terça-feira, 29 de abril de 2008

Povo brasileiro



Na lista do Sinjorba os debates sobre cotas - raciais ou sociais - têm sido acalorados. Sou a favor das cotas sociais. E Marcelo Barsan, participante da lista, postou a canção "Inclassificáveis", de Arnaldo Antunes, que está presente no novo álbum homônimo de Ney Matogrosso. Disse ele que a música resume bem o que pensa sobre toda essa polêmica que envolve a cor da pele no Brasil. Digo a mesma coisa. E aí está a letra pra vocês conferirem.

Inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

que preto branco índio o quê?
branco índio preto o quê?
índio preto branco o quê?

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos mamelucos sararás
crilouros guaranisseis e judárabes

orientupis orientupis
ameriquítalos luso nipo caboclos
orientupis orientupis
iberibárbaros indo ciganagôs

somos o que somos
inclassificáveis

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não há sol a sós

aqui somos mestiços mulatos
cafuzos pardos tapuias tupinamboclos
americarataís yorubárbaros.

somos o que somos
inclassificáveis

que preto, que branco, que índio o quê?
que branco, que índio, que preto o quê?
que índio, que preto, que branco o quê?

não tem um, tem dois,
não tem dois, tem três,
não tem lei, tem leis,
não tem vez, tem vezes,
não tem deus, tem deuses,
não tem cor, tem cores,
não há sol a sós

egipciganos tupinamboclos
yorubárbaros carataís
caribocarijós orientapuias
mamemulatos tropicaburés
chibarrosados mesticigenados
oxigenados debaixo do sol

terça-feira, 22 de abril de 2008

Jornalista é jornalista em qualquer empresa

Finalmente uma decisão que mostra lucidez e bom senso, entendendo que o jornalista, para exercer a sua profissão, não precisa estar, necessariamente, trabalhando em uma empresa jornalista. Segundo matéria publicada na revista Consultor Jurídico, de 10 de abril deste ano, a Seção Especializada em Dissídios Individuais- 1 do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso ajuizado pelo Banespa e garantiu a um jornalista do banco o direito à jornada diária de 5 horas.
Condenado a pagar horas extras em ação movida pelo jornalista, o banco teve seu Recurso de Revista rejeitado pela 1ª Turma do TST. Para a Turma, ficou comprovado, na decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP), o desempenho do trabalhador em atividade tipicamente jornalística. Inconformado, o Banespa tentou embargar a decisão. Insistiu no argumento de que não é empresa jornalística e que o empregado não desempenhava essa função.O relator, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, rejeitou a tese. Destacou que o posicionamento firmado pela SDI-1 é no sentido de que o jornalista,mesmo trabalhando em empresa de outro ramo, tem direito à jornada reduzida prevista no artigo 303 da CLT. Após citar vários precedentes sobre o tema, Reis de Paula afirmou que, "como profissão diferenciada, o jornalismo pode ser exercido também em empresas que não tenham a edição ou distribuição de noticiário como atividade preponderante". A decisão da SDI foi unânime.
Como não exercermos o jornalismo em outras empresas, inclusive as públicas, se fazemos reportagens, coberturas de eventos, produção de matérias para sites, edição de jornais... Muito bom para os milhares de jornalistas que trabalham nas Ascons de muitas empresas e estão sendo obrigados a cumprir jornada diária de 8 horas, sem acréscimo salarial e com o agravante de exercer mais de uma função sem também receber por isso.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Os justiceiros

O programa Bahia no Ar, na TV Record/Itapoan, mostrou hoje pela manhã a cena de um linchamento na Suburbana, se não me engano. A apresentadora, Daniela Prata, comentou que isso é fruto do descrédito que a população tem em relação à Justiça e alertou para o perigo de as pessoas saírem fazendo justiça com as próprias mãos - que é crime.
O rapaz que fez as imagens e cedeu para a TV Itapoan considerou preocupante que as pessoas fizessem isso abertamente, na frente de todo mundo, inclusive de crianças.
Concordo com ambos, mas volto aqui a questionar: como conter a população se alguns membros da polícia baiana não se intimidam nem se constrangem de fazer exatamente o mesmo, de linchar ou matar aqueles que tenham atingido alguém da corporação ou um parente ou amigo de alguém da corporação? Essa prática de alguns policiais, que se repete corriqueiramente, significa que eles também não acreditam na Justiça?

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Homem grávido??!!!

Sei que o mundo vive ciclos e que, neles, os comportamentos se modificam. Mas não consigo deixar de achar estranho as diferentes composições familiares que vão acontecendo, permitidas pela ciência e, claro, pela vontade das pessoas - o livre arbítrio. Allan Kardec, decodificador da doutrina espírita, dizia que a ciência deve ser respeitada. Não que ele tenha dito com essas palavras; esta é a minha interpretação. Mas muitas coisas viabilizadas pela ciência continuam sendo, para mim, no mínimo estranhas e com consequências indefinidas.

Já acompanhamos muitos casos de barriga de aluguel, de irmã que gesta o filho da irmã, de mãe que gesta o filho da filha... Agora tem o marido que gesta o filho para a sua mulher. Pois é... dando uma circulada pelas notícias na web encontrei a informação que o transsexual Thomas Beatie, de 34 anos, que até alguns anos atrás ainda era uma mulher, e se chamava Tracy Lagondino, está grávido. Ele/ela tomou a decisão porque sua esposa Nancy teve que retirar o útero e não podia mais engravidar para ter o filho planejado.

Tracy, que nasceu no Havaí, se submeteu há alguns anos a uma cirurgia de mudança de sexo, na qual extraiu os seios e iniciou um forte tratamento hormonal para se transformar em Thomas. Como não tinha retirado ainda o aparelho reprodutivo, ela pôde fazer um tratamento de fertilização e conseguiu engravidar.

Procuro apagar, ou pelo menos neutralizar, o preconceito que pode existir dentro de mim, fruto de uma educação convencional. Entretanto, fico com uma curiosidade preocupada. Sabemos quanto cruéis podemos ser na infância e adolescência ( sem falar nas outras fases da nossa vida). Como a criança lidará com essa gestação inusitada e que, certamente, gerará polêmica hoje e futuramente?

Gostaria de saber o que você pensa sobre o assunto.