sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quem quer ser assessor de comunicação?

É brincadeira, coisa de novela, ou a Rede Globo tem interesse outro em retratar Flora - a assassina, a má, a ardilosa da novela A Favorita... - como a nova integrante da Assessoria de Comunicação do Grupo Fontini?

De fato, como jornalista POR FORMAÇÃO, como uma das assessoras de Comunicação da Defensoria Pública do Estado da Bahia, estou indignada. Acredito que a Globo, de forma direta, quer mostrar que, definitivamente, não é necessário passar por uma faculdade, por um curso de Jornalismo, para exercer qualquer uma das funções inerentes do jornalista. Acredito, também, que a Globo queira mostrar que não é importante a proposta de atualizar a legislação que regulamenta a profissão de jornalista, incluindo a função de assessor de imprensa - um dos braços da Assessoria de Comunicação.

Por outro lado, depois que reclamo e desabafo, tenho - temos - que admitir que esta é a realidade do nosso Brasil varonil. Qualquer pessoa pode, de fato, ser um assessor de Comunicação. Na ECT ( Correios), até pouco tempo atrás, os assessores eram administradores, arquitetos, engenheiros..... menos pessoa da área de Comunicação ( jornalista, relações públicas ou publicitário. No governo do nosso Estado, o secretário de Comunicação cursou... Engenharia Elétrica. Não adiantou chiado da classe.

O roteiro da novela não é claro quanto a real atribuição que Flora terá. Diz que ela foi convidada para trabalhar na Assessoria de Comunicação do grupo Fontini. Mas todos nós que trabalhamos em assessorias de Comunicação sabemos que um simples integrante NUNCA terá uma sala de trabalho como aquela. Não com jornalistas que têm a auto-estima na palma do pé, que não se respeita e aceita salários vis, que aceita cada vez mais desenvolver cinco ou mais funções pelo salário de meio.

Antes que as brigas comecem, bombardeando a Globo, como foi feito com o jornalista Zé Bob em sua função de repórter especial na mesma novela, acho bom vestirmos a carapuça, despirmos as máscaras que o status ainda alimenta e as utopias e cairmos em campo. Vamos nos dar o respeito. Vamos fazer valer os nossos direitos.

Era isto que eu tinha para confabular nesta manhã.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Vários tribunais podem ganhar o direito de criar 1.692 vagas. Projetos neste sentido foram aprovados na madrugada desta quinta-feira (28), por nossos senadores. Nada de errado se houvesse previsão, no projeto, de que estas vagas viessem a ser preenchidas através de concurso público. O problema é que, das vagas autorizadas, 1.421 são para cargos comissionados (cargos de confiança, sem concurso público) e apenas 271 vagas efetivas para disputa. Ao menos é o que informa a Agência Senado. Já aprovados na Câmara Federal, o projetos vão a sanção presidencial. Confira:
  • O PLC 113/08 cria 116 cargos efetivos e 204 funções comissionadas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
  • O PLC 116/08 cria 136 cargos efetivos e onze funções comissionadas no Tribunal Superior do Trabalho (TST) da 17ª Região, no Espírito Santo.
  • Nesse mesmo tribunal, o PLC 117/08 cria sete cargos efetivos e quatro cargos comissionados.
  • Já o PLC 118/08 cria 179 cargos comissionados no Tribunal de Contas da União (TCU).
  • O PLC 119/08 cria 1023 cargos comissionados no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 6ª Região, em Pernambuco.
  • O PLC 121/08 cria 12 cargos efetivos no TRT da 11ª região, no Amazonas.

Por que criar tantos cargos comissionados? Embora muitos deles tenham salários altos e gratificações, os salários - não têm reajuste. O acesso, claro, vai pelo Q.I. - o famoso coeficiente de indicação. E pensarmos que, recentemente foi aprovado o fim do nepotismo. Será?

O superintendente errou??

