quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando se quebra a autoridade

Apesar de achar o futebol uma arte, linda e não tão fácil como muitos pensam, sou torcedora de Copa do Mundo. Só assisto jogo da Seleção Brasileira e quando o faço sou palpiteira, como todo bom torcedor. Sempre considerei equivocado o sistema de gestão do futebol, com um turn over altíssimo de técnicos. É um troca troca danado. Sobe técnico e cai técnico por causa da boa ou má performance do time. Pergunto sempre ao meu marido e a meu filho, torcedores do Bahia, porque jogador nunca é responsabilizado pela baixa produtividade do que interessa: gol? Eles nunca sabem explicar direito. Ou as explicações nunca me convencem.
Nesta semana, tive a resposta com o caso Neymar x Dorival Junior, no Santos. A chave do problema deve estar, mesmo, no patrocínio. Um contrato é encerrado sob argumento do presidente do Santos de que a situação com o técnico ficou insuportável, só porque Dorival quis persistir na punição que impôs ao jogador.
Um filme rodou rápido na minha cabeça: já vimos essa estória antes nas escolas brasileiras. Com o surgimento das escolas privadas, onde o pai pagava para o filho muitas vezes fingir que estudava e ter apenas o certificado de conclusão, a direção das escolas começou a tirar a autoridade do professor. Os estudantes foram ficando cada vez mais ousados e a indisciplina se expandiu para as escolas públicas.
Neymar é muito jovem e não tem, certamente, maturidade para conviver com a fama e o volume de dinheiro que entra em seu bolso mensalmente. Alçado à condição de estrela, acha que tudo pode, inclusive xingar técnico em campo, diante das câmaras, para todo o país ver. Aliás, acha não. Pode! Tanto que o técnico foi considerado birrento por querer manter a punição.
Acho que Dunga estava certo quando não o convocou para a Copa deste ano. Gosto da autoridade do Dunga, mesmo que milhões o conteste. Resta esperar que dirigentes de futebol, e o técnico da Seleção, Mano Menezes, tenham coragem suficiente para impor disciplina a jovens que vivem realidade tão absurdamente distantes dos demais jovens do país, que mal conseguem emprego de um a dois salários mínimos, mesmo que tenham feito faculdade.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Já planejou sua velhice?


A partir de quantos anos você acha que alguém pode ser considerado velho? Você acha que está velho? Ou está perto disso? Acha que é muito cedo para pensar nisso? Engana-se. O planejamento é fundamental para uma velhice com conforto e segurança. Infelizmente, a maioria de nós, no Brasil e no mundo, nem tá aí pra velhice que chega.

Quer ver? Pesquisa internacional de saúde Bupa Health Pulse 2010, divulgada no último dia 17/09/2010, em Londres, revela o surgimento de uma geração que ainda se sente jovem e saudável aos 70 e 80 anos, mas que não se preocupa em planejar a velhice. Realizada pelo instituto de pesquisa independente Ipsos Mori,o levantamento envolveu 12.262 entrevistados em 12 países, incluindo o Brasil, entre 10 de junho e 14 de julho de 2010.

No Brasil, 46% dos entrevistados não se preocupam em envelhecer. Além disso, 17% dos entrevistados encaram com bons olhos a terceira idade, o maior índice registrado no mundo todo. Porém, 64% dos brasileiros não se preparam para a velhice, em termos de reservar dinheiro ou de pensar em como ser assistido no caso de não poder cuidar de si próprio. Mais da metade (53%) nem sequer começou a pensar nela, enquanto a maioria deixa completamente de se preparar para as realidades do futuro. Apenas 7% reservaram algum dinheiro e 76% acreditam que a família estará lá para dividir o ônus de cuidar deles. Só tem um problema: um relatório feito pela London School of Economics (LSE) e divulgado no dia 16/09/2010 revela que a 'rede informal de assistência' (o padrão tradicional de famílias cuidando de seus idosos) está se desintegrando, enquanto o número de idosos carentes de assistência vem crescendo.

Certo está o diretor médico da Bupa Internacional, Sneh Khemka, ao lembrar que o Brasil, assim como muitos países, vem enfrentando uma crise na assistência médica e social. “Muitos pensam que seus parentes estarão prontos para cuidar deles, mas nossas estruturas familiares estão mudando e as pessoas precisam começar a planejar e conversar o quanto antes sobre a futura assistência que terão."

