quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Tour Venezuela - Chichiriviche


No Estado de Fálcon, fomos conhecer Chichiriviche, capital do município de Monseñor Iturriza, uma pequena cidade de pescadores que fica ao redor do Parque Nacional Morrocoy, tem cerca de 32 mil hectares e 12 pequenas ilhas (cayo). De Coro, no mesmo Estado, até lá tivemos dois tipos de transporte. No terminal pegamos um ônibus pequeno e antigo, velho (buseta), cujo dono é o próprio motorista. Faz parte da cultura dos venezuelanos - creio que em todo o mundo - impor sua característica no que é seu. Com isso, os ônibus são enfeitados ao gosto do dono. Sobre o motor, coberturas alcochoadas e forradas com veludo, para dar conforto ao passageiro que não encontra mais poltrona disponível.

Como sentamos no último banco, ouvimos com maior impacto o alto som com música caribenha. Tinha saídas de som na traseira e na dianteira. Todo o percurso é feito sempre com muita música. Exceto se você estiver de mal humor, a viagem é divertida. O percurso é o mesmo com destino a Valência, capital e a maior cidade do Estado de Carabobo. Como descemos no meio do caminho, em Sanare, Estado de Lara, a viagem durou cerca de 1h30. Ali pegamos outra buseta e chegamos a um entrocamento, onde pegamos um táxi por puesto (lotação), um Ford Landau antigo e velho, porém confortável, onde a lotação é de cinco pessoas. Nele a música também estava presente. Ficamos na pousada Villa Gregória ( Calle Mariño, diagonal a Bancoro, tel. 0259-8186359, dos espanhóis Aurélio (pai e filho).

Em Chichiriviche confirmamos o que vimos nas outras localidades por onde passamos na Venezuela. Não há barzinhos, botecos. Encontramos restaurantes ou licorias, onde você pode comprar qualquer tipo de bebida, mas tem que consumir em outro lugar; na calçada, na praça, em cadeiras diante da sua casa ou da sua loja... Como o lixo só é recolhido pela administração municipal uma vez por semana, contudo, é comum encontrar garrafinhas de cerveja estilo long neck (Polar) pelas esquinas.



Com seus quase 18 mil habitantes, a cidade é promissora. Tem um grande potencial turístico, mas há a necessidade premente de investimentos do governo na profissionalização do turismo. Na parte da orla onde se concentram os barcos dos pescadores a prefeitura está urbanizando. Quem tem interesse por conhecer locais rústicos, com o seu povo em sua espontaneidade, deve ir dentro dos próximos 10 anos. A impressão que tive é que, depois disso, acontecerá com Chichiriviche o que ocorreu com Porto de Galinhas, em Pernambuco: foi descoberta, curtida, invadida por estrangeiros com faro para bons investimentos, urbanizada e profissionalizada. Encareceu. Os chineses já descobriram a cidade. São eles os donos da maioria dos mercadinhos - sujos, com frutas de péssima qualidade e desorganizados. Frutas frescas só na segunda-feira, em uma feira livre.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Tour Venezuela - Coro

Por dificuldades de acesso a internet, devido aos horários nas lans houses da Venezuela e também pela infra-estrutura precária em alguns pontos, não foi possível atualizar minhas confabulações sobre o Tour Venezuela. Retomo aqui com as impressões de Coro, a capital do Estado de Fálcon, cujo Centro Histórico é Patrimônio Histórico da Humanidade.

De Mérida, capital do Estado de Mérida, até Coro, a viagem por ônibus é de 12 horas. Nossa viagem, entretanto, foi realizada em 21 horas. A Tormenta Omar, que atingiu o Mar do Caribe, provocou fortes chuvas. Uma das consequências foi a queda de uma ponte na rodovia que da acesso à Coro. Por conta disso, o motorista teve que fazer um novo roteiro. Chegamos sob chuva, em menor intensidade, em Coro. O terminal de passageiros é pequeno e sujo. Depois de confirmar vaga na Pousada Tun Tun ( 58-0268-4044-260, Calle Zamorra #92)no Centro Histórico, seguimos para lá.

Nos dois dias e meio que permanecemos na cidade, a impressão negativa só se confirmou. Além de estar sob efeito dos alagamentos, Coro mostrou que sofre com o problema da falta de educação do seu povo e a desorganização política dos seus administradores: o lixo se acumula pelas ruas da cidade. Só a área do Centro Histórico - que fica entre três ou quatro quarteirões - parece bem cuidada.



Visitamos a praia de Adicora, nosso primeiro contato com o Mar do Caribe, mas não pudemos aproveitá-la: chuva fininho, mas incômodo. Também visitamos a cidade de Punto Fijo, uma zona franca. Para nós, brasileiros, nada que valesse a pena em termos de custos. Para os venezuelanos, que enfrentam uma inflação de 40%, parecia tudo de bom, principalmente nos eletro-eletrônicos. Como Coro, Punto Fijo é suja, com bastante lixo, apesar das placas de " prohibido basura". Nas duas cidades, tal qual o centro antigo de caracas, os taxis são muito velhos, ford landau da década de 50, com som, ar condicionado e câmbio automático. Outra característica são os pequenos ônibus velhíssimos, no estilo marinetes, com um som potentíssimo e bocas de alto-falantes junto ao motorista e no fundo. A música, altíssima. Nem adianta pensar em reclamar.

O que Coro teve de melhor foi a oportunidade de estar em uma pousada que nos possibilitou longas conversas sobre política, sociedade, educação e desenvolvimento na Venezuela, Brasil e América Latina. Apesar de não estarmos com um espanhol muito fluente, conseguimos trocar impressões sobre o Governo Chavez, Governo Lula e outros temas com Angélica (belga, que tinha acabado de vender a pousada), Damien e Norka ( francês e venezuelana de Mérida, que tinham acabado de comprar a pousada) e Juan (colombiano).



A conclusão que tivemos foi que a América Latina só alcançará sua liberdade e seu desenvolvimento se investir na educação. Como em Caracas e em Mérida, percebemos uma aversão a Chavez, considerado "un lóco que guerrea con todos". Crêem que não será dessa forma que a Venezuela terá o respeito que busca do mundo.

sábado, 11 de outubro de 2008

Tour Venezuela - Mérida II

Este é o nosso último dia em Mérida, nos Andes Venezuelano. ( Volto a lembrar que nao consigo achar o til nos teclados daqui) Nestes dias que passamos aqui nao temos como nao comparar determinadas coisas com o nosso Brasil. Primeiro vamos às boas coisas.

Por toda a cidade existem praças com jardins e árvores centenárias , bancos de ferro e madeira, sem ter grade que as cerquem, como acontecem em quase todas as cidades grandes no Brasil. Exemplo da pouca importância que sedá às praças no brasil, Salvador, é a Praça Jornalista Edson Alves, em Piata, que leva mais de um mês para ser limpa e nao tem uma árvore adulta para dar sombra âs pessoas que fazem caminhada ou levam suas crianças para brincar.




O melhor exemplo que tivemos aqui foi o de que, quando há vontade política, as coisas acontem
em benefício do cidadao. O governo do Estado de Mérida, em parceria com o governo federal -leia-se presidente Hugo Chaves, implantou e inaugurou em junho de 2007 a Linea 1 do Trol Mérida. O que isso significa? Um sistema de trolebus ( ônibus elétrico) que, em sua primeira etapa, tem 14 estaçoes espalhadas em 14 km, aproximadamente. Desde a inauguraçao a passagem é gratuita, há previsao de começar a ser cobrada a partir de dezembro deste ano (2008).


Nao sei quanto foi investido, mas creio ter sido bem menos do que já foi gasto para a construçao, infindável, do metrô de Salvador, que teve ao longo destes anos várias denúncias de desvio e verba. O Sistema Trolebus de Mérida nao gastou toneladas de concreto para construçao das horríveis colunas, como em Salvador. Os ônibus circulam em faixas exclusivas centrais, tal qual o sistema viário de uma parte da cidade do Recife -PE e como já existe em algns trechos em Salvador.


Certamente, nao fosse a mania de grandeza dos nossos governantes, teríamos em Salvador um sistema como o Trolebus nao apenas com 14 km, mas muito mais, capaz de beneficiar toda a comunidade do Centro da Cidade até Cajazeiras. Abaixo vocês vêem as fotos. A última é do Terminal.



