segunda-feira, 26 de outubro de 2009

TOUR NA BOLÍVIA e Peru: Noites num deserto de sal

Como disse na postagem anterior, a nossa viagem de férias deste ano - 2009 - é de desafios. O primeiro foi enfrentar um deserto de SAL na Bolívia - O Salar de Uyuni, num extensao de pelo menos 12 mil km2. A aventura foi de duas noites e três dias, começando de Uyuni. Comemos muita poeira e ficmos impressionados como tanta gente vive isolada.

Em Colchani tem um hotel de sal que, atualmente, só abriga ciclistas que tem a coragem de pedalar no deserto. Mais à frente tem o primeiro hotel de sal. Isso mesmo, as paredes, a estrutura da cama, as mesas... tudo de sal. Hoje este é só um museu. Ele foi construído mas ou menos em 1990.

A segunda parada foi em Isla Pescado, ou Isla Incahuani - um monte alto, rochoso, no meio do deserto de sal, com cactos imensos. Incrível o desenho que o vento fez no sal condensado. Esta ilha está localizada na Província Daniel Campos, no Departamento de Potosí, recebe o nome de Thunuda Salt Flat e está a 3.600 msm. O cacto mais velho alcançou 12 metros e viveu mais de 1.200 anos.

No final da tarde fomos a San Juan, onde ficamos em um hotel de Sal. Dividimos - eu e Roberto - o quarto com a espanhola Patrízia ( muito simpática). Nao dormi bem. Além do frio, a sensaçao de estar tocando o tempo todo em parede de sal nao foi confortável.

Na segunda noite dormimos em uma hospedagem normal (Guadalajara), onde nao tinha como tomar banho. No terceiro dia acordamos às 4 da manha para irmos ver os geigers ( se estiver errado epois corrijo). Enfrentamos 10 graus abaixo de zero. Mais foi fantástico.

Depois falarei das lagoas do deserto. Vê-las nao foi desafio. Foi prazer.

Mando um beijo para Vânia e Nana - aniversariantes. Um dobrado para Nana, futura mamae.
O teclado nao tem o til.
Abaixo, fotos dos Geigers.e da Isla Pescado, no Salar do Uyuni.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

TOUR BOLÍVIA- Enfrentando a altitude

Estamos, Roberto e eu, estamos há 19 dias fora do Brasil, em férias de desafios. O principal, vencer a altitude da Bolívia e Peru. Fiquei de postar nossa aventura como mochileiros coroas, mas ñ foi possível até o momento. Ou ñ tivemos tempo, ou ñ tinha internet onde estávamos. Enfrentar desafio da altitude, principalmente para mim, que faço exercício em uma semana e na outra ñ faço, tem sido impressionante. Tenho certeza de que, se ñ fosse Roberto a me incentivar até o último instante, eu ñ teria visto coisas tao (o teclado ñ tem til) lindas. E até me fez ficar tolerante com a Seleçao Brasileira, que perdeu de 2 a 1 para a Bolívia. Nós estavamos lá, no Estádio em La Paz, assistindo a partida e sentindo na pele que aqueles que jogaram os 90 minutos, a exemplo e Daniel e Nilmar, foram vitoriosos. Respirar em alta altitude é difícil; imagina correr atrás de uma bola. Qualquer movimento cansa. E os bolivianos fazem isso desde criancinhas. Quero vê-los aguantar correr sob um sol de quase 40 graus no Nordeste.
Nosso tour pela Bolívia terminou há dois dias. Os relatos por cada desafio farei posteriormente, porque o CD com as fotos estao na mochila e ñ quero desarrumar tudo agora.
Neste momento, sexta-feira, 16/10/09, estamos em Puno, Peru, fronteira com a Bolívia. Logo mais, às 21 horas, seguiremos para Cuzco e, depois, para Machu Picchu. Está chovendo e estamos dando um tempo no Hospedaje Yuriana (perto da Plaza das Armas), onde ficamos hospedados. Muito legal, por sinal.
Para que os nossos (todos) vejam que estamos bem, posto foto que fizemos no passeio de hoje pela Isla Orus (flutuante). Os detalles postarei depois. Um abraço a todos vocês.


Isla Orus (Puno - Peru) - Isla Puma Uta ( flutuante) - 3.850 msm - barco de Totora (junco)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Aberrações sexuais, outros crimes e a família

A família - 1925 - Tarsila do Amaral

Há três dias Salvador está sob choque por ver um jovem estudante de Medicina, Diogo Nogueira Moreira Lima, bonito e de família de classe média, ser desmascarado como pedófilo, com uma lista de pelo menos 10 vítimas. "Ele precisava disso?", questionou chocada uma estudante de Jornalismo, Luciana Rodas, numa referência de que é difícil entender porque pessoas que supostamente tem tudo apresentam distúrbios tão graves como essa aberração sexual.

Hoje, li que projeto do senador Gerson Camata (PMDB-ES) pode ser votado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, propondo castração química para presos condenados por estupro, atentados violentos ao pudor e pedofilia. Alguns estados norte-americanos e o Canadá já adotam essa medida. A ideia é diminuir a libido dos condenados por meio de medicamentos que agem no controle hormonal.

Não sou psicóloga - sou jornalista por formação, vocês bem o sabem - mas entendo que a questão da pedofilia ou os prazeres provocados pelas aberrações sexuais não é apenas por uma taxa elevada de testosterona. Prender, castrar quimicamente ou adotar outras medidas meramente punitivas não resolverá o problema.

Lamentavelmente continuamos a ver no nosso País, talvez no mundo, o Poder Público - polícia, política e justiça - tratando os problemas dos crimes como se fossem casos isolados. Calma, não vou defender que é uma questão gerada pelos problemas sociais. Também não acredito nisso como principal causa. Acredito, sim, na fragilidade das relações humanas, na pulverização da família e da sua função essencial de formar o cidadão, obrigação prevista não apenas na lei dos homens, mas nas "leis" espirituais.

Diogo, o estudante de Medicina, supostamente tinha tudo. Será? Gilson, que matou uma médica na Bahia e depois "suicidou-se" no presídio, era estuprador e um monstro. Será que nasceu assim? Tantos outros - 13.949 casos só de pedofilia na Bahia, de 2003 a 2009 - estão aí a nos provocar. Temos milhares de jovens afundando nas drogas e na criminalidade. Tantos idosos seduzindo (e às vezes sendo seduzidos) adolescentes e jovens, em busca da juventude perdida...

Em minha humilde avaliação, acho que está faltando coragem para todos nós. Coragem de olhar para o primeiro núcleo da sociedade - a nossa família, ver onde estamos errando e ousar mudar, ou ao menos tentar. Um colega de trabalho comentou comigo, ontem, que se algum filho dele se envolver em algo errado, ele o deixará por sua própria conta e risco, "porque teve tudo". Será? Será que colocar em boas escolas, vesti-los na moda, abrir a mão e meter dinheiro em seus bolsos, dar a chave do carro - quando não dá um carro - e outras concessões, é dar tudo? Será que arranjamos 5 minutos que sejam, diariamente, para conversar, ouvir suas histórias, seus anseios e suas dúvidas, ou até mesmo para cobrar ética, moral e responsabilidade?

Provoco você para uma reflexão. Se quiser ampliar o debate, venha confabular comigo.

Adeus a Patrick Swayze

O ator Patrick Swayze, em foto de março de 2006 (Foto: Mario Anzuoni/Reuters)


Ontem não consegui parar para escrever. Queria muito ter falado sobre Patrick Swayze, ator e dançarino, que desencarnou ontem, aos 57 anos, vítima de câncer no pâncreas. Li que, numa entrevista ao The New York Times, em outubro de 2008, Patrick disse: "Como é que uma pessoa mantém uma atitude positiva quando todas as estatísticas dizem que ele está morto? Muito simples: vai trabalhar." A doença havia sido diagnosticada em janeiro de 2008 e a maioria das pessoas que são acometidos por esse tipo de câncer vivem menos de um ano.

Li também que, em janeiro deste ano ele tinha desistido do tratamento e não tomava nem mesmo analgésicos, para não atrapalhar sua perfomance nas gravações do seriado de TV The Beast.

Não quero confabular sobre câncer. Quero falar da capacidade de, em dois filmes, falar tão bem com o corpo através da dança. Quem é da minha faixa etária se envolver com a dança de Ritmo Quente (Dirty Dancing - 1987), que mostra a história de Johnny Castle, um atlético e sensual professor de dança de um hotel no campo, que se apaixona pela filha adolescente de um casal de hóspedes, vivendo com ela um romance entre números de dança exuberantes e eróticos. Ele sabia dançar muito bem.

