sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Brasileiros defendem diploma e conselho para jornalistas

A maioria da população brasileira defende o diploma para que jornalistas exerçam a profissão. Pesquisa de opinião realizada pela Fenaj/Sensus aponta que 74,3% dos dois mil entrevistados em território nacional disseram ser a favor do diploma, contra 13,9% que defendem a atuação jornalística sem o documento. Os que não souberam e não responderam foram 11,7%.
Questionados se um Conselho Federal dos Jornalistas deve ser criado, para a regulamentação da profissão, como acontece com a OAB, para os advogados, e o CREA, para os engenheiros, 74,8% aprovaram a idéia, contra 8,3% que rejeitaram - 6,5% responderam que depende/talvez e 10,4% não sabem ou não responderam.
Sobre a credibilidade das notícias, 42,7% acreditam no que lêem, ouvem ou assistem, enquanto 41,6% acreditam parcialmente, 12,2% não acreditam e 3,5% não sabem ou não responderam.
Fonte: Redação Comunique-se

Em defesa do Conselho de Jornalismo III

E esta foi a resposta que enviei ao deputado José Carlos Aleleuia, através do seu assesor.
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Caro Sr. Tomaz Filho
Assessor de Imprensa do deputado José Carlos Aleluia


Gostaria que o senhor transmitisse ao seu assessorado, uma vez que respondeu em nome dele, que eu lamento profundamente que ele não tenha lido, de fato, as palavras que busquei tão profundamente em mim, jornalista por formação e vocação, sempre pautada na ética e na responsabilidade. Se assim tivesse feito, perceberia, através de mim, o clamor de uma classe de profissionais que está cansada de ver a sua profissão - JORNALISMO/ JORNALISTA - confundida com o mecanismo utilizado para a exercitar - IMPRENSA/ VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO - servir de joguete para brigas políticas entre oposição e situação.

O Conselho não é proposta do presidente Lula; é proposta da classe. O Conselho não tem o objetivo de cercear a liberdade de imprensa; mas de fiscalizar o exercício irregular de pessoas não habilitadas, assim como as ações de profissionais que desrespeitem o Código de Ética da nossa profissão. O que há de mal nisso? Nada.

Um jornalista que não é ético, que utiliza-se da profissão e dos meios de comunicação para alcançar benefícios pessoais ou despejar a sua ideologia política é tão pernicioso à sociedade como um engenheiro que erra nos cálculos, como um médico que erra no diagnóstico e em uma cirurgia, quanto um advogado que se corrompe, quanto... quanto... Em todas as profissões tem bons e maus profissionais. Com o Conselho de Jornalismo queremos apenas ter o direito de fiscalizar isto.

Diga ao deputado José Carlos Aleluia, caro Tomaz Filho, que não quero entrar no mérito da política, de A ou de B. Embora, como cidadã que acompanha assiduamente os noticiários, tenha consciência de que nunca, em tempo algum em nosso país, a Polícia Federal e a própria imprensa teve tanta liberdade de agir. Se não houve mais liberdade para a imprensa, isso deve-se à censura imposta pelos donos dos veículos - políticos em sua maioria.

Diga, também, que lamento que ele tenha preferido colocar o assessor de imprensa para assinar, em seu nome, uma resposta ao meu desabafo, direito de cidadã brasileira que paga seus impostos em dia.

Continuarei rogando a Deus que o bom senso se instale na mente inteligente e perspicaz do deputado.

Atenciosamente,

Vanda Amorim
Jornalista DRT/PE 1339
9972-2724
http://forquilha.blogspot.com

Em defesa do Conselho de Jornalismo II

Agora publico a mensagem que recebi do assessor de imprensa do deputado José Carlos Aleluia, Tomaz Filho.
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Senhora Vanda Maria Amorim,


Sou contra qualquer tipo de censura. O governo Lula, cujos integrantes, sobretudo a maioria petistas, tem inspiração stalinista, tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo, ainda no primeiro mandato.

