quarta-feira, 28 de julho de 2010

Criminalização da violência nos estádios em questão

A sanção da lei que criminaliza a violência nos estádios, que ocorreu ontem, 27/07/10, em minha avaliação, é oportuna e ao mesmo tempo equivocada. Vixe! E pode algo ser bom e ser ruim ao mesmo tempo? Claro que sim! Principalmente quando ela não encontra, ou não oferece, o equilíbrio.

A nova lei cria regras mais rígidas - ótimo! Mas determina punição com cadeia - péssimo! Generalizar e banalizar a detenção contradiz a mais recente diretriz do próprio Ministério da Justiça, que tem investido em ampla campanha para sensibilização da sociedade em relação às penas alternativas.
Não podemos esquecer, ainda, que o Brasil, sem exceção de Estado, enfrenta superlotação nos presídios e delegacias. Estas, inclusive, perdendo a sua característica de detenção temporária para averiguação, gerando protestos dos agentes de polícia que tem sido transformados em agentes penitenciários. No site do Ministério da Justiça busquei agora pela manhã dados atualizados da população carcerária e encontrei estatística fechada em dezembro de 2009, que soma 473.626 presos em todo o País, incluindo delegacias.
Criar mais uma lei que pune com cadeia é equívoco. Não adianta o Ministério da Justiça querer investir, através do Departamento Penitenciário Nacional, R$ 478 milhões para criar cerca de 35 mil novas vagas no sistema prisional brasileiro. Os governantes do nosso país, e o nosso próprio povo, precisa investir em educação e nas penas alternativas, sim! Porque para homicídios e outros delitos mais graves o Código Penal já está aí. E olhe que carece de revisões periódicas.
Precisamos de educação, de informação sobre relações humanas, filosofia e sociologia nas escolas. Mas também precisamos que nós, pais, reassumamos o comando em nossos lares, lapidando nossos filhos desde a infância, como orienta inclusive na Bíblia (para aqueles que a tem como lei maior). Temos que aprender, de uma vez por todas, que amar não é apenas dizer SIM. E que dizer NÃO é importante, essencial para o equilíbrio na vida e que não traumatiza, como preconizaram alguns psicólogos nas décadas de 80 e 90.
Quem tem a educação no berço sabe o que é certo e o que é errado; sabe os limites do comportamento. E quem tem esta educação associada à educação formal, consegue viver em equilíbrio, aceitando a vitória em um dia e a derrota em outro.
E você, o que pensa sobre isso? Confabule comigo.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Viver entre tapas e beijos não é amar



Tenho o privilégio de ter um grupo de vizinhos que gosta de se reunir com frequência, não apenas para uma cerveja e para provar os dotes culinários de alguns, mas também para conversarmos sobre assuntos diversos.

Recentemente, conversei com uma delas sobre os relacionamentos dos nossos filhos com as namoradas deles. Parecia normal, para eles - que tem idade entre 23 e 26 anos - um namoro marcado pelo ciúme excessivo, pelas brigas diárias - presenciais, por telefone e virtuais . Minha vizinha disse:" é assim mesmo. Outro dia achei que eles estavam brigando, mas eles disseram que não, apesar de se tratarem com palavras ácidas, sarcasmo e até mesmo palavrões".

Eis que chega no local onde trabalho uma revista chamada Cidadania, da Fundação Bunge, em sua edição 54. Nunca tivera, até então, a oportunidade de ler nenhuma outra edição desta publicação, que aborda questões tão importantes para a sociedade. A matéria principal trata do tema da minha conversa com minhas vizinhas: a agressividade que marca os relacionamentos dos jovens.

Segundo a reportagem - Vamos discutir a relação? - nove entre 10 jovens já sofreram ou praticaram atos de violência contra o(a) parceiro(a). Esse foi o resultado da pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), coordenada pela pesquisadora Kathie Njaine, que ouviu 3.205 jovens entre 15 e 19 anos de 104 escolas públicas e privadas de 10 capitais brasileiras.

O resultado é preocupante e deve ser levado a sério por nós, adultos, que convivemos com jovens, sejam eles filhos, sobrinhos, alunos, estagiários ou qualquer que seja o tipo de relacionamento.

O mais impressionante é que, apesar de vivermos em um mundo machista, com um número cada vez maior de mulheres vítimas de violência doméstica, a pesquisa apontou que as jovens estão muito mais agressivas que os homens. Disseram ter praticado violência verbal contra o parceiro 33,3% das adolescentes, contra 22,6% dos rapazes. Em relação à violência física, 28,5% delas disseram ter agredido os namorados, enquanto apenas 16,8% dos namorados admitiram ter cometido contra as meninas.

E para quem pensa que apenas homens forçam carícias (na pesquisa considerada violência sexual), o resultado da pesquisa mostra que as garotas também estão jogando duro em suas relações: 49% dos jovens e 32,8% das garotas disseram já ter cometido esse tipo de violência.

Monica Amaral, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), na reportagem, defende que a agressão pode ser uma forma de recuperar ativamente situações vividas de forma passiva durante a infância. Magdalena Ramos, terapeuta de casais, também vê influência da família nessa questão. Ela atribui o problema à falta de convivência entre a família: " A família mora sob o mesmo teto mas não se encontra".