Agora, nao posso deixar e dizer que Mérida, como umdos principais pontos turìsticos da Venezuela, ainda está engatinhando na administraçao dos serviços de turismo. Como postei ontem, o tleférico está fechado sem nenhum aviso desde agosto, sem data para reabrir. A Plaza del Toros só tem touradas em fevereiro.
E a Helladeria Coromato , sorveteria que está incluída no Guiness por ter a maior quantidade de sabores, também está fechada por todo o mês de outubro para manutençao dos equipamentos. Quando a gente consegue loalizar o endereço - Calle 28 ( a casa laranja) depara-se com um aviso em papel ofício na porta. Muito mal para uma sorveteria turística.



No geral, Mérida é muito bonita e organizada, mesmo com seu trânsito agoniado - pior que Salvador.

Seguimos agora para Coro, que é a única cidade da Venezuela decretada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. De Mérida para lá sao 12 horas de viagem. Até lá.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Tour pela Venezuela - Mérida

Estamos em Mérida desde o dia 8. A cidade completou ontem, 9/10/2008, 450 anos; é a mais velha da Venezuela. Muito bonita. Em um tour por Páramo pudemos ver alguns pontos turísticos da parte venezuelana da Cordilhareira dos Andes, como o Pico Águilla, Estación Del Condor, La Laguna, Iglesia de Piedra, construìda por Juan Sanches só com pedra, sem um pingo de cimento. Fantástico como eles cultivam nas montanhas. Onde nao tem pedra tem plantaçao de batata (pápa), cenoura e alho. Tudo muito bonito. Aqui todos comem pápa o tempo inteiro.




As cidades do interior ñao sao chamadas de cidades. Sao pueblos. Pequenas, de fato. Passamos por algumas e visitamos os parques nacionais de Serra Nevada e de La Lacuna. Em ambas pegamos muito frio, principalmnte no Pico Águilla - 4.118m de altitude e uma temperatura de 2ºC.




Fomos também ao castelo - na verdade, um hotel nos Andes. Deve ser chiquérrimo, mas, com certeza, muy caro.A maior frustraçao está no fato de o Teleférico, maior atraçao de Mérida, que tem cinco estaçoes e alcança cerca de 5.000 m de altitude, estar fechado ( cerrado).



Deu problema em um cabo. Fecharam para inspeçao e, apesar de localizado o problema na quinta estaçao, nao há dinheiro para a troca. A Governación del Estado de Mérida nao divulga oficialmente, mas ñao há previsao de reabertura. Alguns operadores de turismo dizem que pode levar até quatro anos fechado. Nao informar isto é uma grande sacanagem para nós turistas, que somos atraídos, principalmente, por este teleférico. As agências de turismo garantem que o setor sofreu um grande baque com o fechamento do teleférico.


Em relaçao ao nosso anfitriao, o homem está em tempo integral na TV Venezuela. Na quarta-feira, 8/10/2008, participou em programaçao ao vivo do seminário em homenagem ao 47 anos do desaparecimento de Che Guevara. Na ocasiao comemorava também os três anos do programa de Medicina Integrada defendida por Che e aplicada aqui com o apoio de 31 mil médicos voluntários cubanos. Interessante. Ontem, dia 9, a emissora divulgou, ao vivo, ACTO DE CAMPAÑA DO PSUV, ou seja, um comício do candidato de Portuguesa, um estado venezuelano, com mais de 3 horas de duraçao. Inteirinho, com Chaves cantando, inclusive.


A notícia quente de hoje, 10/10, é que o SINEAT, equivalente à nossa receita federal, fechou as 153 lojas da McDonalds no país, por irregularidades nos livros fiscais.


Ficaremos em Mérida até amanha, 11/10/2008. Seguimos para Valência, Chichiriviche, Coro e Parque Nacional Morrocoy. Passaremos, entao, da parte dos Andes para as praias e arquipelágos do Mar do Caribe.








terça-feira, 7 de outubro de 2008

Tour pela Venezuela - Caracas

Buenos, amigos


Notìcias quentinhas do nosso tour pela Venezuela. Chegamos bem em Caracas ontem pela manha ( na maquina daqui nao tem til ). O aviao da TAM é que tem umas poltronas horríveis. Fomos recebidos com honra pelos venezolanos de Hugo Chaves (pois bem).

Caracas faz homenagem ao nosso anfitrao por tudo que é canto. Também tem homenagem ao nosso presidente Lula. A cidade é muito curiosa. Colorida. Tem mais habitantes que Salvador mas parece perdida no tempo (arquitetura, transporte...). O Centro lembra o de Sao Paulo, Recife, Salvador. Mas nada igual às camionetas (ônibus velhos, velhos, pequenos, hiper coloridos, sem cobrador). Como meu amigo Jadson havia dito, a caixa de dinheiro fica sobre o motor, exposto, sem ser roubado. Fantástico. Nas ruas tem policiamento da guarda, mas nao vimos sinais de violência. Vimos, sim, muita ambulância em trabalho.




Roberto está achando o povo interessante, assim como eu. Sao simples e nem todos tem cara de índio como Chaves. Parecem conosco, brasileiros. Mas gritam muito. Em quase todos os lugares. O Centro Històrico está sendo recuperado. Todo o governo fica por aqui.



A comida é que pega. É frango - Pollo - por todo lado. E o povo come, viu? Beber e comer aqui é caro, comparado com o transporte e hospedagem.

Vamos daqui a pouco para Mérida, que fica nos Andes. Sao 12 horas de viagem. De lá enviaremos mais informaçoes.

De lá também mandaremos algumas fotos.

Um abraço a todos.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Dicas sobre reabastecimento de combustível

Todas as formas de otimização - leia-se economia - do nosso suado dinheiro é válida. Recebi esse alerta de Roberto, meu marido. Ele vem colocando em prática e diz que está funcionando. Não sei quem é o autor da mensagem, mas quem repassou garante que ele trabalha numa refinaria há 31 anos. Se tiver alguém que entenda do assunto e queira confabular sobre o tema, por favor, deixe seu comentário. Vamos às dicas

1º Truque
Encher o tanque sempre pela manhã, o mais cedo possível. A temperatura ambiente e do solo é mais baixa. Todos os postos de combustíveis têm seus depósitos debaixo terra. Ao estar mais fria a terra, a densidade da gasolina e do diesel é menor. O contrário se passa durante o dia, que a temperatura do solo sobe, e os combustíveis tendem a expandir-se. Por isto, se você enche o tanque ao meio dia, pela tarde ou ao anoitecer, o litro de combustível não será um litro exatamente. Na indústria petrolífera a gravidade específica e a temperatura de um solo tem um papel muito importante. Onde eu ( o autor) trabalho cada carregamento de combustível nos caminhões é cuidadosamente controlada no que diz respeito à temperatura. Para que, a cada galão vertido no depósito (cisterna) do caminhão seja exato.
2º Truque
Quando for pessoalmente encher o tanque, não aperte a pistola ao máximo (pedir ao frentista no caso de ser servido). Segundo a pressão que se exerça sobre a pistola, a velocidade pode ser lenta, média ou alta. Prefira sempre o modo mais lento e poupará mais dinheiro. Ao encher mais lentamente, cria-se menos vapor, e a maior parte do combustível vertido converte-se num cheio real, eficaz. Todas as mangueiras vertedoras de combustível devolvem o vapor para o depósito. Se encherem o tanque apertando a pistola ao máximo uma percentagem do precioso líquido que entra no tanque do seu veículo se transforma em vapor do combustível, já contabilizado, volta pela mangueira de combustível (surtidor) ao depósito da estação. Isso faz com que, os postos conseguem recuperar parte do combustível vendido, e o usuário acaba pagando como se tivesse recebido a real quantidade contabilizada, menos combustível no tanque pagando mais dinheiro.
3º Truque
Encher o tanque antes que este baixe da metade. Quanto mais combustível tenha no depósito, menos ar há dentro do mesmo. O combustível se evapora mais rapidamente do que você pensa. Os grandes depósitos cisterna das refinarias têm tetos flutuantes no interior, mantendo o ar separado do combustível, com o objetivo de manter a evaporação ao mínimo.
4º Truque
Não encher o tanque quando o posto de combustíveis estiver sendo reabastecido e nem imediatamente depois. Se chegar você ao posto de combustíveis e vê um caminhão tanque que está abastecendo os depósitos subterrâneos do mesmo, ou os acaba de reabastecer, evite, se puder, abastecer no dito posto nesse momento. Ao reabastecer os depósitos, o combustível é jorrado dentro do depósito, isso faz com que o combustível ainda restante nos mesmos seja agitado e os sedimentos assentados ao fundo acabam ficando em suspensão por um tempo. Assim sendo você corre o risco de abastecer seu tanque com combustível sujo.
Vamos tentar .......