Claramente, o projeto visava impedir a imprensa de fazer o seu trabalho.

Se Lula tivesse êxito na sua proposta, todas essas revelações de corrupção na gestão petista jamais chegariam à opinião pública. De resto, a intenção em amordaçar a mídia era exatamente permitir que os aloprados mensaleiros atuassem sem constrangimento.

Aqueles 40 quadrilheiros de Lula jamais seriam processados por corrupção e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal, depois de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Note que apesar de todas os indícios e evidências, Lula defendeu os seus companheiros denunciados e declarou que a Polícia Federal, o Ministério Público e o STF estavam sendo levianos.

Como líder da oposição, fui à tribuna repelir a ameaça que a imprensa corria de ser amordaçada.

Felizmente, a maioria do Congresso Nacional rejeitou a proposta.

A imprensa nacional séria condenou a proposta forjada nos porões da CUT, braço sindical do PT. Lula teve que arquivar a idéia.

Curiosamente, Lula acaba de enviar nova proposta ao Congresso Nacional sugerindo outra vez censurar a mídia.

Desta vez o pretexto é a divulgação que a imprensa faz de gravações telefônicas.

Ao invés de combater o crime, Lula quer impedir a mídia de divulgar o crime.

Aliás, foram agentes do governo que grampearam o presidente do Supremo Tribunal Federal e um senador da República.

Senhora Vanda, o governo Lula já demonstrou inúmeras vezes que é intolerante. Não podemos hesitar. Veja o que está acontecendo em outros países presididos por companheiros de Lula, Venezuela, Bolívia, Equador...

Como democrata estarei sempre atento aos passos de Lula.

O presidente acha que o fato de ser popular - lembre-se que Hitler era tão popular quanto Lula e a tragédia que se abateu sobre a Alemanha, sob o nazismo - lhe dá carta branca para fazer o que bem entender.

Não é bem assim.

Seus companheiros corrutos podem não estar ainda atrás das grades, mas sempre que eles e o chefe cometerem falcatruas estaremos na linha de frente para denunciá-los.

É o papel, como oposição, que o povo nos delegou.

E iremos cumpri-lo.

Porque o caminho do Brasil não pode ser o caminho traçado por aloprados mensaleiros.

Mesmo um eventual equívoco da mídia não justifica a censura.

Quanto mais a imprensa for livre, mais a democracia prevalecerá.

Sem mais,

atenciosamente,

Em nome do deputado José Carlos Aleluia,
José Tomaz Filho
Assessor de Imprensa

Em defesa do Conselho de Jornalismo

Ontem (25/09/08) enviei uma mensagem ao deputado federal da Bahia José Carlos Aleluia, referente à criação do Conselho de Jornalismo ( conselho de classe). Hoje recebi resposta através do assessor de imprensa, Tomaz Filho. Para que vocês tenham acesso à essa troca de mensagens, resolvi postá-las aqui. Abaixo, a mensagem que enviei, com os comentários recebidos no grupo do Sinjorba. É longa, mas leiam. É importante.
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Caro deputado
José Carlos Aleluia

Tenho acompanhado a divulgação, através da sua assessoria de imprensa, de opiniões ferrenhas do senhor contra a criação do Conselho de Jornalismo. Até o momento não consegui entender como um homem, um político tão inteligente como o senhor, tenha se permitido ao equívoco na análise da proposta de criação deste conselho, imprescindível para a fiscalização da profissão do Jornalista. Cruzei com o senhor no elevador da Assembléia Legislativa da Bahia, na última segunda-feira, às 18h30, mas não pude parar para tentar conversar pessoalmente porque estava com o horário corrido para outro compromisso.

Filha de ex-chesfiano, nascida e criada em Paulo Afonso - BA, o conheci enquanto presidia a CHESF. Sei que o senhor é engenheiro elétrico e, certamente, teve que se inscrever, enquanto exercia sua profissão, no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. Sabe, portanto, qual a finalidade, a atribuição e a importância de um conselho de classe. Sabe, consequentemente, que a finalidade do Conselho de Jornalismo não é de cercear a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão.

