domingo, 30 de outubro de 2011

Eficácia da metodologia dos Alcoolicos e Narcóticos Anônimos na berlinda

Certa vez, ao conversar com um adicto que passou 50 dias internado para tentar se livrar da dependência das drogas, ele me dissera que desistiu de ir para as reuniões do NA. Segundo ele, os encontros com o grupo os deixava sempre pra baixo, quando o que ele buscava era algo que lhe desse forças para continuar "limpo". O motivo: no grupo que frequentava havia poucos ou quase nenhum relato de alguém que conseguisse ficar muito tempo sem recair. Era comum, segundo ele, recaídas semanais. E ele preferiu caminhar só. Uma boa solução? Não, segundo John E. Burns, doutor em Administração de Programas de Tratamento de Dependência Química. Em sua opinião, o melhor para o pós tratamento é o grupo. É nele que está o poder.

John Burns, com quem conversei também sobre o tratamento de adolescentes, disse que apenas 30% dos dependentes que se submetem  a tratamento de 30 a 90 dias, alcançam uma recuperação. Mas que essa propabilidade  cresce para 60 a 80% quando o dependente químico participa de atividades em grupos posteriormente à internação por cerca de 2 anos. Isso se dá porque o grupo está sempre em fluxo: pessoalmente, emocionalmente e fisicamente.

Mas esse especialista admite que o modelo atual dos AAs e NAs está com data de validade vencida, vamos dizer assim. Burns disse que é grato ao AA, que muito o ajudou quando precisou, mas lamenta que eles tenham virado um culto rígido aos 12 passos. Por isso defende a necessidade de esses grupos modificarem suas metodologias, usando novas dinâmicas. Talvez aí esteja o sucesso, nos Estados Unidos, do Smart Recovery. Em sua opinião, é preciso entender que o tratamento da dependência química é uma arte e não uma ciência.

John E. Burns durante sua palestra no VI Simpósio de Alcoologia e outras drogas.
Em sua palestra Uma abordagem cognitivo comportamental: Smart Recovery, no VI Simpósio de Alcoologia e outras Drogas, promovido pelo Vila Serena Bahia, John Burns destacou que nos Estados Unidos centros de tratamento de curto prazo estão sendo substituídos por instituições de longo prazo que são financeiramente viáveis. Entre os modelos citou pensões, condomínios, escolas, empresas, igrejas, clubes recreativos e esportivos, cafés, clubes de livros e programas de rádio e televisão. Ele lembra que o tratamento em grupos tem a vantagem de não ter custo, ao contrário das internações curtas.

Em relação ao Brasil, Burns parabenizou o governo pela recente Resolução – RDC 29, de 30 de junho de 2011, editada pela Anvisa, que prevê no parágrafo único do Art. 1º , que “o principal instrumento terapêutico a ser utilizado para o tratamento das pessoas com transtornos decorrentes de uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas deverá ser a convivência entre os pares (...)”. Para ele, é o reconhecimento que o poder está no grupo e que este é o seu próprio terapeuta.

Mas isso não significa que assistentes sociais, psicólogos e terapeutas sejam dispensáveis. Tanto que Burns também elogiou a iniciativas de algumas empresas no Brasil que estão investindo em tratamento de dependência em grupos, com a supervisão desses profissionais, oferecendo chance de recuperação aos funcionários, em vez de demiti-los e criar um problema social.

Qual sua opinião sobre a metodologia dos NAs e AAs? Conte pra gente.

Reinserção social é fundamental na recuperação de adictos adolescentes


Ter acompanhado na manhã de sexta-feira, 28/10, o VI Simpósio sobre Alcoologia e Outras Drogas, promovido pela Vila Serena Bahia em Salvador, me deu a oportunidade de encontrar eco para outras avaliações que eu já tinha feito através das confabulações no Forquilha, como o combate ao crack  e olhos fechados para as drogas. Uma delas é a de que nenhum país vai conseguir tirar seus adolescentes da dependência química se não trabalhar com a reinserção social.

Conversando com o doutor John E. Burns, fundador da Vila Serena no Brasil
Tive essa confirmação com John E. Burns (EUA), doutor em Administração de Programas de Tratamento de Dependência Química, psicólogo, teólogo e mestre em sociologia que há 30 anos fundou a Vila Serena no Brasil a partir de experiências adquiridas enquanto se tratava, nos Estados Unidos, da dependência do álcool. Depois de assistir pedaços de sua palestra sobre o Smart Recovery, considerado uma ferramenta de auto monitoramento para o dependente, pude conversar com ele, que me garantiu: o caminho para se livrar do vício é a mudança de atitude, de modo de viver.

No caso do adulto (isso considerado por ele como uma pessoa acima dos 18 anos de idade), o caminho é a terapia em grupo. No caso do adolescente, é a oportunidade de tratamento e a garantia da reinserção social. Isso quando falamos de meninos e meninas pobres, porque para os de classe média e alta, a situação é diferente. John Burns diz, no alto da sua experiência, que os adolescentes das classes média e alta tem resistência em mudar; enquanto os pobres não tem como mudar.

Então não bastaria os governantes apenas encararem a dependência química como caso de saúde pública, como defende Ricardo Restrepo. É preciso investir em educação, desporto, moradia, capacitação profissional e oportunidade de trabalho. Caso contrário, lembra Burns, ao sair de um tratamento o jovem voltaria para o mesmo lugar e estaria fadado a se envolver, mais uma vez, com as drogas. Então, não adianta  investir em CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou ampliação de leitos psiquiátricos para o tratamento da dependência, porque a recuperação para a dependência de qualquer droga depende da mudança de vida; a substância é circunstancial.

Você que está confabulando comigo tem algum tipo de dependência? Está disposto a mudar de vida? Então siga em frente. Se quiser, você consegue.

Na próxima confabulação trataremos da questão dos grupos de pós tratamento da dependência. John Burns considera que os tradicionais grupos de pós tratamento de dependências precisam se atualizar para conseguir contribuir com uma recuperação mais prolongada do adicto, seja ele dependente de drogas lícitas ou ilícitas.

Até lá.



Droga é caso de saúde pública e não apenas de polícia

Na última sexta-feira, 28/10, acompanhei os trabalhos do VI Simpósio de Alcoologia e Outras Drogas, promovido anualmente pela Vila Serena Bahia, uma instituição privada que trata de dependências: químicas ou não. É um tema muito interessante até porque diz respeito a cada um de nós, mesmo para aqueles que não sofrem por ter um adicto na família. Um dos palestrantes que mais me chamou atenção, pela manhã, foi o psiquiatra colombiano Ricardo Restrepo, residente há 17 anos nos Estados Unidos e diretor da clínica de psicofarmacologia e adicção do Instituto de Adicção de Nova York (EUA).

Ele disse, com a autoridade de especialista que é, o que eu já comentei no Forquilha em relação à políticas governamentais no Brasil e Bahia para esta área: " É preciso que a dependência de droga seja tratada como uma questão de saúde pública e que o tratamento seja de forma integrada entre as diversas especialidades, porque os riscos são clínicos e psicológicos."