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Brasileiros defendem diploma e conselho para jornalistas

A maioria da população brasileira defende o diploma para que jornalistas exerçam a profissão. Pesquisa de opinião realizada pela Fenaj/Sensus aponta que 74,3% dos dois mil entrevistados em território nacional disseram ser a favor do diploma, contra 13,9% que defendem a atuação jornalística sem o documento. Os que não souberam e não responderam foram 11,7%.
Questionados se um Conselho Federal dos Jornalistas deve ser criado, para a regulamentação da profissão, como acontece com a OAB, para os advogados, e o CREA, para os engenheiros, 74,8% aprovaram a idéia, contra 8,3% que rejeitaram - 6,5% responderam que depende/talvez e 10,4% não sabem ou não responderam.
Sobre a credibilidade das notícias, 42,7% acreditam no que lêem, ouvem ou assistem, enquanto 41,6% acreditam parcialmente, 12,2% não acreditam e 3,5% não sabem ou não responderam.
Fonte: Redação Comunique-se

Em defesa do Conselho de Jornalismo III

E esta foi a resposta que enviei ao deputado José Carlos Aleleuia, através do seu assesor.
----------------------------
Caro Sr. Tomaz Filho
Assessor de Imprensa do deputado José Carlos Aleluia


Gostaria que o senhor transmitisse ao seu assessorado, uma vez que respondeu em nome dele, que eu lamento profundamente que ele não tenha lido, de fato, as palavras que busquei tão profundamente em mim, jornalista por formação e vocação, sempre pautada na ética e na responsabilidade. Se assim tivesse feito, perceberia, através de mim, o clamor de uma classe de profissionais que está cansada de ver a sua profissão - JORNALISMO/ JORNALISTA - confundida com o mecanismo utilizado para a exercitar - IMPRENSA/ VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO - servir de joguete para brigas políticas entre oposição e situação.

O Conselho não é proposta do presidente Lula; é proposta da classe. O Conselho não tem o objetivo de cercear a liberdade de imprensa; mas de fiscalizar o exercício irregular de pessoas não habilitadas, assim como as ações de profissionais que desrespeitem o Código de Ética da nossa profissão. O que há de mal nisso? Nada.

Um jornalista que não é ético, que utiliza-se da profissão e dos meios de comunicação para alcançar benefícios pessoais ou despejar a sua ideologia política é tão pernicioso à sociedade como um engenheiro que erra nos cálculos, como um médico que erra no diagnóstico e em uma cirurgia, quanto um advogado que se corrompe, quanto... quanto... Em todas as profissões tem bons e maus profissionais. Com o Conselho de Jornalismo queremos apenas ter o direito de fiscalizar isto.

Diga ao deputado José Carlos Aleluia, caro Tomaz Filho, que não quero entrar no mérito da política, de A ou de B. Embora, como cidadã que acompanha assiduamente os noticiários, tenha consciência de que nunca, em tempo algum em nosso país, a Polícia Federal e a própria imprensa teve tanta liberdade de agir. Se não houve mais liberdade para a imprensa, isso deve-se à censura imposta pelos donos dos veículos - políticos em sua maioria.

Diga, também, que lamento que ele tenha preferido colocar o assessor de imprensa para assinar, em seu nome, uma resposta ao meu desabafo, direito de cidadã brasileira que paga seus impostos em dia.

Continuarei rogando a Deus que o bom senso se instale na mente inteligente e perspicaz do deputado.

Atenciosamente,

Vanda Amorim
Jornalista DRT/PE 1339
9972-2724
http://forquilha.blogspot.com

Em defesa do Conselho de Jornalismo II

Agora publico a mensagem que recebi do assessor de imprensa do deputado José Carlos Aleluia, Tomaz Filho.
--------------------
Senhora Vanda Maria Amorim,


Sou contra qualquer tipo de censura. O governo Lula, cujos integrantes, sobretudo a maioria petistas, tem inspiração stalinista, tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo, ainda no primeiro mandato.

Claramente, o projeto visava impedir a imprensa de fazer o seu trabalho.

Se Lula tivesse êxito na sua proposta, todas essas revelações de corrupção na gestão petista jamais chegariam à opinião pública. De resto, a intenção em amordaçar a mídia era exatamente permitir que os aloprados mensaleiros atuassem sem constrangimento.

Aqueles 40 quadrilheiros de Lula jamais seriam processados por corrupção e formação de quadrilha pelo Supremo Tribunal Federal, depois de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Note que apesar de todas os indícios e evidências, Lula defendeu os seus companheiros denunciados e declarou que a Polícia Federal, o Ministério Público e o STF estavam sendo levianos.

Como líder da oposição, fui à tribuna repelir a ameaça que a imprensa corria de ser amordaçada.

Felizmente, a maioria do Congresso Nacional rejeitou a proposta.

A imprensa nacional séria condenou a proposta forjada nos porões da CUT, braço sindical do PT. Lula teve que arquivar a idéia.

Curiosamente, Lula acaba de enviar nova proposta ao Congresso Nacional sugerindo outra vez censurar a mídia.

Desta vez o pretexto é a divulgação que a imprensa faz de gravações telefônicas.

Ao invés de combater o crime, Lula quer impedir a mídia de divulgar o crime.

Aliás, foram agentes do governo que grampearam o presidente do Supremo Tribunal Federal e um senador da República.

Senhora Vanda, o governo Lula já demonstrou inúmeras vezes que é intolerante. Não podemos hesitar. Veja o que está acontecendo em outros países presididos por companheiros de Lula, Venezuela, Bolívia, Equador...

Como democrata estarei sempre atento aos passos de Lula.

O presidente acha que o fato de ser popular - lembre-se que Hitler era tão popular quanto Lula e a tragédia que se abateu sobre a Alemanha, sob o nazismo - lhe dá carta branca para fazer o que bem entender.

Não é bem assim.

Seus companheiros corrutos podem não estar ainda atrás das grades, mas sempre que eles e o chefe cometerem falcatruas estaremos na linha de frente para denunciá-los.

É o papel, como oposição, que o povo nos delegou.

E iremos cumpri-lo.

Porque o caminho do Brasil não pode ser o caminho traçado por aloprados mensaleiros.

Mesmo um eventual equívoco da mídia não justifica a censura.

Quanto mais a imprensa for livre, mais a democracia prevalecerá.

Sem mais,

atenciosamente,

Em nome do deputado José Carlos Aleluia,
José Tomaz Filho
Assessor de Imprensa

Em defesa do Conselho de Jornalismo

Ontem (25/09/08) enviei uma mensagem ao deputado federal da Bahia José Carlos Aleluia, referente à criação do Conselho de Jornalismo ( conselho de classe). Hoje recebi resposta através do assessor de imprensa, Tomaz Filho. Para que vocês tenham acesso à essa troca de mensagens, resolvi postá-las aqui. Abaixo, a mensagem que enviei, com os comentários recebidos no grupo do Sinjorba. É longa, mas leiam. É importante.
--------------
Caro deputado
José Carlos Aleluia

Tenho acompanhado a divulgação, através da sua assessoria de imprensa, de opiniões ferrenhas do senhor contra a criação do Conselho de Jornalismo. Até o momento não consegui entender como um homem, um político tão inteligente como o senhor, tenha se permitido ao equívoco na análise da proposta de criação deste conselho, imprescindível para a fiscalização da profissão do Jornalista. Cruzei com o senhor no elevador da Assembléia Legislativa da Bahia, na última segunda-feira, às 18h30, mas não pude parar para tentar conversar pessoalmente porque estava com o horário corrido para outro compromisso.

Filha de ex-chesfiano, nascida e criada em Paulo Afonso - BA, o conheci enquanto presidia a CHESF. Sei que o senhor é engenheiro elétrico e, certamente, teve que se inscrever, enquanto exercia sua profissão, no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. Sabe, portanto, qual a finalidade, a atribuição e a importância de um conselho de classe. Sabe, consequentemente, que a finalidade do Conselho de Jornalismo não é de cercear a liberdade de imprensa, a liberdade de expressão.

O senhor, deputado Aleluia, sabe que liberdade de imprensa é ameaça desde o momento em que foram distribuídas concessões de rádio e TV a grupos políticos e quando os grandes jornais também são comandados por esses grupos políticos ou então por grupos econômicos aliados a esses grupos políticos. A liberdade de imprensa só existirá se não ficar refém do Interesse do Patrão - IP.

