sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Desagravo à jornalista Cintia Kelly


Tenho confabulado no forquilha sobre a ética profissional e sobre a necessidade de termos o nosso conselho profissional. Este, não apenas para que sejamos fiscalizados no cumprimento das nossas atividades, mas também para que tenhamos um instituto a nos defender da sanha de políticos que, protegidos pela imunidade parlamentar, se acham no direito de agredir, de denegrir quem quer que seja do alto da tribuna do Plenário.

Hoje venho em defesa da colega jornalista Cíntia Kelly, que cobre a Assembléia Legislativa e que, no último dia 22, foi vítima da raiva do deputado Gaban. Só o faço hoje porque não tive conhecimento antes. mas estranho que o Sinjorba e a ABI não tenham se manifestado em nota de repúdio ao parlamentar ou de desagravo à jornalista, profissional por formação como eu.

Procurei no site da Assembléia Legislativa a íntegra do discurso feroz de Gaban que atinge Cíntia Kelly, colocando-a como mentirosa e sua inimiga pessoal, segundo relatado pelo blog Política Livre, do jornalista Raul Fonseca . Nada consta ali. Os discursos só estão postados até o dia 12 de janeiro, apesar de já estarmos no dia 30.

É gritante o desrespeito à jornalista, que esclareceu à situação ao Política Livre e que transmito aqui:

" Qui 22 Jan 2009

Repórter se diz espantada com discurso em que deputado a chamou de “inimiga”
Em email a este site, a jornalista Cíntia Kelly, do Correio da Bahia, disse ter ficado espantada “com a irritação e a falta de decoro e de respeito aos profissionais de imprensa que atuam” na Assembléia Legislativa, exibidos hoje pelo deputado estadual Carlos Gaban, durante discurso em que protestou contra matéria assinada por ela no jornal que o apontava com um dos virtuais candidatos nas eleições para a mesa diretora da Casa. “Em nenhum momento a matéria sob o título “PMDB lança candidatura avulsa para Mesa Diretora” denigre o deputado ou informa qualquer inverdade, como foi afirmado pelo mesmo. O nome do deputado foi citado pelo líder do seu partido na Assembléia, Heraldo Rocha (DEM), em entrevista concedida ao jornal. Causa ainda estranheza o fato de o deputado chamar-me de sua “inimiga pessoal”, já que não tenho e nunca tive qualquer relação mais próxima com tal parlamentar”, disse Cíntia, observando que, diante do fato, só “tem a lamentar tal postura e afirmar que discursos como este não amedrontam o trabalho dos profissionais de imprensa que buscam levar a informação à população”.

Não é correto usar os profissionais de imprensa como saco de pancada. Mesmo que ele, Gaban, não tenha dito a Cíntia Kelly que era provável candidato à Mesa, um outro parlamentar, líder do seu partido, o disse. Espero, sinceramente, que a jornalista tenha gravado a sua entrevista. Sim, porque é uma temeridade dar cobertura a uma Casa como a Assembléia, onde as opiniões mudam de acordo com o interesse político, sem que se faça uso de gravador. Senão, parodiando o ditado, ouviu, não gravou, o pau comeu.

Que Cíntia não se intimide e tenha a coragem de olhar a Assembléia com olhos de ver, levando pautas quentes sobre este nosso parlamento.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O aborto é sempre pecado?

Só hoje eu tive conhecimento de que um bebê de 1 ano de idade ( mas que pela foto aparenta menos), estaria grávida. O fato já vem sendo divulgado na internet desde dezembro e é assombroso, sem dúvida alguma. Parece que a mãe, ao engravidar, gerou dois fetos. Só que um teria colado dentro do outro, o que fez com que a menina nascesse com o irmão dentro dela. O fato aconteceu na Arábia Saudita , onde os médicos querem intervir com uma cesariana mas precisam esperar que a sociedade saudita chegue a uma conclusão: se a retirada do feto pode ser considerada assassinato. E é sobre isto que quero falar.

Já conversamos sobre aborto aqui. Já disse que, anos atrás, por não saber como se dava o processo da vida, defendia o aborto. Já disse que mudei de opinião, mas que não recrimino quem decida por interromper uma gravidez. Aprendi com a Doutrina Espírita que, ao praticarmos o aborto estamos impedindo um espírito de reencarnar e de caminhar para o seu aprimoramento como ser. Mas, e neste caso?

É evidente que, se os médicos forem autorizados a intervir com uma cesariana, estarão impedindo que o filho-irmão do bebê prossiga na sua caminhada neste mundo de expiação. Se não o fizerem, morrerá, sem sombra de dúvida, o bebê. Que fazer? Dar a preferência a quem já está encarnado? Eu mesma não sei o que é o certo, mas defenderia a sobrevida do bebê que já nasceu. Não sei o que levou a esta concepção tão rara. Não sei quais as pendências ou compromissos que tenham esses dois espíritos, mas imagino a angústia da mãe que gerou os dois fetos e que deve desejar que pelo menos um deles sobreviva.