Depois assisti A última Dança ( On last dance - 2003), onde ele interpreta o dançarino Travis McPhearson que, junto a outros dois, tentam salvar uma companhia de dança de Nova Iorque mundialmente conhecida, a Dance Motive, que tinha perdido o seu diretor artístico, Alex Mcgrath (Matthew Walker). Já vi comentários na internet de que o filme era fraco e que Swayze não tinha mostrado 1% do seu potencial. Vi diferente. É claro que, 16 anos depois de Ritmo Quente, ele não tinha a mesma massa corporal. Mas me encantou saber que o drama vivido por seu personagem - um dançarino que tinha problemas no joelho - era o mesmo vivido por ele na vida real. Tanto que havia deixado filmes musicais de lado. Encantou-me vê-lo trabalhando - na interpretação e na direção - com a sua mulher Lisa Niemi, com quem viveu uma história de amor raro em hollywood: ela foi sua namorada desde os 17 anos.

Terei sempre Patrick Swayze em minhas lembranças, por sua força e sua garra na luta contra o câncer. Deixo um link para quem quiser ver fotos dele.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

As leis e os sentimentos


Tenho um hábito de ficar refletindo sobre as coisas... as minhas coisas... as coisas dos outros...as coisas do mundo. E sempre saio preocupada com o rumo que nós damos às nossas vidas. A impressão que tenho é que, em maioria, estamos estacionados no tempo, muito embora ao nosso redor tenhamos exemplos de evolução.

Um dos estacionamentos marcado pelo caos é o que abriga os sentimentos. Temos sido tão impotentes que tem sido necessário que o Poder Público intervenha com a adoção de leis. Elas tem servido para nos obrigar a fazer o que pessoas maduras e equilibradas fariam sem nenhum problema. Lamentavelmente, as leis ajudam a diminuir a sensação de injustiça, de impunidade...

Um exemplo disso é a Lei Maria da Penha, que veio para combater a violência doméstica contra mulheres e que completa três anos. Ao longo desse tempo muita mulher foi acolhida e muito homem foi preso e obrigado a se afastar do convívio do lar. Mas o buraco deixado em muitas mulheres - e homens - por causa da falta de uma família estruturada continua presente.

Ontem, ao acompanhar a defensora pública Firmiane Venâncio no programa Metrópole Serviço, da Rádio Metrópole FM, onde a Defensoria Pública tem participação toda quarta-feira, ouvi um ouvinte dizer para a comunicadora Rita Batista que a irmã dele tinha " levado uns sopapos" do marido e depois voltou pra ele; que ele, como irmão, sentiu vontade e " dar uns sopapos nela" pra que "tivesse vergonha na cara". Aí é que está. A lei, por si só, não vai resolver isso. O caso da irmã do ouvinte é apenas mais um entre milhares ou milhões que passam pela Defensoria Pública, pelas Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher - DEAM e pelas Varas Judiciárias que cuidam desses casos.

A carência e a dependência afetiva, somada à dependência econômica, tem criado pessoas enfraquecidas no seu amor próprio, na sua auto estima. A falta de estrutura da base familiar contribui para isso, gerando círculos viciosos que se transformam em verdadeiras bolas de neve, contribuindo para um caos social.

Por isso defendo sempre o investimento no fortalecimento da família, na base. Temos casais cada vez mais jovens se formando; adolescentes que não venceram as inseguranças peculiares da faixa etária tendo que criar bebês; jovens que cresceram seu o aconselhamento de mãe e/ou pai e que não sabem conviver com um não...

Se não fizermos algo, inclusive dentro das nossas próprias casas, não estaremos à salvo apenas pelas leis já instituídas ou que venham a ser aprovadas. Em minha opinião, não há lei maior que a lei do amor. Se ela não for a base de qualquer sociedade, a começar por nossa família, de nada valerão as outras leis.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Salário bom para quem precisa

Nossos legisladores continuam com intenção de aumentar o abismo entre os salários que se pagam aos agentes públicos. Acabei de ler que na fila de projetos para votação na Câmara Federal está um que equipara os salários dos delegados da Polícia Civil nos estados aos dos promotores de justiça.
Como estamos em um momento em que os conflitos se sucedem envolvendo a polícia e pessoas que estão à margem da lei, com muitos confrontos que resultam em mortes dos dois lados e até de quem fica entre os dois fogos e recebe uma bala perdida, apesar de polêmica há possibilidade de vir a ser aprovado.
Desequilíbiro nas contas estaduais - evidentemente que haverá e talvez não seja argumentação suficiente dos governadores para barrar a proposta.
Lamentavelmente, a União, os Estados e os Municípios continuam a não privilegiar os profissionais que podem contribuir para a reversão da criminalidade a médio e longo prazo, fomentando a paz. São eles professores, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, médicos, e os mais que tem como trabalhar na restauração da base, a começar pelo resgate da família.
Quase todas as ações que vemos são de repressão e punição. Quase nada, por iniciativa do Poder Público, é voltado para aumentar a autoestima de jovens e adultos. Ser temos um índice crescente de delinquência juvenil é porque a família se perdeu no meio do caminho, estimulada pela guerra pela sobrevivência que fez e faz com que as mães fiquem completamente ausentes de seus lares.
Delegado merece ganhar bem, assim como todos os profissionais precisam ter boa remuneração. Não há porque investir em um abismo que começa com as carreiras jurídicas. Não acordar para isso é fadar nossa sociadade a um celeiro cada vez maior de desigualdade.

sábado, 29 de agosto de 2009

Intolerância na crítica a Sasha

Foto: Blad Meneghel/divulgação - Contigo


Fiquei surpresa com a repercussão que teve o fato de a filha de Xuxa Meneghel, Sasha, de apenas 11 anos, ter escrito cena com "s", ao postar no Twitter. Vemos todos os dias casos de pessoas adultas, com graduação e até pós graduação trocando "ss" por "ç", "z" por "s" e outras coisinhas mais. Para vermos como o brasileiro escreve bem bastar fuçar a internet e os milhares de blogs e sites de notícias. Vemos corriqueiramente as pesquisas apontando os absurdos dos nossos jovens nas provas do ENEM. Mas não podemos tolerar um erro tão comum em uma menina de apenas 11 anos? A intolerância está baseada em quê? No fato de ser filha de Xuxa, uma mulher linda, rica e bem sucedida?

Vi colunistas retrucando Xuxa, que argumentou que a filha foi alfabetizada em inglês, que deveria fazê-lo agora em português. O mesmo deveria ser dito para os milhares de pais que deixam seus filhos serem alfabetizados no computador e que, apesar de se tornarem internautas desde criancinhas, não sabem usar um lápis ou uma caneta para "desenhar" as letrinhas e escrever uma mensagem curta que seja.

É muita hipocrisia e intolerância querer jogar pedra em Sasha e em Xuxa. Será que as pessoas que postaram críticas ofensivas à garota escrevem direitinho ou só sabem a linguagem internética que substitui o não por naum?

Sou muito chata no cumprimento da Língua Portuguesa, mas não quer dizer que saiba tudo ou que não erre nunca. Ah, não falei sobre isso antes porque só agora tive tempo de atualizar o Forquilha.

A dor dos filhos "bastardos"



Hoje, ao fazer cobertura do trabalho dos defensores públicos na Ação Cidadã Sou Pai responsável, no bairro da Liberdade, em Salvador, tive a oportunidade de confirmar a fragilidade das relações dos casais da atualidade e o buraco deixado em muitos por uma legislação marcada pelo preconceito, embora já justamente corrigida.

No Centro Social Urbano da Liberdade passaram mais de 100 pessoas, a convite da Defensoria Pública, que busca estimular a paternidade responsável e oferece exame de DNA gratuito. Tive a oportunidade de conversar com alguns, que me autorizaram relatar os seus dramas. Gostaria de contar a história de Arivaldo José Veloso (foto), 54 anos. Ele conviveu por toda a sua vida com o estigma de " filho bastardo", imputado por uma legislação preconceituosa. Durante a infância não sentiu muito o peso desta condição. Mas, ao se tornar adulto e ser questionado, todas as vezes em que apresentava a carteira de identidade (RG), o porque de não ter o nome do pai, começou a ficar muito incomodado e procurou resolver a questão.

Seu caso deve ser como o de muitas outras pessoas da sua faixa etária, que conviveu com um Código Civil marcado pela ignorância. Durante anos seu pai, José Cândido Veloso, ainda solteiro, manteve um relacionamento não oficial com a sua mãe, Libênia Bernarda de Souza, com quem teve três filhos nesta condição. Quando Arivaldo nasceu, José Cândido já estava casado com outra mulher. Em 1955, o homem que tinha filho "bastardo" - aquele que nascia fora do casamento - só poderia registrá-lo se a esposa concordasse.