Como aprendi na faculdade, para fundamentar nossas informações temos que apurar, que pesquisar. E estive pesquisando no Sistema de Informações do Congresso Nacional e constatei que no Brasil existem 26 conselhos e duas ordens. Segundo a Classificação Brasileira de Ocupações, do Ministério do Trabalho, são 53 as profissões regulamentadas, entre elas a de Jornalista. A nossa profissão está, injustamente, entre as que não tem conselho profissional.

O Presidente Lula foi acusado, inclusive pelo senhor, de querer cercear a liberdade de imprensa com o projeto de criação do Conselho Federal de Jornalismo – ou dos profissionais de jornalismo, se assim preferir.

Aproveitei as poucas horas livres de dois dias e fiquei na internet pesquisando. E encontrei o seguinte:
1) O CFJ não seria o único a ser autarquia – todos são autarquias. Segundo José pastore, sociólogo e professor da USP, durante muito tempo, os conselhos profissionais foram uma extensão do poder público, estando vinculados ao Ministério do Trabalho, gozando de ampla isenção de impostos e sendo obrigados a prestar contas ao Tribunal de Contas da União. Com a Lei 9.649/98, eles foram desvinculados do poder público e reclassificados como entidades de direito privado, libertando-se do Tribunal de Contas da União, conservando as isenções de tributos e retendo as funções de fiscalização e policiamento. Em 22 de setembro de 1999, segundo informativo do Conselho Federal de Odontologia de outubro do mesmo ano, decisão do STF promove volta dos Conselhos Profissionais à condição de autarquia federal. O julgamento teve como Relator o Ministro Sydney Sanches e, com essa mudança, os Conselhos deixam de ser uma entidade de direito privado, voltando a ser uma autarquia federal. Em seu parecer, o Ministro Sydney Sanches assim se expressou:
“Os órgãos criados por lei federal, com a finalidade de proceder o
encargo constitucional da União de fiscalizar o exercício das profissões têm
inegável natureza pública, na medida em que exercem típica atividade
estatal.”

2) Os contrários ao CFJ, instigados e até manipulados pelos donos dos veículos de comunicação, argumentam que a liberdade de imprensa estava ameaçada porque previa como sanção a CENSURA PÚBLICA. Todos os conselhos têm poderes. São eles que estabelecem as regras de admissão no mercado reservado; fixam o valor das contribuições anuais, taxas, emolumentos e multas; e aplicam penalidades, que podem variar entre a advertência ao cancelamento definitivo do registro profissional. As normas existem para serem cumpridas e aqueles, que infringirem as determinações expressas, poderão sofrer as penalidades previstas. Esta é a regra geral. Na profissão jornalística não seria diferente. Penalidades éticas de advertência reservada e censura reservada são de natureza sigilosa, enquanto que a CENSURA PÚBLICA, como o próprio nome revela é do conhecimento do público. Ou seja, é divulgar a advertência . No CREA também é assim, se o senhor se lembra.

3) A fiscalização do exercício de profissões regulamentadas, de acordo com a decisão do STF, acima citada, emerge como finalidade pública, eis que diz respeito à própria essência do interesse público. Para o Ministro Sydney Sanches, ao contrário do interesse de corporação, os Conselhos de fiscalização, investidos de poder de polícia, defendem os interesses públicos da sociedade e do cidadão usuário dos serviços profissionais. Os Conselhos têm capacidade legal de praticar atos administrativos, sob matéria de sua competência. Além do mais, os Conselhos possuem “poder dever” processante e punitivo sobre os inscritos em seus quadros, cumprindo-lhes apurar as denúncias que chegam ao seu conhecimento, aplicando, após o devido e regular processamento disciplinar, as penalidades previstas, inclusive de cassação do exercício profissional.

Onde está a impossibilidade de termos o CFJ, deputado Aleluia? Ainda não encontrei. Aliás, encontrei sim. Encontro todos os dias ao ler os jornais e ver que cada um dá a versão que quer ao fato. Tenho minha ideologia, mas há muitos anos impedi que ela pautasse a minha ação como profissional do jornalismo. Para isso, sempre procurei ouvir os dois lados da questão, o que me fez respeitada junto às fontes.

Quero ter o orgulho de ver a minha profissão fiscalizada, regulamentada. Quero ter a certeza de que a minha profissão não será cassada, que o meu diploma continuará a ter valor, que valeu a pena o sufoco que passei pra pagar minha faculdade – fiz na Universidade Católica de Pernambuco, pagando do meu próprio bolso, com muito orgulho.

Para conhecimento do senhor, listo abaixo as profissões que têm conselhos. Estão por ordem de criação do Conselho. Pode ver que a maioria foi por decreto.

Ordem dos Advogados do Brasil – OAB - do decreto n. 19.408, de 18 de novembro de 1930
Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CONFEA - DEL 3995 de 31/12/1941 - DECRETO LEI
Conselho Federal de Medicina - CFM - DEL 7955 de 13/09/1945 - DECRETO LEI
Conselho Federal de Contabilidade – CFC - Decreto-lei nº 9.295, de 27 de Maio de 1946:
Conselho Federal de Economia – COFECON - LEI 1411 de 13/08/1951 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Química – CFQ - LEI 2800 de 18/06/1956 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Farmácia – CFF - LEI 3820 de 11/11/1960 - LEI ORDINÁRIA
Ordem dos Músicos do Brasil – OMB - LEI 3857 de 22/12/1960 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Biblioteconomia – CFB - LEI 4084 de 30/06/1962 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Odontologia – CFO - LEI 4324 de 14/04/1964 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Representantes Comerciais - CONFERE - LEI 4886 de 09/12/1965 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Administração – CFA - DEC 61934 de 22/12/1967 - DECRETO
Conselho Federal de Estatística - CONFE - DEC 62497 de 01/04/1968 - DECRETO
Conselho Federal de Medicina Veterinária – CFMV - LEI 5517 de 23/10/1968 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Profissional de Relações Públicas – CONFERP - DEL 860 de 11/09/1969 - DECRETO LEI
Conselho Federal de Psicologia – CFP - LEI 5766 de 20/12/1971 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Enfermagem – COFEN - LEI 5905 de 12/07/1973 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO - LEI 6316 de 17/12/1975 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Corretores de Imóveis – COFECI - DEC 81871 de 29/06/1978 - DECRETO
Conselho Federal de Nutricionistas – CFN - DEC 84444 de 30/01/1980 - DECRETO
Conselho Federal de Biomedicina - CFBM - DEC 85005 de 06/08/1980 - DECRETO
Conselho Federal de Biologia - CFBio - DEC 85005 de 06/08/1980 - DECRETO
Conselho Federal de Fonoaudiologia – CFFA - LEI 6965 de 09/12/1981 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Museologia – CONFEM - DEC 91775 de 15/10/1985 - DECRETO
Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia – CONTER - Lei nº 7.394, de 29 de outubro de 1985 (vetado posteriormente)
Conselho Federal de Economistas Domésticos – CFED - LEI 8042 de 13/06/1990 - LEI ORDINÁRIA
Conselho Federal de Serviço Social – CFESS - LEI Nº 8.662, de 7 de junho de 1993
Conselho Federal de Educação Física – CONFEF - LEI 9696 de 01/09/1998 - LEI ORDINÁRIA

Na certeza de ter contribuído para uma análise do senhor mais profunda da proposta do Conselho de Jornalismo, despeço-me, colocando a disposição para uma discussão mais aprofundada.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mesquinhez politiqueira

Não entendo, e nem não aprovo, o tom de denúncia que a imprensa tem dado ao crescimento do patrimônio de vereadores a partir de levantamento feito por uma Organização Não Governamental. Tem soado com mesquinhez politiqueira. Afinal, é óbvio que alguém que passe a ter salário de pelo menos R$ 9 mil/ mês aumente o seu patrimônio.
Sei que alguns políticos usam de muitas artimanhas para embolsar outros valores que não o do seu salário. Mas não parece ser o caso, uma vez que é afirmado que os valores são declarados (junto à Receita Federal). Por que essa intenção malvada de tentar que a sociedade sempre veja o político como o safado, como o mal? Por que não se dá divulgação a tanta proposta boa que existem nos parlamentos e que não conseguem nem sair das comissões?
Tá na hora dos meus coleguinhas reverem seus posicionamentos enquanto editores, chefes de reportagem ou simplesmente repórteres.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Carta ao STF - Diploma de Jornalista

Srs. ministros
Sras. ministras

Aos 7 anos de idade eu sonhava em ser jornalista. Eu tinha acabado de ingressar no pré-primário na Escola Adozindo Magalhães de Oliveira, mantida pela CHESF - Companhia Hidroelétrica de Paulo Afonso, na Bahia. Era o ano de 1969. Amava estudar; fascinava-me aprender. A profissão de Jornalista já estava regulamentada e o diploma era uma exigência que considerava natural, tamanha a amplitude e responsabilidade da carreira que sonhava em abraçar.