Gostaria de saber o que você pensa. Confabule comigo clicando no link comentário, abaixo.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Lição da vida


Desde criança sou uma pessoa observadora. Aprendo com o que vejo. Se o exemplo for ruim, aprendo a não segui-lo; se for bom, anoto nos caminhos que posso seguir. E tenho recebido oportunidades de aprender, de amadurecer, de me transformar ( ou pelo menos tentar me transformar).

Neste primeiro mês de 2009 tive mais uma lição de como é importante se permitir amar e ser amado, como é importante não trancar a mágoa, como adiar pendências traz consequências drásticas.

Acompanhei a dor de irmãos que já trazem muita dor dentro de si há 26 anos. Adolescentes, perderam primeiro a mãe; seis meses depois perderam o pai. Com o passar do tempo, apesar do grande amor que sentem um pelo outro se afastaram, cada um vivendo a sua vida, adiando reencontros e reconciliações.

Neste mês, foram surpreendidos pela vida, digo, pela morte, única certeza que temos na vida. Um dos irmãos mais novos faleceu e só descobriram dois dias depois, através de terceiros. Cada um reagiu ao seu modo. Todos acusaram o outro e a si mesmo de ter abandonado o irmão. Perderam mais um amor sem ter tempo de dizer eu te amo - você precisa de quê? - estou aqui, conte comigo...

Por que fazemos isso conosco e com os outros? Por que fugimos da realidade? Por que não temos coragem de enfrentar a dor, a mágoa? Por que temos medo de brigar, se necessária a briga é para que se esclareçam fatos, corações sejam aliviados e se alcance a paz?

Mais uma vez a vida me deu uma lição indireta. Sou felizarda, porque assim tenho tempo de refletir e ver o que estou adiando, quais laços estão frouxos ou com nós que precisam ser desatados.

E você? Vai esperar que a vida lhe surpreenda? Tome uma atitude: seja na família, com amigos ou na sua profissão. O tempo que passa não se recupera.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Assessor de comunicação - sorte ou destino


Depois de quase dois meses volto às minhas confabulações. No retorno das férias encontrei uma demanda muito grande de trabalho e não consegui parar para atualizar o Forquilha. Logo concluirei minhas observações sobre a Venezuela. Antes, quero desejar a você que tenha a capacidade de se permitir coisas boas. As chances são iguais para todos nós, mas o que difere é nossa capacidade de percebê-las e aproveitá-las.

Nesta primeira confabulação de 2009 volto ao tema " assessoria de comunicação". Em agosto de 2008 postei uma abordagem sobre o fato de Flora, de A Favorita, ser nomeada assessora de comunicação da empresa Fontini. E no último dia 6 recebi um comentário de um jovem de Minas Gerais - São Joaquim de Bicas: Herbert Augusto, 23 anos, radialista, produtor de eventos, DJ...

Na opinião de Herbert, um diploma apenas não forma um profissional. Ele conta que é jovem e trabalha em rádio há 6 anos, escreve para dois jornais e agora foi nomeado assessor de comunicação da sua cidade. Ele se gaba de exercer estas funções sem nunca ter entrado numa sala para fazer um curso especifico! Na arrogância própria da juventude, perguntou-me se isto se deve à sorte ou ao destino.

Como disse a Herbert Augusto, é óbvio que não é a faculdade que faz o bom profissional, mas oferece a possibilidade de uma formação mais ampla, que passa por debates sobre ética pessoal e profissional, sobre economia, sociologia e, principalmente, sobre técnicas e estratégias de comunicação. Ninguém é melhor preparado para reportar notícias, por exemplo, que o jornalista. Mas o relações públicas tem formação em planejamento e desenvolvimento de estratégias de comunicação, o que o capacita, também, para a função de assessor de comunicação.

Não é o fato de alguém trabalhar desde os 17 anos em rádio que o habilitará para o cargo de assessor de comunicação de uma prefeitura. Tudo vai depender do que o prefeito pretende em sua administração. Herbert não entrou em detalhes sobre o que fazia na emissora, ou emissoras onde trabalhou. Mas trabalhar em rádio em muito difere de uma Assessoria de Comunicação. Nem todo jornalista, inclusive, está apto a coordenar uma assessoria de comunicação, que é muito mais que fazer assessoria de imprensa.

Sorte ou destino na indicação para um cargo de assessor de comunicação de uma prefeitura? Nem um nem outro. O que deve ter contado foi a visibilidade que a rádio deu a Herbert e a sua provável ligação política com o grupo eleito. Considero importante que Herbert e outros jovens - ou não tão jovens - que se encontram nessa situação, não se deixem tomar pela soberba ou presunção e usem esta chance para estudar. Ser assessor de comunicação de uma cidade com pouco mais de 23 mil habitantes é uma coisa. Se assessor de comunicação de uma empresa de porte, seja pública ou privada, é outra. Será que a rádio, apenas, sem a formação profissional que defendo, o habilitará para conhecer e aplicar todas as nuances da comunicação no fortalecimento da prefeitura? É claro que talento existe, mas estudar nunca é demais. Só nos agrega mais valor. Boa sorte aos novos assessores de comunicação desse Brasil.