não se preocuparem com o próximo ao fazerem suas calçadas. Definitivamente, não dá para deficientes físicos e/ou visuais e idosos caminharem por essas ruas. Tem cestas de lixo, tem plantas, tem degraus de mais de 60 cm de altura de uma pra outra. E tem podas de árvores e entulhos, misturados com lixo, em muitos pontos .

Algumas pessoas dizem que sou radical. Particularmente digo que sou 8 ou 800. Como?? Sim, não é 8 ou 80. Sou radical em determinadas situações. É em casos como esses, digo que primeiro se faz uma campanha educativa e logo depois se exige, punindo quem não segue a regra. A Lei deOrdenamento, Uso e Ocupação do Solo (LOUOS) prevê que o morador tem que fazer a calçada e que ela tem que permitir a mobilidade. Prevê um monte de coisas e punição, no bolso. Mas não há fiscalização. Portanto, não há punição. Nem mesmo para os mal educados que insistem em entulhar as calçadas com o que não quer em sua casa, até sofá comido por cupins, mesmo que o carro da Limpurb tenha acabado de passar.

A segunda coisa foi a varrição das ruas. Em apenas três delas encontrei garis trabalhando. Na primeira, a calçada e o acostamento eram “varridos” com um ciscador de grama, em vez de vassourão. Na segunda, o gari tinha vassourão, mas varria em uns pedaços da calçada e da rua e em outros não. Mas o que me deixou mais curiosa foi na Dorival Caymmi. Cheguei nela por uma rua próxima às antigas lojas de 1,99, a cerca de uns 150 a 200 metros do 7º Centro de Saúde. Ali estavam pelo menos três garis varrendo. Varreram a avenida, mas deixaram a calçada do posto de saúde tomada por folhas de amendoeira – comuns nessa região – e por lixo deixado pelos vendedores e transeuntes. A mesma coisa se repetiu na calçada larga do ponto de ônibus defronte à loja Insinuante. Oxente... não deveria ser varrido tudo?

Aí, mais uma vez, entra a educação e o poder público. Será que os garis que varrem as ruas são treinados para a tarefa? Vale lembrar que homem não tem muito costume com vassoura. Acho que falta esse treinamento, inclusive, para os garis que passam quebrando com suas machadinhas, literalmente, as calçadas e o precário asfalto para retirar o mato. Os trabalhadores tem que ser treinados. E o poder público tem que supervisionar o serviço que está sendo pago.

Levei cerca de uma hora na minha caminhada. Cheguei em casa grata por ter condições de me locomover mesmo em áreas que exijam maior esforço, como essas ruas. Mesmo que não consiga mais ler bulas sem colocar óculos, considero-me com boa visão. Não tenho labirintite e outras ites comuns aos idosos (ainda não cheguei lá), nem preciso de muletas ou cadeiras de rodas. Mas, como fica quem tem alguma deficiência?
O poder público tem que intervir urgente. Claro que, agora, só a partir de janeiro, com o próximo prefeito que ainda não sabemos quem será. Mas cada um de nós também pode fazer sua parte. Olha aí umas sugestões:

Faça ou conserte sua calçada de forma que os pedestres possam andar por ela. Elas tem que ser retas e contínuas. Se tiver um declive muito acentuado, faça degraus decentes ou rampa, se não ficar muito inclinada.

Ao fazer as podas, corte os galhos em pedaços pequenos e coloque em sacos. Deixe no seu quintal até o dia e horário da coleta do lixo. Coloque o lixo na rua, próximo ao horário em que o caminhão passará.

Se está fazendo reforma, contrate um contêiner e vá colocando seus entulhos. Seus vizinhos não tem que receber a sua sujeira. Nada também de sair colocando entulhos nos buracos no asfalto. O peso dos carros só fará com que os buracos aumentem de tamanho.

Se cada um fizer a sua parte. Teremos uma cidade melhor.

Já confabulei sobre isso em outra ocasiõe. Confira.



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Homenagem à natureza

Hoje é um dia especial. Minha primeira lembrança é pelo dia dedicado a São Francisco de Assis. Foi durante sua festa, em Paulo Afonso, que há 35 anos Roberto e eu começamos a namorar.  Dia do Velho Chico, o rio que tanto tem feito pelo nosso sertão, que tem abrigado em seu leito tantas usinas hidroelétricas e que está minguando sem que nada seja feito, concretamente, para lhe fortalecer.

Hoje também é o Dia da Natureza, tão machucada por nós e tão bem retratada pelo ex-deputado estadual e poeta Gilberto Brito em seu poema Súplica da Natureza, que compartilho com vocês.
 SÚPLICA DA NATUREZA - Por Gilberto Brito
Não faças isso comigo não, criatura, eu sou a tua mãe. Sou tão boa para tu e para teus irmãos todos.

Faça, não. Sofro. Sofro muito. Tu fazes isso e eu vou me entristecendo, murchando e a cada momento perdendo vigor, energia, morrendo. Cada dia que passa tu vais fazendo assim: maltrata hoje, maltrata amanhã, todo dia, toda hora, sem parar um segundo, sequer. E olha que eu não te nego nada. Tudo que tens, eu te dei. Tudo que queres, eu te dou. Dou para você e meus outros filhos todos. Até os que nada pedem, não choram, nada dizem, sequer pensam, pois juízo não têm.

Eu quero continuar a servir a vida inteira, o tempo todo. Dia e noite, sem nunca parar.

"Papai" me criou ensinando a cuidar de vocês todos, preocupado no aperfeiçoamento, na glória, no bem. Até "os outros", os que vivem matando para viver, "respeitam" o que "Papai" ensinou. Só comem o tanto certo, sem acabar com a espécie da qual é "irmão". Aliás, um serve ao outro, constituindo uma família grande, bonita, harmoniosa, unida, repleta de tudo que é bom.

Vamos permanecer coesos, pensando um no outro. Não é preciso pensar em mim, não. Eu dou o meu jeito. "Papai" me dá forças. Pense em teus irmãos. Pense nos meus netos, nos teus filhos. Tu já pensastes se Adão e Eva não tivessem existido? Então, como você quer acabar comigo? Só eu tenho tudo que tu queres e nada te cobro, nada te peço. Só quero paz, respeito, sensibilidade.

Até a inteligência que tu tens e por meio dela me agrides, eu te dei. A força, a cor, a beleza, a saúde, o pão do sustento, a luz, a energia, o oxigênio de tocar o pulmão. A água de beber, coisa tão gostosa, tão boa. Eu te faço dormir, te faço até sonhar um sonho lindo, em lugar gostoso, de paisagens lindas, com amor. Até amar eu te ensinei. Eu te ensinei como fazer o teu próprio filho, a continuação de cada um.

Até filho meu que não é irmão seu, te serve tanto. Te ajuda. Sou eu que mando ele te servir. E você, o que me dizes, o que falas? Diga em que errei, onde errei. Eu te eduquei com amor, respeito e ordem. Te dei do vigor da força ao repouso eterno do cansaço que a vida traz.

Eu sou a única mãe que gera, pare, cria e depois recolhe ao ventre. A minha placenta é eterna e o meu leite nunca seca. Meu prazo de procriação está nas suas mãos, filho querido. Eu quero continuar parindo, criando, frutificando, te dando irmãos. Fecunda para tudo, para todos e para o bem.

Eu quero ver crianças a sorrir. 
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