sábado, 29 de agosto de 2009

Intolerância na crítica a Sasha

Foto: Blad Meneghel/divulgação - Contigo


Fiquei surpresa com a repercussão que teve o fato de a filha de Xuxa Meneghel, Sasha, de apenas 11 anos, ter escrito cena com "s", ao postar no Twitter. Vemos todos os dias casos de pessoas adultas, com graduação e até pós graduação trocando "ss" por "ç", "z" por "s" e outras coisinhas mais. Para vermos como o brasileiro escreve bem bastar fuçar a internet e os milhares de blogs e sites de notícias. Vemos corriqueiramente as pesquisas apontando os absurdos dos nossos jovens nas provas do ENEM. Mas não podemos tolerar um erro tão comum em uma menina de apenas 11 anos? A intolerância está baseada em quê? No fato de ser filha de Xuxa, uma mulher linda, rica e bem sucedida?

Vi colunistas retrucando Xuxa, que argumentou que a filha foi alfabetizada em inglês, que deveria fazê-lo agora em português. O mesmo deveria ser dito para os milhares de pais que deixam seus filhos serem alfabetizados no computador e que, apesar de se tornarem internautas desde criancinhas, não sabem usar um lápis ou uma caneta para "desenhar" as letrinhas e escrever uma mensagem curta que seja.

É muita hipocrisia e intolerância querer jogar pedra em Sasha e em Xuxa. Será que as pessoas que postaram críticas ofensivas à garota escrevem direitinho ou só sabem a linguagem internética que substitui o não por naum?

Sou muito chata no cumprimento da Língua Portuguesa, mas não quer dizer que saiba tudo ou que não erre nunca. Ah, não falei sobre isso antes porque só agora tive tempo de atualizar o Forquilha.

A dor dos filhos "bastardos"



Hoje, ao fazer cobertura do trabalho dos defensores públicos na Ação Cidadã Sou Pai responsável, no bairro da Liberdade, em Salvador, tive a oportunidade de confirmar a fragilidade das relações dos casais da atualidade e o buraco deixado em muitos por uma legislação marcada pelo preconceito, embora já justamente corrigida.

No Centro Social Urbano da Liberdade passaram mais de 100 pessoas, a convite da Defensoria Pública, que busca estimular a paternidade responsável e oferece exame de DNA gratuito. Tive a oportunidade de conversar com alguns, que me autorizaram relatar os seus dramas. Gostaria de contar a história de Arivaldo José Veloso (foto), 54 anos. Ele conviveu por toda a sua vida com o estigma de " filho bastardo", imputado por uma legislação preconceituosa. Durante a infância não sentiu muito o peso desta condição. Mas, ao se tornar adulto e ser questionado, todas as vezes em que apresentava a carteira de identidade (RG), o porque de não ter o nome do pai, começou a ficar muito incomodado e procurou resolver a questão.

Seu caso deve ser como o de muitas outras pessoas da sua faixa etária, que conviveu com um Código Civil marcado pela ignorância. Durante anos seu pai, José Cândido Veloso, ainda solteiro, manteve um relacionamento não oficial com a sua mãe, Libênia Bernarda de Souza, com quem teve três filhos nesta condição. Quando Arivaldo nasceu, José Cândido já estava casado com outra mulher. Em 1955, o homem que tinha filho "bastardo" - aquele que nascia fora do casamento - só poderia registrá-lo se a esposa concordasse.

Arivaldo não teve sorte. Seus três irmãos tem pai e mãe no registro. Como a esposa do seu pai não concordou, apesar de lhe dar o sobrenome, José Cândido consta na certidão de nascimento apenas como "declarante". Pra resolver agora a coisa está mais complicada: José Cândido e Libênia estão mortos. Para fazer o DNA, precisa de duas pessoas. Da irmã mais velha tem o apoio. Do tio, irmão do seu pai, que tem 74 anos, não tem muita certeza. Até porque os irmãos por parte de pai aceitam os três irmãos de Arivaldo, mas não o veem como irmão. Bastardo é bastardo para muitos, infelizmente.

Bem humorado, apesar da lacuna que traz no seu íntimo, Arivaldo critica aqueles que fazem as leis: “Não me importo, não me amoleço, nem me entristeço, mas fico chocado com o silêncio daqueles que supostamente detêm a sabedoria. Eu e meus irmãos sofremos por causa desses homens”.Em sua opinião, a própria Justiça não tem interesse em promover o resgate da honra que julga maculada. "Se quisessem, autorizavam a exumação do corpo do meu pai", defende. Ele saiu do CSU da Liberdade levando um convite para a irmã mais velha e o tio comparecerem na próxima sexta-feira, 4 de setembro, no mesmo local, para fazerem o exame de DNA. Quiçá consiga o apoio do tio e resgate a integralidade da sua cidadania, que julga perdida.

