sexta-feira, 12 de março de 2010

Recompensa da espiritualidade


Considero fantástico como a vida, a espiritualidade, traz recompensas para quem cumpre o seu papel com dedicação.

Uma amiga minha, Ana Barreto, me ligou para dar uma notícia que a estava deixando muito feliz: está grávida de 10 semanas. A princípio, você pode não entender porque também fiquei feliz e o porque de achar que a espiritualidade está recompensando minha amiga.

Ana é uma jovem que mora com a mãe que faz quimioterapia por causa de um câncer reincindente e que se despediu, em dezembro passado, do pai de mais de 80 anos que padeceu de Mal de Parkinson por longos 14 anos.

Em três meses Ana teve a experiência de ver uma vida amada se extinguir na terra e de ver nascer uma nova vida através do seu ventre. Lindo! Merecido! Um presente para ela, para seu amado e para a mãe de Ana.

A prova de que, quando cumprimos nossa missão com amor, mesmo que sem saber qual é a missão, bons frutos sempre colheremos.

Pais superprotetores prejudicam filhos?

Uma controvertida pesquisa realizada no Japão, divulgada ontem, 11/03/10, em reportagem de Wendy Zukerman, da New Scientist, indica que pais super protetores arriscam reduzir a velocidade de crescimento do cérebro dos seus filhos.

De acordo com a reportagem, o pesquisador Kosuke Narita, da Universidade de Gunma, no Japão, analisou os cérebros de 50 pessoas na faixa dos 20 anos. Para pesquisar o vínculo entre o comportamento dos pais e o problema mental dos filhos, o grupo respondeu a um questionário sobre sua relação com os pais durante os primeiros 16 anos de suas vidas.

A equipe de Narita descobriu que os jovens com pais super protetores tinham menos massa cinzenta em uma área particular do córtex pré-frontal, em relação àqueles que tiveram relações saudáveis com seus pais. Esta parte do córtex pré-frontal se desenvolve durante a infância, e anomalias lá são comuns em pessoas com esquizofrenia e outras doenças mentais.

Narita e seu grupo propuseram que a liberação excessiva do hormônio do estresse cortisol --devido tanto à negligência, ou à atenção exagerada-- e a reduzida produção de dopamina (neurotransmissor estimulante) como resultado do relacionamento inadequado dos pais com os filhos bloqueia o crescimento da massa cinzenta.

Anthony Harris, diretor da Unidade de Desordens Clínicas, no Hospital Westmead, em Sydney, Austrália, ao analisar a pesquisa, diz que as diferenças observadas no cérebro não são sempre permanentes. Ele ressalta que muitos indivíduos demonstram grande resiliência (capacidade de superar problemas).

Mas para Stephen Wood, que estuda o desenvolvimento dos adolescentes no Centro Neuropsiquiátrico de Melbourne, na Austrália, o relacionamento dos pais com os filhos não pode ser necessariamente acusado pelas anomalias cerebrais. Ele ressalta que os indivíduos estudados podem ter nascido com as anomalias e, como resultado, não se deram bem com seus pais, ao invés de ser o processo contrário ter acontecido.

Wood questiona: “ por que se preocupar com a educação dada pelos pais se há outros fatores que podem ter impacto mais forte?”

Não sou pesquisadora como Narita, Harris e Wood, e nem sei se o prejuízo que a superproteção dos pais pode provocar nos filhos tenha condição de ser medido cientificamente. Mas considero que temos que nos preocupar, SIM!, com a educação dadas pelos pais. Entendo e vejo, por observação, que superproteção gera, com exceções, claro, jovens adultos com pouca iniciativa, sem a ousadia e coragem necessária para o enfrentamento dos problemas do dia a dia.

E você, o que acha? Você tem filhos? Como os cria? E como foi criado? Confabule comigo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia Internacional da Mulher - breve homenagem

Hoje, Dia Internacional da Mulher, gostaria de homenagear a todas nós através da minha mãe, Maria Cleonice Amorim.

Geradora de 11 filhos, dos quais nove mulheres, traz na sua história as marcas da submissão e subjugação dos homens: seu pai e meu pai - pai dos seus filhos e marido.

Menina da roça em Pão de Açúcar, no município pernambucano de Pesqueira, seguiu com a mãe, Dominicia, e mais cinco irmãos (e irmãs) até onde o pai, Zezinho, já estava trabalhando: Forquilha, distrito de Glória (BA), atual Paulo Afonso.

Sua função social, instrução passada por sua mãe, era servir bem ao marido, parir, cuidar dos filhos e da casa, mesmo que fosse um barraco. Parou de estudar no segundo livro, mas nunca esqueceu o que aprendeu. Mostra de que apreendeu o conhecimento.

Casou aos 17, com meu pai, Nilton Cavalcante Amorim, alagoano, também trabalhador como o sogro na grande Companhia Hidrelétrica do São Francisco, que estava construindo a 1ª Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso.

