sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pacto pela vida requer integração

Matéria publicada hoje no Diário Oficial da Bahia confirma o que defendi na confabulação Como o governo da Bahia acolherá os usuários de drogas? 

O professor de sociologia e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade, Violência e Políticas Públicas da Universidade Federal de Pernambuco, José Luiz Ratton, foi um dos responsáveis pela implantação do programa PACTO PELA VIDA em Pernambuco. O mesmo que o governo baiano vai implantar. Em apresentação do projeto a representantes do governo, Ratton teria dito, segundo a reportagem do DOE, que a integração entre as secretarias estaduais é fundamental para o êxito da iniciativa.

Preocupa-me, porém, o fato de a mesma reportagem ter apontado apenas a presença dos secretários de Segurança Pública, Maurício Barbosa; de Comunicação, Robinson Almeida; e da Administração, Manoel Vitório.

Por quê os demais, principalmente de Educação, Saúde e Combate à Pobreza não estavam lá?

Mapa da Violência 2011 é de 1998 até 2008


Quanto a realidade pode mudar em um, dois ou três anos? Índices podem mudar, pra cima ou pra baixo? Como dados de três anos atrás pode configurar o quadro atual de uma situação, seja social, econômica ou política; ou as três?

Faço essas perguntas por causa do grande destaque que tem sido dado ao "Mapa da violência 2011", divulgado ontem (24/02) pelo Ministério da Justiça. A contradição, em minha opinião, já começa com o título do documento, que faz referência à década de 1998 a 2008. Os dados não estão defasados para serem apresentados como uma radiografia atual?

Vamos a um exemplo prático: com o Programa Pacto pela Vida, o governo de Pernambuco conseguiu, em quatro anos, reduzir os homicídios e crimes violentos em 40% em Recife e 28% em todo o Estado. Em relação a Pernambuco o mapa já não mostra a realidade. Bom lembrar que o governo da Bahia vai copiar esse bem sucedido programa, que integra ações integradas de policiamento, prevenção social, repressão qualificada e diálogo permanente com a sociedade civil.

Os dados também não batem quando comparadas as estatísticas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia em matéria publicada pelo Notícias Uol. Compare os dados da Bahia pelas duas tabelas abaixo e vai entender o que digo.


                                                Fonte: SSP/BA

 Afinal, quanto cresceu realmente o número de homicídios na Bahia?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Barracas de praia de Ipitanga tem péssimo atendimento

O que você acha que é certo quando está em praia que tem barraca: ter sua mesa visitada com frequência por um garçon ou gritar e gesticular por um quando chegar ou quiser pedir alguma coisa? Se você é do time que entende que a primeira opção é a mais correta, aliás, a única correta, não vá na barraca Hawaí, em Ipitanga, Lauro de Freitas.

No último domingo fui à praia com o meu marido e ficamos indignados e estupefatos. Ao chegarmos nessa barraca, vimos que as mesas na areia da praia estavam divididas em duas alas, atendidas cada uma por um garçon. Na ala que ficamos, o garçon passava por perto, levava cerveja ou petiscos em outras mesas, mas nem mesmo olhava para onde estávamos. Não dava nem para fazer o típico sinal com o braço levantado.

Depois de 25 minutos, ao ver o garçon passar de novo, desta vez mais perto, meu marido gritou por ele e pediu o cardápio. O garçon entregou o cardápio e nos abandonou de novo. Por 40 minutos. Nesse intervalo, uma vendedora de acarajé chegou à nossa mesa oferecendo seu produto. Compramos abará. Também compramos coco, pra não morrermos de sede. E nada do garçon. 

No final, já cansados e irritados, resolvemos gritar pelo garçon, que veio com cara de poucos amigos. Reclamei, claro, da falta de atenção. E olha o que ele disse:
- que nos deu o cardápio mas não podia ficar esperando o que queríamos (também não voltou depois)
- que viu a gente comprar acarajé e por isso não voltou na mesa (não saímos para comprar; a vendedora é que veio oferecer)
- que a gente tinha que chamá-lo, porque ele não pode ficar incomodando os clientes ( como ele não passava por perto e nem olhava para o nosso lado, chamá-lo só aos gritos).