Arivaldo tem esse burado nos seus documentos e em seu coração por causa da hipocrisia da sociedade, que dizia "zelar" pelos bons costumes. Atualmente, milhões de novos filhos começam a ter seus buracos abertos por conta da fragilidade das relações e da falta de consciência de homens e mulheres sobre a responsabilidade da paternidade/maternidade.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Somos finalistas do Prêmio Aberje 2009


Essa sexta-feira, 28 de agosto, é mais um dia de oportunidade de confirmação do empenho que a equipe da Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública da Bahia tem tido para dar a justa visibilidade a essa instituição tão importante para fazer com que os direitos de todos sejam respeitados.

Acontecerá aqui, em Salvador, a Audiência Pública do Prêmio Aberje 2009, onde a Defensoria participa como finalista do Prêmio Regional Norte e Nordeste. Desta vez minha parceira de profissão e de luta Carla Ferreira, que hoje está à frente da Cannal Assessoria, apresentará o case "Focalizando a ‘prima pobre' no Sistema de Justiça - Defensoria Pública e o relacionamento com a mídia", inscrito na categoria Pequenas e Médias empresas - Comunicação e Relacionamento.

Este é o segundo trabalho em que a Defensoria participa como finalista neste prêmio. No último dia 14 foi finalista em Audiência Pública em São Paulo, quando defendi o case " A Defensoria Pública para quem tem direito - estratégias de comunicação com seu público assistido", inscrito na categoria Pequenas e Médias empresas – Mídia.

Acredito na força dos nossos trabalhos. Sabemos - Carla e eu, Roberta Gusmão (que ficou conosco alguns meses) e os estagiários que estiveram conosco: Vanessa Costa,Geraldo Félix, Deisiane Cunha, Alexandre Santos, Rômulo Faro, Laíza Ramos e Luciana Rodas Vera - que foi e é uma construção lenta e árdua a tarefa de dar visibilidade a uma instituição nova, sem recursos, recém autônoma e que tem como público alvo um contingente enorme de analfabetos e alfabetizados funcionais.

Sei que todos os colegas jornalistas e os relações públicas que trabalham em Assessorias de Comunicação do Setor Público sofrem com as múltiplas funções que tem que desenvolver, mesmo contrariando a regulamentação da nossa profissão. São muitas as dificuldades, mas que podem ser vencidas com perseverança e, principalmente, profissionalismo. E com o apoio da instituição, sob gestão da defensora geral Tereza Cristina Almeida Ferreira, que aos poucos tem nos concedido a infraestrutura necessária.

Ser finalista de um prêmio como este é uma vitória que talvez muitos de vocês não tenham noção. E ter a possibilidade de ser vencedor, diante do trabalho apresentado e dos resultados obtidos com ele, é mais que gratificante.

A decisão está nas mãos dos jurados. Mas nada me impede de estar confiante na vitória. Creiam-me, não é presunção ou arrogância, é só a certeza de que temos trabalhado de forma intensa e correta.


CASES DA DEFENSORIA

Elaborado pela jornalista Carla Ferreira, que integrou a Assessoria de Comunicação até maio passado, o case "Focalizando a ‘prima pobre' no Sistema de Justiça - Defensoria Pública e o relacionamento com a mídia", destaca as ações desenvolvidas para dar visibilidade à Defensoria Pública junto à mídia e como a instituição se tornou fonte para os diversos veículos de comunicação.
O case " A Defensoria Pública para quem tem direito - estratégias de comunicação com seu público assistido", elaborado pela jornalista Vanda Amorim, que coordena a Assessoria de Comunicação Social da Defensoria, apresenta a cartilha institucional, como carro-chefe, e a cartilha Reconstruindo o Caminho da Cidadania e as peças que integram a Ação Cidadã Velhos Amigos (Idosos), como complementares na estratégia de informar o cidadão assistido sobre os seus direitos.

O PRÊMIO

O Prêmio Aberje 2009, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, é de grande relevância nacional e tem como objetivo fortalecer a visão estratégica da comunicação empresarial por meio do estímulo, do reconhecimento e da divulgação de esforços e de iniciativas na área.

A Audiência Pública da regional Norte Nordeste será no Centro de Formação Profissional, Núcleo de Pós Graduação UNIJORGE, rua Dr. José Peroba, 123 - Edf. Empresarial Sagarana, Campus osta Azul, Stiep - Salvador/BA, durante todo o dia DA SEXTA-FEIRA, 28, reunindo 35 finalistas em 14 categorias. A Defensoria concorrerá com a Lima Comunicação, também da Bahia, e a VSM Comunicação, do Ceará, e fará sua apresentação às 14h30.