Como estava contribuindo com a Vila Serena na divulgação do evento, pude conversar bastante com o simpático Restrepo. E aí ele me explicou porque a dependência química tem que ser tratada como saúde pública de forma integral: quem usa drogas, lícitas ou não, pode desenvolver aids, tuberculose, infecção pulmonar e problemas cardiovasculares, além de transtornos mentais.A sua estimativa é que cerca de 30 a 40% das pessoas que usam alguma substância psicotrópica acabam desenvolvendo enfermidade mental.


Dr. Ricardo Restrepo e eu, no VI Simpósio de Alcoologia e Outras Drogas.
 E aí temos dois problemas, comuns, segundo Ricardo Restrepo, a todos os países, não só os latinoamericanos: falta de capacidade de profissionais de saúde pública que lidam com adicto, que não sabem dar o diagnóstico correto, e a falta de vontade política dos governantes em tratar a questão como caso de saúde pública. Ele me garantiu que poucos profissionais, atualmente, estão habilitados para identificar enfermidades mentais em dependentes químicos.

Com este quadro, Ricardo Restrepo defende que escolas de Medicina tornem obrigatório, na graduação, o ensino de disciplinas sobre enfermidades mentais e uso de substâncias que causam dependência, até como forma de acabar com o estigma em relação a transtornos mentais.

Quanto a termos êxito nessa árdua luta para salvar nossos jovens das drogas, na opinião de Restrepo isso é possível, desde que os governantes se conscientizem que investir apenas em programas policiais ou judiciais não adianta. “É preciso ter disposição política para investir mais em saúde pública,” alerta. Eu confabulei com vocês sobre isso no post  Combate às drogas  .

Quanto tempo mais teremos para cuidar disso com seriedade? Se você tem alguma dependência, qual sua opinião? Gostaria de saber também o que pensa se vc é da área de saúde pública.



A equipe da Vila Serena Bahia, organizadora do Simpósio, com Ricardo Restrepo.
Da esquerda pra direita: Priscila Brito,  Júlia Damiana e Moema Raquelo


quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Vício da internet leva jovens brasileiros à era dos substitutos


Bruce Willis em Substitutos (Surrogates)

Ontem pipocou nas redes sociais e demais mídias o Relatório Mundial de Tecnologia Conectada, elaborado pela Cisco, que mostra que quase dois terços (63%) dos jovens universitários e adultos em início de carreira consideram a rede mundial algo imprescindível, e mais da metade a descreve “como parte integrante de sua rotina”.


A Cisco abordou dois universos em sua pesquisa, onde foram ouvidas mais de 5 mil pessoas de 14 países: uma com universitários e outra com jovens trabalhadores com até 30 anos de idade. Jovens brasileiros participaram.

Incrível, e preocupante, o resultado obtido com os universitários nesses países e, principalmente, no Brasil. Eu já sabia do vício de adolescentes e jovens com a internet. Recentemente uma sobrinha minha, de 14 anos, postou em seu mural no Facebook que seus pais deveriam agradecer por ela ser viciada em internet e não em drogas ou bebidas. Eu comentei que nenhum vício é legal, nem mesmo o da internet, porque ao nos dedicarmos a ele, deixamos de produzir, de viver, de amar, de fazer amigos reais, que a gente pode abraçar, conversar, rir, brigar – porque não?, fazer as pazes...

De qualquer forma, o resultado do relatório mostra que as coisas são mais graves do que eu pensava. Entre todos os entrevistados, dois em cada cinco universitários disseram que a web é mais relevante para eles que namorar, sair com os amigos ou ouvir música. No Brasil, 72% preferem navegar na rede.

Como pode ser isso? Sei que vivemos no Brasil uma paranóia gerada pelo aumento da criminalidade. Mas, daí a substituir o contato pessoal pelo virtual... Como seremos em uma década? Será que iguais aos personagens do filme Substitutos (Surrogates, com Bruce Willes e direção de Jonathan Mostow), no qual os homens vivem isolados em seus quartos e se comunicam por meio de robôs-clones?

Eu não gostaria de ver os jovens que amo viverem assim. A vida é real quando podemos olhar no olho, tocar as mãos, sentir a pele num abraço, ouvir a voz do outro sem a interferência eletrônica.

E você? Qual a sua opinião ou sua experiência? Você troca a vida pela internet?

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Serviço Militar ajuda na luta contra deliquência juvenil?



Local onde era cumprido o serviço militar obrigatório em Mendoza - Argentina 
 Adoro férias e faço questão de gozá-las. Já teve um período de minha vida em que podia não podia viajar. Em outros, viajar por apenas 15 dias. Em outros, por trabalhar com assessoria de comunicação na área política, no máximo viajava por uma semana. Apenas uma escapulida, vamos dizer assim. Mas hoje faço questão dos 30 dias. Um luxo? Não. Um direito que faz bem.

Férias é bom, principalmente quando é curtida com alguém que, mesmo diferente de você, gosta de coisas parecidas. É bom porque relaxa e porque lhe permite conhecer novas culturas, apreciar novas paisagens, aprender coisas novas, ver outras contextualizações políticas e, daí, poder comparar com a sua realidade.

Agora em setembro vi que em Mendoza, Argentina, a sociedade e o governo enfrenta dificuldades como as nossas devido à deliquência juvenil. Vi, no Paseo Sarmiento ( um calçadão que corta três ruas no centro histórico da cidade), uma família chorar publicamente sua dor, em protesto feito com um megafone. Motivo: um adolescente da família morreu em confronto com a polícia, com pelo menos 14 tiros.

É certo que não vi, nas áreas que andei, grupos de jovens em situação que gerasse insegurança ou medo. O centro da cidade é monitorado por câmaras. Nada posso dizer das áreas periféricas, porque não passei por lá. Mas vi que é nas noites que a pobreza se apresenta em Mendoza, a terra dos vinhos, com mais de 1000 bodegas (vinículas). No Paseo Sarmiento, enquanto sentada nas cadeiras de um bar no calçadão, vi pobres crianças, adolescentes e adultos pedindo esmolas aos turistas. Também ao escurecer e nos finais de semana surgiam os camelôs, que estendiam suas mercadorias em mantas sobre as calçadas. 

Durante o passeio que fizemos para a Alta Montanha, o guia Gabriel nos mostrou uma área do exército onde era cumprido o serviço militar obrigatório. Uma área grande, incrustada próxima às montanhas pré cordilheiras (dos Andes). Gabriel, profundo admirador do libertador San Martin, defendia a volta do serviço obrigatório, que há pouco mais de uma década passou a ser opcional na Argentina, tal qual no Brasil. Em sua opinião, se todos tivessem que passar pela disciplina do exército talvez não houve tanta deliquência juvenil.