A princípio pensamos em reclamar com o responsável pela barraca Hawaí - gerente ou dono, sei lá. Mas depois desistimos e fomos para outra barraca, onde fomos bem atendidos e bebemos nossa cerveja gelada.

Será que alguém treinou esse garçon? Será que não percebem que esse é o tempo de vender mais, principalmente porque as barracas de Lauro de Freitas também estão ameaçadas de serem retiradas, como aconteceu com as de Salvador. Como será que se sentem os turistas que chegam nas nossas praias e encontram um atendimento pra lá de ruim como esse?

E você? O que acha do atendimento nas barracas de praia de Lauro de Freitas e Salvador?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Como governo da Bahia acolherá os usuários de droga?


Drogas: Jaques Wagner propõe criação de Pacto Pela Vida e acolhimento de usuários

Hoje, durante a abertura oficial dos trabalhos da Assembleia Legislativa da Bahia, o governador Jaques Wagner falou sobre as realizações do seu governo nos últimos quatro anos e das medidas que adotará desde já no primeiro ano do seu segundo mandato. Na Tribuna da Imprensa, de onde eu acompanhava o discurso junto a dezenas de outros jornalistas - repórteres e assessores de imprensa - queria saber apenas uma coisa: o que seria feito para prevenir e cuidar das milhares de crianças, adolescentes e jovens que se envolveram nas teias traiçoeiras das drogas, que afundaram, principalmente, na fumaça de um miserável cachimbo que queima o crack.

Wagner anunciou oficialmente vai propor a criação, dentro da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, da Superintendência de acolhimento ao usuário de drogas. Que pretende, com isso, garantir maior eficiência do Pacto pela Vida - uma política de segurança pública com a proposta de mobilizar a sociedade civil e "todos aqueles que queiram contribuir para uma cultura de paz".  O governador acredita que as iniciativas do Pacto pela Vida vão ajudar a construir um verdadeiro sistema de defesa social.

O projeto ainda não foi encaminhado à Assembleia Legislativa para análise e aprovação dos deputados. Não sei, portanto, se ela trabalhará com a parceria com as outras secretarias, a exemplo das de Saúde e Educação. Quem sofre na pele, no coração e até no bolso por ter alguém da família que sucumbiu ao crack, sabe o quanto ele é diferente das outras drogas. O adicto não tem a capacidade de emergir, respirar fundo e reagir apenas com palestras ou acompanhamento psicológico ou psiquiátrico ambulatorial. É preciso muito mais que isso.

Essa ação não pode se limitar a uma superintendência que acolha apenas. Aliás, como se pretende esse acolhimento? A Fundac também acolhe menores em conflito com a lei, mas sem interdisciplinaridade - ou outro termo que signifique isso - não tem funcionado muito, apesar da extrema sensibilidade, dedicação e competência do seu diretor geral, Valmir Mota. Este, infelizmente, pediu exoneração do cargo ontem (14/02), segundo o site Jornal Grande Bahia.

Volto a sugerir que o Governo da Bahia estude a adoção das seguintes medidas, elencadas a partir de análise dos programas em vigor na Secretaria de Saude:
  • inclusão da dependência do crack como uma doença a ser tratada preventivamente;
  • criação e implementação do Centro de Referência de Prevenção e Tratamento de Dependência Química;
  • inserção no Programa de Saúde do Adolescente – Prosad de planejamento e elaboração, com diferentes setores, de um plano estratégico de ações específicas para os adolescentes voltados para a prevenção e tratamento de dependência química;
  • enfrentamento da dependência química com a sua inserção dentro do Programa de Saúde Mental;
  • implementação do programa de Prevenção do Abuso de Substâncias Psicoativas – Prevdrogas, com a previsão de leitos em unidades psiquiátricas para tratamento dos casos agudos de dependência do crack.