Aos 18 anos mudei-me para Recife, em Pernambuco, para me preparar para o ingresso na faculdade - a porta para a realização do meu sonho. De 1981 a 1984 frequentei o curso de Comunicação Social-Jornalismo, na Universidade Católica de Pernambuco, à noite. Trabalhava durante o dia para pagar a faculdade.

Obter conhecimento sobre ética, filosofia, sociologia, ciência política, teologia, fundamentos científicos da comunicação e história da cultura e dos meios de comunicação social, entre outras disciplinas, além das específicas da profissão,foi fundamental para a minha formação como jornalista.

Ao longo desses 24 anos de exercício da profissão tenho aplicado o que aprendi; principalmente o de respeitar os fundamentos de que a notícia tem os dois lados e que o jornalista, como formador de opinião, tem responsabilidade sobre o que diz, sobre o que escreve.

No próximo dia 17 os senhores e senhoras estarão decidindo se mantém-se ou não a exigência do diploma para o exercício da profissão que abracei com tanto amor, dedicação e responsabilidade. É atribuída a Aristóteles a frase " A esperança é o sonho do homem acordado". Eu sonho este sonho. Eu tenho esperança que os que fazem o Supremo Tribunal Federal saberão distinguir o que é um bem para a sociedade e o que é interesse de grupos econômicos e políticos que querem, a qualquer custo, livrar-se das amarras que os prendem à responsabilidade de agir com ética e respeito. O nosso diploma, o meu diploma, em nada ameaça a liberdade de imprensa. Ao contrário: a liberdade só se conquista com responsabilidade. E, assim como um médico sem diploma ameaça a vida dos pacientes, um jornalista sem formação específica é uma ameaça à integridade moral e ética da nossa sociedade.

Peço-lhes, pois, que me permitam continuar alimentando a esperança de que as minhas conquistas, alcançadas com tanto custo e dedicação, serão mantidas; que o meu sonho de infância, realizado com tanta convicção, não será destruído. Este sonho, tenham certeza, não é apenas meu, mas de milhares de pessoas, colegas de profissão e estudantes de jornalismo, futuros colegas. Que nossa realidade possa ser preservada.

Muito obrigada.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

violência policial



"Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão,e não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. já não podemos dizer nada."


Este texto, atribuído a Bertolt Brecht e Vladimir Maiakóvski mas que na verdade seria do carioca poeta carioca Eduardo Alves da Costa ( segundo polêmica na internet), é sempre atual. Resolvi usá-lo para confabularmos sobre a violência... desta vez a violência policial.

Ontem, ao retornar para casa depois de mais um dia de trabalho, ouvia a Rádio Metrópole quando uma ouvinte ligou denunciando a truculência da abordagem feita por policiais a um rapaz que estava dentro do carro, defronte a uma agência bancária, enquanto aguardava sua mulher. Como não ouvi a estória do começo, não sei se ele era filho ou genro da ouvinte; era alguém vinculado à sua família. A mulher contou que a polícia chegou gritando, chamando-o de descarado, mandando que ele saísse do carro, colocou arma na sua cabeça e tudo o que sabemos que tem sido feito.

Que ligação isso tem com o extrato do poema acima? A nossa permissão. Tenho ouvido, rotineiramente, até por parte de alguns dos meus familiares, que a polícia tem " que matar mesmo. Bandido é pra morrer". Nunca concordei com isso e não seria agora que concordaria. Começamos permitindo que faça isso com os outros, até que a porrada atinja um dos nossos. "Aí não pode, é sacanagem, é violência demais", todos reagem. Mas é uma violência que foi permitida, autorizada, estimulada... querer que mude, depois que muitos policiais encontraram a forma de dar vazão aos seus instintos e às suas insatisfações, é mais difícil.

Além disso, permitir que a violência seja combatida exclusivamente com violência em nada ajuda. Só contribui para intensificar o círculo de ações e reações. Um mata daqui; outro mata dali.

Temos que ficar mais atentos aos nossos jardins; que ter coragem de dar limites aos nossos filhos desde crianças; parar de sofrer ao ter que dizer um não... quando não o fazemos, a vida faz. E um dos bandidos que queremos morto pela polícia, de repente pode ser sangue do nosso sangue ou ocupar simplemente um lugar em nosso coração. E aí? Como será?

Deixe aqui a sua opinião.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Um fazer envolvido II



Quero, agora, dizer o porque de o texto postado anteriormente ter chamado tanto a minha atenção como JORNALISTA POR FORMAÇÃO e profissional da Comunicação.

Durante todo o meu tempo laboral, iniciado aos 18 anos (àquele época ainda não em Jornalismo), sempre procurei aprender tudo que estava ao meu redor, no contexto do meu trabalho. E, claro, sempre me deparei com colegas que não se envolviam; apenas cumpriam o horário e a tarefa estabelecida, nem sempre de forma contextualizada.

Ao longo da última década acompanhei a proliferação das faculdades particulares, com oferta de cursos em todas as áreas, inclusive a de Comunicação. Acompanhei, também, a mudança no conteúdo jornalístico dos jornais, rádios e televisões. Vi, e vejo, muitos colegas - novos e velhos - sem compromisso com o que escreve, sem envolvimento com a área que cobre. Vejo focas como críticos, emitindo opiniões em matérias que deveriam ser apenas informativas e não opinativas. Não sei se este é o caminho que está sendo apontado nas salas de aula ou se os mais experientes que estejam nos comandos das redações cansaram e entregaram os pontos.

Esse envolvimento que falo é o aprender, o apreender, o ouvir os dois lados, o de apurar... É o de não se dispor a ser crítico (analista, articulista), se não tem conhecimento de causa; contrário seja, parecerá opinião vazia dada em mesa de bar.

Não vale o argumento da censura do dono ou do conselho editorial do veículo, a auto-censura que estimula a preguiça, o descompromisso com a notícia, com o fato... que estimula o não-envolvimento. Vale, sim, a certeza de que praticar jornalismo é, antes de tudo, olhar com os olhos da sociedade, ouvir com os olhos da sociedade e falar/escrever o que nem toda a sociedade viu, lembrando-se sempre que todo fato tem dois ou mais lados. Se não apresentamos isto, utilizamos nosso livre arbítrio para tomar partido.

Envolver-se com o que faz é fundamental para fazê-lo bem. Adquirimos conhecimento de causa, ampliamos nossos fundamentos e, com certeza, tornamos-mos mais responsáveis em nossas ações, sejam elas nas atividades inerentes ao profissional de Comunicação ou no nosso dia-a-dia. Mais uma vez concordo com Allan Kardec. Temos que nos envolver para construir algo bom. Se queremos fazer algo bem na vida, seja no Jornalismo, na Medicina, no Direito, na Agronomia, etc, seja em nossa família, seja em nossa vida, temos que colocar tijolo por tijolo para criar o envolvimento. Senão, corremos o risco de, a um só sopro, nosso projeto de vida desmoronar.

Qual a sua opinião?

Um fazer envolvido I




Fazendo algumas leituras da doutrina espírita me deparei com um texto publicado na Revista Espírita, em novembro de 1858, que retratava uma polêmica espírita vivida por Allan Kardec, que dirigia este Jornal de Estudos Psicológicos. Era um diálogo sobre o crítico. Estou impressionada com a atualidade do texto escrito há 150 anos e com a sua similaridade com os caminhos que muitos dos meus colegas jornalistas vêm tomando. Pensei em extrair só uma pontinha, mas optei por aqui inserir um trecho mais longo, tal a sua essencialidade. Acompanhe-me nesta leitura e, certamente, verá sobre o que confabulo. Voltarei em outra postagem.


Visitante – É precisamente para evitar esse escolho que vim vos pedir permissão para assistir a algumas experiências.