Não sei se só o serviço militar resolveria. Mas concordo que ajudaria em muito. Já confabulei outras vezes sobre o problema social que vivemos e apontei a falta de disciplina como um dos fatores da desordem em que vivemos hoje. Disciplina que os pais/as mães não sabem mais dar. Disciplina que muitos pais/mães talvez nem tenham recebido enquanto filhos. Tem faltado o exercício do NÃO.

E você? Considera que o serviço militar obrigatório pode ajudar a reduzir a delinquência juvenil? Quero saber sua opinião. 

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Hipocrisia acaba com personagem na novela Morde & Assopra


A hipocrisia marca a nossa sociedade. Um dos exemplos mais novos é a saída da atriz Nívea Stelmann  da novela Morde & Assopra, da Rede Globo. As informações apontam que o Ministério da Justiça, através da sua Classificação Indicatica, considerou que a história vivida pelo personagem de Nívea é muito pesado para o horário: uma ex-garota de programa, Lavínia, que ao chegar na cidade para se casar com o banqueiro Oséas ( Luis Mello)descobre que ele é o pai do homem por quem ela tinha se apaixonado. Ela é vítima de violência doméstica por causa do ciúme que o marido tem do seu passado. O filho, Fernando (Rodrigo Hilbert), que ainda a ama, quer livrá-la das surras do pai.

domingo, 19 de junho de 2011

Unila idealiza alcançar outra globalização com integração do continente


Milton Santos continua sendo um homem que atrai seguidores para a sua obra, mesmo que já tenha se passado 10 anos desde a sua morte, em 24 de junho de 2001. Uma prova disso é a adoção, pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)do curso de Geografia Humana. Para Maria Adélia Aparecida de Souza, pró-reitora de graduação estudiosa das obras de Milton Santos, a Unila contribuirá não apenas para que se estude a nova geografia, mas para disseminar uma outra globalização. A geógrafa acredita que, com os cursos que estão (a equipe da Unila) montando, com certeza conseguirão isso, através da integração do continente latino americano. Leia a íntegra da reportagem no Caramurê - o portal do conhecimento.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Poucos se beneficiam de Tecnologias da Informação e Comunicação no Brasil



Não haver questionamentos em massa sobre a ampliação e melhoria da TIC no Brasil pode encontrar eco na avaliação de Milton Santos, em Por uma outra globalização – do pensamento único à consciência universal, sobre a figura do cidadão. “Em nosso país jamais houve a figura do cidadão”, destaca o professor. Em sua avaliação, isso acontece porque as classes chamadas superiores, incluindo as classes médias, jamais quiseram ser cidadãs; e os pobres jamais puderam ser cidadãos.

Leia matéria na íntegra no Caramurê

terça-feira, 14 de junho de 2011

Em busca de uma globalização mais justa



A globalização é caracterizada pelo processo de interligação econômica, política, social e cultural, em nível global. Consequência, principalmente, da expansão dos sistemas de comunicação por satélites, da telefonia, da presença da informática na maior parte dos setores de produção e de serviços, através da internet. Mas, por não beneficiar a todos com esse estágio máximo da internacionalização, é que o doutor em geografia Milton Santos a condenou, uma década depois do marco dessa “mundialização” e há uma década, e alertou para a possibilidade de uma outra globalização, menos perversa com os pobres.



Apesar de ter início com as grandes navegações nos séculos XV e XVI, segundo alguns pesquisadores, a globalização ainda é desconhecida de muita gente, a exemplo de Maria das Graças Lopes. Empregada doméstica, 44 anos, que deixou Anguera (400º lugar no Índice de Desenvolvimento Econômico da Bahia) há 25 anos, ela supõe que globalização seja “ aquela coisa de preservar a natureza”. Só estudou até a 5ª série. Não tem acesso à internet, TV a cabo, nem educação a distância. Não tem noções de geografia e se sente injustiçada por ganhar pouco e não poder dar aos três filhos o que desejam pra ficarem iguais aos adolescentes que veem na internet (em lan houses) ou na TV.

Leia a matéria na íntegra no Caramurê - o portal do pensamento.


segunda-feira, 13 de junho de 2011

Adivinhações de Santo Antonio




Sou romântica inveterada. Sempre acreditei no amor e continuo acreditando. Mas também sempre acreditei que o amor é um sentimento para nos fazer bem, para nos fazer sonhar - não para ter pesadelos.

Como toda romântica, sonhava em encontrar um príncipe encantado. E, claro, quando adolescente, estimulada pelas amigas, irmãs e vizinhas, acreditava que Santo Antonio não só promovia casamentos, mas também podia dar pistas através de adivinhações feitas no dia que lhe era dedicado.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ainda em defesa do Conselho Federal de Jornalismo

Acompanhando o grupo Velha Tribuna no Facebook, vi uma discussão a respeito do conselho de jornalistas, que estava sendo confundido com o Conselho de Comunicação Social proposto colocado em pauta pelo Governo do estado. Fui conferir a quantas anda a tramitação do Projeto de Lei 3981/2008, do deputado Celso Russomano, que dispõe sobre a criação do Conselho Federal e dos Conselhos Regionais de Jornalismo e sobre o exercício da profissão de Jornalista. Vi que há pouco mais de um mês, mais precisamente em 4 de maio deste ano, foi designado relator na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público  (CTASP)  da Câmara dos Deputados-  Designado Relator, Dep. Roberto Santiago (PV-SP. 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Saudade de um anjo que partiu.

Tia Nenên e seu amado Abel
Há um ano estava em Aracaju, para a despedida - momentânea, creio - de Mercês, minha tia Nenên. Estudar o espiritismo nos dá uma outra visão dessas separações pela morte. E acredito que a danadinha está fazendo na outra dimensão o que sempre gostou: cuidar e confortar o próximo com suas palavras de carinho. Saudades!

Que cada um de nós também possa ter malas prontas quando chegar a hora de partir. Como isso se faz? Fazendo a nossa parte. Não sabe como? Se não fizermos aos outros o que não gostaríamos que fizessem conosco, já é meio caminho dado.

domingo, 8 de maio de 2011

Vamos dizer NÃO ao Registro de Identidade Civil

Quero lhe convidar a exercer sua cidadania. Diga comigo NÃO à implantação do novo modelo de identidade - o RIC, que vai substituir o RG. Mais dinheiro (nosso, dos impostos absurdos que pagamos), será utilizado sem planejamento. Afinal, se é para substituir um documento, que o faça unificando o RG com o CPF. Mas isso não acontecerá. E ainda pagaremos por esse documento ( tendo que mudá-lo a cada 10 anos) que acena com benefícios de tecnologia. De que adianta tanta tecnologia se não há unificação e nem poderemos usá-la para outras ções de cidadania? Se é para usar tecnologia, que tenhamos um único documento - pode até esse esse RIC - e votar também via internet.

