terça-feira, 6 de março de 2012

Personalidade-legenda: todos nós temos uma e não sabemos

Durante a leitura do livro "A vida continua...", ditada pelo espírito André Luiz ao saudoso Chico Xavier, deparei-me com um trecho que chamou a minha atenção mais especialmente (capítulo 23, pág.186):
" (...) nossos irmãos atrelados ao desespero e à revolta encontram razões para censurar-nos, sempre que preferimos desempenhar na Terra a função  de personalidades-legendas".

Minha curiosidade foi aguçada. Afinal, o que era (ou o que é) uma personalidade-legenda? Logo mais à frente veio a explicação.

 " Muitas vezes somos no mundo titulares desses ou daqueles encargos sem que venhamos a executá-los de modo efetivo. Costumamos ser maridos-legendas, pais-legendas, filhos-legendas, administradores-legendas. Usamos  rótulos sem atender às obrigações que eles nos indicam."

Na hora lembrei de uma das primeiras palestras que ouvi de Newton Simões no Instituto Espírita Boa Nova, onde ele falou que costumávamos usar máscaras: tínhamos uma máscara para a família, para os amigos, para o trabalho... e, muitas vezes, para nós mesmos. Mas achei a personalidade-legenda um tema ainda mais profundo que a máscara. Não tinha como não refletir e depois confabular aqui com vocês.

Será que estou adotando muitas personalidades-legendas? Será que tenho executado de modo efetivo os encargos que assumi nesta encarnação?

O primeiro foi o de filha, seguido do de irmã de muitos irmãos (16), no núcleo mais importante da sociedade, que é a família. Será que exerço em plenitude essas funções ou terei negligenciado esse papel em muitos momentos, priorizando outras coisas?

Precisamos nos manter firmes nos caminhos que escolhemos
Depois veio o papel de aluna e amiga. Soubera aprender e apreender tudo o que me fora passado pelos professores (que tive sorte de tê-los dedicados), aproveitar as oportunidades que me foram dadas pela vida e por meus pais?

Mais adulta, tenho o encargo de ser jornalista profissional, atualmente no desempenho de assessoria de imprensa. Será que cumpro com minhas obrigações? Será que me empenho para alcançar resultados com eficiência e eficácia?

E  papéis tão importantes como o de filha e irmã desempenho no meu novo núcleo familiar: esposa e mãe (emprestada). Será que tenho sido mulher companheira, amiga? Será que, mesmo sem ter parido, dedico amor ao meu filho como se biológico fosse?

Confesso que fiquei encucada. Não quero ser filha-legenda, irmã-legenda, amiga-legenda, profissonal-legenda, esposa-legenda ou mãe-legenda. Se tenho sido, peço desculpas e me disponho a ficar mais atenta aos papéis que aceitei assumir. Afinal, por mais difícil que seja, precisamos nos manter firmes nos caminhos que escolhemos.

E você? Será que tem adotado alguma ou muitas personalidades-legendas? Confabule comigo.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Eu namoro meu marido

Para namorar, basta gostar de sentir o outro junto de si
Certa vez, em um final de semana, uma jovem contava suas peripécias com o marido, também jovem. Dizia, às gargalhadas, que tinha ido dançar com ele e ficaram fingindo que eram namorados. Meu marido, Roberto, me chamou para ouvir a história: " Vanda, venha ouvir essa!". Fui até o grupo e a jovem repetiu a história.

_ Fingindo que eram namorados? Como assim?, perguntei.

_ Claro! Porque não não somos mais namorados. Agora somos marido e mulher. Aí a gente se abraçava e ria, fingindo que a gente era namorados.

Fiquei besta com essa conversa. Roberto olhava sorrindo pra mim, esperando minha reação.

_ Menina, vocês tem tão pouco tempo de casados (pouco mais de um ano) e já pensam assim? Pois eu e Roberto estamos juntos há 22 e continuamos namorados. No Dia dos Namorados fazemos todo o ritual como se não morássemos juntos. Chegamos do trabalho, tomamos banho separados, nos arrumamos e começamos nosso jantar, que faço em casa mesmo. Só depois, com música romântica e à luz de velas, é que trocamos presentes.

_ Ah! Não venha com essa! Depois que casa muda...

_ Muda se você quiser. Pergunte a Roberto se ele não gosta disso...

Roberto ria maroto, enquanto outro garoto olhava pra ele e dizia: "Gosta! Gosta! Olha a cara dele!"

Na verdade, o que é ser namorados? E por que não se continua a namorar depois que casa oficialmente?

Para mim, namorar não é apenas beijar, transar e viver como se só existisse isso. Para mim, namorar é fazer coisas que gosta, com alguém que você gosta e que gosta de estar com você. Pra namorar, além de ter tesão, tem que ter amizade, cumplicidade... mas sem aquela história de que somos uma só pessoa. Não! Namorado e amigo que ama respeita a individualidade e a diferença do outro.

É claro que, quando se está casado, com todas as responsabilidades assumidas pelo casal e não por terceiros (comum hoje em dia, onde os jovens brincam de casamento na casa dos pais, com tudo pago por eles), o sonho do amor 24 horas dissipa um pouco. Mas, quando há transparência e cumplicidade na relação, quando ambos entendem que casamento é compartilhar bons momentos e outros nem tão bons - como renunciar a compras supérfluas, ou às vezes até importantes, porque senão falta dinheiro para pagar alguma conta - a nuvem que atrapalha o amor é muito leve e nada muda.

Tirar a liberdade do outro, com ciúme e possessividade como se dono (ou dona) fosse, isso sim pode acabar com o romantismo, com a paixão, com o tesão e o amor em um casamento. Achar que não precisa fazer mais nada para conquistar a outra pessoa, porque já casou com ela... isso também muda o clima no casamento.

Mas, se você usa e abusa da criatividade na conquista, se você se cuida para estar bonita (bonito) para si e para o parceiro(a), se você se permite alimentar o amor, a paixão e o tesão com pequenas doses diárias... então você terá um (a) namorado(a) enamorado(a) por um longo tempo... para mim, por toda uma vida (ou todas as vidas, já que acredito em reencarnação).

E você, acha que o casamento é o fim do romance? O que você faz para manter acesa a chama do amor e tesão ?