Sempre ouvi muitas queixas sobre a atuação da SET -Superintendência de Engenharia de Tráfego de Salvador, que era comandada até ontem a note pelo Coronel Adelson Guimarães. Algumas consistentes; outras, não. Com a greve dos agentes, que pediam a exoneração do coronel, muita gente ligou para as rádios dizendo que o trânsito estava ótimo. Onde??!!! Em nenhum momento vejo o tráfego fluir, mesmo com a greve. Atravesso a cidade todos os dias, de Piatã ao Canela, e busco na música ou nas informações uma saída para não me estressar. Às vezes consigo. Outras, evidente que não.
Mas, o coronel Adelson foi exonerado ontem (27), depois de ter dado voz de prisão a um funcionário da Embasa que o teria desacatado ao não liberar a rua dos Tijolos, no Centro, onde obras eram realizadas e o tráfego, claro, estava conturbado. Segundo informações que ouvi ontem, o coronel pediu ao funcionário algum documento que autorizasse a obra naquele momento. O rapaz não tinha, não deu a mínima para o superintendente da SET e continuou seu trabalho.
Não tenho conhecimento do que este coronel tenha feito em outros momentos. Mas, neste acaso, considero que agiu correto. Por quê a Embasa tem o direito de sair esburacando as ruas, sem uma autorização, como precisamos para fazer qualquer serviço em nossa própria casa? Um colega de trabalho disse que a Embasa pode fazer o que quiser. Não sei quem lhe deu esta autorização. Mas considero como correto que, a cada frente de trabalho, uma ordem de serviço, pelo menos, esteja em mãos dos trabalhadores ou do " chefe" da obra.
A exoneração do coronel Adelson, na minha opinião, estimula o desacato e a baderna, repetindo os que fizeram os diretores de escolas particulares, a princípio, e das públicas, posteriormente, ao atenderem as pressões de pais " ricos" e arrogantes que proibiram professores de adotar qualquer sanção contra o aluno indisciplinado.
Que novos monstros não estejam sendo criados.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O direito de ser jornalista por formação

Faço minhas as palavras de Edson Luiz.

Senhores ministros:

O Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), entidade que congrega professores de jornalismo de todo o Brasil, vem manifestar perante essa Corte a sua preocupação com a possível eliminação da obrigatoriedade da formação superior específica e prévia em jornalismo para o exercício da profissão de jornalista no Brasil, no julgamento do STF que se avizinha.

A entidade que representamos, senhores ministros, está convicta de que a medida pleiteada pelo Ministério Público terá efeito exatamente inverso ao pretendido, no seu principal aspecto. O fim da obrigatoriedade dessa formação prévia significará séria restrição a dois direitos fundamentais dos cidadãos e das cidadãs brasileiras, garantidos na Constituição Federal e inspirados na Declaração Universal dos Direitos Humanos: os direitos-irmã os de manifestação do pensamento e de acesso à informação.

Também representará um grave revés no acesso democrático à profissão de jornalista, cujas normas são vigentes desde que o Decreto-Lei 972/69 (que ora se pretende modificar) entrou em vigor.

No primeiro caso, isso ocorre por uma simples questão sobre a natureza do que está em debate. A assim chamada obrigatoriedade do diploma é um requisito legal para o exercício de determinada profissão, e não para o exercício do direito de expressão. E não faz diferença se essa profissão é a do jornalista ou do médico, advogado, engenheiro. Isso porque o jornalista não é um opinador público ou o portador de um uma espécie de registro que supostamente lhe daria o mandato, exclusivo, para opinar. Ao contrário, por dever ético e eficácia técnica, o jornalista não manifesta seu pensamento no exercício profissional.

Entretanto, inversamente, o médico, o advogado e o engenheiro, assim como todo e qualquer profissional não-jornalista ou todo e qualquer cidadão, não estão impedidos, por nenhum mecanismo legal ou profissional, do jornalista ou de suas próprias profissões, de manifestar seu pensamento por intermédio do trabalho profissional do jornalista. Ao contrário, é dever do jornalista assegurar a todos o máximo de acesso aos espaços de opinião da sociedade representados pela mídia.

Em outras palavras, as notícias e reportagens – o produto do trabalho profissional do jornalista, pelo qual é remunerado ao final do mês – não contêm, e não devem conter, por norma profissional, as suas opiniões pessoais. Como profissional, o jornalista é um produtor de conhecimentos específicos sobre a dinâmica viva e imediata da realidade social e um mediador dos conhecimentos e opiniões que disputam o acesso à esfera pública social. É a melhor ferramenta de equilíbrio das diversas correntes de opinião em disputa por visibilidade pública.

Embora saibamos que a postura ética dependa de diversas condicionantes pessoais e sociais, podemos atestar, como professores de jornalismo, que a preparação dos futuros profissionais para o mundo do trabalho se dá com base na profunda problematizaçã o dos procedimentos éticos aplicados à profissão e no treinamento para o exercício dessa função de mediador da realidade social, e não para o exercício de “opinador”.