O senhor, deputado Aleluia, sabe que liberdade de imprensa é ameaça desde o momento em que foram distribuídas concessões de rádio e TV a grupos políticos e quando os grandes jornais também são comandados por esses grupos políticos ou então por grupos econômicos aliados a esses grupos políticos. A liberdade de imprensa só existirá se não ficar refém do Interesse do Patrão - IP.

Como aprendi na faculdade, para fundamentar nossas informações temos que apurar, que pesquisar. E estive pesquisando no Sistema de Informações do Congresso Nacional e constatei que no Brasil existem 26 conselhos e duas ordens. Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho, são 53 as profissões regulamentadas, entre elas a de Jornalista. A nossa profissão está, injustamente, entre as que não tem conselho profissional.

O Presidente Lula foi acusado, inclusive pelo senhor, de querer cercear a liberdade de imprensa com o projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo – ou dos profissionais de jornalismo, se assim preferir.

Aproveitei as poucas horas livres de dois dias e fiquei na internet pesquisando. E encontrei o seguinte:
1) O CFJ não seria o único a ser autarquia – todos são autarquias. Segundo José pastore, sociólogo e professor da USP, durante muito tempo, os conselhos profissionais foram uma extensão do poder público, estando vinculados ao Ministério do Trabalho, gozando de ampla isenção de impostos e sendo obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas da União. Com a Lei 9.649/98, eles foram desvinculados do poder público e reclassificados como entidades de direito privado, libertando-se do Tribunal de Contas da União, conservando as isenções de tributos e retendo as funções de fiscalização e policiamento. Em 22 de setembro de 1999, segundo informativo do Conselho Federal de Odontologia de outubro do mesmo ano, decisão do STF promove volta dos Conselhos Profissionais à condição de autarquia federal. O julgamento teve como Relator o Ministro Sydney Sanches e, com essa mudança, os Conselhos deixam de ser uma entidade de direito privado, voltando a ser uma autarquia federal. Em seu parecer, o Ministro Sydney Sanches assim se expressou:
“Os órgãos criados por lei federal, com a finalidade de proceder o
encargo constitucional da União de fiscalizar o exercício das profissões têm
inegável natureza pública, na medida em que exercem típica atividade
estatal.”

2) Os contrários ao CFJ, instigados e até manipulados pelos donos dos veículos de comunicação, argumentam que a liberdade de imprensa estava ameaçada porque previa como sanção a CENSURA PÚBLICA. Todos os conselhos têm poderes. São eles que estabelecem as regras de admissão no mercado reservado; fixam o valor das contribuições anuais, taxas, emolumentos e multas; e aplicam penalidades, que podem variar entre a advertência ao cancelamento definitivo do registro profissional. As normas existem para serem cumpridas e aqueles, que infringirem as determinações expressas, poderão sofrer as penalidades previstas. Esta é a regra geral. Na profissão jornalística não seria diferente. Penalidades éticas de advertência reservada e censura reservada são de natureza sigilosa, enquanto que a CENSURA PÚBLICA, como o próprio nome revela é do conhecimento do público. Ou seja, é divulgar a advertência . No CREA também é assim, se o senhor se lembra.

3) A fiscalização do exercício de profissões regulamentadas, de acordo com a decisão do STF, acima citada, emerge como finalidade pública, eis que diz respeito à própria essência do interesse público. Para o Ministro Sydney Sanches, ao contrário do interesse de corporação, os Conselhos de fiscalização, investidos de poder de polícia, defendem os interesses públicos da sociedade e do cidadão usuário dos serviços profissionais. Os Conselhos têm capacidade legal de praticar atos administrativos, sob matéria de sua competência. Além do mais, os Conselhos possuem “poder dever” processante e punitivo sobre os inscritos em seus quadros, cumprindo-lhes apurar as denúncias que chegam ao seu conhecimento, aplicando, após o devido e regular processamento disciplinar, as penalidades previstas, inclusive de cassação do exercício profissional.