A.K. – E pensais que isso vos bastaria para falar do Espiritismo ex-professo? Mas como poderíeis compreender essas experiências, e com mais forte razão julgá-las, se não haveis estudado os princípios que lhes servem de base? Como poderíeis apreciar o resultado, satisfatório ou não, de experiências metalúrgicas, por exemplo, se não conheceis a fundo a metalurgia? Permiti-me dizer-vos, senhor, que vosso projeto é absolutamente como se, não sabendo nem matemática, nem astronomia, fosseis dizer a um desses senhores do Observatório: Senhor, eu quero escrever um livro sobre astronomia, e além disso provar que vosso sistema é falso; mas como disso eu não sei nem a primeira palavra, deixai-me olhar uma ou duas vezes através de vossas lunetas. Isso me bastará para conhecê-la tanto quanto vós.
Não é senão por extensão que a palavra criticar é sinônimo e censurar. Em seu significado próprio, e segundo sua etmologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, pois, ser aproveitada ou desaproveitada. Fazer crítica de um livro não é necessariamente condená-lo. Aquele que empreende essa tarefa deve fazê-la sem idéias preconcebidas. Mas, se antes de abrir o livro já o condenou em seu pensamento, seu exame não pode ser imparcial. Tal é o caso da maioria daqueles que têm falado do Espiritismo. Apenas sobre o nome formaram uma opinião e fizeram como um juiz que pronunciou uma sentença sem se dar ao trabalho de examinar o processo. Disso resultou que seu julgamento ficou sem razão e, ao invés de persuadir, provocou riso. Quanto àqueles que estudaram seriamente a questão, a maioria mudou de opinião e mais de um adversário dela tornou-se partidário, quando viu que se tratava de coisa diversa daquela em que ele acreditava.

Visitante – Falais do exame dos livros em geral. Credes que seja materialmente possível a um jornalista, ler e estudar todos os que lhe passam pelas mãos, sobretudo quando se trata de teorias novas que lhe seria preciso aprofundar e verificar? Igualmente exigirias de um impressor que lesse todas as obras que saem das suas impressoras.

A.K. – A um raciocínio tão judicioso eu não tenho nada a responder, senão que, quando não se tem tempo de fazer conscientemente uma coisa, não se deve envolver-se com ela, e que é melhor não fazer senão uma coisa bem, do que fazer dez mal.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quem quer ser assessor de comunicação?

É brincadeira, coisa de novela, ou a Rede Globo tem interesse outro em retratar Flora - a assassina, a má, a ardilosa da novela A Favorita... - como a nova integrante da Assessoria de Comunicação do Grupo Fontini?

De fato, como jornalista POR FORMAÇÃO, como uma das assessoras de Comunicação da Defensoria Pública do Estado da Bahia, estou indignada. Acredito que a Globo, de forma direta, quer mostrar que, definitivamente, não é necessário passar por uma faculdade, por um curso de Jornalismo, para exercer qualquer uma das funções inerentes do jornalista. Acredito, também, que a Globo queira mostrar que não é importante a proposta de atualizar a legislação que regulamenta a profissão de jornalista, incluindo a função de assessor de imprensa - um dos braços da Assessoria de Comunicação.

Por outro lado, depois que reclamo e desabafo, tenho - temos - que admitir que esta é a realidade do nosso Brasil varonil. Qualquer pessoa pode, de fato, ser um assessor de Comunicação. Na ECT ( Correios), até pouco tempo atrás, os assessores eram administradores, arquitetos, engenheiros..... menos pessoa da área de Comunicação ( jornalista, relações públicas ou publicitário. No governo do nosso Estado, o secretário de Comunicação cursou... Engenharia Elétrica. Não adiantou chiado da classe.

O roteiro da novela não é claro quanto a real atribuição que Flora terá. Diz que ela foi convidada para trabalhar na Assessoria de Comunicação do grupo Fontini. Mas todos nós que trabalhamos em assessorias de Comunicação sabemos que um simples integrante NUNCA terá uma sala de trabalho como aquela. Não com jornalistas que têm a auto-estima na palma do pé, que não se respeita e aceita salários vis, que aceita cada vez mais desenvolver cinco ou mais funções pelo salário de meio.

Antes que as brigas comecem, bombardeando a Globo, como foi feito com o jornalista Zé Bob em sua função de repórter especial na mesma novela, acho bom vestirmos a carapuça, despirmos as máscaras que o status ainda alimenta e as utopias e cairmos em campo. Vamos nos dar o respeito. Vamos fazer valer os nossos direitos.

Era isto que eu tinha para confabular nesta manhã.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Vários tribunais podem ganhar o direito de criar 1.692 vagas. Projetos neste sentido foram aprovados na madrugada desta quinta-feira (28), por nossos senadores. Nada de errado se houvesse previsão, no projeto, de que estas vagas viessem a ser preenchidas através de concurso público. O problema é que, das vagas autorizadas, 1.421 são para cargos comissionados (cargos de confiança, sem concurso público) e apenas 271 vagas efetivas para disputa. Ao menos é o que informa a Agência Senado. Já aprovados na Câmara Federal, o projetos vão a sanção presidencial. Confira:
  • O PLC 113/08 cria 116 cargos efetivos e 204 funções comissionadas no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
  • O PLC 116/08 cria 136 cargos efetivos e onze funções comissionadas no Tribunal Superior do Trabalho (TST) da 17ª Região, no Espírito Santo.
  • Nesse mesmo tribunal, o PLC 117/08 cria sete cargos efetivos e quatro cargos comissionados.
  • Já o PLC 118/08 cria 179 cargos comissionados no Tribunal de Contas da União (TCU).
  • O PLC 119/08 cria 1023 cargos comissionados no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 6ª Região, em Pernambuco.
  • O PLC 121/08 cria 12 cargos efetivos no TRT da 11ª região, no Amazonas.

Por que criar tantos cargos comissionados? Embora muitos deles tenham salários altos e gratificações, os salários - não têm reajuste. O acesso, claro, vai pelo Q.I. - o famoso coeficiente de indicação. E pensarmos que, recentemente foi aprovado o fim do nepotismo. Será?

O superintendente errou??

Sempre ouvi muitas queixas sobre a atuação da SET -Superintendência de Engenharia de Tráfego de Salvador, que era comandada até ontem a note pelo Coronel Adelson Guimarães. Algumas consistentes; outras, não. Com a greve dos agentes, que pediam a exoneração do coronel, muita gente ligou para as rádios dizendo que o trânsito estava ótimo. Onde??!!! Em nenhum momento vejo o tráfego fluir, mesmo com a greve. Atravesso a cidade todos os dias, de Piatã ao Canela, e busco na música ou nas informações uma saída para não me estressar. Às vezes consigo. Outras, evidente que não.
Mas, o coronel Adelson foi exonerado ontem (27), depois de ter dado voz de prisão a um funcionário da Embasa que o teria desacatado ao não liberar a rua dos Tijolos, no Centro, onde obras eram realizadas e o tráfego, claro, estava conturbado. Segundo informações que ouvi ontem, o coronel pediu ao funcionário algum documento que autorizasse a obra naquele momento. O rapaz não tinha, não deu a mínima para o superintendente da SET e continuou seu trabalho.
Não tenho conhecimento do que este coronel tenha feito em outros momentos. Mas, neste acaso, considero que agiu correto. Por quê a Embasa tem o direito de sair esburacando as ruas, sem uma autorização, como precisamos para fazer qualquer serviço em nossa própria casa? Um colega de trabalho disse que a Embasa pode fazer o que quiser. Não sei quem lhe deu esta autorização. Mas considero como correto que, a cada frente de trabalho, uma ordem de serviço, pelo menos, esteja em mãos dos trabalhadores ou do " chefe" da obra.
A exoneração do coronel Adelson, na minha opinião, estimula o desacato e a baderna, repetindo os que fizeram os diretores de escolas particulares, a princípio, e das públicas, posteriormente, ao atenderem as pressões de pais " ricos" e arrogantes que proibiram professores de adotar qualquer sanção contra o aluno indisciplinado.
Que novos monstros não estejam sendo criados.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O direito de ser jornalista por formação

Faço minhas as palavras de Edson Luiz.

Senhores ministros:

O Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), entidade que congrega professores de jornalismo de todo o Brasil, vem manifestar perante essa Corte a sua preocupação com a possível eliminação da obrigatoriedade da formação superior específica e prévia em jornalismo para o exercício da profissão de jornalista no Brasil, no julgamento do STF que se avizinha.