Toda a preparação acadêmica para o exercício do jornalismo está fundamentada na preocupação de que, aproveitar-se do acesso aos meios de comunicação para emitir a própria opinião, ou a do proprietário do veículo, constituiria privilégio inaceitável do ponto de vista ético.

E é exatamente a radicalização de privilégios inaceitáveis o que vai ocorrer caso seja aprovado o fim da obrigatoriedade do diploma, principalmente se essa medida vier embasada na compreensão, equivocada, de que o exercício do jornalismo é o exercício da opinião. O jornalismo opinativo – que, a rigor, nem poderia ser conceituado tecnicamente como jornalismo – faz parte de uma fase embrionária da imprensa, cuja essência é preservada nos espaços editoriais e de opinião dos veículos.

O jornalismo moderno, porém, é o jornalismo informativo, e seu produto por excelência é a notícia, mais complexa ética e tecnicamente de ser trabalhada. As notícias de qualidade, obra de profissionais capacitados, são essenciais para a vida democrática, pois contribuem para, entre tantas outras coisas, a própria formação da opinião fundamentada.

Vincular o direito de manifestação do pensamento, não por acaso inscrito entre as cláusulas pétreas da nossa Carta Magna, ao exercício profissional do jornalista, significa ferir drasticamente ambos: o direito à manifestação de pensamento estaria reservado de forma privilegiada, no âmbito dos meios de comunicação, a uma categoria profissional; o exercício do jornalismo seria reduzido à expressão de opiniões.

Se dependesse da inscrição de todos os cidadãos na atividade jornalística, e se esta o permitisse, o direito humano de manifestação do pensamento estaria restrito aos poucos que poderiam fazê-lo como atividade exclusiva ou semi-exclusiva (exigência feita a um profissional) e que estariam dispostos a se submeter a outras leis e outros constrangimentos que regem o mundo do trabalho.

Além de ser inócuo e, ao contrário, uma forma de inibição do direito à manifestação do pensamento, o fim da obrigatoriedade do diploma significaria um duro golpe em outro direito fundamental dos cidadãos: o direito à informação de qualidade, inclusive como direito-meio para o exercício de outros direitos, especialmente o de terem direitos. Isso porque o exercício da cidadania, inclusive a manifestação pública do pensamento, depende cada vez mais de uma informação jornalística de qualidade, equilibrada, e que reflita a pluralidade social.

A revogação dessa exigência legal da qual tratamos aqui significaria quebrar o único mecanismo que, num Brasil sem marco e sem órgãos regulatórios claros e ativos na área da comunicação social, estabelece um contraponto ao poder dos dirigentes de órgãos jornalísticos, sejam eles públicos ou privados, de definir soberanamente os conteúdos veiculados. Estamos falando de uma corporação profissional que se constitui não segundo o perfil determinado pelo empregador, mas a partir de normas e conhecimento prévio adquirido em instituição superior de ensino, que essa categoria tende a defender permanentemente.

Por último, lembramos que obrigatoriedade do diploma não significa impedir o acesso democrático ao trabalho. No caso, ao trabalho jornalístico. A nossa lei maior é clara ao dizer que é livre o exercício de qualquer profissão, respeitadas as condições estabelecidas em lei. E quis a lei que todos os cidadãos que desejarem ser jornalistas continuassem tendo esse direito assegurado. Contudo, e em sintonia com a nova Constituição, apesar de ter sido editada antes e em plena vigência do regime autoritário, estabeleceu uma condição de caráter indubitavelmente democrático: tirou das mãos do proprietário de mídia o poder de determinar o acesso à profissão e o transferiu para as instituições superiores de ensino de jornalismo. Trata-se de legítimas instituições da sociedade, uma vez que exercem atividade de natureza pública, mesmo quando se organizam sob regime jurídico privado.

Segundo a lei em vigor, e que precisa ser mantida e aperfeiçoada, é desse corpo profissional formado em instituições superiores de ensino, que cada dirigente de organização jornalística poderá escolher aqueles que exercerão, em seu veículo específico, de forma profissional e remunerada, a atividade técnico-intelectual e pública do jornalismo. Profissional preparado para o trabalho, segundo normas e técnicas profissionais que visam à informação de qualidade, produzida e publicada em respeito às regras democráticas. E um constante guardião destas, como membro do “quarto poder”, expressão cunhada pela tradição democrática não apenas para conferir legitimidade à profissão, mas também e principalmente para exigir dos jornalistas responsabilidade e competência à altura da sua missão de informar à sociedade.
* Edson Luiz Spenthof, 46 anos, é presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutorando pela Universidade de Brasília (UnB).