Onde está a impossibilidade de termos o CFJ, deputado Aleluia? Ainda não encontrei. Aliás, encontrei sim. Encontro todos os dias ao ler os jornais e ver que cada um dá a versão que quer ao fato. Tenho minha ideologia, mas há muitos anos impedi que ela pautasse a minha ação como profissional do jornalismo. Para isso, sempre procurei ouvir os dois lados da questão, o que me fez respeitada junto às fontes.

Quero ter o orgulho de ver a minha profissão fiscalizada, regulamentada. Quero ter a certeza de que a minha profissão não será cassada, que o meu diploma continuará a ter valor, que valeu a pena o sufoco que passei pra pagar minha faculdade – fiz na Universidade Católica de Pernambuco, pagando do meu próprio bolso, com muito orgulho.

Para conhecimento do senhor, listo abaixo as profissões que têm conselhos. Estão por ordem de criação do Conselho. Pode ver que a maioria foi por decreto.

Ordem dos Advogados do Brasil – OAB - do decreto n. 19.408, de 18 de novembro de 1930
Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA - DEL 3995 de 31/12/1941 - DECRETO LEI
Conselho Federal de Medicina - CFM - DEL 7955 de 13/09/1945 - DECRETO LEI
Conselho Federal de Contabilidade – CFC - Decreto-lei nº 9.295, de 27 de Maio de 1946:
Conselho Federal de Economia – COFECON - LEI 1411 de 13/08/1951 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Química – CFQ - LEI 2800 de 18/06/1956 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Farmácia – CFF - LEI 3820 de 11/11/1960 - LEI ORDINÁRIA
Ordem dos Músicos do Brasil – OMB - LEI 3857 de 22/12/1960 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB - LEI 4084 de 30/06/1962 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Odontologia – CFO - LEI 4324 de 14/04/1964 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Representantes Comerciais - CONFERE - LEI 4886 de 09/12/1965 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Administração – CFA - DEC 61934 de 22/12/1967 - DECRETO
Conselho Federal de Estatística - CONFE - DEC 62497 de 01/04/1968 - DECRETO
Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV - LEI 5517 de 23/10/1968 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Profissional de Relações Públicas – CONFERP - DEL 860 de 11/09/1969 - DECRETO LEI
Conselho Federal de Psicologia – CFP - LEI 5766 de 20/12/1971 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Enfermagem – COFEN - LEI 5905 de 12/07/1973 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO - LEI 6316 de 17/12/1975 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Corretores de Imóveis – COFECI - DEC 81871 de 29/06/1978 - DECRETO
Conselho Federal de Nutricionistas – CFN - DEC 84444 de 30/01/1980 - DECRETO
Conselho Federal de Biomedicina - CFBM - DEC 85005 de 06/08/1980 - DECRETO
Conselho Federal de Biologia - CFBio - DEC 85005 de 06/08/1980 - DECRETO
Conselho Federal de Fonoaudiologia – CFFA - LEI 6965 de 09/12/1981 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Museologia – CONFEM - DEC 91775 de 15/10/1985 - DECRETO
Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia – CONTER - Lei nº 7.394, de 29 de outubro de 1985 (vetado posteriormente)
Conselho Federal de Economistas Domésticos – CFED - LEI 8042 de 13/06/1990 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Serviço Social – CFESS - LEI Nº 8.662, de 7 de junho de 1993
Conselho Federal de Educação Física – CONFEF - LEI 9696 de 01/09/1998 - LEI ORDINÁRIA

Na certeza de ter contribuído para uma análise do senhor mais profunda da proposta do Conselho de Jornalismo, despeço-me, colocando a disposição para uma discussão mais aprofundada.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mesquinhez politiqueira