A entidade que representamos, senhores ministros, está convicta de que a medida pleiteada pelo Ministério Público terá efeito exatamente inverso ao pretendido, no seu principal aspecto. O fim da obrigatoriedade dessa formação prévia significará séria restrição a dois direitos fundamentais dos cidadãos e das cidadãs brasileiras, garantidos na Constituição Federal e inspirados na Declaração Universal dos Direitos Humanos: os direitos-irmã os de manifestação do pensamento e de acesso à informação.

Também representará um grave revés no acesso democrático à profissão de jornalista, cujas normas são vigentes desde que o Decreto-Lei 972/69 (que ora se pretende modificar) entrou em vigor.

No primeiro caso, isso ocorre por uma simples questão sobre a natureza do que está em debate. A assim chamada obrigatoriedade do diploma é um requisito legal para o exercício de determinada profissão, e não para o exercício do direito de expressão. E não faz diferença se essa profissão é a do jornalista ou do médico, advogado, engenheiro. Isso porque o jornalista não é um opinador público ou o portador de um uma espécie de registro que supostamente lhe daria o mandato, exclusivo, para opinar. Ao contrário, por dever ético e eficácia técnica, o jornalista não manifesta seu pensamento no exercício profissional.

Entretanto, inversamente, o médico, o advogado e o engenheiro, assim como todo e qualquer profissional não-jornalista ou todo e qualquer cidadão, não estão impedidos, por nenhum mecanismo legal ou profissional, do jornalista ou de suas próprias profissões, de manifestar seu pensamento por intermédio do trabalho profissional do jornalista. Ao contrário, é dever do jornalista assegurar a todos o máximo de acesso aos espaços de opinião da sociedade representados pela mídia.

Em outras palavras, as notícias e reportagens – o produto do trabalho profissional do jornalista, pelo qual é remunerado ao final do mês – não contêm, e não devem conter, por norma profissional, as suas opiniões pessoais. Como profissional, o jornalista é um produtor de conhecimentos específicos sobre a dinâmica viva e imediata da realidade social e um mediador dos conhecimentos e opiniões que disputam o acesso à esfera pública social. É a melhor ferramenta de equilíbrio das diversas correntes de opinião em disputa por visibilidade pública.

Embora saibamos que a postura ética dependa de diversas condicionantes pessoais e sociais, podemos atestar, como professores de jornalismo, que a preparação dos futuros profissionais para o mundo do trabalho se dá com base na profunda problematizaçã o dos procedimentos éticos aplicados à profissão e no treinamento para o exercício dessa função de mediador da realidade social, e não para o exercício de “opinador”.

Toda a preparação acadêmica para o exercício do jornalismo está fundamentada na preocupação de que, aproveitar-se do acesso aos meios de comunicação para emitir a própria opinião, ou a do proprietário do veículo, constituiria privilégio inaceitável do ponto de vista ético.

E é exatamente a radicalização de privilégios inaceitáveis o que vai ocorrer caso seja aprovado o fim da obrigatoriedade do diploma, principalmente se essa medida vier embasada na compreensão, equivocada, de que o exercício do jornalismo é o exercício da opinião. O jornalismo opinativo – que, a rigor, nem poderia ser conceituado tecnicamente como jornalismo – faz parte de uma fase embrionária da imprensa, cuja essência é preservada nos espaços editoriais e de opinião dos veículos.

O jornalismo moderno, porém, é o jornalismo informativo, e seu produto por excelência é a notícia, mais complexa ética e tecnicamente de ser trabalhada. As notícias de qualidade, obra de profissionais capacitados, são essenciais para a vida democrática, pois contribuem para, entre tantas outras coisas, a própria formação da opinião fundamentada.

Vincular o direito de manifestação do pensamento, não por acaso inscrito entre as cláusulas pétreas da nossa Carta Magna, ao exercício profissional do jornalista, significa ferir drasticamente ambos: o direito à manifestação de pensamento estaria reservado de forma privilegiada, no âmbito dos meios de comunicação, a uma categoria profissional; o exercício do jornalismo seria reduzido à expressão de opiniões.

Se dependesse da inscrição de todos os cidadãos na atividade jornalística, e se esta o permitisse, o direito humano de manifestação do pensamento estaria restrito aos poucos que poderiam fazê-lo como atividade exclusiva ou semi-exclusiva (exigência feita a um profissional) e que estariam dispostos a se submeter a outras leis e outros constrangimentos que regem o mundo do trabalho.

Além de ser inócuo e, ao contrário, uma forma de inibição do direito à manifestação do pensamento, o fim da obrigatoriedade do diploma significaria um duro golpe em outro direito fundamental dos cidadãos: o direito à informação de qualidade, inclusive como direito-meio para o exercício de outros direitos, especialmente o de terem direitos. Isso porque o exercício da cidadania, inclusive a manifestação pública do pensamento, depende cada vez mais de uma informação jornalística de qualidade, equilibrada, e que reflita a pluralidade social.

A revogação dessa exigência legal da qual tratamos aqui significaria quebrar o único mecanismo que, num Brasil sem marco e sem órgãos regulatórios claros e ativos na área da comunicação social, estabelece um contraponto ao poder dos dirigentes de órgãos jornalísticos, sejam eles públicos ou privados, de definir soberanamente os conteúdos veiculados. Estamos falando de uma corporação profissional que se constitui não segundo o perfil determinado pelo empregador, mas a partir de normas e conhecimento prévio adquirido em instituição superior de ensino, que essa categoria tende a defender permanentemente.

Por último, lembramos que obrigatoriedade do diploma não significa impedir o acesso democrático ao trabalho. No caso, ao trabalho jornalístico. A nossa lei maior é clara ao dizer que é livre o exercício de qualquer profissão, respeitadas as condições estabelecidas em lei. E quis a lei que todos os cidadãos que desejarem ser jornalistas continuassem tendo esse direito assegurado. Contudo, e em sintonia com a nova Constituição, apesar de ter sido editada antes e em plena vigência do regime autoritário, estabeleceu uma condição de caráter indubitavelmente democrático: tirou das mãos do proprietário de mídia o poder de determinar o acesso à profissão e o transferiu para as instituições superiores de ensino de jornalismo. Trata-se de legítimas instituições da sociedade, uma vez que exercem atividade de natureza pública, mesmo quando se organizam sob regime jurídico privado.

Segundo a lei em vigor, e que precisa ser mantida e aperfeiçoada, é desse corpo profissional formado em instituições superiores de ensino, que cada dirigente de organização jornalística poderá escolher aqueles que exercerão, em seu veículo específico, de forma profissional e remunerada, a atividade técnico-intelectual e pública do jornalismo. Profissional preparado para o trabalho, segundo normas e técnicas profissionais que visam à informação de qualidade, produzida e publicada em respeito às regras democráticas. E um constante guardião destas, como membro do “quarto poder”, expressão cunhada pela tradição democrática não apenas para conferir legitimidade à profissão, mas também e principalmente para exigir dos jornalistas responsabilidade e competência à altura da sua missão de informar à sociedade.
* Edson Luiz Spenthof, 46 anos, é presidente do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutorando pela Universidade de Brasília (UnB).

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Amor ao conhecimento

Recebi, através do grupo do Sinjorba, da jornalista Gabriela Rossi, um artigo de Ricardo Chemas. Fantástico. Tenho pontuado, em várias conversas com colegas de trabalho e amigos, além dos meus afetos, que o conhecimento é o nosso maior bem. Este homem mostra, de uma forma que me emociona, que quando fazemos aquilo que gostamos, que quando nos envolvemos com o que fazemos, alcançamos resultados surpreendentes. Bons para nós, autores, e bons, principalmente, para aquele que precisou do nosso conhecimento. Quão bom seria se este compromisso com o saber, com o próximo, inclusive, fosse regra sem exceção não apenas na medicina, mas em todas as áreas; entre elas a nossa, da comunicação. Repasso para vocês.

Ricardo Chemas

Cura Psiquiátrica: Uma abordagem Oniro-Toxicoló gicaA Neuropsiquiatria, a Física Quântica e a Cura

Há cerca de cinco anos atrás, num início de tarde tropical que prometia ser igual a tantas outras, solicitei à minha secretária que fizesse entrar o primeiro paciente do período. O homem que se sentou à minha frente estava visivelmente ansioso, ou melhor, indisfarçavelmente irritado. Havia esperado demais, disse ele com enfado e uma certa indignação latina, pois não estava ali porque quisera estar, mas sim por causa de sua mulher e de sua mãe, que insistiram muito para que ele estivesse com o Dr. Chemas.