Tomara que a Bahia esteja acordando, Wagner. Todos ficaremos bem se isso acontecer. Afinal, ninguém está livre de ter um adicto ao seu lado.
 
E você? Qual sua opinião sobre isso?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A demissão de Aguirre Peixoto e a liberdade de imprensa

Será mesmo que cada jornalista acredita que há liberdade de imprensa, seja no Brasil ou em qualquer outro país? Falo de jornais, TVs, revistas, rádios (não comunitárias). Não falo da imprensa feita por blogueiros em todos os cantos do mundo, muitos escondidos pelo anonimato.

Desde os tempos da faculdade, quando fui dirigente do diretório acadêmico de Jornalismo na Unicap, em Recife, tinha minhas dúvidas. Mas o romantismo que marca a maioria de nós que abraça essa carreira me deixava uma esperança de essa liberdade se concretizar um dia.

Aguirre: demissão coloca liberdade de imprensa na berlnda
A demissão nesta semana do jornalista Aguirre Peixoto, repórter do jornal A Tarde, em Salvador, é uma mostra que o que existe, sim, é a vontade do patrão. Até este, aliás, tem uma liberdade de fio curto, que pode ser puxado  a qualquer momento pelos patrocinadores. Falei sobre isso, inclusive, aqui o Forquilha, em 2007 (liberdade de imprensa existe).  


Entre 2005 e 2007 esses mesmos patrões, muitos colunistas e colaboradores, e até alguns colegas jornalistas, se posicionaram contra a criação do Conselho de Jornalismo (de Jornalistas), argumentando que o então presidente Lula queria cercear a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão. Qual o quê? Se existia mesmo a liberdade de imprensa, porque a grande mídia nunca deu espaço para que a Fenaj ou qualquer um a favor,  se pronunciasse sobre a proposta? Afinal, buscávamos ( e tenho esperança de que ele ainda se concretize) um conselho funcional, não um conselho estatal de comunicação, como os conselhos existentes de Meio Ambiente, Educação, etc. Queremos um conselho como os tem os médicos, os engenheiros, os relações públicas e até os corretores de imóveis. Somos trabalhadores, sim!

Eugênio Bucci,  jornalista, advogado e doutor em Ciências da Comunicação pela USP, disse em artigo no Observatório da Imprensa, também em 2007, que "para o jornalista, exercer a liberdade é um dever porque, para o cidadão, ela é um direito. Para que este possa contar com o respeito cotidiano ao seu direito à informação, o jornalista não pode abrir mão do dever da liberdade".   E aí eu pergunto: para que o cidadão tenha acesso ao fruto da liberdade exercida pelo jornalista, não é imprenscidível que o canal onde será veiculado também exerça a liberdade? E como fazer se os "donos" da comunicação dependem do dinheiro dos seus anunciantes e, por tal, tolhem o direito da liberdade do cidadão e o dever da liberdade do jornalista?

Sempre defendi o direito a essa liberdade. Quando nas redações ou emissoras de rádio onde trabalhei, sempre entreguei minhas matérias como achava que tinham que ser feitas a partir do que havia apurado, sempre ouvindo os dois lados.  Sempre critiquei colegas que faziam autocensura com a justificativa de que o jornal não publicaria. Essa atribuição não era minha. Era dos editores. É.

O caso da demissão do jornalista Aguirre não é apenas uma injustiça com um profissional que exerceu o seu dever de liberdade de imprensa. É mais um fato para que a categoria reflita sobre o rumo que segue a nossa carreira.

Você pode conferir o histórico do caso da demissão de Aguirre Peixoto na cobertura do site Teia de Notícias, que tem à frente as colegas Neire Matos e Angélica Parras e o colega Gusmão Neto: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.