Não entendo, e nem não aprovo, o tom de denúncia que a imprensa tem dado ao crescimento do patrimônio de vereadores a partir de levantamento feito por uma Organização Não Governamental. Tem soado com mesquinhez politiqueira. Afinal, é óbvio que alguém que passe a ter salário de pelo menos R$ 9 mil/ mês aumente o seu patrimônio.
Sei que alguns políticos usam de muitas artimanhas para embolsar outros valores que não o do seu salário. Mas não parece ser o caso, uma vez que é afirmado que os valores são declarados (junto à Receita Federal). Por que essa intenção malvada de tentar que a sociedade sempre veja o político como o safado, como o mal? Por que não se dá divulgação a tanta proposta boa que existem nos parlamentos e que não conseguem nem sair das comissões?
Tá na hora dos meus coleguinhas reverem seus posicionamentos enquanto editores, chefes de reportagem ou simplesmente repórteres.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Carta ao STF - Diploma de Jornalista

Srs. ministros
Sras. ministras

Aos 7 anos de idade eu sonhava em ser jornalista. Eu tinha acabado de ingressar no pré-primário na Escola Adozindo Magalhães de Oliveira, mantida pela CHESF - Companhia Hidroelétrica de Paulo Afonso, na Bahia. Era o ano de 1969. Amava estudar; fascinava-me aprender. A profissão de Jornalista já estava regulamentada e o diploma era uma exigência que considerava natural, tamanha a amplitude e responsabilidade da carreira que sonhava em abraçar.

Aos 18 anos mudei-me para Recife, em Pernambuco, para me preparar para o ingresso na faculdade - a porta para a realização do meu sonho. De 1981 a 1984 frequentei o curso de Comunicação Social-Jornalismo, na Universidade Católica de Pernambuco, à noite. Trabalhava durante o dia para pagar a faculdade.

Obter conhecimento sobre ética, filosofia, sociologia, ciência política, teologia, fundamentos científicos da comunicação e história da cultura e dos meios de comunicação social, entre outras disciplinas, além das específicas da profissão,foi fundamental para a minha formação como jornalista.

Ao longo desses 24 anos de exercício da profissão tenho aplicado o que aprendi; principalmente o de respeitar os fundamentos de que a notícia tem os dois lados e que o jornalista, como formador de opinião, tem responsabilidade sobre o que diz, sobre o que escreve.

No próximo dia 17 os senhores e senhoras estarão decidindo se mantém-se ou não a exigência do diploma para o exercício da profissão que abracei com tanto amor, dedicação e responsabilidade. É atribuída a Aristóteles a frase " A esperança é o sonho do homem acordado". Eu sonho este sonho. Eu tenho esperança que os que fazem o Supremo Tribunal Federal saberão distinguir o que é um bem para a sociedade e o que é interesse de grupos econômicos e políticos que querem, a qualquer custo, livrar-se das amarras que os prendem à responsabilidade de agir com ética e respeito. O nosso diploma, o meu diploma, em nada ameaça a liberdade de imprensa. Ao contrário: a liberdade só se conquista com responsabilidade. E, assim como um médico sem diploma ameaça a vida dos pacientes, um jornalista sem formação específica é uma ameaça à integridade moral e ética da nossa sociedade.

Peço-lhes, pois, que me permitam continuar alimentando a esperança de que as minhas conquistas, alcançadas com tanto custo e dedicação, serão mantidas; que o meu sonho de infância, realizado com tanta convicção, não será destruído. Este sonho, tenham certeza, não é apenas meu, mas de milhares de pessoas, colegas de profissão e estudantes de jornalismo, futuros colegas. Que nossa realidade possa ser preservada.

Muito obrigada.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

violência policial



"Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão,e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. já não podemos dizer nada."


