segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Conversa sobre corrupção com uma vítima silenciosa



Em fila de banco tudo pode acontecer. Mesmo que seja uma fila não fila – aquelas que são marcadas apenas por senhas. Em tempo de política e denúncias de corrupção, então, qualquer coisa é mote para uma conversa.

Na tarde de hoje, enquanto aguardava a minha vez em uma agência do Santander, que só aconteceria depois de outros 50, comecei a conversar com um homem e uma mulher por causa da esperteza de outro homem. Esperteza traduzida em desrespeito a todos aqueles que aguardavam atendimento prioritário e que não foi barrada pelo bancário que atendia no caixa especial.
O bancário chamou um número. Quem o tinha não apareceu. Chamou outro. Foi ao caixa um deficiente físico. Logo em seguida chegou outro homem, com uma senha na mão. Não tinha mais de 60 anos. Nem mesmo 50 aparentava. Não tinha eficiência aparente. Cego não era, porque foi sozinho, e rápido, para o caixa. Também não estava com criança de colo. Grávido? Não!!  Comentei: será que ele está acompanhando o outro rapaz? Porque ele não tem nenhum dos requisitos pra atendimento prioritário. Não estava. Acabou o caixa atendendo os dois. Um deles sem o direito de estar naquele caixa.

A mulher que estava ao meu lado disse que por isso que nosso Brasil estava assim; todo mundo queria ganhar de qualquer jeito, nem que fosse desrespeitando o próximo. O homem do outro lado concordou. E eu respondi: falam tanto da corrupção dos políticos e agem dessa forma, burlando regras; mas não se acham desonestos. Falamos das construções em terrenos invadidos, como na Avenida Jorge Amado, Imbuí. Atualmente lá tem de tudo: supermercados, academia, restaurantes, lojas de carros usados... Se o terreno é invadido, como conseguiu liberação da Sucom para a instalação do negócio? Alguém recebeu pra dar o alvará? Papo vai papo vem, a mulher contou pra gente os dois problemas que vive. Ela começou a desabafar. Por duas vezes é vítima da desonestidade, da negligência... Enfim, da corrupção generalizada.
Primeiro caso: a mulher luta há 18 anos pra construir em um terreno de sua propriedade no Vale do Ogunjá, na subida para o Engenho Velho de Brotas. Não tem conseguido autorização por causa da falta de cidadania de outras pessoas, que jogam lixo e entulhos em seu terreno. E por causa dos trabalhadores da Limpurb, que usam uma retroescavadeira para retirar o lixo e acabam levando, a cada vez, um pedacinho do morro, tornando-o uma encosta perigosa. “Ouvi dizer que eles ganham por peso da caçamba. Então, quanto mais terra do morro junto com o lixo, mais pesado fica”, disse a coitada.  Já não tem esperanças de nada. Pensa em denunciar ao Fantástico. Do lado do seu terreno, com a mesma encosta, alguém já construiu.

Segundo caso: ela comprou um carro, foi ao Detran, verificou débitos e depois de receber o OK do próprio Detran pagou a transferência, pagou seguro. Foi surpreendida quando foi fazer a vistoria. Apesar de ter feito a pesquisa no próprio Detran, só depois de tudo lhe disseram que o carro que ela tinha comprado era um clone. Oxii!! E daí? Entrou na Justiça? Entrou. E há pelo menos dois anos seu processo não anda. Estaria na mão do juiz, sem receber decisão. Foi na Corregedoria? Ouvidoria? Foi. Na Corregedoria teria sido orientada a ter cuidado, porque nunca se sabe o que essa gente é capaz. Quem é essa gente? Não sabe. Sugeri que ela procurar na Rádio Metrópole o programa Metrópole Serviço, do dia da Ouvidoria do Tribunal de Justiça, e falasse sobre o seu processo. Ela disse que ia fazer isso, mas estava já pra desistir. Da construção e do carro. Tem medo. Acha que sua vida vale mais que os quase 40 mil do carro e o que ganharia do negócio que quer abrir em seu terreno no Ogunjá.
Os 15 minutos na fila do banco não foram cumpridos. Levei 1 hora e 30 minutos pra ser atendida, enquanto o esperto tirou senha prioritária sem ser do grupo prioritário e foi atendido sem problema com o bancário do caixa. E sem nenhum dos outros clientes chiar. Com certeza também não teve problema de consciência.

