quinta-feira, 23 de maio de 2013

Internação compulsória - uma polêmica luz no fim do túnel


A Câmara Federal aprovou em plenário, nesta semana, o projeto que muda o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (Sisnad) e que prevê a internação involuntária para dependentes químicos, entre outras modificações. A votação ainda não é conclusiva para que o projeto possa seguir para o Senado, porque falta a apreciação de destaques ( instrumento regimental pelo qual os deputados podem retirar (destacar) parte da proposição a ser votada, ou uma emenda apresentada ao texto, para ir a voto depois da aprovação do texto principal). 

A proposta é polêmica dentro e fora do legislativo. Incomoda àqueles que são contra a internação. Alguns, inclusive, associam o processo à retomada dos manicômios. Outros, milhões, tenho certeza, tem a notícia como uma luz no final de um túnel ou no fundo de um poço; como uma chama de esperança de resgaste de familiares queridos que se prenderam, e se perderam, na viscosa armadilha das drogas, em especial do crack.

Quem tem algum dependente químico na família - seja usuário de drogas químicas ou de álcool - já ouviu de terapeutas e especialistas que vencer a adicção depende muiiiito mais da vontade do dependente que do tratamento. Daí que muitas clínicas, principalmente as particulares (que são maioria e caras), só aceitam tratar de pacientes que demonstrem o desejo de abandonar as drogas. Internar sem a vontade da pessoa é jogar dinheiro fora, dizem. 

Não discordo do todo desses argumentos. Conheço pessoas cujos familiares já foram internados inúmeras vezes e após três ou seis meses enfrentam recaídas seríssimas, destruindo carreira profissional, estudo e, pior, depenando a própria casa e tirando a paz da família. 

Há clínicas que fazem internação involuntária. Muitas delas comunidades terapêuticas sob coordenação de igrejas, de pessoas que acreditam firmemente que a fé pode remover montanhas. Mas a grande parte das famílias brasileiras enfrentam é a falta de clínicas públicas que ofereçam tratamento contra a dependência química.

Pesquisa da Universidade federal de São Paulo, divulgada em 2012, aponta que o Brasil  representa 20% do consumo mundial e é o maior mercado de crack do mundo (veja mais) Apesar disso, programas governamentais oferecem apenas atendimento ambulatorial, esquecendo que quem está tomado por uma droga dificilmente terá o discernimento do que é melhor para si. Você consegue imaginar um usuário de crack indo, sozinho e voluntariamente, a um CAPS? Raro, porque exceções existem.

Sou a favor da internação involuntária, sim! mas volto a defender que medidas preventivas devem ser adotadas com urgência, com inclusão da adicção por drogas químicas nos programas de prevenção do governo, como já sugeri antes (veja aqui).

Volto a defender que a maior prevenção começa no seio da família. Tenha olhos de ver seus filhos, ouvidos  e ouvi-los, braços dispostos a acolhê-los em um abraço e mente alerta como deve ser um gestor? Gestor? Sim, pais são gestores de família e devem saber que regras são necessárias para que a harmonia se estabeleça; saber a hora do sim e do não.

Se a família falha na lapidação e educação dos filhos; se as escolham falhas na orientação pela ausência de campanhas educativas; se o governo falha na oferta de programas desportivos e atividades culturais gratuitas e em campanhas e ações preventivas... então a solução para a família do dependente químico é a internação, seja ela voluntária, involuntária ou compulsória, como tem ocorrido no Rio de Janeiro e São Paulo.

domingo, 12 de maio de 2013

Amor de mãe independe do ventre

Depois de algum tempo sem confabular com vocês volto a escrever. No Dia das Mães não poderia deixar de abrir meu coração mais uma vez. Quero falar sobre o amor de mãe - não apenas daquela que carrega um bebê por meses no útero, mas daquelas que os carregam no útero da vida por todo o sempre desde o seu encontro com aquele ou aquele a quem tem como filho.

O desconhecimento de muitas pessoas sobre a intensidade possível do amor de uma mulher por um filho que não saiu do seu ventre ainda é muito grande. Não sei se por preconceito, por arrogância ou por medo. Sim. Preconceito, porque ainda tem muita gente que acha que quem pariu é que deve balançar o berço ou que sabe balançar o berço. Mas não falo do berço - cama. Falo da vida, do cuidar, do amar. Arrogância, provavelmente por achar que pode ser melhor que outras mulheres porque teve a capacidade de gerar em seu ventre. E medo, porque no fundo sabe que para amar não é necessário que o filho tenha o mesmo sangue, que se pareça fisicamente com você...

Foto no seu aniverário de 26 anos (em junho fará 29)

Meu filho Acácio - Cacá -  me foi trazido na mala por meu querido Roberto. Quando o conheci ele tinha 4 anos e meio e vivia a dor da separação dos pais há pouco mais de seis meses. Ainda como amiga de Roberto, procurei lhe dar carinho. Depois, como namorada, companheira e mulher do seu pai, amor da adolescência reencontrado na vida adulta, procurei lhe dar carinho, amor, educação, sins e nãos mesmo sem ele ter sido gerado dentro de mim.  Algumas amigas me sugeriam evitar ser mãe e ser apenas amiga. "Não se desgaste", recomendavam, quando me preocupava com seu rendimento na escola.  Mas não sei amar pela metade. Não podia ter uma criança ao meu lado e não buscar contribuir para o seu crescimento espiritual, moral e intelectual.

Tivemos conflitos como qualquer mãe e filho. Creio termos carinho, amor e respeito do mesmo jeito que mãe e filho biológico. Até a sua mãe biológica, Isa (que retornou ao plano espiritual há pouco mais de quatro anos), percebeu que o meu amor e o meu cuidado não o roubaria dela e me permitiu ser a segunda mãe quando ele entrava na adolescência. Nossos cuidados se complementavam.

É certo que sofri e chorei muito por não terem vindo irmãos para Acácio. Mudanças na natureza impossibilitaram esse sonho. A maternidade via adoção não foi concretizada porque é preciso dois "quereres" - de uma mãe e de um pai. E Roberto, por desconhecimento, preconceito e medo, nunca quis. Não desisti do sonho de uma família com três filhos. Por acreditar em reencarnação, ambos, assumimos um compromisso para um futuro vindouro.


Além de Cacá dedico meu amor de mãe a dois dos meus sobrinhos. Amo a todos os 26 filhos das minhas irmãs e irmãos, mas as circunstâncias me fizeram dedicar atenção especial, em muitos momentos, a Val e Junior. Sei, e eles sabem, que são filhos biológicos de minha irmã Mirian e meus filhos do coração e da minha irmã Aparecida. Amamos, cuidamos, perdemos noite, repreendemos, estimulamos ... amamos um amor de mãe.

Hoje, Dia das Mães, grito ao mundo o meu orgulho de ser mãe emprestada ou mãe nº 2 ou madastra, ou tia-mãe. Parabenizo a todas as mães que tem filhos do coração, seja a forma que foi o acolhimento.  Parabéns também às mães biológicas e aos pais que criam sozinhos seus filhos, assumindo funções de mãe.

Sei que todos os dias são das mães, dos pais e dos filhos. Mas lembro a todas as mães que amar é também saber dizer não. Que Deus lhes (me) dê sabedoria para saber o momento das permissões e das negações. Quando nossos filhos crescem sabendo a importância do sim e do não, tem mais chance de serem pessoas melhores e de contribuírem para um mundo de paz.