De acordo informações do site do Ministério da Justiça, a previsão inicial é emitir dois milhões de cartões a partir de janeiro de 2011 – sendo os 100 mil primeiros para a Bahia, Rio de Janeiro, Distrito Federal e para as cidades Hidrolândia (GO), Nísia Floresta (RN), Rio Sono (TO) e a Ilha de Itamaracá (PE).

Se você leu as informações através do link que lhe ofereci acima e concorda comigo que é mais uma vez despedício de dinheiro público, ou pelo menos má utilização dele, escreva para o Ministério da Justiça, através do link abaixo, e diga NÃO ao RIC da forma que vem. Diga SIM à unificação dos documentos.



Eu já mandei esta mensagem. Se quiser, faça igual ou redija a sua:
" Não concordo com a implantação do Registro de Identidade Civil - RIC, em substituição ao RG, sem que o mesmo unifique  o RG, CPF e o Título Eleitoral. Temos que aproveitar as novas tecnologias para fazer o Brasil avançar. Mas isso se faz com planejamento e a correta utilização do dinheiro público. Só mudar um documento pelo outro, com tantos recursos, sem fazer valer as novas tecnologias que temos, é má utilização do dinheiro público - composto com a minha contribuição como cidadã. Principalmente quando terei que pagar por ele a cada 10 anos."

Clique aqui e deixe o seu protesto.

http://portal.mj.gov.br/main.asp?View=%7BBD4A3588-564B-453A-A843-67ADC17CE8B4%7D

Mães e pães: lapidadores de cidadãos.


Sandra e Beatriz

Giovanna e Sophia

Ana Cristina e Felipe

Bárbara e Maria Clara

Uma confabulação para as mães e "pães" ( não a massa de comer, mas o homem que faz também o papel de mãe junto aos filhos). Primeiro, parabéns a todos vocês - aliás, a nós, porque me incluo, mesmo como mãe emprestada, tendo com homenageadas especiais as mais novas mamães da minha família: Sandra, Giovanna, Ana Cristina e Bárbara .

A criação de um filho gera preocupação; isso todos sabemos. Podemos gastar até R$ 1,6 milhão até o filho ficar adulto, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), coordenada por seu diretor Adriano Amui, professor de Administração; também sabemos que é caro. Mas permitir a vinda de filhos é sempre uma honra - e uma benção. Isso implica em uma responsabilidade maior que apenas pagar boas escolas, comprar roupas de grife, dar presentes de alta tecnologia para os filhos desde muito cedo. Implica em ser o cuidador; o lapidador de cidadõs.

Em uma das minhas longas conversas com Roberto, meu marido, sobre as coisas da vida, ele disse que a culpa pelo caos que enfrentamos com a juventude (sim, caos) está no fato de a mulher - a mãe - ter saído de casa para trabalhar. Defende que uma lei deveria ser editada para fazer com que as mulheres trabalhem apenas seis horas, e no outro turno se dedique à educação dos filhos. Eu adoraria, principalmente se esse turno de 6 horas fosse bem remunerado. Sempre que comento isso em rodas de mulheres, percebo olhares enviesados, como que dizendo: " eu não tenho culpa de nada" ou " eu que não quero ficar em casa cuidando de filho".

Volto ao tempo da minha mãe, Nicinha, onde o seu amor de mãe a fez uma heroína.  Milhares, como ela e como a mãe de Roberto, dona Alaíde (já desencarnada), dedicaram-se exclusivamente à educação dos filhos. Tiveram resultados excelentes - as duas: nenhum dos filhos se envolveu com a criminalidade, seja por sintonia ou por indução. Conseguiram inspirar princípios morais e éticos (mesmo com o uso de corretivos físicos - tapas, beliscões, surras). Ambas foram "trocadas" por outras por seus maridos. E sofreram.

Voltando à teoria de Roberto, concordo em parte com ele. A saída da mulher para o trabalho, seja por necessidade de complementar a receita familiar (em alguns casos, a única renda), seja por desejo de realização profissional, deixou os filhos "soltos". Muitas(os) de nós não sabem  o que é  assertividade ou se é  assertiva(os). Com esse desconhecimento, deixa que seus filhos, mesmo criancinhas, se tornem reis e rainhas, ditando as ordens dentro do lar. É a famosa compensação pela ausência.  O resultado é adolescentes e jovens sem conhecimento dos limites imprescindíveis para um convívio em sociedade; que não aceitam nunca um NÃO como resposta; que não se tocam que as outras pessoas também tem direitos e merecem respeito.

Por isso, nesta edição do Dia das Mães, chamo  mães e pães, para uma reflexão:
_ O que vocês tem dado aos seus filhos tem, em sua maioria, característica material ou uma espiritual (não necessariamente religiosa)?
_ Vocês dizem mais SIM ou NÃO para os seus filhos?
_ Vocês sabem driblar as chantagens emocionais com fins materiais dos seus filhos?
_ Vocês estão conseguindo perceber o que precisa ser lapidado no seu filho para possibilitar uma evolução moral, espiritual e também material?
_ Vocês sabem com quem seus filhos andam, o que fazem, o que pensam?
E, por fim, vocês tem se permitido tempo para apenas serem pessoas que se amam?

Gostaria de saber como tem sido sua experiência de mãe (biológica, emprestada/postiça/madrasta, adotiva...) e de "pãe" (separado, viúvo, solteiro...).

terça-feira, 3 de maio de 2011

Não quero o Registro de Identidade Civil



Há muito tenho sonhado, como certamente muitos outros brasileiros, com o dia em que teremos um documento único de identificação. Assim diminuiríamos os números a informar, a decorar, a guardar. Uma decisão assim significaria, em minha opinião, andar pra frente. Mas, a notícia publicada hoje no jornal Folha de São Paulo mostra que estamos andando pra trás. O governo vai lançar e nos obrigar a ter um novo documento de identificação, pagando por ele, mas sem unificar os números de RG e CPF.

Não consigo entender, nem aceitar, que tenhamos que pagar pelo novo documento, que receberá o nome de Registro de Identidade Civil - RIC. A previsão é de que tenhamos que pagar R$ 40 pelo documento. Não vejo nada de positivo nele, principalmente porque terá que ser trocado  cada 10 anos. O argumento do governo é que, por ter chip com certificação digital, a confecção é mais cara. O RIC começará a ser emitido em julho, segundo a Folha.

Por que não ter um documento com validade infinita, como o atual RG, unificado com o CPF. Vamos avançar, gente.

domingo, 24 de abril de 2011

Salvador é suja por causa dos seus moradores

Todos nós já vimos, em algum lugar o slogan " cidade limpa não é aquela que mais se limpa, mas a que menos se suja", ou a sua variação "cidade limpa não é aquela que mais se varre, mas a que menos se suja". Quem criou essa frase, não sei. Mas ela tem sido repetida até em parachoque de caminhões, sem muito efeito na vida de muita gente que acha que  responsabilidade de manter uma cidade limpa é apenas da prefeitura.