Arivaldo não teve sorte. Seus três irmãos tem pai e mãe no registro. Como a esposa do seu pai não concordou, apesar de lhe dar o sobrenome, José Cândido consta na certidão de nascimento apenas como "declarante". Pra resolver agora a coisa está mais complicada: José Cândido e Libênia estão mortos. Para fazer o DNA, precisa de duas pessoas. Da irmã mais velha tem o apoio. Do tio, irmão do seu pai, que tem 74 anos, não tem muita certeza. Até porque os irmãos por parte de pai aceitam os três irmãos de Arivaldo, mas não o veem como irmão. Bastardo é bastardo para muitos, infelizmente.

Bem humorado, apesar da lacuna que traz no seu íntimo, Arivaldo critica aqueles que fazem as leis: “Não me importo, não me amoleço, nem me entristeço, mas fico chocado com o silêncio daqueles que supostamente detêm a sabedoria. Eu e meus irmãos sofremos por causa desses homens”.Em sua opinião, a própria Justiça não tem interesse em promover o resgate da honra que julga maculada. "Se quisessem, autorizavam a exumação do corpo do meu pai", defende. Ele saiu do CSU da Liberdade levando um convite para a irmã mais velha e o tio comparecerem na próxima sexta-feira, 4 de setembro, no mesmo local, para fazerem o exame de DNA. Quiçá consiga o apoio do tio e resgate a integralidade da sua cidadania, que julga perdida.

Arivaldo tem esse burado nos seus documentos e em seu coração por causa da hipocrisia da sociedade, que dizia "zelar" pelos bons costumes. Atualmente, milhões de novos filhos começam a ter seus buracos abertos por conta da fragilidade das relações e da falta de consciência de homens e mulheres sobre a responsabilidade da paternidade/maternidade.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Somos finalistas do Prêmio Aberje 2009


Essa sexta-feira, 28 de agosto, é mais um dia de oportunidade de confirmação do empenho que a equipe da Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública da Bahia tem tido para dar a justa visibilidade a essa instituição tão importante para fazer com que os direitos de todos sejam respeitados.

Acontecerá aqui, em Salvador, a Audiência Pública do Prêmio Aberje 2009, onde a Defensoria participa como finalista do Prêmio Regional Norte e Nordeste. Desta vez minha parceira de profissão e de luta Carla Ferreira, que hoje está à frente da Cannal Assessoria, apresentará o case "Focalizando a ‘prima pobre' no Sistema de Justiça - Defensoria Pública e o relacionamento com a mídia", inscrito na categoria Pequenas e Médias empresas - Comunicação e Relacionamento.

Este é o segundo trabalho em que a Defensoria participa como finalista neste prêmio. No último dia 14 foi finalista em Audiência Pública em São Paulo, quando defendi o case " A Defensoria Pública para quem tem direito - estratégias de comunicação com seu público assistido", inscrito na categoria Pequenas e Médias empresas – Mídia.

Acredito na força dos nossos trabalhos. Sabemos - Carla e eu, Roberta Gusmão (que ficou conosco alguns meses) e os estagiários que estiveram conosco: Vanessa Costa,Geraldo Félix, Deisiane Cunha, Alexandre Santos, Rômulo Faro, Laíza Ramos e Luciana Rodas Vera - que foi e é uma construção lenta e árdua a tarefa de dar visibilidade a uma instituição nova, sem recursos, recém autônoma e que tem como público alvo um contingente enorme de analfabetos e alfabetizados funcionais.

Sei que todos os colegas jornalistas e os relações públicas que trabalham em Assessorias de Comunicação do Setor Público sofrem com as múltiplas funções que tem que desenvolver, mesmo contrariando a regulamentação da nossa profissão. São muitas as dificuldades, mas que podem ser vencidas com perseverança e, principalmente, profissionalismo. E com o apoio da instituição, sob gestão da defensora geral Tereza Cristina Almeida Ferreira, que aos poucos tem nos concedido a infraestrutura necessária.

Ser finalista de um prêmio como este é uma vitória que talvez muitos de vocês não tenham noção. E ter a possibilidade de ser vencedor, diante do trabalho apresentado e dos resultados obtidos com ele, é mais que gratificante.

A decisão está nas mãos dos jurados. Mas nada me impede de estar confiante na vitória. Creiam-me, não é presunção ou arrogância, é só a certeza de que temos trabalhado de forma intensa e correta.


CASES DA DEFENSORIA

Elaborado pela jornalista Carla Ferreira, que integrou a Assessoria de Comunicação até maio passado, o case "Focalizando a ‘prima pobre' no Sistema de Justiça - Defensoria Pública e o relacionamento com a mídia", destaca as ações desenvolvidas para dar visibilidade à Defensoria Pública junto à mídia e como a instituição se tornou fonte para os diversos veículos de comunicação.
O case " A Defensoria Pública para quem tem direito - estratégias de comunicação com seu público assistido", elaborado pela jornalista Vanda Amorim, que coordena a Assessoria de Comunicação Social da Defensoria, apresenta a cartilha institucional, como carro-chefe, e a cartilha Reconstruindo o Caminho da Cidadania e as peças que integram a Ação Cidadã Velhos Amigos (Idosos), como complementares na estratégia de informar o cidadão assistido sobre os seus direitos.

O PRÊMIO

O Prêmio Aberje 2009, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, é de grande relevância nacional e tem como objetivo fortalecer a visão estratégica da comunicação empresarial por meio do estímulo, do reconhecimento e da divulgação de esforços e de iniciativas na área.

A Audiência Pública da regional Norte Nordeste será no Centro de Formação Profissional, Núcleo de Pós Graduação UNIJORGE, rua Dr. José Peroba, 123 - Edf. Empresarial Sagarana, Campus osta Azul, Stiep - Salvador/BA, durante todo o dia DA SEXTA-FEIRA, 28, reunindo 35 finalistas em 14 categorias. A Defensoria concorrerá com a Lima Comunicação, também da Bahia, e a VSM Comunicação, do Ceará, e fará sua apresentação às 14h30.

O resultado dos prêmios regionais sairá no início de setembro e os vencedores concorrerão, automaticamente, ao Prêmio Aberje Brasil 2009, que terá Audiência Pública prevista para 16 de setembro.

domingo, 9 de agosto de 2009

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - Defensoria baiana estimula reflexão sobre importância da paternidade


Quem não conhece ou não ouviu falar de alguma mulher, em qualquer idade, que engravidou e o homem pula fora, dizendo não ser o pai? Acho que cada um de nós conhece alguém que passa por essa situação. Com isso são muitas as crianças que nascem com o estigma de ver na certidão de nascimento que é filho apenas de mãe, como se tivesse nascido de uma chocadeira.

Desde 2007 a Defensoria Pública da Bahia vem promovendo a Ação Cidadã Sou Pai Responsável, que busca estimular os homens que tentam ou caíram fora a perceber a importância de ser pai. Os defensores públicos tentam promover uma ~mediação ou uma conciliação entre os que já foram um dia um casal. Em muitos casos, o homem reconhece ali mesmo que é o pai da criança e é encaminhado para fazer a certidão de nascimento. Em outros, quando a dúvida persiste na cabeça do suposto pai, homem , mulher e criança são submetidos - desde que concordem, claro - a exame de DNA gratuito.

Na edição 2009 da Ação Cidadã Sou Pai Responsável, o atendimento sairá dos gabinete e irá a três bairros populosos de Salvador, para ouvir e tentar ajudar, na própria comunidade, aqueles que vivem este conflito. Serão beneficiadas as comunidades do Bairro da Paz, Liberdade e Nordeste de Amaralina. Que os homens que assumirem a paternidade a partir desta ação da Defensoria Pública, o façam levando junto amor por seu filho. Com amor por nossas crianças poderemos evitar muitas lágrimas no futuro.

