quarta-feira, 25 de junho de 2008

Carregando o elefante

Meu querido Roberto, sempre atento aos problemas no nosso país, pediu-me para incluir informações sobre o livro Carregando o elefante, de Alexandre Ostrowieki e Renato Feder.
O livro está disponível para download. Confira no link abaixo.
http://carregandooelefante.com.br/

sexta-feira, 13 de junho de 2008

A observadora



Sempre me considerei uma pessoa observadora e atribuo a essa característica a chance que tenho de errar menos - o que não significa que eu não erre.

Nesta semana, contudo, este meu perfil foi confirmado por minha irmã Cida, enquanto conversavámos sobre o quanto sou tagarela.

_ Ela é tagarela hoje porque demorou pra falar. ( Segundo mamãe eu só disse as primeiras palavras bem depois de ter completado um ano). Acho que mainha colocou um pintinho pra piar na boca dela ( como manda uma simpatia).

_ Será? Acho que eu era preguiçosa.

_ Não, você não falava porque preferia observar as pessoas - concluiu ela.

Será que eu já fazia isso desde bebê? Hummmm. tenho que tomar cuidado porque certamente sou observada do mesmo jeito que observo.

Dia dos namorados



Ontem saí com meu namorado-marido e, mesmo atentos um ao outro, não pudemos deixar de observar os outros... observar os estilos tão diferentes de casais.

Teve aquele, na faixa dos 50-55 anos, onde o homem entrou no local mantendo pelo menos três metros de distância da mulher que acompanhava; sentou na mesa e esperou por ela sentado. O amor, mesmo que não estivesse no mesmo limiar do início, poderia ter deixado espaço para a gentileza, pois não?

Um outro casal, mais jovem, na faixa 25-30, destoava na vestimenta. Ela se preparou para o Dia dos Namorados e se arrumou com cuidado. Ele, vestia bermuda e camisa regata estilo machão ( a menos cavada, mas sem manga). Tudo bem que moramos em um país tropical, em uma cidade litorânea, mas não entendo porque muitos homens insistem em se vestir igual para ir a qualquer lugar: sempre como se fosse à praia ou a um churrasco no quintal.

Um outro casal, mais novinho, mas também acima dos 20, com alianças no anular direito, chegou de bermuda e sandália rasteira, de dedo. Ela, certamente, optou por não se frustar e preferiu ver como o noivo a pegaria para a noite do Dia dos Namorados. Vestiu-se igual.

Não pudemos deixar de observar esses casos. E comentamos onde teria começado esse descaso com o " namorar". Na novela o Clone, de Glória Perez, o personagem interpretado por Estênio Garcia - o muçulmano Ali - criticava o estilo dos ocidentais: enquanto os orientais estavam sempre arrumados e caprichavam nessa arrumação para o seu/sua marido/esposa, nós nos arrumávamos para trabalhar e para festas - para os outros, e em casa nos largávamos, tornando-nos menos atraentes para nosso par. À época (2001), concordei plenamente. E ontem confirmei isso. Não estou defendendo a vaidade ou o seguir modismo; falo da importância de nos mantermos atraentes para quem queremos ter ao nosso lado. Há momento para tudo e a comemoração de um Dia dos Namorados merece uma produção, mesmo que pequena. É bom lembrar que o amor tem de ser alimentado diariamente com atenção, carinho e dedicação ( não submissão). E arrumar-se para estar com o outro é fundamental, independentemente do tempo em que este ( ou esta) esteja ao seu lado.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Exercendo a cidadania II

As pessoas se acostumaram a dizer que os moradores das áreas mais pobres são os que mais sujam a cidade, que não têm educação, coisa e tal. Discordo. Quase todos os dias me indigno com vizinhos da rua Humberto Machado e adjacências que moram em boas casas, têm bons ou pelo menos razoáveis empregos e grau de escolaridade, mas assim mesmo insistem em compartilhar o seu lixo com os que circulam pela rua Dias Gomes, em Piatã.

Tem móveis velhos, podas de jardim e entulhos gerados por reformas. Recentemente, até terra tirada para Deus sabe o que tem. Talvez a escavação de uma piscina. A Limpurb passa quase toda semana para recolher esse tipo de lixo. Desta vez tem mais de 15 dias sem retirar essa vergonha. Essa prática se repete em cada esquina que tem um terreno murado, mas sem calçada.




Tenho três sugestões: 1) que a prefeitura coloque fiscais nessas áreas periodicamente para multar os mal educados; 2 ) que a prefeitura exija que os proprietários de terrenos urbanos ainda vazios ( haja especulação) façam as devidas calçadas; 3) que os vizinhos mais próximos denunciem o infrator à Sucom. É uma questão de saúde pública.

