quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Aberrações sexuais, outros crimes e a família

A família - 1925 - Tarsila do Amaral

Há três dias Salvador está sob choque por ver um jovem estudante de Medicina, Diogo Nogueira Moreira Lima, bonito e de família de classe média, ser desmascarado como pedófilo, com uma lista de pelo menos 10 vítimas. "Ele precisava disso?", questionou chocada uma estudante de Jornalismo, Luciana Rodas, numa referência de que é difícil entender porque pessoas que supostamente tem tudo apresentam distúrbios tão graves como essa aberração sexual.

Hoje, li que projeto do senador Gerson Camata (PMDB-ES) pode ser votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, propondo castração química para presos condenados por estupro, atentados violentos ao pudor e pedofilia. Alguns estados norte-americanos e o Canadá já adotam essa medida. A ideia é diminuir a libido dos condenados por meio de medicamentos que agem no controle hormonal.

Não sou psicóloga - sou jornalista por formação, vocês bem o sabem - mas entendo que a questão da pedofilia ou os prazeres provocados pelas aberrações sexuais não é apenas por uma taxa elevada de testosterona. Prender, castrar quimicamente ou adotar outras medidas meramente punitivas não resolverá o problema.

Lamentavelmente continuamos a ver no nosso País, talvez no mundo, o Poder Público - polícia, política e justiça - tratando os problemas dos crimes como se fossem casos isolados. Calma, não vou defender que é uma questão gerada pelos problemas sociais. Também não acredito nisso como principal causa. Acredito, sim, na fragilidade das relações humanas, na pulverização da família e da sua função essencial de formar o cidadão, obrigação prevista não apenas na lei dos homens, mas nas "leis" espirituais.

Diogo, o estudante de Medicina, supostamente tinha tudo. Será? Gilson, que matou uma médica na Bahia e depois "suicidou-se" no presídio, era estuprador e um monstro. Será que nasceu assim? Tantos outros - 13.949 casos só de pedofilia na Bahia, de 2003 a 2009 - estão aí a nos provocar. Temos milhares de jovens afundando nas drogas e na criminalidade. Tantos idosos seduzindo (e às vezes sendo seduzidos) adolescentes e jovens, em busca da juventude perdida...

Em minha humilde avaliação, acho que está faltando coragem para todos nós. Coragem de olhar para o primeiro núcleo da sociedade - a nossa família, ver onde estamos errando e ousar mudar, ou ao menos tentar. Um colega de trabalho comentou comigo, ontem, que se algum filho dele se envolver em algo errado, ele o deixará por sua própria conta e risco, "porque teve tudo". Será? Será que colocar em boas escolas, vesti-los na moda, abrir a mão e meter dinheiro em seus bolsos, dar a chave do carro - quando não dá um carro - e outras concessões, é dar tudo? Será que arranjamos 5 minutos que sejam, diariamente, para conversar, ouvir suas histórias, seus anseios e suas dúvidas, ou até mesmo para cobrar ética, moral e responsabilidade?

Provoco você para uma reflexão. Se quiser ampliar o debate, venha confabular comigo.