Prêmio Aberje 2009

Estou feliz. Mais feliz do que sempre sou. Os dois projetos que Carla Ferreira - com quem trabalhei durante dois anos na Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública da Bahia - e eu inscrevemos no Prêmio Aberje 2009 são finalistas. Um deles aborda as estratégias de comunicação da Defensoria para com o seu público assistido, composto, em maioria, por pessoas com baixa escolaridade. Farei a defesa em audiência pública que acontecerá no próximo dia 14, em São Paulo. O segundo, trata das ações desenvolvidas para conseguir dar visibilidade, junto à imprensa, à prima pobre do Sistema de Justiça. Será defendido por Carla Ferreira em audiência pública no dia 28 deste mês, em Salvador, na Unijorge (Av. paralela).
Ter essa participação é importante para qualquer profissional, assim como para a empresa. Para nós, mostra que apesar de todas as dificuldades, estamos no caminho certo. Para a Defensoria Pública, a visibilidade tornasse ainda maior, visto que é a única, das 24 Defensorias do País (incluindo a da União), a participar como finalista de prêmio tão relevante na área de Comunicação. A audiência é aberta ao público. Os profissionais e estudantes da área de Comunicação que tenham interesse devem se inscrever, gratuitamente, no site http://www.premioaberje.com.br/.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Manipulação da imprensa

O Senado viveu mais um dia de conflitos ontem, com o bate-boca entre os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Pedro Simon (PMDB-RS), com interferência agressiva de Fernando Collor (PTB-AL).
Collor disse que é a imprensa que está tentando derrubar Sarney e que sabe muito bem como isso funciona. Ele foi cassado como presidente da República depois de uma série de denúncias.
Não creio que seja invenção da imprensa. Os fatos denunciados parecem reais. O que sempre me incomodou, como jornalista e cidadã, é que que, periodicamente, os donos dos veículos de comunicação - políticos em sua maioria - pautam a caça a bruxas, aliás, a bruxos.
Se esses fatos existem, porque não foram denunciados antes? Vejam bem, não estou fazendo defesa de Sarney. Estou criticando a postura da imprensa, da qual faço parte. Será que fechar os olhos para as mazelas de um poder e dos seus membros por tempos sem fim e, de acordo com o calor das ondas políticas centrar fogo em uma única pessoa, é a transparência da imprensa que queremos, que merecemos?
Quando, na Bahia, eu cobria a Assembleia Legislativa, fica atenta aos bastidores e, principalmente, ao Diário do Legislativo. Ali estavam as melhores pautas. Plenário é apenas para briga de comadre. E apenas algumas comissões levam a sério o seu trabalho. Recentemente, uma colega, ao cair a sessão, reclamou de não ter pauta. Fiquei impressionada, confesso. A pauta não está ali.
Se temos que fazer mudanças ou limpezas, que ela seja em todo o ambiente e não apenas focada em uma pessoa que, caindo, terá repercussão imensa no Maranhão. Há interesse político ou não. Temos que parar de tapar o sol com a peneira e ver que a imprensa não é livre. É manipulada - a grande imprensa - pelos donos do poder.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Equívocos do Território da Paz


Fiquei mais uma vez preocupada com o propósito e a eficácia dos projetos que o Ministério da Justiça, através do Pronasci, está desenvolvendo e desenvolverá em parceria com outras instituições, como Defensoria Pública, Ministério Público, Tribunal de Justiça e outros.

Como vocês viram no meu perfil, sou jornalista (POR FORMAÇÃO E VOCAÇÃO) com MBA em Mídia e Comunicação Integrada. Antes mesmo do MBA já procurava, como autodidata, informações para entender a comunicação em um a visão ampla, que não apenas a de repórter. Uma visão de comunicação institucional, corporativa. Isso abre nossos olhos e nossa mente; consequentemente acabamos percebendo coisas que passam em branco para outros.

Fui ao lançamento do Território da Paz em Salvador. Saí com duas preocupações.

1) Se este primeiro território é para a comunidade do Beiru (oficialmente Tancredo Neves), porque o evento ocorreu em Narandiba?

2) Este é ainda mais grave, dentro da minha percepção de comunicóloga: no palco, em três fileiras de cadeiras, foram subindo autoridades. Enquanto na primeira fila, junto ao governador Jaques Wagner e o ministro Tarso Genro, estavam o vice governador e os secretários estaduais de Segurança Pública, Justiça, Promoção da Igualdade e Casa Civil, entre outros, a líder comunitária do Beiru, dona Norma Ribeiro, foi colocada na última fileira (nem mesmo aparece nas fotos). É certo que ela teve voz - uma excelente voz de líder, diga-se de passagem - mas para quem sabe ler nas entrelinhas, ver que o projeto corre pelo avesso.

Não sei se isso foi decisão do cerimonial do MJ ou da Governadoria. Mas, politicamente, foi equivocado. Aliás, foi politicamente proposital, pois não.

domingo, 26 de julho de 2009

Qual o caminho para a paz?


Na próxima quarta-feira,29, o Ministério da Justiça e o governo da Bahia lançam, em Salvador, no bairro Tancredo Neves (Beiru) o primeiro Território da Paz em nosso Estado. Estive, a trabalho, acompanhando uma reunião na Secretaria da Justiça sobre os projetos que estão sendo ou vão ser desenvolvidos na Bahia com recursos do Pronasci - Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania. E saí de lá um pouco cética em relação à eficácia dos projetos no alcance do objetivo de conquistarmos um País menos violento e mais seguro para todos. Sabe porque? Porque não tem nenhuma programa que se proponha a oferecer ajuda psicossocial aos pais, principalmente nos bairros com maior índice de violência e criminalidade; principalmente aos pais jovens, que não estão preparados para carregar o bastão da educação, uma vez que seus pais também não tiveram essa capacidade.

Em minha avaliação, insistir em cuidar apenas da segurança pública como um caso de polícia é equivocado. É certo que não resolveremos a questão a curtíssimo prazo investindo em orientação psicológica para os pais, mas teremos uma mudança fundamental a médio e longo prazo.

Falta hoje o princípio de família, o amor de família, a disciplina na família, a transmissão de valores morais e éticos. Não investir neste resgate é querer tapar o sol com a peneira. Ou investimos no resgate da família ou continuaremos colocando em risco uma sociedade inteira, perdida na ilusão de que liberdade é fazer tudo o que se quer, onde e como se quer, sem dar satisfação a quem quer que seja, como se não vivéssemos em comunidade.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Em briga de pai e mãe a lei mete a colher


Incrível como a lei dos homens tem cada vez mais buscado preencher os buracos pelos homens ao desrespeitarem as leis divinas, principalmente a Lei do Amor.

Na última quinta-feira,16/07, gostei muito ao ver que projeto de lei foi aprovado em comissão da Câmara dos deputados prevê a perda da guarda do filho para o pai ou a mãe que tentar desconstruir a imagem um do outro para o filho de forma sistemática.

Quando eu falo da lei divina, da Lei do Amor, é porque sabemos que não devemos fazer aos outros o que não queremos para nós mesmos. Então, porque tantas mulheres e homens, ao verem chegar ao fim uma relação, tentam de todas as formas fazer com que a criança passe a odiar um deles?

É triste ver que pessoas adultas, quando acham que perderam o que julgavam possuir ( ou outro), usam os filhos para agredir o outro, sem se preocupar com as consequências para a criança, geralmente muito graves.

Essa prática nefasta, mas tão comum, é conhecida como alienação parental. Além de afastar a criança de parte da família, a alienação causa depressão, dificuldade no aprendizado, sentimento de rejeição e pode levar até ao suicídio. Isso foi o que disse à Folha On line a psicóloga e professora do UniCeub (Centro Universitário de Brasília), Sandra Baccara Araújo.

Está de parabéns o autor do projeto, o deputado Regis Oliveira (PSC-SP), que elaborou a proposição com a colaboração de pais separados que passaram por essa situação.

É pena que isso mostre quantos de nós ainda não aprendeu que, ao acabar um casamento, não acaba, e nem deve acabar, a relação com os filhos, seja lá quem fique com a guarda. Filho é para sempre. Ou pelo menos até o fim de uma encarnação.

domingo, 5 de julho de 2009

Você tem liberdade de expressão?

Há coisas que não consigo entender, por mais que tenha desenvolvido uma capacidade razoável de interpretação de textos e estudos comparados. Ao derrubar a exigência do diploma de jornalista, sob comando do ministro Gilmar Mendes, o Supremo Tribunal Federal entendeu que "o artigo 4º, inciso V, do Decreto-Lei 972/1969, baixado durante o regime militar, não foi recepcionado pela Constituição Federal (CF) de 1988 e que as exigências nele contidas ferem a liberdade de imprensa e contrariam o direito à livre manifestação do pensamento inscrita no artigo 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San Jose da Costa Rica." Vejamos:
A nossa Constituição é datada de 1988, ou seja, completará 21 anos. O Decreto lei 972 é de 1969 - 40 anos, portanto. Em Brasília, senadores, deputados e ministros do STF estão sempre analisando o que é ou não constitucional. As casa legislativas tem suas comissões de Constituição e Justiça com o fim de analisarem a constitucionalidade dos projetos apresentados. Durante a Assembléia Constituinte de 1988 muitas questões foram discutidas. Por quê não foi identificado que a exigência do diploma de jornalista era inscontitucional? Foram necessários 21 anos para isso? Não era inconstitucional antes?
Confesso a vocês que nunca tinha lido a COnvenção Americana de Direitos Humanos. Como ela foi citada, fui buscá-la para conferir. E ela diz, no artigo citado pelo Gilmar mendes em seu relatório:

"Art. 13 - Liberdade de pensamento e de expressão
1. Toda pessoa tem o direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística ou por qualquer meio de sua escolha.
2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito à
censura prévia, mas as responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente previstas em lei e que se façam necessárias para assegurar:
a) o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas;
b) a proteção da segurança nacional, da ordem pública ou da saúde ou da moral
públicas.
3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias e meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões. "

Não vejo onde a exigência do diploma impede este direito. Não é o jornalista, com o seu diploma, que limita o espaço nos jornais, rádios ou televisão. Quem controla esses espaços são os donos dos veículos de comunicação - na verdade, concessionários. Eles que usam ao seu bel prazer, no
movimento das ondas da política - a maioria está sob comando de políticos, detentores ou ex-detentores de mandato. Em que a derrubada do meu diploma vai mudar isto? Em nada. Quer fazer um teste. Escreva uma opinião grande, ou faça uma matéria sobre algo e mande para um jornal ou TV para ver se eles vão lhe dar o espaço que você julga merecer na sua liberdade de expressão. Muitos veículos já tinham suas colunas de opinião e o espaço do leitor, onde a quantidade de linhas é limitada. Bora ver se essa liberdade de expressão reivindicada pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do stado de São Paulo será dada por seus sindicalizados.

