terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A pílula do dia seguinte


A polêmica está formada em Pernambuco por conta da decisão da Secretaria de Saúde distribuir pílulas do dia seguinte para mulheres - adolescentes, jovens ou adultas. A Igreja diz que estimula o crime do aborto. O secretário diz que é prevenção à gravidez precoce. Prevenção?!

Não sou, nem de longe nem de perto, puritana. Tampouco sou libertina, como se dizia nos tempos mais antigos que os meus. Mas acho que está havendo um equívoco: prevenção, em meu entendimento, se faz com educação. Educação se faz com campanhas, com palestras, com conversa. Usar a pílula do dia seguinte é igual a você comer até morrer, gulosamente, depois ficar com a consciência pesada e meter o dedo goela abaixo.

Já fui, é bom que se frise, defensora do aborto. Achava que a mulher tinha direito a fazer o que bem entendesse com o seu corpo e sua vida. Continuo achando que esse direito ela continua tendo, até porque todos nós temos o livre arbítrio e por ele devemos assumir o ônus e o bônus das nossas ações. Mas, depois de começar a estudar o espiritismo, mudei minha opinião sobre o aborto.

Se é para prevenir gravidez precoce, por quê não a tradicional distribuição de camisinhas? Aí, sim, é uma medida preventiva. Desde que os agentes de distribuição não fiquem desperdiçando camisinha, fazendo-as de bola de sopro em plena avenida, como já vi várias vezes na Avenida Sete, em Salvador.

Outra coisa, a pílula do dia seguinte após o sexo sem camisinha no carnaval vai impedir a gravidez, mas não "pegar uma doença". Que a festa seja de curtição, de beijos, de amassos, de...é festa. Mas é bom lembrar que o dia seguinte na nossa vida nem sempre tem pílula para expulsar a consequência do que fizemos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Venda de bebidas alcoólicas na mira do governo

Estou de volta. Que os amigos conhecidos e ainda não conhecidos que por aqui passam estejam caminhando com determinação nesse ano ainda novinho.

Minha primeira confabulação do ano será sobre as restrições que Lula impôs hoje à venda de bebida alcoólicas nas rodovias federais. Segundo a Medida provisória, fica proibida a comercialização de qualquer bebida que contenha álcool em sua composição com grau de concentração igual ou acima de 0,5º. O descumprimento da norma implicará multa de R$ 1.500,00 ao comerciante. Em caso de reincidência, o valor da multa será dobrado e o acesso ao estabelecimento pela rodovia suspenso por um período de dois anos. Os estabelecimentos comerciais situados às margens das rodovias federais deverão fixar avisos indicando a proibição em locais de ampla visibilidade. Caso contrário, estarão sujeitos a multas de R$ 300,00. Os comerciantes têm até o dia 31 de janeiro para se adequar à nova legislação, cuja fiscalização caberá à Polícia Rodoviária Federal (PRF).
O ministro Tarso Genro considera um avanço importante no combate à violência no trânsito e à mortalidade nas estradas e diz que trabalhos do Centro de Estudos de Prevenção e Reabilitação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) destacam que mais de 88% das vítimas mortais dos acidentes de trânsito apresentavam álcool no sangue.
Muito boa a medida. Mas cabe um questionamento: por que só nas rodovias? Os postos de gasolina dos centros urbanos continuam com suas lojas de conveniência vendendo bebibas alcoólicas e reunindo grande número de jovens, com grande probabilidade de ter menores no grupo. Depois da farrinha saem fazendo barbaridade no trânsito. A avenida Luiz Viana Filho - a nossa Paralela - que o diga. Dirigir naquelas pistas tem se constituído, cada vez mais, em atividade de altíssimo risco.
Outro questionamento: cadê a coragem de proibir propagandas dos fabricantes, como fizeram com o cigarro? Antes, fumar era o mote para ser tudo de bom. Hoje, beber cerveja é que vai tornar o jovem mais na onda, mais gostoso, mais desejado, mais sedutor, mais isso, mais aquilo. E a única limitação imposta é a de a pessoa com menos de 25 anos não poder beber no comercial.
Ninguém pode, evidentemente, proibir ninguém de consumir o que que seja; mas o incentivo através da publicidade, na minha opinião, deve ter limites. Urgente.