A partir dessas informações, sugiro um exercício a você:

Faça um levantamento na sua família e veja a média do tempo de vida dos seus pais, tios e avós. Deu o quê: 60, 75, 80, 90 anos? Observe, agora, com quem esses idosos vivem ou viveram seus últimos anos. Você assumiu a responsabilidade por algum deles, principalmente pais ou avós? Não precisavam? Ótimo. Precisavam? Se não foi você, quem cuidou? Você tem dedicado algum tempo das suas preciosas e corridas horas para lhes dedicar um pouco de carinho?

Vamos a outra etapa agora. Você tem filhos? Sim? Como é a sua relação com eles? Você os tem preparado para serem profissionais de sucesso na carreira que abraçarem ou ajuda nas suas despesas até agora, mesmo que tenham passado dos 25 anos? Você os tem preparado para serem solidários e amigos ou estimularam/estimulam o egoísmo, o mimo exagerado?

Bom, em minha avaliação, se você nunca assumiu quaisquer responsabilidade por um idoso da sua família, mesmo que seja a de telefonar para saber como está ou de visitar para dar um abraço e ouvir as histórias de suas vidas; se você não tem preparado seu filho para ser independente, mas sem perder a solidariedade e o afeto, estão coloque suas barbas de molho. No mínimo, faça um plano de previdência complementar, porque raramente quem não cuida é cuidado. É a Lei da Ação e Reação.

Mas ainda dá tempo de fazer alguma coisa. Comece telefonando agora mesmo para seus pais e avós, se ainda são vivos, e dê a eles o prazer de ouvir sua voz dizer que sente saudade. Seus pais e avós não estão mais neste plano? Então dê atenção a outros idosos da família. Em paralelo, seja firme em seu amor por seus filhos, lembrando que educar é composto de SIM e NÂO. Quem não sabe assumir responsabilidades na juventude e na vida adulta, poderá ter problemas na velhice.

Eu tenho cuidado dos meus idosos. Ainda falto planejar financeiramente minha velhice. Boa sorte pra você.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O bloqueio de Gaza em cifras


Recebi do Gabinete de Imprensa da seção espanhola da Anistia Internacional matéria detalhando o prejuízo financeiro que o bloqueio de Gaza vem causando. Segundo o texto de Ángel Gonzalo e Manuel Sobrino, embora Israel permita a entrada em Gaza de alguns envios de agências internacionais de ajuda humanitária, estes fornecimentos estão estritamente limitados e sofrem frequentes atrasos. As agências da ONU calculam que os custos adicionais de armazenamento e transporte causados pelos atrasos provocados pelo bloqueio somaram em trono de 5 milhões de dólares em 2009.

De acordo com o Organismo de Obras Públicas e Socorro das Nações Unidas (UNRWA), desde que começou o bloqueio, o número de refugiados que vive na mais absoluta pobreza na Faixa de Gaza triplicou. Estas famílias carecem de meios para adquirir até os produtos mais básicos, como sabão, material escolar e água potável. Segundo a ONU, mais de 60 % das famílias padecem atualmente de "insegurança alimentar".

O desemprego está aumentando vertiginosamente em Gaza, pois os negócios estão sobrevivendo a duras penas com o bloqueio. Em dezembro de 2009 a ONU informou de que o desemprego em Gaza era superior a 40 por cento. Este desemprego massivo, unido à pobreza extrema e a alta dos preços dos alimentos, causada pela escassez, tem feito com que quatro de cada cinco habitantes de Gaza dependam da ajuda humanitária.

Junto ao mal estado crônico do sistema de esgoto, a má qualidade da água é motivo de grande preocupação para as organizações de ajuda humanitária em Gaza, onde a diarreia causa 12 por cento das mortes entre os jovens. A proibição quase total das exportações foi muito difícil para os agricultores, agravada pela ofensiva militar que destruiu 17 por cento das terras agrícolas, juntamente com estufas e dispositivos de irrigação, e deixou outros 30 por cento inutilizados nas zonas intransitáveis de segurança temporária, ampliadas pelo exército israelense depois do fim da ofensiva. Em Gaza, os ataques israelenses durante a Operação Chumbo Fundido danificaram ou destruíram edifícios e infraestruturas civis, incluindo hospitais, escolas e os sistemas de fornecimento de agua e eletricidade.