Tomaram meu diploma de jornalista


Sabe quando existe alguma ameaça que você sabe que pode se concretizar, mas não perde a esperança de que seja dissipada e quando ela se concretiza lhe deixa chocada? Pois foi desse jeito que me senti a partir da noite do dia 17 de junho deste ano, quando foi derrubada a exigência do diploma. Havia a ameaça de o Supremo Tribunal Federal cassar o diploma de jornalista - isso mesmo, cassar, porque acabar com a exigência do diploma para o exercício da profissão é cassar o direito de quem o conquistou -, mas ainda tinha esperança que os ministros do STF acordassem e entendessem que o nosso diploma em nada cerceia a liberdade de expressão. Em vão foi minha esperança. Apenas o ministro Marcos Aurélio votou pela manutenção do diploma.

Naquela noite, uma quarta-feira, eu estava assistindo ao Jornal Nacional enquanto passava roupa ( minha empregada está de férias), quando ouvi a chamada para a notícia. Fiquei em estado de choque. Aguardei a matéria e depois chorei minha indignação, frustração, decepção. Colegas de profissão me ligaram no mesmo estado emocional. Fiquei tão chocada que nem quis falar com meu marido. Ele não entendeu nada. Tinha saído uma hora antes do noticiário me deixando distraída com minhas roupas e com a televisão. Ao voltar, me encontrou com as roupas e a televisão, mas sem sorriso e com os olhos vermelhos de chorar. Perdi praticamente a voz por vários dias. Não consegui nem mesmo vir ao computador e confabular sobre a dor de ver a minha profissão sendo jogada no lixo por meia dúzia de homens que se investiram do poder supremo de dizer, agora, qual profissão deve ou não continuar com a exigência da qualificação em faculdade.

Meu marido, tentando me consolar, dizia: " mas você sabia que isso poderia acontecer". Eu sabia, mas acreditava que uma rajada de consciência mudaria o rumo da conversa em Brasília. Recebi, nos dias seguinte, a solidariedade de muitos, mas também a piada de alguns. Aos meus amigos que tentaram fazer graça avisei: "você não sabe com o que está mexendo e não sabe em que fera me transformo quando fico p... da vida." As brincadeiras ficaram por ali mesmo.

Hoje, 18 dias depois, estou conseguindo escrever alguma coisa. E vou escrever mais. Amanhã, estarei defronte ao Tribunal de Justiça da Bahia mostrando ao ministro Gilmar Mendes, que comandou o processo com toda a arrogância que lhe é possível, que nós temos brios. Ele estará aqui na Bahia. Por mim e por tantos outros colegas não é bem vindo. Nosso país não precisa de retrocessos como este.

Ainda estou magoada, lambendo minhas feridas, mas sozinha ou com outros colegas que se sintam lesados por terem acreditado em uma ordem jurídica do nosso País, vou brigar pelo meu direito. Acreditei na regra e, aos 18 anos, estudei em uma universidade particular porque a federal, em Recife (PE) não tinha curso de jornalismo. Quem pagará pelo investimento que fiz ao longo dessas décadas em uma profissão que passou a ser de qualquer um?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A dor da discriminação

Recebi da minha colega jornalista Jamile Menezes e-mail com a reportagem da jornalista Eliane Brum, publicada na revista Época, intitulada “Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?”, que conta a dor da atriz Lucrécia Paco, de Moçambique, que sofreu discriminação racial em São Paulo.
Instigada pela repórter sobre ter sofrido discriminação racial na sua vida, a atriz, de 39 anos, contou ter sido discriminada racialmente em um shopping naquele dia (19/06). Uma cliente, loira, a acusou de tentar pegar sua bolsa na fila. Lucrécia estava em uma casa de câmbio para trocar dólares.

Num trecho da matéria a repórter relata: "Lucrécia conta que se sentiu muito humilhada, que parecia que a estavam despindo diante de todos. Mas reagiu. “Pois a senhora saiba que eu não sou imigrante. Nem quero ser. E saiba também que os brasileiros estão chegando aos milhares para trabalhar nas obras de Moçambique e nós os recebemos de braços abertos.” A mulher continuou resmungando. Um segurança apareceu na porta. Lucrécia trocou seus dólares e foi embora. Mal, muito mal. Seus colegas moçambicanos, que a esperavam do lado de fora, disseram que era para esquecer. Nenhum deles sabia que no Brasil o racismo é crime inafiançável. Como poderiam?"

Eliane Brum declarou que sentiu muita vergonha. Já Lucrécia afirmou que não consegue esquecer. “Não pude dormir à noite, fiquei muito mal”, diz na reportagem. “Comecei a ficar paranoica, a ver sinais de discriminação no restaurante, em todo o lugar que ia. E eu não quero isso pra mim.” Em seus 39 anos de vida dura, num país que foi colônia portuguesa até 1975 e, depois, devastado por 20 anos de guerra civil, Lucrécia nunca tinha passado por nada assim. “Eu nunca fui discriminada dessa maneira”, diz. “Dá uma dor na gente. ” Ela veio ao Brasil a convite do Itaú Cultural, que realizou até 26 de junho, em São Paulo, o Antídoto – Seminário Internacional de Ações Culturais em Zonas de Conflito.

Eu também sinto vergonha por isso. E até entendo, sei o que a atriz moçambicana sente. Mesmo sendo de pele clara, já passei por situação parecida quando, aos 18 anos, extremamente tímida, tinha ido morar em Recife (PE), para fazer faculdade. Naquela época, usava cabelos curtíssimos, rente à nuca, e me vestia com uma surrada calça jeans, camiseta e um tênis um tanto quanto sujo. Estava sozinha em uma loja da antiga Mesbla e ouvi uma mulher começar a dizer que foi roubada. Quando o segurança chegou, ela apontou pra mim como suspeita. Tremendo de vergonha e de medo, disse que nem tinha chegado perto dela. Eles me dispensaram e fui correndo pra casa, com o coração disparado. Lá em Recife não tinha muitos negros; a discriminação ficava contra os pobres ( ou que pareciam - eu não chegava a ser pobre, mas parecia uma). Minha vergonha foi tanta que nunca contei isto a ninguém, nem mesmo aos meus irmãos que moravam comigo. Hoje, 29 anos depois, ainda me sinto envergonhada. Naquela época, assim como a atriz Lucrécia, eu não sabia dos meus direitos. Não sabia que dano moral é crime, como ela não sabia que a discriminação racial o é.

Mesmo que eu não tivesse vivido esta história, estaria solidária à Lucrécia e a todos os negros que sofrem discriminação. Em nada a cor da pele torna alguém melhor.

Quem quiser ler a integra da matéria segue o link enviado por Jamile - uma negra guerreira: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI78162-15228,00-ENTAO+E+VERDADE+NO+BRASIL+E+DURO+SER+NEGRO.html

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Corrente do bem: governo acorda para combater as drogas

Hoje, ao fazer a leitura diária dos jornais, fiquei feliz em vez que os que fazem o governo federal parecem ter acordado para a epidemia das drogas, conscientizando-se das consequências nefastas para a sociedade como um todo, não apenas para a família daquele que sucumbiu à tentação das drogas. Fiquei mais feliz, ainda, ao ver que o Plano Emergencial de ampliação do
acesso ao tratamento e prevenção em álcool e outras drogas no SUS – PEAD (2009-2010) vai ao encontro do alerta e das sugestões que fiz aqui no forquilha à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (
combate ao crack).

O Ministério da Saúde anunciou o investimento de R$ 117,3 milhões, dividido entre o plano emergencial: R$ 76,6 milhões; a ampliação do acesso ao tratamento em saúde mental: R$ 62,8 milhões; a qualificação dos profissionais: R$ 7,18 milhões; ações intra e intersetoriais e de promoção da saúde: R$ 6,62 milhões; habilitação de CAPS já existentes: R$ 21 milhões; e aumento de teto para fortalecimento da rede de CAPS: R$ 19,7 milhões.