O resultado dos prêmios regionais sairá no início de setembro e os vencedores concorrerão, automaticamente, ao Prêmio Aberje Brasil 2009, que terá Audiência Pública prevista para 16 de setembro.

domingo, 9 de agosto de 2009

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - Defensoria baiana estimula reflexão sobre importância da paternidade


Quem não conhece ou não ouviu falar de alguma mulher, em qualquer idade, que engravidou e o homem pula fora, dizendo não ser o pai? Acho que cada um de nós conhece alguém que passa por essa situação. Com isso são muitas as crianças que nascem com o estigma de ver na certidão de nascimento que é filho apenas de mãe, como se tivesse nascido de uma chocadeira.

Desde 2007 a Defensoria Pública da Bahia vem promovendo a Ação Cidadã Sou Pai Responsável, que busca estimular os homens que tentam ou caíram fora a perceber a importância de ser pai. Os defensores públicos tentam promover uma ~mediação ou uma conciliação entre os que já foram um dia um casal. Em muitos casos, o homem reconhece ali mesmo que é o pai da criança e é encaminhado para fazer a certidão de nascimento. Em outros, quando a dúvida persiste na cabeça do suposto pai, homem , mulher e criança são submetidos - desde que concordem, claro - a exame de DNA gratuito.

Na edição 2009 da Ação Cidadã Sou Pai Responsável, o atendimento sairá dos gabinete e irá a três bairros populosos de Salvador, para ouvir e tentar ajudar, na própria comunidade, aqueles que vivem este conflito. Serão beneficiadas as comunidades do Bairro da Paz, Liberdade e Nordeste de Amaralina. Que os homens que assumirem a paternidade a partir desta ação da Defensoria Pública, o façam levando junto amor por seu filho. Com amor por nossas crianças poderemos evitar muitas lágrimas no futuro.

Prêmio Aberje 2009

Estou feliz. Mais feliz do que sempre sou. Os dois projetos que Carla Ferreira - com quem trabalhei durante dois anos na Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública da Bahia - e eu inscrevemos no Prêmio Aberje 2009 são finalistas. Um deles aborda as estratégias de comunicação da Defensoria para com o seu público assistido, composto, em maioria, por pessoas com baixa escolaridade. Farei a defesa em audiência pública que acontecerá no próximo dia 14, em São Paulo. O segundo, trata das ações desenvolvidas para conseguir dar visibilidade, junto à imprensa, à prima pobre do Sistema de Justiça. Será defendido por Carla Ferreira em audiência pública no dia 28 deste mês, em Salvador, na Unijorge (Av. paralela).
Ter essa participação é importante para qualquer profissional, assim como para a empresa. Para nós, mostra que apesar de todas as dificuldades, estamos no caminho certo. Para a Defensoria Pública, a visibilidade tornasse ainda maior, visto que é a única, das 24 Defensorias do País (incluindo a da União), a participar como finalista de prêmio tão relevante na área de Comunicação. A audiência é aberta ao público. Os profissionais e estudantes da área de Comunicação que tenham interesse devem se inscrever, gratuitamente, no site http://www.premioaberje.com.br/.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Manipulação da imprensa

O Senado viveu mais um dia de conflitos ontem, com o bate-boca entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Pedro Simon (PMDB-RS), com interferência agressiva de Fernando Collor (PTB-AL).
Collor disse que é a imprensa que está tentando derrubar Sarney e que sabe muito bem como isso funciona. Ele foi cassado como presidente da República depois de uma série de denúncias.
Não creio que seja invenção da imprensa. Os fatos denunciados parecem reais. O que sempre me incomodou, como jornalista e cidadã, é que que, periodicamente, os donos dos veículos de comunicação - políticos em sua maioria - pautam a caça a bruxas, aliás, a bruxos.
Se esses fatos existem, porque não foram denunciados antes? Vejam bem, não estou fazendo defesa de Sarney. Estou criticando a postura da imprensa, da qual faço parte. Será que fechar os olhos para as mazelas de um poder e dos seus membros por tempos sem fim e, de acordo com o calor das ondas políticas centrar fogo em uma única pessoa, é a transparência da imprensa que queremos, que merecemos?
Quando, na Bahia, eu cobria a Assembleia Legislativa, fica atenta aos bastidores e, principalmente, ao Diário do Legislativo. Ali estavam as melhores pautas. Plenário é apenas para briga de comadre. E apenas algumas comissões levam a sério o seu trabalho. Recentemente, uma colega, ao cair a sessão, reclamou de não ter pauta. Fiquei impressionada, confesso. A pauta não está ali.
Se temos que fazer mudanças ou limpezas, que ela seja em todo o ambiente e não apenas focada em uma pessoa que, caindo, terá repercussão imensa no Maranhão. Há interesse político ou não. Temos que parar de tapar o sol com a peneira e ver que a imprensa não é livre. É manipulada - a grande imprensa - pelos donos do poder.