Este texto, atribuído a Bertolt Brecht e Vladimir Maiakóvski mas que na verdade seria do carioca poeta carioca Eduardo Alves da Costa ( segundo polêmica na internet), é sempre atual. Resolvi usá-lo para confabularmos sobre a violência... desta vez a violência policial.

Ontem, ao retornar para casa depois de mais um dia de trabalho, ouvia a Rádio Metrópole quando uma ouvinte ligou denunciando a truculência da abordagem feita por policiais a um rapaz que estava dentro do carro, defronte a uma agência bancária, enquanto aguardava sua mulher. Como não ouvi a estória do começo, não sei se ele era filho ou genro da ouvinte; era alguém vinculado à sua família. A mulher contou que a polícia chegou gritando, chamando-o de descarado, mandando que ele saísse do carro, colocou arma na sua cabeça e tudo o que sabemos que tem sido feito.

Que ligação isso tem com o extrato do poema acima? A nossa permissão. Tenho ouvido, rotineiramente, até por parte de alguns dos meus familiares, que a polícia tem " que matar mesmo. Bandido é pra morrer". Nunca concordei com isso e não seria agora que concordaria. Começamos permitindo que faça isso com os outros, até que a porrada atinja um dos nossos. "Aí não pode, é sacanagem, é violência demais", todos reagem. Mas é uma violência que foi permitida, autorizada, estimulada... querer que mude, depois que muitos policiais encontraram a forma de dar vazão aos seus instintos e às suas insatisfações, é mais difícil.

Além disso, permitir que a violência seja combatida exclusivamente com violência em nada ajuda. Só contribui para intensificar o círculo de ações e reações. Um mata daqui; outro mata dali.

Temos que ficar mais atentos aos nossos jardins; que ter coragem de dar limites aos nossos filhos desde crianças; parar de sofrer ao ter que dizer um não... quando não o fazemos, a vida faz. E um dos bandidos que queremos morto pela polícia, de repente pode ser sangue do nosso sangue ou ocupar simplemente um lugar em nosso coração. E aí? Como será?

Deixe aqui a sua opinião.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Um fazer envolvido II



Quero, agora, dizer o porque de o texto postado anteriormente ter chamado tanto a minha atenção como JORNALISTA POR FORMAÇÃO e profissional da Comunicação.

Durante todo o meu tempo laboral, iniciado aos 18 anos (àquele época ainda não em Jornalismo), sempre procurei aprender tudo que estava ao meu redor, no contexto do meu trabalho. E, claro, sempre me deparei com colegas que não se envolviam; apenas cumpriam o horário e a tarefa estabelecida, nem sempre de forma contextualizada.

Ao longo da última década acompanhei a proliferação das faculdades particulares, com oferta de cursos em todas as áreas, inclusive a de Comunicação. Acompanhei, também, a mudança no conteúdo jornalístico dos jornais, rádios e televisões. Vi, e vejo, muitos colegas - novos e velhos - sem compromisso com o que escreve, sem envolvimento com a área que cobre. Vejo focas como críticos, emitindo opiniões em matérias que deveriam ser apenas informativas e não opinativas. Não sei se este é o caminho que está sendo apontado nas salas de aula ou se os mais experientes que estejam nos comandos das redações cansaram e entregaram os pontos.

Esse envolvimento que falo é o aprender, o apreender, o ouvir os dois lados, o de apurar... É o de não se dispor a ser crítico (analista, articulista), se não tem conhecimento de causa; contrário seja, parecerá opinião vazia dada em mesa de bar.

Não vale o argumento da censura do dono ou do conselho editorial do veículo, a auto-censura que estimula a preguiça, o descompromisso com a notícia, com o fato... que estimula o não-envolvimento. Vale, sim, a certeza de que praticar jornalismo é, antes de tudo, olhar com os olhos da sociedade, ouvir com os olhos da sociedade e falar/escrever o que nem toda a sociedade viu, lembrando-se sempre que todo fato tem dois ou mais lados. Se não apresentamos isto, utilizamos nosso livre arbítrio para tomar partido.