A Bahia, que tem 11 CAPs, ficará com 16. Ganhará mais 95 leitos para tratamento em saúde mental em hospital geral ( não entendi muito isso de hospital geral. O HGE, em Salvador, por exemplo, se enquadraria nisso? Quem souber nos informe).

Que o projeto saia do papel. Que o Estado da Bahia possa se permitir fazer seus próprios investimentos. Que nós, famílias, possamos cuidar das nossas crianças, ensinando-lhes que o não, às vezes, é mais benéfico que o sim. Vamos à luta pela paz em nossos corações. E se quiser conferir o Plano Emergencial, cique aqui.

domingo, 31 de maio de 2009

Corrente do bem - Rukha dá novas oportunidades a famílias


Em meio a tantas notícias de jovens assassinados e de crianças que se perdem nas ruas, no crack, eis uma boa notícia. Em São Paulo, um empresário e um neuropsicanalista estão fazendo uma parceria há mais de dois anos que está dando certo. Eles localizam mães problemáticas, com filhos que vivem pelas sinaleiras pedindo esmola ou vendendo qualquer coisa, muitos dos filhos já em conflito com a lei, e lhe estendem a mão. Elas tem que tirar os filhos da rua e da reciclagem. Tem de matriculá-los na escola e num curso de atividades complementares – como teatro ou futebol.
Para compensar a perda de renda, as mães recebem R$ 350 por mês ao longo de quatro anos. Mas recebem algo muito melhor que apenas o dinheiro para a alimentação. Recebem apoio psicológico e orientação sobre como educar os filhos. Este, sim - a falta de educação doméstica - tem sido um grande problema social.
De acordo com o programa da ONG Rukha - sopro de vida em aramaico, é dada às mães a oportunidade de refletir sobre outras questões importantes para as crianças, como as punições. Como apoio, recebem a visita semanal de uma dupla de educadores, que tentam identificar os problemas e encaminhar soluções. Paralelamente, a mãe tem acompanhamento psicológico, com quem discute a relação com os filhos.
Ah! A ONG também estimula os pais a terminarem os estudos para fazer cursos profissionalizantes ou faculdade. Para isso, dão uma bolsa de R$ 150 para ajudar na mensalidade. Em dois anos e meio, a maior parte das crianças do projeto parou de trabalhar e voltou a estudar: 94% deixaram de trabalhar, 93% vão à escola e 81% fazem atividades complementares como esporte ou música. Muito bom, não acham?
Um dos responsáveis por esta ação é o neuropsicanalista Yusaku Soussumi, que entrou com o trabalho. Sua ideia é criar estímulos para mudanças no interior das famílias, por meio de mudanças na vida de seus integrantes, pais e filhos. O outro é o empresário Marcos de Moraes, doador dos US$ 10 milhões que permitiram criar e tocar a organização nos últimos três anos. Para participar do projeto, as mães têm de mostrar empenho na mudança. Você pode conferir a reportagem da Revista Época desta semana através desse link: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI75249-15228,00-ONG+ENSINA+FAMILIAS+POBRES+COMO+EDUCAR+OS+FILHOS.html

Olhe ao seu redor com olhos de ver boas ações e participe da corrente do bem, divulgando-as.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

CORRENTE DA MÍDIA PELO BEM - Adoção é amor



Se você mora na Bahia está interessada em adotar, sem exigir que seja bebê, a Defensoria Pública pode lhe ajudar. Até a próxima sexta-feira será realizada a Ação Cidadã -Adote e Ame.

O objetivo da Ação Cidadã - Ame e Adote é garantir para as crianças e adolescentes que estão nos abrigos, orfanatos e casas de acolhimento, cadastrados junto ao Juizado da Infância e Adolescência para adoção, o direito à convivência familiar. Além disso, assegurar os direitos civis daqueles que são considerados “filhos de criação”, mas ainda não possuem representantes legais.

A campanha, que tem como slogan “Adotar é legal, adoção é amor”,está ocorrendo desde a manhã de hoje, 25, em Salvador e Feira de Santana, com maior ênfase. Mas outras comarcas da Bahia onde tem representação da Defensoria Pública também estão aderindo.

Até sexta, 29, defensores públicos estão mobilizados para atender a casos já agendados e a novos, que aderirem à proposta da instituição. Vale lembrar que o serviço da Defensoria Pública é gratuito.

SALVADOR – Na capital baiana, seis defensores públicos estão fazendo o atendimento da Ação Cidadã das 8h às 16h, diariamente, na Casa de Acesso a Justiça, na Rua Arquimedes Gonçalves, nº 313, Jardim Baiano. Informações podem ser obtidas pelo número (71)3116-6779.

FEIRA DE SANTANA - A Ação Cidadã – Ame e Adote na 1ª Defensoria Pública Regional de Feira de Santana, conta com o apoio da da Secretaria da Educação, através da Diretoria Regional, e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. O atendimento está sendo feito na sede da Defensoria Pública naquele município, localizada na rua Aloísio Resende, 223, Queimadinha. Informações pelo telefone (75) 3223-4066.

(Com informações da ASCOM da Defensoria Pública)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Educação de filho é coisa de pai e de mãe



Li a poucos minutos no Yahoo Notícias que duas mulheres foram detidas ontem, 20/5, em Mirassol, no interior de São Paulo, por determinação do promotor José Heitor dos Santos. Motivo: seus filhos, menores, tem se ausentado da escola e apresentado mau comportamento e elas não sabem dar explicações para isso.

O site diz que, segundo informações da Delegacia de Defesa da Mulher daquela cidade, para onde as duas mães foram levadas, esta é a quarta prisão de mães na cidade este mês. As últimas duas aconteceram na semana passada. Elas foram ouvidas e liberadas em seguida.

O promotor José Heitor, de acordo com o Yahoo Notícias, diz que as famílias de jovens que apresentam problemas nas escolas estão sendo acompanhadas há anos. Diz que muitos deles são usuários de drogas, não comparecem à escola e as mães não conseguem o motivo de os filhos estarem nas ruas e não na escola.

Acho positiva a ação, mas quero chamar a atenção para o tratamento equivocado que está sendo dado à questão. A notícia fala que as mães estão sendo chamadas, e detidas, e liberadas... certamente, pressionadas psicologicamente para que assumam o papel que a sociedade lhe destina de educar os filhos.

O promotor está incorrendo, em minha avaliação, no mesmo erro da Lei Maria da Penha, que apenas pune os homens. Age, inclusive, como o caso que citei na postagem mulheres criam homens agressores, em que um marido batia na mulher porque a culpava pela educação que não estava sendo dada aos filhos.

Gente, se o Código Penal e o Estatuto da Criança e do Adolescente citam que todo pai e mãe que deixem de zelar pela educação dos filhos estão cometendo o crime de abandono intelectual, como o próprio promotor diz na matéria do Yahoo Notícias, porque só as mães estão sendo convocadas, e inquiridas, e detidas, etc, etc? Por onde andam esses pais, que o próprio Ministério Público parece ter desconhecido?

Se o promotor diz que quando os pais não cuidam adequadamente dos filhos, que ficam pelas ruas em meio às pessoas que usam drogas, estão cometendo outro crime, o de abandono de incapaz, então é hora de chamar os dois à razão, mesmo que sejam separados. Sempre ouvi dizer que o homem não fica livre da responsabilidade de pai ao se separar. E vi essa responsabilidade assumida em todas as instâncias por meu pai, que tem 11 filhos do primeiro casamento e seis do segundo (e atual), e por meu marido, com o fruto do seu primeiro casamento.

Seria bom que a audiência marcada pelo Ministério Público de Mirassol para 21 de agosto com 150 menores, a maioria com 14 anos, e seus pais, estejam presentes o pai e a mãe. Deixar só a mulher com esta responsabilidade é muita carga para uma pessoa só.

Corrente do bem - médico salva menino com furadeira


Em meio a tantas notícias sobre descaso de médicos nos hospitais, no Brasil e no mundo, o bem também se faz presente, com médicos dedicados, rápidos na tarefa de salvar vidas. Hoje temos a história de Rob Carson, médico do hospital da cidade de Maryborough, ao noroeste de Melbourne.

O fato relatado pela Corrente da mídia pelo bem aconteceu na sexta-feira, 15/05. No seu horário de trabalho Rob Carson atendeu o garoto Nicholas Rossi, 12, que sofreu uma queda de bicicleta naquele dia, batendo com a cabeça na calçada perto de sua casa. O paciente se queixava de dores na cabeça e tinha um "galo" pouco acima da orelha. O hospital não tinha furadeiras cirúrgicas e, ao que parece, nem o próprio médico era cirurgião. Mas ele não se acomodou, nem lavou as mãos argumentando que o hospital não tinha condições de atendimento, como muitos médicos tem feito.