Exercendo a cidadania

Tenho refletido muito sobre a coragem de exercer o direito de indignar-se. Por que temos vergonha? Por que aceitamos coisas que não queremos sem reclamar? Porque aceitamos que os governantes façam o que querem, sem nos dar satisfação? Por que aceitamos maus resultados por serviços que pagamos - diretamente ou indiretamente, através de impostos absurdos?
Em outro momento mostrei minha indignação diante da decisão da prefeitura de Salvador em levar um tal de asfalto progressivo para ruas com baixo tráfego de veículos - independentemente dos problemas estruturais que a rua tivesse. Um asfalto progressivo que nada mais é que o cascalho moído do asfalto raspado da orla e de outros pontos que estão recebendo o glorioso banho de asfalto. Não importa se as ruas em questão já tinham sido lesadas - por constarem na prefeitura como asfaltadas , nem se o IPTU cobrado dos moradores da área é caro.
Virei persona non grata para uns dois ou três moradores do pedaço porque tive coragem de protestar e questionar a qualidade do asfalto que estamos recebendo. Disseram que certamente ficaria melhor que antes, com a rua de barro. Certamente não ficou.
Como alertei, deixamos de ter um ou dois ponto de alagamento para termos diversos pontos de água empoçada. Deixamos de ter a poeira da terra para termos em nossas casas uma poeira de cimento ou coisa parecida, que eles jogam por cima do cascalho de asfalto.
Pela segunda vez as ruas Humberto Machado, Manoel Galiza, Mandiguaçu, Tv Manoel Galiza e Joana Angélica vivem a síndrome da viúva Porcina ( novela Roque Santeiro) - aquela que foi sem nunca ter sido. Constarão na prefeitura como asfaltada quando estarão, desta vez, coberta por um novo cascalho - desta vez da sobra de um asfalto velho de outra rua qualquer.
Continuo indignada. E quando assim estou não paro de falar. Que ouçam e vejam quem tem ouvidos para ouvir e olhos para ver. A atitude a ser tomada fica por conta de cada um.

Rua Humberto Machado antes do asfalto

Rua Humberto Machado antes do asfalto - ponto crítico

Rua Humberto Machado após passagem da patrol que tinha a proposta de nivelar a rua Rua Humberto Machado dois dias depois do asfalto - surgimento de novos buracos e pontos de água



Rua Humberto Machado com Dias Gomes sem finalização na ligação com o asfalto antigo da rua Dias Gomes.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Operação BiG BaNG II

Como a megaoperação - na varredura pelos bairros com pontos de tráfico - apreendeu tão pouco: 8 k de cocaína, 50 pedras de crack e 1 k de maconha? Ou será que um dos objetivos principais da ROTAMO era justiçar o policial Sidarta, morto em 16 de março passado? Será que vale a pena continuar pegando as piabas e deixando os peixes grandes soltos, corrompendo pessoas de fora e de dentro da polícia?

Operação Big Bang

Sei e entendo que nós, seres humanos, somos imperfeitos. Assim não fosse não precisaríamos da reencarnação para a aprimoração, a transformação. Entretanto, não deixo de me surpreender - e me indignar - com o fato de a corrupção se alastrar, tal qual uma barragem que estoura, espalhando destruição por onde passa.
A megaoperação da Secretaria de Segurança Pública e do Ministério Público da Bahia na Penitenciária Lemos Brito - a Big Bang -, descortinou a simbiose entre bandidos e alguns servidores públicos (policiais e agentes penitenciários). Como pode um custodeado ter e manter em sua cela E$ 280 mil, TV Plasma, geladeira bem abastecida, DVD e outros privilégios enquanto comanda crimes que ocorrem do lado de fora dos muros das penitenciárias. Quem permitiu esses privilégios? A troco de quê?
Essa compra e venda de favores se espalha por todos os cantos. É no SUS, nos hospitais, nos cartórios, nas escolas, nos setores públicos. Começa com o favorzinho e chega ao favorzão. Dizer que os dirigentes de qualquer uma das instituições enlameadas pela corrupção que vem de baixo e de cima até fechar o cerco não percebem o que acontece sob os seus olhos é balela. Um bom chefe é observador sem necessariamente ser centralizador. Um bom chefe tem que conhecer a rotina do seu ambiente e ser capaz de perceber as situações que se repetem sistematicamente.
Não podemos é encarar isso como normal, ter vergonha de ser honesto. Temos que nos indignar, de não compactuar. Perder a capacidade de indignação é perder a essência da vida.
Cada um faz sua escolha. Só não pode reclamar depois.