O casamento impôs o afastamento das amizades e o suportar das traições do marido. "Homem é assim mesmo", dizia sua mãe. Suportar, suportava, mas não sem uma boa briga, de externalizar sua insatisfação para o homem que amava.

Menina-moça, tinha a experiência de cuidar dos próprios irmãos menores. Foi só mudar de casa e passar a cuidar dos seus- um a cada intervalo de um a dois anos. Uma prova árdua, que poucas mulheres da atualidade aguentariam. E, claro, perdeu o controle algumas vezes, usando o puxão de orelha, o beliscão ou a chinelada para conter os impulsos dos filhos mais danados.

Com 11 filhos (apenas uma casada) e antes dos 40 anos, sofreu ao ser "trocada" por uma jovem de 17 anos. Perdeu a razão, brigou, esperneou na defesa do seu casamento, mas depois desistiu. Recuperou a razão, mas as marcas ficaram no coração, amenizadas apenas quando descobriu a força do perdão.

Como pássaro que fica preso na gaiola e não consegue voar quando a porta é aberta, mamãe não conseguiu abrir seu coração para um novo amor. Nem mesmo realizar o que tanto desejava quando menina e moça: estudar. Mas descobriu o prazer da leitura, que alivia um pouco a saudade de mãe que hoje tem seus filhos espalhados em quatro estados brasileiros.

Mãe amorosa, se aflige pela aflição dos filhos; se alegra com as conquistas de cada filho e neto (19 - sendo nove netas). Mulher guerreira, convive diariamente com doenças crônicas que se instalaram pelos picos emocionais da sua luta. Mulher solidária, conquistou espaço no coração das filhas do homem a quem amou e até da própria mulher que convive hoje com ele - Delma.

No coração do meu pai, conquistou o respeito e o carinho. Uma mulher que há muito se arrependeu de ter, por alguns momentos, pensado em desistir de tudo.

As lutas hoje não são menores que as lutas que minha mãe viveu e vive. Queria que ela sorrisse mais, viajasse mais, tivesse se permitido novo amor. Mas ela é daquelas raras mulheres que só tiveram espaço no coração e na mente para um homem só. Para um único amor.

Através dela, de dona Nicinha, minha mãe, desejo a todas as mulheres, em especial às minhas 13 irmãs ( Fátima, Vitória, Vania, Mirian, Ana, Aparecida, Vera, Luciana -da minha mãe; Andrea, Sandra, Fabiane, Tatiane e Liliane - do meu pai), que se permitam em todos os momentos a paz no coração. Que tenham a serenidade para aceitar as coisas que não possam modific ar, coragem para modificar o que possam e sabedoria para perceber a diferença. Só assim poderemos, nós mulheres, fazer, de fato, a diferença.


sexta-feira, 5 de março de 2010

Jânio Lopo partiu


Chove forte em Salvador. Enquanto as ruas vão ficando alagadas, os corações de amigos, familiares e leitores do querido jornalista Jânio Lopo ficam apertados de tristeza: Jânio sucumbiu a um infarto no início da tarde desta sexta-feira, 5 de março de 2010. Como chuvas fortes deixam marcas por onde caem, a partida de Jânio Lopo deixará uma grande lacuna no jornalismo político da Bahia.

Conheci Jânio Lopo quando comecei a trabalhar na Tribuna da Bahia, em setembro de 1989, levada por Jadson Oliveira, hoje um jornalista sem fronteira. Eu era repórter da Geral, recém chegada a Salvador, e ele repórter especial de Política, junto com Joana D'Arc, Mônica Bichara, tendo como editora Carmela Talento.

Ao longo desses 20 anos aprendi a admirar esse companheiro, que resistiu na defesa de uma linha política até mesmo quando os próprios políticos esqueciam de que lado estavam. Quando passei a cobrir política, já com Aroldo Aquiles como editor, nos idos de 1986/1986, Jânio já assumia a coluna Raio Laser. Conquistou respeito e credibilidade. Mas dinheiro, remuneração condizente com a sua responsabilidade, experiência e credibilidade....não tenho notícia.

Jânio sucumbiu a um infarto. Algo esperado duplamente. Primeiro, por ser jornalista com múltiplas tarefas: colunista e editor de política da Tribuna da Bahia e sócio do site de notícias Política Hoje, lançado em 2009 mas que substituiu o anterior site que levava o seu nome. Segundo, por fumar igual ao Caipora e ter bebido anos a fim. Esse trio junto é mortal.

Sabemos que nada vida nada nem ninguém é insubstituível. Alguém pode não fazer algo da forma do outro que se foi, mas pode fazer diferente. Mas Jânio Lopo fará falta, deixará uma lacuna em nossas mentes que acompanham os seus artigos e em nossos corações, que nutriam grande carinho por ele. Sauas letras, escritas por décadas na Tribuna da Bahia e, mais recentemente, no Política Livre, já o imortalizaram.

Até qualquer dia, Jânio.