Segundo relatado pelo jornal daquele cidade, o médico Rob Carson, identificou na hora os sintomas de sangramento interno e percebeu que tinha alguns minutos para salvar a vida do menino.Seguindo as instruções de um neurocirurgião de Melbourne, por telefone, ele conseguiu uma furadeira na sala de manutenção do hospital, perfurou o crânio de Nicholas e usou um fórceps para alargar o orifício. Em seguida, instalou um dreno para retirar todo o sangue que estava pressionando sua cabeça. Ainda segundo o The Age, o menino foi transferido de helicóptero uma hora mais tarde para o Hospital Infantil Real de Melbourne e recebeu alta na terça-feira,19 , dia em que completou 13 anos.

O caso de Rob Carson confirma que quando estamos imbuídos do bem a espiritualidade conspira para que tudo dê certo.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Nem tudo que parece é

Sempre digo que, se fosse investigadora policial ou juíza, não acreditaria muito em evidências. Sou do grupo que defende que nem tudo que parece é.

Vemos casais se destruírem por falsas evidências; amizades se acabarem por algo que parecia mas não era; pessoas públicas serem derrubadas por evidências plantadas; e até falsos profetas querendo conduzir destinos ( os evangelhos já alertam para isso).

É preciso ter equilíbrio e bom senso nos julgamentos, para não criarmos situações nas quais a gente se arrependa depois. É bom sempre olhar com olhos de se ver e ouvidos de se ouvir. Isso mesmo, nem sempre vemos o que olhamos, assim como nem sempre ouvimos o que nos dizem.

Conseguir viver em paz é possível, mas requer exercício. E hoje faço um exercício com vocês. Recebi hoje pela manhã umas imagens horríveis.





Não são fotos de uma escola de medicina ou de um colecionador macabro. São PÃES produzidos em uma padaria da Tailândia, na província de Ratchaburi (100 km a oeste de Bangkok).Eles pretendem difundir o pensamento budista de não acreditar no que se vê, porque o que se vê, pode não ser tão real quanto parece.Os detalhes fazem a perfeição da criação, parecendo quase real e chamando a atenção de todos que passam em frente à padaria.



Viu como nem tudo é o que parece? E aí, você comeria esse pão?

sábado, 16 de maio de 2009

Mulheres criam homens agressores



Vemos crescer, cada vez mais, o número de homens envolvidos em casos de violência doméstica contra as mulheres que dizem amar e o número de homens, jovens, adultos ou idosos, que se envolvem em violência sexual contra crianças.

Temos cobrado justiça e punição para os homens. Com a Lei Maria da Penha, que está começando a ser aplicada no Brasil, muitos homens já foram presos, mas nem todos julgados e condenados. A rede de proteção à criança e adolescente cresce e procura criar estrutura de apoio para as vítimas, com abrigos e suporte psicológico.

Mas, como um "advogado do diabo", gostaria de propor nesta confabulação uma reflexão: será que só punindo, prendendo ou revidando, como muitas mulheres vem fazendo, vamos resolver o problema que se agrava todos os dias?

Ao acompanhar uma defensora pública em uma das delegacias especializadas de atendimento à mulher (as DEAMs) de Salvador, ouvi sobre o caso de um homem que estava detido porque agrediu a mulher. Um resumo da sua história: casado, pai de dois filhos, ele era o único a trabalhar, o provedor. Para ele, a mulher tinha que cuidar da educação do casal de filhos adolescentes. Se um dos filhos se comportava mal, o pai descontava na mãe. Na opinião dele, ela tinha falhado.

Ao sair da sala, a delegada disse, apontando para umas cinco mulheres que estavam aguardando atendimento no corredor: " veja quantas mulheres precisando do nosso apoio!".

Sem pensar respondi, diante delas: " Seria muito bom que nesse apoio fosse trabalhada a forma com que os homens continuam sendo educados quando crianças. Será que não temos culpa de nada? Não somos nós, as mulheres, que o educamos?". Três das mulheres disseram " é isso mesmo". As demais ficaram em silêncio. No caso que citei acima, este homem precisa de um apoio terapêutico para tentar entender que os tempos mudaram e que hoje a responsabilidade com a educação dos filhos é dos dois.

Na Defensoria Pública, conversando com a defensora Firmiane Venâncio, que coordena a especializada de Direitos Humanos e o núcleo de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, perguntei se na Lei Maria da Penha ( que nunca li na íntegra, confesso) é previsto um acompanhamento psicossocial do homem agressor. Entendo que de nada adianta ir enchendo as delegacias de mais homens por cometerem violência doméstica se nada é feito no sentido de lhes mostrar o quanto estão equivocados na forma de entender a função de um homem em um casamento, seja ele oficial ou não. Firmiane disse que não, não no Brasil. Alguns países já estariam ensaiando esta providência.

Acredito que, se nada for feito no sentido de uma reeducação das mulheres para a educação dos filhos, assim como um apoio psicossocial para o homem, nada mudará para melhor e teremos cada vez mais vítimas e agressores. Entendo que é difícil para uma mulher vítima de violência doméstica ter estrutura psicológica para educar o filho para ser diferente do pai. Mas é preciso acreditar que podemos mudar muita coisa com a educação, inclusive sobre o respeito ao próximo e princípios morais que devem ser iniciados no seio da família. Ou trabalhamos para resgatar a família ou chegaremos ao caos social. Vamos ensinar aos nossos filhos que quem ama não maltrata e que para cada ação tem uma reação.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Corrente da mídia pelo bem


Alguém me disse, certa vez, que o mal parece que toma conta do mundo. Só se ouve notícias ruins, de mortes, de assaltos, de corrupção... Não creio. Acredito que o bem é mais forte e que, assimo como a energia positiva neutraliza a negativa, o bem pode neutralizar o mal. O problema está em que o mal parece dar mais ibope, principalmente quando as pessoas estão fragilizadas que esquecem de raciocinar. Isso o medo faz. Quem quiser ver um exemplo é só assistir o filme apocalypto, que faz uma abordagem interessante do medo.


Já há algum tempo venho pensando em como podemos reagir - nós, que acreditamos na força do bem. E, inspirada no filme A corrente do bem, quero lhes propor a criar a corrente da mídia pelo bem. No filme, um garoto cria a corrente, onde cada pessoa que recebe um favor retribui fazendo um favor a outras três pessoas. Aqui, sugiro que cada um de nós procure ver o mundo ao seu redor com os olhos do bem e que, ao ver uma ação positiva pela neutralização do mal, anote e divulgue. O Forquilha se propõe a ser a central de divulgação.
Mande sua informação através de comentário desta confabulação ou através do e-mail correntedamidiapelobem@gmail.com. Além de postado aqui, repassarei para o mailing da imprensa.
Conto com você para dar mais visibilidade ao bem, às boas ações.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Não mexam com meu voto




Lendo as notícias do blog do meu amigo Jânio Lopo nesta manhã, vi que mais uma sacanagem está sendo armada contra os eleitores: tirar o direito ao voto direto. Diz o blog que os partidos do governo e da oposição estão negociando mudanças na lei para que o eleitor deixe de votar diretamente no candidato a uma vaga no Congresso e passe a votar em uma lista. Diz ainda que o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP) trabalha para aprovar as mudanças já para a eleição do ano que vem. Pela proposta, todas as campanhas seriam financiadas com dinheiro público. O governo federal reservaria R$ 7 por eleitor, o que daria hoje mais de R$ 900 milhões. O dinheiro seria dividido entre os partidos, de acordo com o número de deputados federais e votos conquistados na última eleição. Mas o eleitor perderia o direito de votar no candidato. Teria que votar em uma lista fechada, com os nomes escolhidos pelo partido. O partido é que determinaria a ordem dos candidatos na lista. Para os defensores da lista fechada, os partidos teriam condições de escolher melhor os candidatos, evitando aventureiros.

Se já é fácil o eleitor ser manipulado, usado, por candidatos que lhe seduz com promessas e até, em muito casos, com solução imediata de um problema emergente, como cesta básica, ligadura de trompas e outras coisinhas que implicam em dinheiro, imagina ele tendo que escolher em uma lista apresentada pelo partido.

O Brasil não é um país de partido. O eleitor não vota, necessariamente, no partido - reconheço a dificuldade que muitos tem; são muitos partidos; muita coisa para o eleitor que mal sabe escrever seu nome.