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Amor ao conhecimento

Recebi, através do grupo do Sinjorba, da jornalista Gabriela Rossi, um artigo de Ricardo Chemas. Fantástico. Tenho pontuado, em várias conversas com colegas de trabalho e amigos, além dos meus afetos, que o conhecimento é o nosso maior bem. Este homem mostra, de uma forma que me emociona, que quando fazemos aquilo que gostamos, que quando nos envolvemos com o que fazemos, alcançamos resultados surpreendentes. Bons para nós, autores, e bons, principalmente, para aquele que precisou do nosso conhecimento. Quão bom seria se este compromisso com o saber, com o próximo, inclusive, fosse regra sem exceção não apenas na medicina, mas em todas as áreas; entre elas a nossa, da comunicação. Repasso para vocês.

Ricardo Chemas

Cura Psiquiátrica: Uma abordagem Oniro-Toxicoló gicaA Neuropsiquiatria, a Física Quântica e a Cura

Há cerca de cinco anos atrás, num início de tarde tropical que prometia ser igual a tantas outras, solicitei à minha secretária que fizesse entrar o primeiro paciente do período. O homem que se sentou à minha frente estava visivelmente ansioso, ou melhor, indisfarçavelmente irritado. Havia esperado demais, disse ele com enfado e uma certa indignação latina, pois não estava ali porque quisera estar, mas sim por causa de sua mulher e de sua mãe, que insistiram muito para que ele estivesse com o Dr. Chemas.

A sua história clínica era, como eu viria logo a saber, a um só tempo comum e terrível: Há um ano atrás, após meses de atormentadoras dores de cabeça e não menos atormentadores exames complicados (Ressonância Magnética Nuclear, Tomografia Computadorizada do Crânio, Angiografia Cerebral, etc), Carlos Roberto, que é formado (com louvor) em Física Avançada, soube de forma lacônica que possuía uma estranha criatura, chamada Meningeoma Cerebral, crescendo dentro da sua cabeça.


O estranho tumor, em forma de um horrendo polvo pálido, já se fazia sentir de maneira mais palpável e concreta do que simples (embora lancinantes) dores de cabeça: Carlos Roberto começara a perder a visão no olho esquerdo.


A decisão quanto à solução cirúrgica foi rápida e quase impensada, pois o que importava mesmo era que “aquilo” fosse arrancado dali o mais rapidamente possível, e a qualquer custo. Só que este último iria ficar muito caro. Após a delicada intervenção, Carlos Roberto encontrou-se também privado da visão no olho esquerdo, agora em caráter definitivo.


“Bem”, pensou de forma compensadora, “pelo menos fiquei livre daquele maldito tumor”. Não ficara. Seis meses após a traumática experiência da neurocirurgia, os sintomas (e “... aquele maldito tumor”) haviam voltado. Recidiva. A asquerosa criatura em forma de polvo media já por volta do tamanho de uma pequena laranja. O colega que o operara da primeira vez sugeriu fazê-lo novamente. Então, Carlos Roberto desapareceu. Não desejava arriscar-se à possibilidade hedionda da perda definitiva do outro (e último) olho. Decididamente, não o faria.


Foi então que sua mãe e sua esposa lhe falaram do misterioso médico que atendia na própria biblioteca, em meio a antigos e poeirentos tratados de medicina greco-egípcia, escritos em hierático, e que perguntava aos pacientes coisas estranhas, tais como com o que sonhavam, e, caso lembrassem dos sonhos, se sonhavam estando em perigo de cair em abismos atrozes e insondáveis, com fogo ou escutando música, com fantasmas ou inundações, etc., etc. Se a resposta fosse afirmativa, murmurava-se à boca pequena que o Dr. Chemas então passava a administrar a estes mesmos pacientes medicamentos preparados a partir de substâncias químicas puras, as quais eram retiradas de uma enorme caixa aonde se encontravam representados, de forma concreta, praticamente todos os elementos químicos que constituem a Tabela Periódica. Pior: o excêntrico doutor ainda correlacionava temas sonhados com substâncias químicas puras!


Carlos Roberto a princípio pensou que os seus familiares haviam ficado semi-enlouquecidos pelo trauma da sua súbita tragédia neurológica, e estavam então a buscar medidas desesperadas para tentar livrá-lo de uma repetição do suplício pelo qual mal havia ainda acabado de passar.
Algum tempo depois, já que não havia outra escolha à vista, e até mesmo para acalmar um pouco o visível pânico que havia tomado conta da sua família, Carlos Roberto se deixou conduzir até o meu consultório.