• Calcula-se que 280 das 641 escolas de Gaza sofreram danos e 18 foram destruídas. Mais da metade dos habitantes de Gaza são menores de 18 anos, e a interrupção de sua educação, devido aos danos causados durante a operação ‘Chumbo Fundido’ e a persistência do boicote israelense, está tendo um efeito devastador.

• Partes da rede elétrica de Gaza foram igualmente bombardeadas durante o conflito e requerem reparações urgentes que ainda não foram autorizadas. Isto, somado ao fato de que Israel segue restringindo o fornecimento de combustível industrial a Gaza, significa que 90 por cento da população de Gaza sofre cortes diários de energia durante períodos de quatro a oito horas.

• Desde então, só se tem reparado uma pequena parte dos graves danos causados pela ofensiva israelense em moradias, infraestruturas civis, serviços públicos, fazendas e negócios, porque a população civil, e as agências de ajuda humanitária e da ONU que a assistem, são proibidas de importar materiais como cimento e vidro, exceto em poucos casos.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

COmo reciclar tampas de garrafas pet

Você já sentiu, como eu, que precisa usar mais a criatividade? Sempre tenho esse sentimento quando recebo algum e-mail ou vejo reportagens sobre novas formas de reciclagem. Depois que a gente vê a técnica, pergunta: como é que não vi que isso podia ser feito assim? Mas sei a resposta: não estou totalmente com olhos de ver essas possibilidades.
Acabo por deixar passar muita oportunidade de contribuir para a preservação ambiental. Abaixo, repasso uma técnica simples, porém útil para o dia-a-dia em casa, principalmente na cozinha. É uma dica para aproveitamento da tampa de garrafas pet ou garrafinhas de água mineral. Vai evitar, inclusive, pequenas discussões sobre "quem rasgou o saco?" para retirar um pão ou um pouco de outro alimento que estava preso em um saco plástico com um nó.
Confira e sinta-se a vontade para repassar, assim como estou fazendo agora.

Corte logo abaixo do gargalo usando tesoura ou outro cortador.


Passe o saco plástico por dentro do gargalo cortado.

Depois basta fechar com a tampa.

A parte que sobrou você pode usar para outras coisas, como vasos para sua horta, flores ou outra coisa que sua criatividade sugerir. Se tiver outra ideia, compartilhe conosco.

sábado, 11 de setembro de 2010

O impacto e os desafios do crack

Conheci o trabalho da Vila Serena Bahia há uns três ou quatro anos. E por esses dias encontrei Rosely Brito, diretora desse centro de tratamento de dependência química e outros vícios à época e que hoje está afastada - sua filha Priscila está agora fazendo o trabalho que antes fazia. Rosely me contou que a Vila Serena vai realizar, no próximo 1º de outubro, o V Simpósio Internacional de Alcoologia e Outras Drogas, que acontecerá no Fiesta Bahia Hotel, com o patrocínio da Petrobras. Muito boa a iniciativa, que trará gente especialista no assunto para debater com a sociedade bauana, entre outros temas, o impacto e os desafios do crack.

O simpósio tem como objetivo mobilizar e sensibilizar os profissionais e a sociedade como um todo, avançando no entendimento do uso, abuso e dependência de drogas. A Vila Serena é uma rede de centros especializados para tratamento de dependência química e outros transtornos de impulso. Atua no Brasil desde 1982, em diferentes estados. Além de oferecer tratamento especializado, presta consultorias organizacionais, realiza treinamentos e capacitações e também promove eventos científicos, como este, para mobilizar e sensibilizar os profissionais e a sociedade como um todo. A Vila Serena Bahia fica localizada na Av. José Leite, 418, Caji – Lauro de Freitas.

Os interessados poderão se inscrever no site
http://www.vilaserenabahia.com.br/simposio/. Até o dia 25 de setembro o valor da inscrição é R$ 85 para profissionais e R$ 45 para estudantes ( que deverão comprovar matrícula). Para inscrição após essa data, ou no dia do evento, o valor é de R$ 125 para profissionais e R$ 85 para estudantes. Maiores informações através do telefax (71) 3378-1535 ou do e-mail simposio@vilaserenabahia.com.br.

