quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

FIlhos adultos e o apego à casa dos pais


Estou reorganizando minha vida, meu tempo, e logo voltarei a confabular com a frequência que sempre idealizei. Hoje gostaria de falar sobre uma notícia que li no Correio da Bahia. O ministro da Administração Pública da Itália, Renato Brunetta, propôs nova lei para forçar os filhos adultos a saírem da casa dos pais. A sua motivação foi uma decisão judicial na cidade de Bergamo, que obrigou um pai a contribuir para as despesas da filha de 32 anos que ainda mora com a família, embora tenha concluído um curso universitário há oito anos. O ministro defende que os filhos sejam obrigados a deixar a casa dos pais aos 18 anos. Os italianos são os europeus que levam mais tempo para sair de casa.

Essa notícia traz à tona uma antiga discussão, sobre a idade ideal para os filhos saírem da casa dos pais. Por experiência e observação, sempre considerei que os jovens residentes nas cidades interioranas amadurecem mais rápido pela necessidade que tinham de ir para a capital ou uma cidade maior para cursar universidade. Comigo e alguns irmãos, e com muitos amigos, foi assim. Não cheguei a morar em pensionato, como meus irmãos Niltinho e Vitória, mas morávamos sem nossos pais, com dinheiro regrado, enviado mensalmente sem a chance de nova cobertura se por acaso não tívessemos o controle dos gastos. Os pais iam periodicamente em visita. Meu irmão foi estudar "fora" com apenas 16 anos. Minha irmã saiu de casa aos 18 e eu pouco antes de completar 18.

A experiência foi excelente e era comum no interior. Mas, no convívio com amigos em Recife, enquanto estava na faculdade (UNICAP), via que os mesmos estavam nas casas dos pais. E que muitos terminaram a faculdade, trabalhavam, mas continuavam na casa dos pais. O que ganhavam era para eles; nem mesmo uma conta de energia pagavam.

É claro que, com a abertura de faculdades em muitas cidades do interior, a coisa mudou bastante. OS filhos não precisam sair da cidade. Mas terminam o curso e tem menos chance que na capital de conseguir o emprego. E vão ficando na casa dos pais indefinidamente. Até casamentos são adiados.

Hoje, continuo estranhando ver tantos adultos morando na casa dos pais, sem dar uma contribuição para as despesas e ainda brincando de casamento na casa deles com as(os) eternas(os) namoradas. Os pais, que tanto duro deram e tão pouco aproveitaram da vida ( em sua maioria, como os meus), continuam sem recursos e sem privacidade para fazerem o que gostam. Claro que tem pais, principalmente mães, que se submetem a qualquer coisa para ter o filhote junto de si - mesmo que ele tenha idade de constituir sua própria família.

Mas, ter uma lei para dar a oportunidade aos pais para viver as suas próprias vidas depois de os filhos estarem adultos é, mais uma vez, a invasão da lei nos sentimentos. Entendo, e defendo, que cada pai e cada mãe deve ter a capacidade de discernir o que quer para as suas vidas. Viajar periodicamente, por exemplo... como faz bem. Ou até mesmo não fazer nada, mas ter o direito de assistir a televisão no canal que mais gosta, disputando apenas com o companheiro ou companheira ( no caso dos lares em que tem um só aparelho de TV).

É importante, também, que os jovens sejam estimulados à independência - financeira e sentimental. Isso não significa que se quebre o vínculo de amor com a família. Ao contrário. Quanto mais autônomos somos, mas capacidade temos de amar despreendidamente.

E você. Saiu de casa cedo, pretende sair cedo ou vai ficando por aí?

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

A violência vai levar você para que lado?

Começamos uma nova caminhada, deixando pra trás um monte de coisa. Neste início de 2010 senti um quê de epitáfio. Devia ter feito muito mais coisas e trabalhado menos. Devia, inclusive, ter priorizado mais as minhas confabulações. Nem mesmo consegui postar as minhas aventuras pela Bolívia e Peru (mas o farei, retroativamente).

Sobre o novo ano e as espectativas e perspectivas, relato uma conversa que tive na manhã do dia 4 com um motorista de Defensoria Pública. Dizia ele, preocupado, que esperava que o ano fosse de menos violência, porque o mostrado pela TV Itapoan dava medo. Disse-lhe eu que a emissora era tendenciosa porque ganhava pontos no ibope com a miséria alheia; que, infelizmente, poucos setores da imprensa se dão ao trabalho de buscar e divulgar coisas boas, iniciativas de solidariedade, de apoio, de paz. O bem, infelizzmente, não dá ibope.

Li uma vez uma parábola que falava da influência da opinião dos outros sobre nossas vidas. Era sobre um pai que, em uma cidade do interior, resolveu colocar uma barraca na estrada para vender algumas coisas. Tudo dava certo até ele contar para o filho, que morava na capital, e ter como resposta que era doido, porque o mundo estava enfrentando uma crise. Ele ficou tão influenciado que negligenciou o negócio e o fechou por causa da "crise".

Não que a violência não exista. Ela está aí e muitos de nós a sente na pele. Mas considero, como cidadã e jornalista, que o mal tem muito mais espaço na mídia, em detrimento de boas ações que vem acontecendo em todos os cantos do planeta. O problema é que estamos nos deixando encurralar e logo logo estaremos tal qual no filme os substitutos, com Bruce Willis, onde os humanos, em 2054 ficam em casa e colocam andróides para os substituíresm em suas tarefas diárias. Creio que podemos mais que isso. Somos humanos e com a solidariedade podemos dar início a um processo de reversão desse quadro.
Em que lado você prefere ficar? Do lado daqueles que querem mudar ou dos que preferem deixar o medo se instalar e se permitir ser acuado? A escolha é individual.