Envolver-se com o que faz é fundamental para fazê-lo bem. Adquirimos conhecimento de causa, ampliamos nossos fundamentos e, com certeza, tornamos-mos mais responsáveis em nossas ações, sejam elas nas atividades inerentes ao profissional de Comunicação ou no nosso dia-a-dia. Mais uma vez concordo com Allan Kardec. Temos que nos envolver para construir algo bom. Se queremos fazer algo bem na vida, seja no Jornalismo, na Medicina, no Direito, na Agronomia, etc, seja em nossa família, seja em nossa vida, temos que colocar tijolo por tijolo para criar o envolvimento. Senão, corremos o risco de, a um só sopro, nosso projeto de vida desmoronar.

Qual a sua opinião?

Um fazer envolvido I




Fazendo algumas leituras da doutrina espírita me deparei com um texto publicado na Revista Espírita, em novembro de 1858, que retratava uma polêmica espírita vivida por Allan Kardec, que dirigia este Jornal de Estudos Psicológicos. Era um diálogo sobre o crítico. Estou impressionada com a atualidade do texto escrito há 150 anos e com a sua similaridade com os caminhos que muitos dos meus colegas jornalistas vêm tomando. Pensei em extrair só uma pontinha, mas optei por aqui inserir um trecho mais longo, tal a sua essencialidade. Acompanhe-me nesta leitura e, certamente, verá sobre o que confabulo. Voltarei em outra postagem.


Visitante – É precisamente para evitar esse escolho que vim vos pedir permissão para assistir a algumas experiências.

A.K. – E pensais que isso vos bastaria para falar do Espiritismo ex-professo? Mas como poderíeis compreender essas experiências, e com mais forte razão julgá-las, se não haveis estudado os princípios que lhes servem de base? Como poderíeis apreciar o resultado, satisfatório ou não, de experiências metalúrgicas, por exemplo, se não conheceis a fundo a metalurgia? Permiti-me dizer-vos, senhor, que vosso projeto é absolutamente como se, não sabendo nem matemática, nem astronomia, fosseis dizer a um desses senhores do Observatório: Senhor, eu quero escrever um livro sobre astronomia, e além disso provar que vosso sistema é falso; mas como disso eu não sei nem a primeira palavra, deixai-me olhar uma ou duas vezes através de vossas lunetas. Isso me bastará para conhecê-la tanto quanto vós.
Não é senão por extensão que a palavra criticar é sinônimo e censurar. Em seu significado próprio, e segundo sua etmologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, pois, ser aproveitada ou desaproveitada. Fazer crítica de um livro não é necessariamente condená-lo. Aquele que empreende essa tarefa deve fazê-la sem idéias preconcebidas. Mas, se antes de abrir o livro já o condenou em seu pensamento, seu exame não pode ser imparcial. Tal é o caso da maioria daqueles que têm falado do Espiritismo. Apenas sobre o nome formaram uma opinião e fizeram como um juiz que pronunciou uma sentença sem se dar ao trabalho de examinar o processo. Disso resultou que seu julgamento ficou sem razão e, ao invés de persuadir, provocou riso. Quanto àqueles que estudaram seriamente a questão, a maioria mudou de opinião e mais de um adversário dela tornou-se partidário, quando viu que se tratava de coisa diversa daquela em que ele acreditava.

Visitante – Falais do exame dos livros em geral. Credes que seja materialmente possível a um jornalista, ler e estudar todos os que lhe passam pelas mãos, sobretudo quando se trata de teorias novas que lhe seria preciso aprofundar e verificar? Igualmente exigirias de um impressor que lesse todas as obras que saem das suas impressoras.

A.K. – A um raciocínio tão judicioso eu não tenho nada a responder, senão que, quando não se tem tempo de fazer conscientemente uma coisa, não se deve envolver-se com ela, e que é melhor não fazer senão uma coisa bem, do que fazer dez mal.