Cresci em uma cidade no interior da Bahia - Paulo Afonso - onde as donas de casa tinha o costume de varrer diariamente a calçada. Alguma varriam no início da manhã e no entardecer. Era comum ver as mulheres varrendo defronte das suas casas com suas vassouras de palha e recolhendo o lixo. Era um orgulho ver sua casa e a extensão dela limpas. Os lixeiros - como eram chamadas as pessoas que recolhiam o lixo - se limitavam a coletar o que as mulheres juntavam em caixas, sacos de papel ou cestos.

Depois de 11 anos em Salvador conseguimos comprar uma casa em uma área considerada nobre na cidade, Piatã/Plakaford, com 90% de casas e pouquíssimos prédios.  As residências se dividem em grupo de condomínios e as casas fora de condomínio.A minha é uma dessas. As pessoas que moram ali não são ricas. Fizeram sacrifício, como eu, para realizar um sonho. Entretanto, muitos contribuem para tornar esse sonho em algo feio, jogando lixo, entulhos e podas de árvores defronte a terrenos baldios ( que estão murados, mas não tem calçadas).

A rua Dias Gomes, que começa logo atrás do Habib's e finaliza com a Humberto Machado, é a preferida pelos que adoram sujar. Nela, a Limpurb vem, recolhe o lixo e, no mesmo dia, em muitas vezes logo depois, já tem mais lixo. Nem mesmo a placa da Limpurb é respeitada. Confiram nas fotos.

Rua Dias Gomes (próximo à Humberto Machado) em 28/03/11, 9h19.
Até móveis desta vez foram descartados na rua.

Rua Dias Gomes (próximo à Humberto Machado) em 28/03/11, 9h19
 
Rua Dias Gomes (próximo ao Habib's), em 28/03/11 - 9h20.
O prédio amarelo é um hotel, que arca com prejuízos por causa do lixo.

Rua Dias Gomes (vendo rua Humberto Machado ao fundo), em 14/04/11, 7h49.
Mais de 15 dias desde a primeira foto e o lixo se avoluma na rua. 


Rua Dias Gomes (próximo ao Habib's), em 14/04/11 - 8h01

Rua Dias Gomes (vendo rua Humberto Machado ao fundo), em 19/04/11, 8h40.
A Limpurb recolheu 99% do lixo na tarde anterior. 

Rua Dias Gomes (vendo rua Humberto Machado ao fundo), em 20/04/11, 7h49.
Podas de árvores começam a se acumular desde o dia anterior. 

A Prefeitura já colocou um fiscal no ano passado. As áreas ficaram limpas no período da fiscalização. Mas foi retirar o fiscal e tudo voltou. Também, fiscal sem poder de multar é igual a nada. O tempo agora não é mais de educação; é de multa. Só pesando no bolso para alguns mudarem o comportamento.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O que temos a comemorar no dia do jornalista

Mais um 7 de Abril. Mais um dia dedicado ao jornalista. Mensagens são enviadas de todos os cantos, de todos os poderes. E nesse dia, que também é meu, pergunto: o que nós, jornalistas profissionais, temos a comemorar? Não muito. Ou quase nada. Continuo com o meu diploma roubado pelo STF. Continuo sem o direito de ter um Conselho, como tantas outras 53 categorias tem. Continuo sem os ajustes necessários na regulamentação da minha profissão, incluindo a função de assessor de imprensa entre as já determinadas na Lei.

Integro-me à campanha da Federação Nacional dos Jornalistas que pede o apoio da sociedade brasileira para a reconquista da regulamentação da profissão, com a aprovação das PECs que restituem a exigência do diploma de Jornalismo para o exercício profissional e a posterior criação do Conselho Federal de Jornalistas (CFJ), órgão que virá garantir a auto-regulamentação da profissão

Esta campanha foi deflagrada hoje, buscando apoios de cidadãos e entidades nacionais e internacionais à aprovação, pelo Congresso Nacional, das Propostas de Emenda Constitucional que restabelecem a exigência de diploma de curso superior como requisito para o exercício da profissão de Jornalista. O esforço concentrado visa sensibilizar os parlamentares a votarem imediatamente as PECs 386/09 – que tramita na Câmara dos Deputados – e 33/09, que tramita no Senado.

Quer me apoiar e aos meus colegas de profissão? então assine o abaixo assinado on line, que está disponível aqui.



quarta-feira, 6 de abril de 2011

UM OLHAR SOBRE SALVADOR - Trânsito caótico

Salvador precisa urgentemente da intervenção municipal para garantir um tráfego melhor. Algumas medidas tem sido adotadas, mas são pequenas diante do tamanho do problema, que se agrava a cada dia. Não está distante da situação da capital paulista, principalmente quando levamos em conta a população e o número de veículos das duas cidades:


Recentemente, a prefeitura de Salvador, através da Transalvador, fechou o acesso da Av. San Rafael  à Av. Pinto de Aguiar (Pituaçu) através do viaduto Dona Canô. Para quem vem da orla para o Centro Administrativo (como é o meu caso), chegar à Av. Luiz Viana (Av. Paralela) ficou fácil. Mas fechou o trânsito no trecho entre este viaduto e o do CAB. Depois de algum tempo, a Transalvador resolveu reabrir e modificou alguns pontos na Av. Pinto Aguiar. Agora voltamos a enfrentar tráfego lentíssimo no acesso ao viaduto Dona Canô e na Av. Paralela.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Abertas inscrições para o Empreendedor Social 2011

Você se considera um líder social que atua de forma inovadora, sustentável e com forte impacto na sociedade e em políticas públicas? Que tal participar do 7º Prêmio Empreendedor Social e o 3º Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro? Você não é um líder, mas conhece alguém que seja? Então avise que estão abertas as inscrições para esses prêmios e que as edições deste ano estão com mais benefícios a finalistas e vencedores.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Doando vida


A partir da confabulação anterior, do grupo Corrente da Mídia pelo Bem, fui convidada pelo Ministério da Saúde a participar da campanha pela doação de órgãos e tecidos. Através do link http://doe.vc/mq entrei no portal e li sobre o trabalho que vem sendo feito. Ao conferir as estatísticas, que infelizmente só trazem dados do primeiro semestre de 2009, constatei que a nossa Bahia precisa intensificar a campanha para aumentar o número de doadores.

Em número de transplantes realizados a Bahia está em 9º lugar, com apenas 131, sendo 87 de córnea, 21 de rim e 22 de fígado.Em Pernambuco foram realizados 454 transplantes e no Ceará 227.

Vamos lá! Vamos aumentar esse número. Afinal, não precisa morrer para doar um rim, parte da médula óssea e parte do fígado, por exemplo. Mas o primeiro passo é avisar sua família da sua vontade. Sangue todo mundo sabe que pode doar, não é?

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - HRS ganha agilidade em transplantes

Notícia divulgada pela Assessoria de Imprensa do Hospital Roberto Santos - HRS, em Salvador, aponta que o hospital vai receber a primeira Organização de Procura de Órgãos e Tecidos -OPO, que funcionará como uma parte operacional da Central de Transplantes dentro da Unidade. Informa, ainda, que já foi aprovado pelo Ministério da Saúde projeto para implantação de um Núcleo de Transplantes, para viabilização de transplantes de fígado, rim, pâncreas e córnea.

