quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vício da internet leva jovens brasileiros à era dos substitutos


Bruce Willis em Substitutos (Surrogates)

Ontem pipocou nas redes sociais e demais mídias o Relatório Mundial de Tecnologia Conectada, elaborado pela Cisco, que mostra que quase dois terços (63%) dos jovens universitários e adultos em início de carreira consideram a rede mundial algo imprescindível, e mais da metade a descreve “como parte integrante de sua rotina”.


A Cisco abordou dois universos em sua pesquisa, onde foram ouvidas mais de 5 mil pessoas de 14 países: uma com universitários e outra com jovens trabalhadores com até 30 anos de idade. Jovens brasileiros participaram.

Incrível, e preocupante, o resultado obtido com os universitários nesses países e, principalmente, no Brasil. Eu já sabia do vício de adolescentes e jovens com a internet. Recentemente uma sobrinha minha, de 14 anos, postou em seu mural no Facebook que seus pais deveriam agradecer por ela ser viciada em internet e não em drogas ou bebidas. Eu comentei que nenhum vício é legal, nem mesmo o da internet, porque ao nos dedicarmos a ele, deixamos de produzir, de viver, de amar, de fazer amigos reais, que a gente pode abraçar, conversar, rir, brigar – porque não?, fazer as pazes...

De qualquer forma, o resultado do relatório mostra que as coisas são mais graves do que eu pensava. Entre todos os entrevistados, dois em cada cinco universitários disseram que a web é mais relevante para eles que namorar, sair com os amigos ou ouvir música. No Brasil, 72% preferem navegar na rede.

Como pode ser isso? Sei que vivemos no Brasil uma paranóia gerada pelo aumento da criminalidade. Mas, daí a substituir o contato pessoal pelo virtual... Como seremos em uma década? Será que iguais aos personagens do filme Substitutos (Surrogates, com Bruce Willes e direção de Jonathan Mostow), no qual os homens vivem isolados em seus quartos e se comunicam por meio de robôs-clones?

Eu não gostaria de ver os jovens que amo viverem assim. A vida é real quando podemos olhar no olho, tocar as mãos, sentir a pele num abraço, ouvir a voz do outro sem a interferência eletrônica.

E você? Qual a sua opinião ou sua experiência? Você troca a vida pela internet?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Serviço Militar ajuda na luta contra deliquência juvenil?



Local onde era cumprido o serviço militar obrigatório em Mendoza - Argentina 
 Adoro férias e faço questão de gozá-las. Já teve um período de minha vida em que podia não podia viajar. Em outros, viajar por apenas 15 dias. Em outros, por trabalhar com assessoria de comunicação na área política, no máximo viajava por uma semana. Apenas uma escapulida, vamos dizer assim. Mas hoje faço questão dos 30 dias. Um luxo? Não. Um direito que faz bem.

Férias é bom, principalmente quando é curtida com alguém que, mesmo diferente de você, gosta de coisas parecidas. É bom porque relaxa e porque lhe permite conhecer novas culturas, apreciar novas paisagens, aprender coisas novas, ver outras contextualizações políticas e, daí, poder comparar com a sua realidade.

Agora em setembro vi que em Mendoza, Argentina, a sociedade e o governo enfrenta dificuldades como as nossas devido à deliquência juvenil. Vi, no Paseo Sarmiento ( um calçadão que corta três ruas no centro histórico da cidade), uma família chorar publicamente sua dor, em protesto feito com um megafone. Motivo: um adolescente da família morreu em confronto com a polícia, com pelo menos 14 tiros.

É certo que não vi, nas áreas que andei, grupos de jovens em situação que gerasse insegurança ou medo. O centro da cidade é monitorado por câmaras. Nada posso dizer das áreas periféricas, porque não passei por lá. Mas vi que é nas noites que a pobreza se apresenta em Mendoza, a terra dos vinhos, com mais de 1000 bodegas (vinículas). No Paseo Sarmiento, enquanto sentada nas cadeiras de um bar no calçadão, vi pobres crianças, adolescentes e adultos pedindo esmolas aos turistas. Também ao escurecer e nos finais de semana surgiam os camelôs, que estendiam suas mercadorias em mantas sobre as calçadas. 

Durante o passeio que fizemos para a Alta Montanha, o guia Gabriel nos mostrou uma área do exército onde era cumprido o serviço militar obrigatório. Uma área grande, incrustada próxima às montanhas pré cordilheiras (dos Andes). Gabriel, profundo admirador do libertador San Martin, defendia a volta do serviço obrigatório, que há pouco mais de uma década passou a ser opcional na Argentina, tal qual no Brasil. Em sua opinião, se todos tivessem que passar pela disciplina do exército talvez não houve tanta deliquência juvenil.

Não sei se só o serviço militar resolveria. Mas concordo que ajudaria em muito. Já confabulei outras vezes sobre o problema social que vivemos e apontei a falta de disciplina como um dos fatores da desordem em que vivemos hoje. Disciplina que os pais/as mães não sabem mais dar. Disciplina que muitos pais/mães talvez nem tenham recebido enquanto filhos. Tem faltado o exercício do NÃO.

E você? Considera que o serviço militar obrigatório pode ajudar a reduzir a delinquência juvenil? Quero saber sua opinião.