Concordo com as especialistas que alertam para a necessidade de recuperação do diálogo entre jovens e adultos, com a retomada e fortalecimento do núcleo familiar, que é a base para tudo. Concordo, também, com a importância da participação da comunidade escolar nesse processo de recuperação da auto-estima do jovem e do conceito verdadeiro do amor.

Nós, adultos, precisamos dar o exemplo de que o amor é um sentimento para fazer bem, não para fazer sofrer. Que amar não significa que dois vão virar um, mas que serão duas pessoas, distintas, com objetivos e sentimentos em comum. Que o amor se fortalece com o respeito, com a confiança, com o companheirismo; mas que é destruído pelo ciúme, possessividade, agressividade, desrespeito.

Entretanto, muitos de nós, adultos, nunca experimentou - nunca se permitiu experimentar - um amor de verdade. Não apenas paixão, daquela que chega com apenas um tesão avassalador e que acaba tão rápido como veio. Muitos de nós também tem amado os filhos com superproteção, impedindo o seu amadurecimento psicológico.

Que tal confabular sobre isso? Como é seu jeito de amar? O amor lhe faz feliz? Traz paz e confiança em seu coração?

domingo, 25 de julho de 2010

Aborto de fetos anencéfalos

Meu amigo Chico Muniz, jornalista como eu e também espirita, enviou-me dias atrás um link sobre uma polêmica que estava sendo travada entre uma defensora pública e seguidores de um blog que se posicionam contra o aborto e em defesa da vida. Tudo porque a defensora postara, em seu twiter, que tivera o prazer de entregar um alvará autorizando o aborto de um feto anencéfalo. E Muniz pediu que eu desse um parecer sobre o assunto.

Se esse pedido tivesse ocorrido há uns 15 anos atrás, certamente eu teria dito que era direito da mãe, sim, e que ninguém tem nada com isso. Mas, os anos passaram, amadureci, comecei a estudar a doutrina espírita e muitos conceitos que tinha desenvolvido na juventude, quando, inclusive, defendia o direito ao aborto, mudaram. Eu tinha muitas dúvidas de quando a vida começava, de fato. Dúvidas que foram sendo dissipadas com o estudo e com o passar do tempo.
Aprendi que todos temos direito à vida - ao reencarnar. E que muitas vezes o nosso tempo de vida, assim como a nossa condição física para viver, pode ter sidos definidos anteriormente, como desafios a serem vencidos. Com isso, passei a entender que mesmo um bebê anencéfalo tem um projeto de vida.

Segundo informações que encontrei no site http://www.anencephalie-info.org/ , "crianças com esse distúrbio nascem sem couro cabeludo, calota craniana, meninges, cérebro com seus hemisférios e cerebelo, embora normalmente tenham preservado o tronco cerebral. O tecido cerebral restante é protegido somente por uma fina membrana. A criança é cega, surda e não tem ou tem muito poucos reflexos. Cerca de 40% dos fetos anencefálicos morre intra-útero e 25% ao nascer. Aqueles que sobrevivem têm uma expectativa de vida de poucas horas, poucos dias e muito raramente poucos meses." Mas essa curta vida pode ser, inclusive, um processo de valorização da vida tanto para o espírito do bebê quanto para aqueles que o receberam como pais.

E quanto ao papel da Defensoria Pública nestes casos? Bem, fui assessora de Comunicação da Defensoria Pública da Bahia por quase três anos. E tive a oportunidade de ver que a instituição estava sendo cada vez mais procurada, em diversas partes do Estado, por gestantes de fetos anencéfalos que queriam interromper a gravidez. Lembro de pelo menos três casos, em curto espaço de tempo, onde os defensores públicos lograram sucesso nas suas defesas e conseguiram que a Justiça autorizasse o aborto.

Quando recebi a primeira informação e o pedido de divulgação,enfrentei um conflito interior. E agora? Divulgava só no site da Defensoria ou enviava a decisão da Justiça para a imprensa? Refleti, conversei com alguns colegas, debati com a defensora autora da ação e fiz minhas preces. Entendi que o livre arbítrio estava sendo exercitado pelos atores da questão: a mãe, o (a) defensor (a)público (a) e o(a) juiz(a). A mãe, demonstrava não estar preparada emocional e espiritualmente para levar até o final uma gravidez que não teria o resultado que ela sonhava. O representante da Defensoria Pública, que tem a missão de assegurar o acesso da Justiça àqueles que não podem pagar por advogados e o representante da Justiça cumpriam o seu papel constitucional.

Decidi publicar no site e sugerir uma pauta para um jornal e uma emissora de TV local (Salvador-BA). Queria que o tema fosse discutido com mais amplidão. Nenhum dos dois quis "comprar" a pauta. A Defensoria continuou - e deve continuar - sendo procurada por mães imaturas e assustadas com a gestação de anencéfalos.

Aprendi que não posso impedir que as coisas aconteçam. Pelo menos não condenando, agredindo verbal ou fisicamente quem tenha opinião oposta à minha. Posso apenas contribuir, com o esclarecimento ( assim como venho sendo esclarecida em muitos momentos), para que decisões que viabilizem a evolução individual possam ser tomadas. Se fosse comigo, provavelmente gostaria de levar a gravidez até o final, para que o espírito que acolhi pudesse completar a sua jornada e eu pudesse cumprir a minha missão. E se fosse você?



http://www.anencephalie-info.org/p/perguntas.php#9