Aí estava ele, então, suando e resfolegando, à minha frente.
“- Afinal, com o que o senhor sonha, Sr. Carlos Roberto?” Eu havia feito a tão aguardada pergunta.
“- Pescarias, Doutor”, respondeu Carlos Roberto, um tanto acanhado; “peixes e pescarias”.


Cofiei longamente a barba já grisalha, cuidadosamente fitando os meus registros de Toxicologia. Em finais do século XIX, na sua monumental obra (em vinte e cinco volumes!) Encyclopedia of Pure Materia Medica, o Dr. Timothy Allen já havia compilado dados experimentais que comprovavam, efetivamente, o fato de que sujeitos intoxicados acidental ou experimentalmente com sais de prata, ou mesmo com a prata metálica em estado coloidal, sonhavam repetidamente com peixes ou pescarias.


Eu conhecia também a natural afinidade da prata e dos seus sais pelos tecidos e células do sistema nervoso, ou por células ricas em neurotransmissores. Ainda na faculdade, na cadeira básica de Histologia, nos utilizávamos destas mesmas propriedades dos sais de prata para corarmos as lâminas preparadas com finíssimos cortes de tecidos nervosos, tais como cérebro, medula, nervos e gânglios.


Rapidamente percebi que o organismo humano de Carlos Roberto, em sua totalidade, das células do seu meningeoma aos seus sonhos, que em verdade traduzem a sua secreta atividade mais íntima, o “programa” básico da criatura complexa feita de água e carbono a que chamamos Carlos Roberto, vibrava em ressonância homeomórfica com o espectro eletromagnético de emissão do átomo da prata. Na minha cabeça se misturaram, em inorgânica e vertiginosa sucessão, imagens de um ágil cardume de peixes prateados perseguidos por um octópode monstruoso.


Assim, percebi também que a administração de pequenas quantidades de prata a Carlos Roberto poderia ser a chave para sua cura, uma forma de estimular o sistema imunológico equivocado daquele paciente a reagir, a reconhecer afinal aquela abjeta criatura em forma de polvo dentro de si, o meningeoma, como um corpo indesejável, um erro de padrão, um autômato finito que se tornou estável por um equívoco na programação da metacreatura plural , da colônia pluricelular chamada Carlos Roberto.


Em algum ponto da fronteira imprecisa entre o mundo físico e o simbólico de Carlos Roberto, a prata, por um mecanismo desconhecido, se faz peixe sonhado. Da mesma forma, o peixe sonhado e o horrendo tumor nada mais são do que faces distintas da mesma moeda. Como isto se dá? De que maneira um padrão de desordem celular dentro de um especimen aterrorizado de Homo sapiens se encontra relacionado com os quanta de energia no átomo do elemento químico de número atômico 47, a prata?


Simplesmente, ainda não o sabemos. No entanto, e a despeito do imenso tamanho da nossa ignorância científica atual com relação a este curioso fenômeno das correlações homeomórficas entre séries afastadas de objetos do mundo, seis meses após a administração oral de alguns femtogramas de prata a Carlos Roberto, o seu tumor reicidivante havia desaparecido sem deixar rastros, conforme constatado inequivocamente através de uma nova Ressonância Magnética Nuclear.


Por Ricardo Chequer Chemas, M.D., FRSM.


Dr. Ricardo Chemas é Fellow da Royal Society of Medicine of the United Kingdon. Esta honra de ser membro da Real Sociedade de Medicina do Reino Unido da Grã Bretanha só é concedida a pouquíssimos cientistas do mundo. Membro também da New York Academy of Sciences (USA) e da British Association for the Advancement of Science, Dr. Chemas é um dos médicos e cientistas baianos mais laureados e reconhecidos internacionalmente. Aqui nos revela um caso clínico encantador.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ontem, Francesco Gnasci Bruno, psicólogo social e Prênio Nobel da Paz 1985, disse em Salvador que o amor é o maior nível de segurança que o ser humano pode ter. Que o desamor é a maior deformidade da humanidade. Ele era o convidado especial do ECA 18 - Congresso da Infância e Juventude: Proteção Integral Sempre, que reuniu operadores do Direito no Centro de Convenções da Baha, e sua palestra magna abordava as principais causas dos problemas psicosocial enfrentado pelas crianças e adolescentes.