Essa é, de fato, uma boa notícia, principalmente por se tratar e um hospital público, com uma grande demanda. Segundo Bernadete Farias, assessora de Imprensa do HRS, técnicos do Ministério da Saúde visitarão o hospital no próximo dia 26 deste mês.

A OPO do Hospital Roberto Santos terá, em sua área de abrangência no que se refere a doações para transplantes, cinco outros hospitais: São Rafael, Aeroporto, Jaar Andrade, Geral de Camaçari e Menandro de Faria. Em vez de comunicar casos de morte encefálica para a Central de Transplantes, esses hospitais comunicarão à OPO do Roberto Santos.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Você educa os seus filhos?

Mais uma vez a fragilidade das famílias, base da sociedade, é exposta por decisões judiciais. Nota no jornal Tribuna da Bahia informa que o juiz da Vara Crime e da Infância de Santo Estevão, aqui na Bahia, baixou a Portaria nº 02/11 criando o Toque Educativo. A medida do juiz José Brandão "veda a prática do bullyng, inibe assédio a meninas nas escolas e proíbe vadiagem ao redor de escolas e ainda obriga presença de pais em reuniões escolares." De acordo com a TB, a violência nas escolas é o crime mais recorrente em Santo Estevão.

Minha confabulação mais uma vez é: o que está acontecendo com as famílias? Por que pais e mães não estão conseguindo educar os seus filhos para serem pessoas com responsabilidade, com tolerância, com solidariedade? Por que não conseguem educá-los para serem cidadãos, pessoas que saibam que os seus direitos terminam quando começam os dos outros?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Quero um orla mais bonita em Salvador

Você consegue ficar alegre e triste ao mesmo tempo? Eu sim. E me sinto assim em relação à cidade de Salvador, onde vivo há 21 anos, 9 meses e 17 dias. Aqui sou feliz. Tenho amor, família, amigos, trabalho, parceiros profissionais. Tenho a oportunidade de ver o mar lindo todos os dias ao sair de casa para o trabalho ou pro lazer. Tenho a chance de acordar com os passarinhos - de diversos tipos - cantando. Por isso estou alegre.

Mas fico triste ao ver que Salvador está ficando pra trás quando se fala de conforto e atrativos para turistas e moradores da própria cidade. Nossa orla, bela, é obsoleta. Serve apenas para a caminhada, o cooper ou a bicicleta. 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Assembleia da Bahia vai discutir tratamento de dependentes químicos

A Assembleia Legislativa da Bahia criou a Subcomissão de Assuntos de Acolhimento e Tratamento de Dependentes Químicos, dentro da Comissão de Saúde e Saneamento. O prazo de funcionamento é de um ano, mas sabemos que pode ser prorrogada por mais tempo.

Ainda não foi divulgado quais os deputados que farão parte desse colegiado. Tomara que não seja apenas para compor quadro. Tem muita coisa a ser discutida e acompanhada, principalmente o programa Pacto pela Vida, que está sendo instituído pelo governo da Bahia, seguindo exemplo do governo de Pernambuco.

Mãe entrega filho a polícia: certo ou errado?

Entregar o filho à polícia é um ato de amor?

Ficou na minha cabeça a reportagem de uma mãe que entregou à polícia, em Brasília, o filho de 13 anos e mais três coleguinhas - também menores de idade, que tinham furtado um mercado. Como muitos viram nas TVs e outros veículos de comunicação, a mãe viu o grupo dividindo o que tinha roubado e levou todos para a Delegacia da Criança e do Adolescente. Ela está sendo ameaçada pela família de um dos adolescentes, mas continua firme no seu propósito.

Esta mãe não admite ficar passando a mão na cabeça do filho, fazendo de conta que nada acontece enquanto ele assalta. Com assertividade, ela quer mostrar ao filho que não concorda com os seus atos e que ele precisa, desde já, aprender a arcar com as consequências dos atos dele. Acredita que assim estará dando ao filho a chance de ver se é isso o que ele realmente quer para vida dele.

Coitada dessa mãe. Como deve estar sendo crucificada por milhares de pessoas que acham que mãe deve proteger a cria de tudo e de todos, e em qualquer situação.

Que valente essa mãe. Que demonstração de amor. Com certeza deve estar sendo admirada e elogiada por outras milhares de pessoas que acreditam ser necessário saber dizer não numa relação de amor, principalmente entre pais e filhos. Eu me incluo nesse grupo, mesmo sem saber se teria coragem de fazer o mesmo que ela. O mais provável é que, como muitos, procurasse punir o meu filho no escondido do meu lar, para que "os outros" não soubessem. Como se "os outros" já não soubessem do que o filho estaria aprontando.

Essa mãe também declarou que procura ajuda psicológica para o filho há dois anos. Como o filho já foi apreendido (a forma técnica de dizer que um menor de idade foi preso) anteriormente, podemos traduzir que esse garoto já está se desviando do caminho do bem desde os 11 anos, pelo menos. Ou até antes, não sabemos.

O que está acontecendo com as nossas famílias? Cada vez mais acho que meu marido está certo ao dizer que tudo começou a degringolar quando as mães saíram de casa para trabalhar. Claro que tem lares em que as mães estão em casa e nem por isso os filhos estão dando menos problemas. Será que estamos cumprindo bem nossa tarefa? Não somos nós os responsáveis pela lapidação desses a quem recebemos como filhos? Será que estamos sendo incapazes de perceber as possibilidades de desvios que são acenadas desde a infância, na maioria dos casos? Se sim, por quê?

Confabule comigo. Como você age em seu lar? Você sabe dizer não aos seus filhos? Você teria a coragem dessa mãe de Brasília?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Pacto pela vida requer integração

Matéria publicada hoje no Diário Oficial da Bahia confirma o que defendi na confabulação Como o governo da Bahia acolherá os usuários de drogas? 

O professor de sociologia e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Criminalidade, Violência e Políticas Públicas da Universidade Federal de Pernambuco, José Luiz Ratton, foi um dos responsáveis pela implantação do programa PACTO PELA VIDA em Pernambuco. O mesmo que o governo baiano vai implantar. Em apresentação do projeto a representantes do governo, Ratton teria dito, segundo a reportagem do DOE, que a integração entre as secretarias estaduais é fundamental para o êxito da iniciativa.

Preocupa-me, porém, o fato de a mesma reportagem ter apontado apenas a presença dos secretários de Segurança Pública, Maurício Barbosa; de Comunicação, Robinson Almeida; e da Administração, Manoel Vitório.

Por quê os demais, principalmente de Educação, Saúde e Combate à Pobreza não estavam lá?