Eu, Vanda Amorim, baiana, eleitora em dias com a Justiça Eleitoral, não quero que nenhum partido escolha os candidatos em que eu tenha que votar. E você? Qual a sua opinião? Deixe aqui sua opinião e vá até o site da Câmara Federal e deixe sua opinião também na Ouvidoria http://www2.camara.gov.br/internet/conheca/ouvidoria/contato. Registrei o meu protesto sob o número C266100622817.

terça-feira, 5 de maio de 2009

A magia da música

Ontem, ao acompanhar a defensora geral da Bahia, Tereza Cristina Almeida Ferreira, durante a posse do deputado federal Nelson Pelegrino como secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, tive a excelente oportunidade de me emocionar e de acreditar que música, de fato, é mágica que pode contribuir para a transformação das pessoas.
Ouvir o coral VAMOS SOLTAR A VOZ, com internos do Presídio de Salvador e internas do Presídio Feminino, fez com que minha garganta e meus olhos ficassem loucos para chorar de emoção. Sob o comando dos maestros Sérgio Souto e Eduardo Fagundes em um trabalho que vem sendo realizado há 8 meses pela Secretaria de Justiça da Bahia, mais de 30 pessoas em conflito com a lei e que cumprem pena cantaram e dançaram em uma apresentação que antecedeu a formalidade da solenidade de posse.
Primeiro em grupo, mais mulheres que homens, todos cantaram um samba, dançando pra lá e prá cá. Depois foi a vez de um dueto com duas detentas. Fiquei tão emocionada que esqueci de anotar os nomes delas, que cantaram a música tema do filme Titanic, My Heart Will Go On. Poderia ter sido um solo, com a que começou a cantar primeiro. Que voz linda!!!Suave, numa pronúncia excelente do inglês! A segunda quase quebra o encanto, mas não conseguiu, para felicidade de todos os presentes.
Esta moça foi aplaudida em pé, tão lindo foi seu canto. Tentei imaginar o que ela estava sentido, mas não deu. Sei que minha emoção não foi nada, diante da dela. Não sei que crime ela cometeu. Mas com certeza sentiu profundamente a importância da liberdade. Ela chorou lá no palco, enquanto eu e algumas outras pessoas escondíamos as lágrimas insistentes.
Um detento, ao final da apresentação, disse: " através desse coral nós vamos nos ressocializar e mostrar que ainda tem esperança". Eu também acredito nisso. E com o apoio da música isso fica mais forte.
Como disse o maestro Sérgio Souto, vamos soltar a voz enquanto não se solta outra coisa, enquanto eles não reconquistam a liberdade.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Mais uma sacanagem com o eleitor


Eu sabia que os parlamentares, de um modo geral, legislam em causa própria, mas ainda me surpreendo como legislam!


Todo ano eu mesma faço a minha declaração do Imposto de Renda, a do meu marido e a do meu pai. Por ele ser aposentado e receber benefício do INSS e da Fachesf, o leão acaba abocanhando muito sua receita. Como a maioria dos brasileiros, achei injusto e fui pro site da Receita Federal buscar mais informações sobre as possibilidades de diminuir, legalmente, o imposto a pagar. Como acontece na maioria das vezes, quando procuramos algo nem sempre encontramos o que queremos, mas acabamos encontrando algo que não procurava. E achei. E fiquei indignada! Decididamente fula da vida! E não quero ficar com essa indignação só para mim.


Vamos lá: você sabia que aquela verba indenizatória que os deputados recebem durante a convocação extraordinária está isenta e tributação? Pois está sim! Enquanto o trabalhador é abocanhado pelo leão da Receita nas suas férias, horas extras e indenizações e auxílios previdenciários, os parlamentares ganhou dois salários livres do Imposto de Renda. Até os síndicos são tributados nos seus rendimentos "ainda que havidos como dispensa do pagamento do condomínio". Isso é que é legislar em causa própria.


O que acho estranho é que a imprensa, de um modo geral, tem "batido" no parlamento sobre os abusos cometidos e, mesmo que estejamos no período de declaração do importo de renda, nada falou sobre isso.


Veja abaixo o que diz o site da Receita Federal no menu perguntas e respostas sobre Imposto de Renda Pessoa Física.



VERBAS RECEBIDAS POR PARLAMENTARES
164 — São tributáveis as importâncias recebidas por parlamentares a título de remuneração, inclusive por motivo de convocação extraordinária da casa legislativa?
As importâncias recebidas por parlamentares a título de remuneração são tributáveis na fonte e na Declaração de Ajuste Anual.
Entretanto, em decorrência do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, e do Ato Declaratório PGFN nº 3, de 18 de setembro de 2008, não são tributados os pagamentos efetuados sob as rubricas de parcela indenizatória devida aos parlamentares em face de convocação para sessão legislativa extraordinária, observados os termos do AD PGFN.
(Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. 2º e 3º, § 1º; AD PGFN nº 3 de 18 de setembro de 2008; Parecer PGFN/PGA/Nº 1888 /2008).


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Combate ao crack

Continuando com o mesmo tema da confabulação anterior, lembro que no mês de março passado a imprensa nacional falou muito sobre o preocupante quadro do aumento do consumo do crack no Brasil – uma droga proveniente da cocaína com uma potência muito maior que esta e que provoca efeitos e dependência mais fortes que o álcool e a maconha em crianças, jovens e adolescentes. Segundo o psiquiatra Félix Kessler, coordenador de pesquisas sobre álcool e droga na Universidade federal do Rio Grande do Sul, as drogas fumadas – como o crack – entram no organismo rapidamente. “ O pulmão tem superfície extensa que absorve grande quantidade de substância, que vai direito ao cérebro”, diz o psiquiatra, que também é membro da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e Drogas (Abead).

Li, por exemplo, na Agência Brasil, que estudo recente realizado por Kessler em Salvador, São Paulo, Porto Alegre e no Rio de Janeiro detectou um aumento do número de usuários de crack em tratamento ou internados em clínicas para atendimento a dependentes de álcool e drogas. Eles respondem por 40% a 50% dos indivíduos em tratamento, dependendo da clínica e de sua localização. Em meados da década de 1990, usuários de cocaína e crack eram responsáveis por menos de um quinto da procura em serviços ambulatoriais relacionados a drogas ilícitas.

Nos últimos anos, o crack também começou a ganhar terreno entre grupos com rendimentos mais elevados, apesar de a droga ainda ser mais comum entre as classes de baixa renda. O resultado tem sido devastador. Homicídios em alta, famílias e carreiras destruídas, ruas as escuras, em parte pelo roubo de fios de cobre da rede elétrica para financiar o consumo e o medo e desespero de todos que começam a ver o crack batendo em suas portas, diretamente ou indiretamente. O Rio Grande do Sul já está mergulhado em uma epidemia de Crack nunca antes vista no Brasil, com pelo menos 50 mil viciados.

Afora esses números que tratam da questão em nível nacional, não temos estatística do avanço do crack na Bahia, exceto pelas páginas policiais, onde são registradas notícias apontando mortes ou prisões de dependentes e traficantes da droga.

O Crack, aliás, não é apenas rápido em tornar dependente quem o fuma, mas também na possibilidade de tornar rico quem o trafica. Enquanto um papelote de cocaína custa cerca de R$ 20, uma pedra de crack sai em média a R$ 5. Enquanto um usuário de cocaína consume em uma noite dois ou três papelotes, muitos dependentes do crack fumam de 15 a 20 pedras por dia. Como o crack gera dependência forte, as bocas de fumo se transformam em grandes revendedoras para pessoas de todas as classes.

Diante do alto grau de dependência gerado pelo crack, que supera a dependência causada pelas demais substâncias psicoativas, necessário se faz que o Poder Público trate a questão também de forma diferente. Depois de pesquisar dentro do site da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia - Sesab, percebi que faltam medidas preventivas para o enfrentamento de uma epidemia futura de dependência do crack, como já ocorre no Rio Grande do Sul. Fiz uma listinha e sugiro que os responsáveis pela política pública de saúde em nosso Estado pelo menos a analise. Ei- las:
  1. inclusão da dependência do crack como uma doença a ser tratada preventivamente;
  2. criação e implementação do Centro de Referência de Prevenção e Tratamento de Dependência Química;
  3. inserção no Programa de Saúde do Adolescente – Prosad de planejamento e elaboração, com diferentes setores, de um plano estratégico de ações específicas para os adolescentes voltados para a prevenção e tratamento de dependência química;
  4. enfrentamento da dependência química com a sua inserção dentro do Programa de Saúde Mental;
  5. implementação do programa de Prevenção do Abuso de Substâncias Psicoativas – Prevdrogas, com a previsão de leitos em unidades psiquiátricas para tratamento dos casos agudos de dependência do crack.

Essas medidas certamente contribuirão para fortalecer as ações já desenvolvidas pelo governo do Estado em parceria com o Cetad - Centro de Estudos em Terapia de Abuso de Drogas da Universidade Federal da Bahia.