quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CARTA AO CÉU - Parabéns é para quem você ama

Oi, mamãe

Desculpe ter passado tanto tempo sem escrever para você. Aliás, há muito tempo não escrevo para as pessoas também.

Sabe, passei a semana passada ansiosa, na expectativa da sua chegada para celebramos o seu aniversário na quarta-feira, 16 de dezembro. Afinal, sempre era por volta do dia 13 que você vinha para Salvador da sua temporada no Recife, para comemorarmos sua nova idade junto com a querida maluquinha Iolanda e para o Natal. Ansiedade igual ficaram minhas irmãs, cada uma em suas casas e do jeito delas, no desejo de lhe abraçar, de lhe desejar saúde e paz, de agradecer por nos ter recebido como filhas.

Sei que muita gente não entende porque agimos assim. Afinal, você retornou ao lar espiritual há 1 ano, 4 meses e 16 dias. Mas fazemos isso por um motivo simples: sabemos que você vive.  Que você está viva e conectada conosco através do amor imenso que sentimos.

Procurei tornar mais fina a sintonia entre nós duas desde os primeiros minutos do dia que marca a sua chegada aqui nessa dimensão para sua última encarnação. Fiz minhas preces e emanei todo o amor e gratidão que tenho por você, mariquinha. Pedi a Deus a oportunidade de abraçá-la em sonho e lembrar desse encontro e desse abraço.

Ao acordar, procurei me vestir com a sua cor preferida. Coloquei vestido e sapato azuis, que contrastaram com meu cabelo vermelho (venho mantendo essa cor, que você tanto gostou e que realça os meus olhos esverdeados). Roberto perguntou para onde eu ia vestida assim. Pensou que tinha alguma coisa especial no trabalho. Eu respondi que tinha me arrumado pelo seu aniversário e que à noite iria com Cida para a missa na Igreja Nossa Senhora Aparecida em sua homenagem.

O dia no trabalho teve momentos estressantes e acabei me atrasando. Decidimos, então, que faríamos uma celebração íntima, com um evangelho no lar. Mas eis que a espiritualidade entrou em ação e programou uma missa ao ar livre, sob árvores, no condomínio em que Cida mora, para o horário em que cheguei lá.

Sabe qual música tocava na hora que cheguei? A oração de São Francisco. Perfeito, né? A missa foi linda, com muitas músicas, dedicada a você, mamãe e a outras pessoas e aniversariantes. Acho que nossa emoção foi tanta, assim como a certeza que você adoraria essa missa, que sentimos sua presença ao nosso lado ao cantarmos o Pai Nosso de mãos dadas. Voltamos para o apartamento abraçadas e de coração leve.

Mas aniversário  tem que também ter parabéns, né? Por isso subimos ao apartamento de Cida e lá, junto com Paulo, com um panetone com chocolate (hummmmmm) e uma vela, cantamos parabéns para você, mamãe. Pedimos que Deus lhe dê muita saúde e paz nesse seu caminhar espiritual. Temos certeza que os anjos disseram amém!

Ficamos felizes por ter certeza da conexão de amor. Principalmente por termos ouvido na missa que quando há amor há ligação na terra e no céu. E temos muito amor por você. Parabéns, mamãe. E obrigada por tudo.

P.S. - A saudade é grande, viu, mulher? Mas vamos suprindo com a lembrança de tantos momentos lindos que vivemos, principalmente nesse período. Ah! Esse ano o Natal não será celebrado na minha casa. Como tia Regina está com 102 anos e cansadinha, precisa evitar muitos deslocamentos. Por isso transferimos para a casa das irmãs de Roberto. Como você sabe o caminho... Qualquer coisa é só sintonizar comigo. E nosso encontro de Réveillon será na casa de Tata e Antão. O caminho desta você também conhece. Beijos.

Sua filha tagarela,

Vanda


domingo, 10 de maio de 2015

CARTA AO CÉU - O difícil dia das mães sem a mãe

Oi, mamãe!

Tanto tempo faz que não lhe escrevo.né? A senhora  me conhece bem e sabe que quando silencio na escrita é porque minha mente está em turbilhão. Quando estou assim, mando mensagens apenas mentalmente. E tenho lhe enviada muitas, todos os dias; em algumas vezes, mais de uma ao dia. Mas hoje, dia oficial dedicado às mães, não poderia ficar sem mandar essa carta para o céu.

Tenho certeza que hoje teve muita ligação mental para a senhora  desses filhos todos que recebeu nesta encarnação. Dessa vez deve ter sido difícil registrar quem se conectou primeiro. Não deve ser fácil receber ligações mentais de 11 filhos saudosos ao mesmo tempo, mas acredito que a senhora teve o amparo espiritual necessário, assim como estamos tendo aqui nesse momento.

Não tivemos como lhe dar algo material, como sempre fizemos. A reforma da sua cadeira preferida foi o último presente. E o fato de ela estar ali na saleta, sem a sua presença física, aumenta mais ainda a saudade da gente, em especial de Verinha, Tata e Bepe, que estão em Paulo Afonso.

Acredito que o amor reafirmado hoje, com tanta intensidade por todos nós, deve ter lhe deixado feliz. Se pudéssemos escolher, queríamos que estivesse ao nosso lado fisicamente. Mas isso não estava em nossas mãos para decidir. Apenas procuramos entender e aceitar, acreditando fervorosamente que a senhora hoje está bem. Tivemos, inclusive, algumas informações sobre a sua vida na espiritualidade. A senhora sabe que tem gente que não acredita nisso, mas a maioria dos seus filhos acredita. E serena nosso coração saber que seu caminhar prossegue para a evolução, cuidando fraternalmente daqueles que precisam de alguma ajuda aí onde se encontra.

Aqui a nossa vida prossegue. Como já deve saber, retornei para a Defensoria Pública e estou tentando dar o melhor de mim profissionalmente. Sei que está dizendo que eu tome cuidado para não extrapolar nos horários, para priorizar a família e a saúde. Procurarei fazer isso, tenha certeza. Se eu não cumprir depois de passar a Semana da Defensoria, pode puxar a minha orelha.

Entre nós, seus filhos, ainda tem algumas arengas. Como poderia acabar de uma hora pra outra, né? A senhora conhece bem cada um de nós. Mas, vamos continuar tentando estabelecer uma harmonia mais duradoura e estável.

Nosso pai continua o mesmo de sempre, adiando as idas aos médicos e trabalhando todos os dias na eletrônica. Como as operadoras de telefonia aqui na terra estão cada vez piores, e a Tim não foge à regra, principalmente em Paulo Afonso, temos dificuldade de falar com ele com maior frequência. Mas continuamos  enviando a papai, mentalmente,  fluidos de amor para que viva com saúde no corpo e paz no coração e no espírito.

Caso encontre por aí as outras mães que amamos e que já retornaram, dê um beijo nelas por nós. Em especial para vovó Minice e vovó Floriza, tia Neném e Tina, e Tenide.

Receba um beijo em cada um desses olhinhos lindos e um abraço de caranguejo, transmitindo todo o amor e saudade que sinto.

Da sua filha tagarela,
Vanda.