Confira a programação:


PROGRAMAÇÃO CIENTÍFICA
Sexta - feira, 01 de outubro de 2010



Horário Atividade
07:30 – 8:00 - Inscrições e credenciamento

08:00 – 08:30 Mesa de Abertura
Solenidade de Abertura - Vila Serena BA/ PETROBRAS / SENAD
08:30 – 09:30 - Conferência NacionalTratamento da Dependência Química: Uma abordagem humanística e o mito poético.
Conferencista: John E. Burns (EUA)
- Ph.D. DEAP Fundador do Vila Serena no Brasil. Psicólogo e Teólogo. Mestre em Sociologia na Azuza Pacific University, doutor em Administração de Programas de Tratamento de Dependência Química pelo Union Institute. Autor de diversos livros sobre tratamento de dependência química.

09:30 – 10:30 - Conferência Internacional
Crack: O impacto do uso e seus desafios
Conferencista: Steven J. Lee (EUA)
- Médico Psiquiatra especializado em dependência química. Professor de psiquiatria da Universidade de Columbia e do Instituto de Toxicodependência em Nova York. Membro da Associação Americana de Psiquiatria, onde atuou em duas comissões nacionais. Membro da Sociedade Americana de Medicina e Adicção. Diplomado na Academia Americana de Psiquiatria e Adicção.Tem publicado artigos em periódicos médicos sobre adicção, é revisor editorial de revistas de medicina sobre dependência química e recentemente publicou um livro intitulado "Superando a adicção da metanfetamina cristal: Um Guia Essencial para ficar limpo.”
10:30 – 10:50 - Coffee break
10:50 – 12:00 - Conferência Internacional
Remédio: Medicação ou Droga?
Conferencista: Steven J. Lee (EUA)

12:00 – 14:00 - Almoço14:00 – 15:10 - Mesa RedondaTratamento de Dependência Química nas Empresas: O Olhar InstitucionalCoordenadora: Moema Britto Raquelo (BA)
Membros:
Joaquim Ferreira de Melo Neto – PETROBRAS (RJ) - Médico do Trabalho da Petrobras/REDUC, Mestre em Saúde Coletiva pela UFRJ, Coordenador do Programa de Álcool, Tabaco e Drogas da Petrobras/REDUC.
Socorro Maria Coelho Araújo – ALUMAR (MA) - Assistente Social, Especialista em Terapia de Casal e Família pela DOMUS de Porto Alegre, Especialista em Dependência Química pela USP. Coordenadora do PARE- Programa de Apoio e Recuperação do Empregado (ALUMAR).
Clenilda Ananias - MINERAÇÃO CARAÍBA (BA) - Assistente Social, MBA em Consultoria e Gestão de Pessoas pela FIB, Especialista em Serviço Social e Políticas Sociais pela UNB, Pós graduada em Administração e Planejamento Social pelo Inst. Aleixo. Coordenadora do Programa de Prevenção e Recuperação de Dependência Química da Mineração Caraíba.

15:10 – 16:20 - Conferência Nacional
Prevenção de Recaída. O dia a dia da Fase de Manutenção: Aderência, Recaída, Mentira, Vínculo.
Conferencista: Silze Morgado (SP)
- Formada em Comunicação Social e especialista em Relações Públicas pela Faculdade Cásper Líbero. Há 15 anos atua na Vila Serena SP, assessorando e desenvolvendo Políticas e Programas de Dependência Química e Outras Compulsões nas empresas (Avon, BankBoston,BMF, Bayer Schering, BRFOODS, Caterpillar, Copebras, Credicard, Embraer,FIBRIA, Fosfertil, Metrô, Natura, SABESP, Transportadora Americana e outras).
16:20 – 16:40 - Coffee break16:40 – 17:40 - Conferência NacionalO Impacto das drogas na sociedade brasileira – busca de soluções
Conferencista: Ronaldo Laranjeira (SP) -
Médico psiquiatra e PhD em Psiquiatria pela Universidade de Londres. Professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo. Professor orientador do programa de pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP. Coordenador da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas) da UNIFESP. É o Investigador principal do Instituto Nacional de Políticas do Álcool e Drogas, um dos recém-criados INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) do CNPq.

18:00 - Encerramento