Mapa da Violência 2011 é de 1998 até 2008


Quanto a realidade pode mudar em um, dois ou três anos? Índices podem mudar, pra cima ou pra baixo? Como dados de três anos atrás pode configurar o quadro atual de uma situação, seja social, econômica ou política; ou as três?

Faço essas perguntas por causa do grande destaque que tem sido dado ao "Mapa da violência 2011", divulgado ontem (24/02) pelo Ministério da Justiça. A contradição, em minha opinião, já começa com o título do documento, que faz referência à década de 1998 a 2008. Os dados não estão defasados para serem apresentados como uma radiografia atual?

Vamos a um exemplo prático: com o Programa Pacto pela Vida, o governo de Pernambuco conseguiu, em quatro anos, reduzir os homicídios e crimes violentos em 40% em Recife e 28% em todo o Estado. Em relação a Pernambuco o mapa já não mostra a realidade. Bom lembrar que o governo da Bahia vai copiar esse bem sucedido programa, que integra ações integradas de policiamento, prevenção social, repressão qualificada e diálogo permanente com a sociedade civil.

Os dados também não batem quando comparadas as estatísticas divulgadas pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia em matéria publicada pelo Notícias Uol. Compare os dados da Bahia pelas duas tabelas abaixo e vai entender o que digo.


                                                Fonte: SSP/BA

 Afinal, quanto cresceu realmente o número de homicídios na Bahia?

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Barracas de praia de Ipitanga tem péssimo atendimento

O que você acha que é certo quando está em praia que tem barraca: ter sua mesa visitada com frequência por um garçon ou gritar e gesticular por um quando chegar ou quiser pedir alguma coisa? Se você é do time que entende que a primeira opção é a mais correta, aliás, a única correta, não vá na barraca Hawaí, em Ipitanga, Lauro de Freitas.

No último domingo fui à praia com o meu marido e ficamos indignados e estupefatos. Ao chegarmos nessa barraca, vimos que as mesas na areia da praia estavam divididas em duas alas, atendidas cada uma por um garçon. Na ala que ficamos, o garçon passava por perto, levava cerveja ou petiscos em outras mesas, mas nem mesmo olhava para onde estávamos. Não dava nem para fazer o típico sinal com o braço levantado.

Depois de 25 minutos, ao ver o garçon passar de novo, desta vez mais perto, meu marido gritou por ele e pediu o cardápio. O garçon entregou o cardápio e nos abandonou de novo. Por 40 minutos. Nesse intervalo, uma vendedora de acarajé chegou à nossa mesa oferecendo seu produto. Compramos abará. Também compramos coco, pra não morrermos de sede. E nada do garçon. 

No final, já cansados e irritados, resolvemos gritar pelo garçon, que veio com cara de poucos amigos. Reclamei, claro, da falta de atenção. E olha o que ele disse:
- que nos deu o cardápio mas não podia ficar esperando o que queríamos (também não voltou depois)
- que viu a gente comprar acarajé e por isso não voltou na mesa (não saímos para comprar; a vendedora é que veio oferecer)
- que a gente tinha que chamá-lo, porque ele não pode ficar incomodando os clientes ( como ele não passava por perto e nem olhava para o nosso lado, chamá-lo só aos gritos).

A princípio pensamos em reclamar com o responsável pela barraca Hawaí - gerente ou dono, sei lá. Mas depois desistimos e fomos para outra barraca, onde fomos bem atendidos e bebemos nossa cerveja gelada.

Será que alguém treinou esse garçon? Será que não percebem que esse é o tempo de vender mais, principalmente porque as barracas de Lauro de Freitas também estão ameaçadas de serem retiradas, como aconteceu com as de Salvador. Como será que se sentem os turistas que chegam nas nossas praias e encontram um atendimento pra lá de ruim como esse?

E você? O que acha do atendimento nas barracas de praia de Lauro de Freitas e Salvador?

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Como governo da Bahia acolherá os usuários de droga?


Drogas: Jaques Wagner propõe criação de Pacto Pela Vida e acolhimento de usuários

Hoje, durante a abertura oficial dos trabalhos da Assembleia Legislativa da Bahia, o governador Jaques Wagner falou sobre as realizações do seu governo nos últimos quatro anos e das medidas que adotará desde já no primeiro ano do seu segundo mandato. Na Tribuna da Imprensa, de onde eu acompanhava o discurso junto a dezenas de outros jornalistas - repórteres e assessores de imprensa - queria saber apenas uma coisa: o que seria feito para prevenir e cuidar das milhares de crianças, adolescentes e jovens que se envolveram nas teias traiçoeiras das drogas, que afundaram, principalmente, na fumaça de um miserável cachimbo que queima o crack.

Wagner anunciou oficialmente vai propor a criação, dentro da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, da Superintendência de acolhimento ao usuário de drogas. Que pretende, com isso, garantir maior eficiência do Pacto pela Vida - uma política de segurança pública com a proposta de mobilizar a sociedade civil e "todos aqueles que queiram contribuir para uma cultura de paz".  O governador acredita que as iniciativas do Pacto pela Vida vão ajudar a construir um verdadeiro sistema de defesa social.

O projeto ainda não foi encaminhado à Assembleia Legislativa para análise e aprovação dos deputados. Não sei, portanto, se ela trabalhará com a parceria com as outras secretarias, a exemplo das de Saúde e Educação. Quem sofre na pele, no coração e até no bolso por ter alguém da família que sucumbiu ao crack, sabe o quanto ele é diferente das outras drogas. O adicto não tem a capacidade de emergir, respirar fundo e reagir apenas com palestras ou acompanhamento psicológico ou psiquiátrico ambulatorial. É preciso muito mais que isso.

Essa ação não pode se limitar a uma superintendência que acolha apenas. Aliás, como se pretende esse acolhimento? A Fundac também acolhe menores em conflito com a lei, mas sem interdisciplinaridade - ou outro termo que signifique isso - não tem funcionado muito, apesar da extrema sensibilidade, dedicação e competência do seu diretor geral, Valmir Mota. Este, infelizmente, pediu exoneração do cargo ontem (14/02), segundo o site Jornal Grande Bahia.

Volto a sugerir que o Governo da Bahia estude a adoção das seguintes medidas, elencadas a partir de análise dos programas em vigor na Secretaria de Saude:
  • inclusão da dependência do crack como uma doença a ser tratada preventivamente;
  • criação e implementação do Centro de Referência de Prevenção e Tratamento de Dependência Química;
  • inserção no Programa de Saúde do Adolescente – Prosad de planejamento e elaboração, com diferentes setores, de um plano estratégico de ações específicas para os adolescentes voltados para a prevenção e tratamento de dependência química;
  • enfrentamento da dependência química com a sua inserção dentro do Programa de Saúde Mental;
  • implementação do programa de Prevenção do Abuso de Substâncias Psicoativas – Prevdrogas, com a previsão de leitos em unidades psiquiátricas para tratamento dos casos agudos de dependência do crack.