Na imprensa e nas redes sociais o tema é a corrupção. Mas, como podemos falar dos políticos se em cada canto vemos corrupção em todos os níveis? Corrupção não se faz apenas com o dinheiro público. Será que estamos virando uma terra sem lei? Será que o mundo mesmo é dos mais espertos? Espero que não. Embora a minha luz de esperança esteja um pouquinho fraca, não a deixarei apagar.

E você? Acha que o mundo é cada um por si? Passa por cima das outras pessoas ou exerce a cidadania, respeitando o direito alheio pra poder exigir seu próprio direito? Em que nível está sua esperança?  Confabule comigo.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Sentimento de culpa dos pais atrapalha educação dos filhos

Ser pai e mãe é difícil. Sempre foi e sempre será. Nem mesmo sei se há pessoas preparadas para educar e criar os filhos. É difícil quando os filhos chegam para pais muito jovens. Difícil também para homens e mulheres que decidem ter seus filhos mais maduros.

Não sou psicóloga, embora goste de ler sobre o tema. Mas digo sem medo que preparar uma criança para a vida não é fácil. Se pintar sentimento de culpa, então, a coisa degringola. E como pinta sentimentos de culpa!

É por sentimento de culpa que muitas mães que trabalham fora de casa não corrigem os erros dos seus filhos nem impõem limites. " Fico fora o dia todo... na hora que estou com ele não quero ser chata e brigar com meus filhos". Acho que você já ouviu isso. Ou será que você fala isso com frequência? Nem lembram que o que importa é a qualidade do tempo e não a quantidade do tempo que passamos no tempo que dedicamos aos nossos filhos.

Tem pais que tem sentimento de culpa por não ter dinheiro para dar aos filhos as coisas que eles desejam. Se passou um bom tempo desempregados, então, a culpa cresce horrores. "Porque os filhos dos outros podem ter e o meu não?", costumam dizer. É como se a função dos pais fosse, exclusivamente, oferecer aos filhos os bens materiais cobiçados, anunciados na TV ou vistos no corpo ou na casa de amigos e/ou familiares.

Tem ainda os pais separados, que tentam amenizar a culpa abrindo totalmente a guarda. E aí são vítimas de chantagens dos filhos.Eles não querem que os filhos sofram ainda mais. Em quase todas as situações os pais querem dar aos filhos o que nunca tiveram, mesmo que os filhos não façam por merecer. É a substituição do SER pelo TER.

Um ponto é comum nas religiões: os pais são guardiões dos filhos. Cabe a eles cuidar para que tenham o alimento, o agasalho e o teto para morar. Essas são funções básicas, que estão acompanhadas da responsabilidade com a educação. Mas não é apenas a educação relacionada com o crescimento intelectual. A educação que possibilite o crescimento moral e espiritual é imprescindível. E aí entra outra regra para os pais - biológicos ou não: saber dizer não, ser observador para identificar as tendências de comportamento e corrigi-las se necessário.

Não deve haver espaço para a culpa, seja ela por qualquer um dos motivos elencados acima. É na família que temos que exercitar o companheirismo, a solidariedade, a humildade, a amizade. Quando deixamos de estimular isso por algum motivo, nossos filhos podem se perder pelo caminho, sofrendo e nos fazendo sofrer. Claro que seguir as regras não significa que nossos filhos estarão livres da contaminação pela parte podre da sociedade. Mas, aí, teremos a certeza de que a nossa parte foi feita. Se erros foram cometidos por nossos filhos, foram pelo livre arbítrio dele. E  eles aprenderão, pelo amor ou pela dor, que pra cada ação há uma reação. Melhor, pra todos, que seja pelo amor. Então, deixe a culpa de lado e aprenda a dizer NÃO!

Se você tem filho, sabe dizer não? E como filho, sabe receber o não? Sabem o valor dessa palavra pequenininha na educação? Confabule comigo.