Levei a sua avaliação para a reunião doutrinária do Instituto Espírita Boa Nova. Bruno diz que mães e pais não sabem amar suas crianças. Não sabem - não sabemos - entender suas necessidades e suas potencialidades. Confundimos amor com beijinhos que nem sempre vêm acompanhados de compreensão, paciência, tolerância... limites.

Entendo que, para amar, precisamos nos amar. Precisamos ter sido amados.
Entendo que, se o amor em família é a base de tudo, os governos têm jogado dinheiro fora ao investir apenas na instrução. Temos que investir em trabalhos psicosociais juntos aos pais - desamados - para que eles aprendam a amar seus filhos. Um investimento a longo prazo mas que, tal qual o Francesco Bruno, acredito que dará mais resultado que investir em armas para combater a violência.

Tereza Cristina A. Ferreira, defensora pública por vocação e hoje defensora pública-geral, compartilha desse conceito e investe em uma campanha, com o apoio do cantor Durval Lélis, para conscientizar os homens que eles têm o direito de curtir o orgulho de ser pai. A Defensoria oferece o este de DNA gratuito. Sobre isso falarei em outro momento.

Planejar a vinda do filho é um primeiro ato de amor. Reconhecer o filho é consequência natural da responsabilidade.

No dia dedicado aos pais, gostaria de ter falado sobre o meu - Sr. Nilton Cavalcante Amorim, alagoano, guerreiro, sempre acreditou que o trabalho é que dignifica o homem . Não o fiz. Faço-o agora, no dia do seu aniversário de 75 anos. "Seo" Nilton saiu aos 17 anos de uma roça na região de Palmeiras dos Índios, para tentar vencer na vida na então Forquilha, que virou Paulo Afonso, onde a CHESF estava contratando para a construção das hidroelétricas. Baixinho, franzino, loiro e de olhos azuis, ficou na ponta dos pés na hora da seleção, para parecer um pouquinho maior. Passou no teste de altura no meio da multidão.

De peão, trabalhador braçal, certamente por ser falante ( tal qual eu) e trabalhador dos bons, conseguiu alcançar outros postos. Foi auxiliar de telefonista, auxiliar de eletricista, eletricista, técnico de eletrônica. Fez os cursos técnicos de eletrônica e eletrotécnica por correspondência pelo Instituto Universal. Dedicação e disciplina sempre foram a sua marca como profissional.

Com quase todos os 11 filhos do casamento com dona Nicinha já nascidos seo Nilton voltou a estudar. Fez o Admissão, ginásio, colegial - administração e contabilidade. Sonhava com engenharia, mas o sonho ficou sem ser realizado. Não dava para se transferir para o Recife, em Pernambuco, para fazer faculdade, porque lá não teria como manter família tão grande. Cá, em Paulo Afonso, tinha a vantagem de casa, água, luz, escola e saúde de graça. Seu custo era alimentar, vestir e financiar remédios e livros para as nove meninas e dois meninos que ajudou a reencarnar.

Infelizmente, para dona Nicinha, a mesma paixão que ele tinha pelo trabalho - e até por ela mesmo -, tinha por mulheres em geral. Nunca pode ver um rabo de saia sem se deixar atrair. Isso trouxe Delma - sua atual mulher, com quem convive há 30 anos - e pôs fim a um casamento de 24 anos. Trouxe também mais seis filhos - cinco meninas e um menino. Dezessete filhos resultam da sua potência sexual. Pelo menos estes são os que conhecemos.

Depois de muita dor, muita mágoa, hoje pode ver seus filhos - quase todos - conscientes de que somos irmãos, permitindo-se um abraço fraterno, de amor. Abraço de perdão entre as duas mulheres que tanto sofreram por amar um homem que nunca conseguiu ser de uma mulher só.

A forma de cuidar de seo Nilton é a da posse. Sua forma de amar e dar carinho é a da retribuição: ganha mais afagos e respeito quem lhe dá carinho e não se intimida com seu jeito leonino de ser.

Hoje, a perda quase total da sua visão o deixa mais dependente de todos. Para um ser auto-suficiente, depender dos outros - mesmo que seja dos seus filhos - é sofrimento.

Mas o seo Nilton, mulherengo como muitos e muitos homens, sempre foi e é um pai responsável. Ao seu jeito, se fez presente - e se faz. Papai para alguns, painho para os mais novos, o meu pai é daqueles que entende que filho é para toda a vida e não pode ser abandonado nunca.

A ele, hoje, o meu amor e minha gratidão por tudo que me ensinou.