Tomara que a Bahia esteja acordando, Wagner. Todos ficaremos bem se isso acontecer. Afinal, ninguém está livre de ter um adicto ao seu lado.
 
E você? Qual sua opinião sobre isso?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A demissão de Aguirre Peixoto e a liberdade de imprensa

Será mesmo que cada jornalista acredita que há liberdade de imprensa, seja no Brasil ou em qualquer outro país? Falo de jornais, TVs, revistas, rádios (não comunitárias). Não falo da imprensa feita por blogueiros em todos os cantos do mundo, muitos escondidos pelo anonimato.

Desde os tempos da faculdade, quando fui dirigente do diretório acadêmico de Jornalismo na Unicap, em Recife, tinha minhas dúvidas. Mas o romantismo que marca a maioria de nós que abraça essa carreira me deixava uma esperança de essa liberdade se concretizar um dia.

Aguirre: demissão coloca liberdade de imprensa na berlnda
A demissão nesta semana do jornalista Aguirre Peixoto, repórter do jornal A Tarde, em Salvador, é uma mostra que o que existe, sim, é a vontade do patrão. Até este, aliás, tem uma liberdade de fio curto, que pode ser puxado  a qualquer momento pelos patrocinadores. Falei sobre isso, inclusive, aqui o Forquilha, em 2007 (liberdade de imprensa existe).  


Entre 2005 e 2007 esses mesmos patrões, muitos colunistas e colaboradores, e até alguns colegas jornalistas, se posicionaram contra a criação do Conselho de Jornalismo (de Jornalistas), argumentando que o então presidente Lula queria cercear a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão. Qual o quê? Se existia mesmo a liberdade de imprensa, porque a grande mídia nunca deu espaço para que a Fenaj ou qualquer um a favor,  se pronunciasse sobre a proposta? Afinal, buscávamos ( e tenho esperança de que ele ainda se concretize) um conselho funcional, não um conselho estatal de comunicação, como os conselhos existentes de Meio Ambiente, Educação, etc. Queremos um conselho como os tem os médicos, os engenheiros, os relações públicas e até os corretores de imóveis. Somos trabalhadores, sim!

Eugênio Bucci,  jornalista, advogado e doutor em Ciências da Comunicação pela USP, disse em artigo no Observatório da Imprensa, também em 2007, que "para o jornalista, exercer a liberdade é um dever porque, para o cidadão, ela é um direito. Para que este possa contar com o respeito cotidiano ao seu direito à informação, o jornalista não pode abrir mão do dever da liberdade".   E aí eu pergunto: para que o cidadão tenha acesso ao fruto da liberdade exercida pelo jornalista, não é imprenscidível que o canal onde será veiculado também exerça a liberdade? E como fazer se os "donos" da comunicação dependem do dinheiro dos seus anunciantes e, por tal, tolhem o direito da liberdade do cidadão e o dever da liberdade do jornalista?

Sempre defendi o direito a essa liberdade. Quando nas redações ou emissoras de rádio onde trabalhei, sempre entreguei minhas matérias como achava que tinham que ser feitas a partir do que havia apurado, sempre ouvindo os dois lados.  Sempre critiquei colegas que faziam autocensura com a justificativa de que o jornal não publicaria. Essa atribuição não era minha. Era dos editores. É.

O caso da demissão do jornalista Aguirre não é apenas uma injustiça com um profissional que exerceu o seu dever de liberdade de imprensa. É mais um fato para que a categoria reflita sobre o rumo que segue a nossa carreira.

Você pode conferir o histórico do caso da demissão de Aguirre Peixoto na cobertura do site Teia de Notícias, que tem à frente as colegas Neire Matos e Angélica Parras e o colega Gusmão Neto: 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A força do querer e do não querer

O futuro é uma estrada desconhecida e depende do nosso querer


 Vejo, atualmente, muita gente argumentando que a adolescência e a juventude são épocas dificieis para saber o que se quer da vida. Ou que carreira quer seguir, por exemplo. E me questiono se essa "compreensão" não se traduz numa tolerância exagerada ou até mesmo em uma compensação, principalmente por parte de pais ausentes, por não se ter tempo de acompanhar e orientar o crescimento da criança.

Sempre que encontro pelo caminho algum adolescente sem sonhos ou um jovem que não sabe que rumo tomar, que não sabe o que quer para o futuro, pergunto-lhes se pelo menos sabem o que não querem para si. Ô, mas 'tamos falando de querer ou de não querer? Dos dois. Bom seria se soubessémos os dois. Mas, na nossa incapacidade de saber um, é importante pelo menos saber o outro. Tiro por mim.

Na área profissional, sempre soube que carreira seguir: jornalismo. Aos 7 anos eu já afirmava isso e mais à frente continuava firme em meu propósito, inspirada por Sandra Passarinho (ela mesmo, a repórter da Globo que voltou à ativa em muito boas reportagens). Aos 16 era repórter das olimpíadas estudantis da minha cidade natal (Paulo Afonso-BA) e aos 17 repórter oficial da minha rua, eleita pelas mulheres dos funcionários da CHESF que enfrentavam sua primeira greve.

Até tentei ser redatora da Rádio Cultura FM, também em PA, mas meu pai "mexeu os pauzinhos"; só que para eu não trabalhar lá. Rádio não era lugar pra moça de família. Ele ainda pensava assim em 1979. Aos 18 fui "raptada" por minha irmã Vitória, que me levou para o Recife, onde terminei o segundo grau e pude entrar, de primeira, na faculdade de Jornalismo. Para meu pai, eu ia passar fome. É claro que os jornalistas ainda são mal remunerados, mas isso não é regra. 'Tou aqui hoje, como vocês sabem. Sou fruto do saber o que queria.

Na vida pessoal foi outra coisa. A vida a dois dos meus pais não era lá bem o que eu queria. Apesar de muito romântica e sonhar com um princípe encantado, não sabia se queria casar e ter filhos. Mas sabia que NÃO QUERIA ser como minha mãe: uma mulher maravilhosa, mas com 11 filhos aos 37 anos, com pouquíssimo estudo (embora nunca tenha esquecido o que aprendeu), dependente financeira e emocionalmente do marido. Aos 41 estava praticamente sem marido, que dividia o tempo com outra pessoa (que felizmente está com ele, sem minha mãe, claro!, há quase 33 anos e através de quem tenho mais seis irmãos). Os filhos mais velhos não concordaram com a separação oficial porque tinham medo de ela não saber administrar a pensão alimentícia. Isso eu não queria pra mim.

Determinei então que primeiro teria uma profissão e depois resolveria o resto. Depender de homem não era minha praia. Com a força do meu querer o do meu não querer tenho uma profissão, que procuro abranger cada vez mais para a comunicação integrada, e tenho ao meu lado um homem que valoriza a mulher que tem. Se será para a vida toda, ninguém sabe. Mas procuramos querer todo dia que seja, sim. E isso faz a diferença.

Queria saber se você conhece a força do seu querer e do seu não querer. Chegue mais e confabule comigo.