segunda-feira, 16 de junho de 2014

Por onde anda seu primeiro amor?


Gente, Marina e André, que namoraram na adolescência, se reencontraram aos 85 e 87 anos e voltaram a namorar. Adorei a história.

Na semana passada tivemos os festejos para Santo Antônio, considerado um santo casamenteiro. Além das novenas, muita mulher, ao menos nas cidades pequenas, fazem simpatias e adivinhações pra ver se o amor está chegando e quem será. Eu mesma fiz isso quando tinha quase 15 anos e você pode conferir clicando aqui. Mas o tema da minha confabulação não é adivinhações ou simpatias ou novenas para Santo Antônio. Quero conversar com vocês sobre o primeiro amor. Você lembra do seu? Você se manteve junto a ele até agora?

No dia de Santo Antônio encontrei uma amiga no arraiá da Praça Segredos de Itapuã, pertinho da minha casa. Conversa vai, conversa vem, ela me contou que o pai, com 87 anos, está namorando. Verdade? Quem? Voltou a namorar com a primeira namorada, que hoje tem 85 anos. Olha que lindo!! Se eu já achava a minha história super romântica (leia aqui), imagina essa. Como boa canceriana quis saber de todos os detalhes, que compartilho com vocês.

Certo dia o pai da minha amiga estava chegando na casa dela. Quando ele entrou, uma senhora, mãe de uma vizinha da minha amiga, veio perguntar a ela quem era aquele homem. Ela respondeu que era o seu pai. A mulher perguntou se o nome era André (fictício). Ela disse que sim e aí a mulher chorou, emocionada. Disse que ele era o seu primeiro amor, que nunca tinha esquecido. E voltou pra casa da filha.

Ao entrar em casa, minha amiga perguntou ao pai se ele conhecia uma mulher chamada Marina (também fictício). Depois de perguntar o porquê, respondeu que sim. Que tinha tido uma namorada com esse nome. Aí minha amiga lhe contou o que aconteceu e disse que Marina era a mãe da vizinha do lado e que o reconhecera depois de tantos anos.

Os dois, então, foram colocados em contato e, do jeito deles, retomaram o namoro. Marina não mora com a filha e nem no mesmo condomínio. Mas mora num bairro próximo. André também não mora na casa de minha amiga, a sua filha, mas também mora perto.

Esse reencontro romântico, contudo, tem uma pedra no caminho: o Alzheimer que já invade um pouco a memória de André. Os remédios que usa tem dado um ritmo mais lento a essa "queima de arquivos". Como sabemos, o Alzheimer apaga, primeiro, a memória recente e, por último, a memória emocional. Então Marina, apesar de ter sido lembrada por André por fazer parte das suas recordações amorosas, de vez em quando fica sem o namorado, porque ele esquece que marcou o encontro (memória recente).

Com esse reencontro fiquei pensando em Marina. Por que ela se emocionou tanto ao reencontrar o seu primeiro amor e retomou o namoro já, ambos, com idade avançada? Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece. Eu nunca esqueci o meu e tive a sorte de retomar o namoro. No meu caso não vivi 10 anos - o tempo que ficamos separados - pensando nele, mas o amor reacendeu com o reencontro. E no caso de Marina... será que ela sempre o amou, mesmo tendo casado com outro e constituído família? Ou foi como eu?.

Não para por aí minhas perguntas: será que não vivemos plenamente e longamente o amor primeiro por imaturidade ou por destino? E o reencontro, será que estava escrito nas estrelas? Será o primeiro amor o encontro e reencontro de almas?

Sei de histórias de pessoas que casaram com seu primeiro amor e continuam casados e apaixonados, como minha irmã caçula, Kátia Luciana  e seu amor Edilson. Mas na maioria das vezes não é assim. Queria saber como foi com você. Seu primeiro amor ainda é o atual? Se o primeiro amor se perdeu no caminho, você ainda pensa nele? Se o reencontrasse, voltaria a amá-lo? Deixe aqui sua história, junto com a minha e a de Marina.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Fiscalizar parceiro(a) nas redes sociais não é amor

Você fiscaliza as mensagens nas redes sociais, aplicativos e telefones de quem você ama? E as suas mensagens e ligações também são monitoradas por seu amor? Se você respondeu a sim a pelo menos uma das perguntas, tá na hora de fazer uma autoavaliação do seu relacionamento e da sua forma de amar.

Resolvi confabular com vocês sobre esse tema depois  de ver as situações apresentadas no programa Fantástico, da Rede Globo, mostrando os problemas que casais vem enfrentando por causa do uso das redes sociais.  Esse quadro, em minha opinião, só confirma a falta de maturidade das pessoas, principalmente dos jovens.

Situações como essa, que se tornam cada vez mais comum, confirmam a minha impressão de que os adolescentes e jovens vivem uma epidemia de insegurança e de carência afetiva. Vocês sabem que não sou psicóloga. Mas o exercício do jornalismo me fez ainda mais observadora. E esta constatação vem da minha observação quase diária. Engraçado que conversei sobre esse tema nessa semana que passou com três rapazes, entre 22 e 25 anos, que participaram de uma palestra em que estive também presente.

A carência e a insegurança começam no "ficar", que no século 21 veio substituir a "paquera" comuns nos clubes e boates nas décadas de 1970 e 1980. Em comum entre as duas situações tem o fato de você estar com alguém, em algum lugar, alguma festa ou balada, sem compromisso futuro. A diferença está no fato de, na "paquera" da minha juventude, se gostávamos do beijo, do abraço, do sarro, na próxima oportunidade o encontro rapidamente evoluía para o namoro. A geração do meu filho, que fará 30 anos na próxima semana, e gerações posteriores, "fica" por meses infinitos. Não assume que é namoro, mas tem todos os compromissos como se namorados fossem: se falam todos os dias, trocam "zap-zaps" a cada instante, estão juntos em todos os momentos... mas não namoram. Fuga equivocada de compromisso.

Aí, quando assumem o namoro, mesmo que percebam que não tem lá muitas afinidades, resolvem agir como se fossem uma única pessoa. Alguns tem perfil em rede social conjunto "Maria-José", senhas de e-mails e outros compartilhamentos. Também, como não ser assim, se já compartilham como marido e mulher o quarto de um deles na casa dos pais? Acreditam que a intimidade que vivem, em namoros que duram até 15 anos, é suficiente para viver um amor sólido. Muitos, quando passam do namoro-casamento-na-casa-de-nossos-pais para o casamento oficial, não conseguem viver juntos muito tempo. A insegurança, a consequente possessividade e o nefasto ciúme destroem o castelo de areia do casal.

Confiança é essencial em um relacionamento. Compartilhar senhas com o namorado/marido ou namorada/mulher não é garantia de que não haverá traição. Adicionar pessoas desconhecidas ao perfil não significa que haverá traição. Editar regras de uso das redes sociais não é sinônimo de lealdade ou fidelidade. Para fidelidade não há regras; há quereres. Ninguém pode botar a mão no fogo por ninguém, mas pode alimentar uma relação baseada na cumplicidade, na amizade, na confiança, no prazer de estar juntos e, principalmente, no respeitar da individualidade do outro. Não será o "pegar no pé" deixando o/a amado(a) "piados" - amarrados pelos pés como frangos e galinhas nas feiras - que garantirá vida longa ao amor. Só fica ao nosso lado quem realmente nos curte, quem tem prazer com a nossa companhia.

Se você faz parte desse exército de patrulheiros, que tal exercitar a confiança? Acredite, você só tem a ganhar.

Sugiro a leitura desta outra confabulação se você acha que ama e quer casar: "Quatro requisitos para casar"