A sua história clínica era, como eu viria logo a saber, a um só tempo comum e terrível: Há um ano atrás, após meses de atormentadoras dores de cabeça e não menos atormentadores exames complicados (Ressonância Magnética Nuclear, Tomografia Computadorizada do Crânio, Angiografia Cerebral, etc), Carlos Roberto, que é formado (com louvor) em Física Avançada, soube de forma lacônica que possuía uma estranha criatura, chamada Meningeoma Cerebral, crescendo dentro da sua cabeça.


O estranho tumor, em forma de um horrendo polvo pálido, já se fazia sentir de maneira mais palpável e concreta do que simples (embora lancinantes) dores de cabeça: Carlos Roberto começara a perder a visão no olho esquerdo.


A decisão quanto à solução cirúrgica foi rápida e quase impensada, pois o que importava mesmo era que “aquilo” fosse arrancado dali o mais rapidamente possível, e a qualquer custo. Só que este último iria ficar muito caro. Após a delicada intervenção, Carlos Roberto encontrou-se também privado da visão no olho esquerdo, agora em caráter definitivo.


“Bem”, pensou de forma compensadora, “pelo menos fiquei livre daquele maldito tumor”. Não ficara. Seis meses após a traumática experiência da neurocirurgia, os sintomas (e “... aquele maldito tumor”) haviam voltado. Recidiva. A asquerosa criatura em forma de polvo media já por volta do tamanho de uma pequena laranja. O colega que o operara da primeira vez sugeriu fazê-lo novamente. Então, Carlos Roberto desapareceu. Não desejava arriscar-se à possibilidade hedionda da perda definitiva do outro (e último) olho. Decididamente, não o faria.


Foi então que sua mãe e sua esposa lhe falaram do misterioso médico que atendia na própria biblioteca, em meio a antigos e poeirentos tratados de medicina greco-egípcia, escritos em hierático, e que perguntava aos pacientes coisas estranhas, tais como com o que sonhavam, e, caso lembrassem dos sonhos, se sonhavam estando em perigo de cair em abismos atrozes e insondáveis, com fogo ou escutando música, com fantasmas ou inundações, etc., etc. Se a resposta fosse afirmativa, murmurava-se à boca pequena que o Dr. Chemas então passava a administrar a estes mesmos pacientes medicamentos preparados a partir de substâncias químicas puras, as quais eram retiradas de uma enorme caixa aonde se encontravam representados, de forma concreta, praticamente todos os elementos químicos que constituem a Tabela Periódica. Pior: o excêntrico doutor ainda correlacionava temas sonhados com substâncias químicas puras!


Carlos Roberto a princípio pensou que os seus familiares haviam ficado semi-enlouquecidos pelo trauma da sua súbita tragédia neurológica, e estavam então a buscar medidas desesperadas para tentar livrá-lo de uma repetição do suplício pelo qual mal havia ainda acabado de passar.
Algum tempo depois, já que não havia outra escolha à vista, e até mesmo para acalmar um pouco o visível pânico que havia tomado conta da sua família, Carlos Roberto se deixou conduzir até o meu consultório.


Aí estava ele, então, suando e resfolegando, à minha frente.
“- Afinal, com o que o senhor sonha, Sr. Carlos Roberto?” Eu havia feito a tão aguardada pergunta.
“- Pescarias, Doutor”, respondeu Carlos Roberto, um tanto acanhado; “peixes e pescarias”.


Cofiei longamente a barba já grisalha, cuidadosamente fitando os meus registros de Toxicologia. Em finais do século XIX, na sua monumental obra (em vinte e cinco volumes!) Encyclopedia of Pure Materia Medica, o Dr. Timothy Allen já havia compilado dados experimentais que comprovavam, efetivamente, o fato de que sujeitos intoxicados acidental ou experimentalmente com sais de prata, ou mesmo com a prata metálica em estado coloidal, sonhavam repetidamente com peixes ou pescarias.


Eu conhecia também a natural afinidade da prata e dos seus sais pelos tecidos e células do sistema nervoso, ou por células ricas em neurotransmissores. Ainda na faculdade, na cadeira básica de Histologia, nos utilizávamos destas mesmas propriedades dos sais de prata para corarmos as lâminas preparadas com finíssimos cortes de tecidos nervosos, tais como cérebro, medula, nervos e gânglios.


Rapidamente percebi que o organismo humano de Carlos Roberto, em sua totalidade, das células do seu meningeoma aos seus sonhos, que em verdade traduzem a sua secreta atividade mais íntima, o “programa” básico da criatura complexa feita de água e carbono a que chamamos Carlos Roberto, vibrava em ressonância homeomórfica com o espectro eletromagnético de emissão do átomo da prata. Na minha cabeça se misturaram, em inorgânica e vertiginosa sucessão, imagens de um ágil cardume de peixes prateados perseguidos por um octópode monstruoso.


Assim, percebi também que a administração de pequenas quantidades de prata a Carlos Roberto poderia ser a chave para sua cura, uma forma de estimular o sistema imunológico equivocado daquele paciente a reagir, a reconhecer afinal aquela abjeta criatura em forma de polvo dentro de si, o meningeoma, como um corpo indesejável, um erro de padrão, um autômato finito que se tornou estável por um equívoco na programação da metacreatura plural , da colônia pluricelular chamada Carlos Roberto.


Em algum ponto da fronteira imprecisa entre o mundo físico e o simbólico de Carlos Roberto, a prata, por um mecanismo desconhecido, se faz peixe sonhado. Da mesma forma, o peixe sonhado e o horrendo tumor nada mais são do que faces distintas da mesma moeda. Como isto se dá? De que maneira um padrão de desordem celular dentro de um especimen aterrorizado de Homo sapiens se encontra relacionado com os quanta de energia no átomo do elemento químico de número atômico 47, a prata?


Simplesmente, ainda não o sabemos. No entanto, e a despeito do imenso tamanho da nossa ignorância científica atual com relação a este curioso fenômeno das correlações homeomórficas entre séries afastadas de objetos do mundo, seis meses após a administração oral de alguns femtogramas de prata a Carlos Roberto, o seu tumor reicidivante havia desaparecido sem deixar rastros, conforme constatado inequivocamente através de uma nova Ressonância Magnética Nuclear.


Por Ricardo Chequer Chemas, M.D., FRSM.


Dr. Ricardo Chemas é Fellow da Royal Society of Medicine of the United Kingdon. Esta honra de ser membro da Real Sociedade de Medicina do Reino Unido da Grã Bretanha só é concedida a pouquíssimos cientistas do mundo. Membro também da New York Academy of Sciences (USA) e da British Association for the Advancement of Science, Dr. Chemas é um dos médicos e cientistas baianos mais laureados e reconhecidos internacionalmente. Aqui nos revela um caso clínico encantador.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ontem, Francesco Gnasci Bruno, psicólogo social e Prênio Nobel da Paz 1985, disse em Salvador que o amor é o maior nível de segurança que o ser humano pode ter. Que o desamor é a maior deformidade da humanidade. Ele era o convidado especial do ECA 18 - Congresso da Infância e Juventude: Proteção Integral Sempre, que reuniu operadores do Direito no Centro de Convenções da Baha, e sua palestra magna abordava as principais causas dos problemas psicosocial enfrentado pelas crianças e adolescentes.

Levei a sua avaliação para a reunião doutrinária do Instituto Espírita Boa Nova. Bruno diz que mães e pais não sabem amar suas crianças. Não sabem - não sabemos - entender suas necessidades e suas potencialidades. Confundimos amor com beijinhos que nem sempre vêm acompanhados de compreensão, paciência, tolerância... limites.

Entendo que, para amar, precisamos nos amar. Precisamos ter sido amados.
Entendo que, se o amor em família é a base de tudo, os governos têm jogado dinheiro fora ao investir apenas na instrução. Temos que investir em trabalhos psicosociais juntos aos pais - desamados - para que eles aprendam a amar seus filhos. Um investimento a longo prazo mas que, tal qual o Francesco Bruno, acredito que dará mais resultado que investir em armas para combater a violência.

Tereza Cristina A. Ferreira, defensora pública por vocação e hoje defensora pública-geral, compartilha desse conceito e investe em uma campanha, com o apoio do cantor Durval Lélis, para conscientizar os homens que eles têm o direito de curtir o orgulho de ser pai. A Defensoria oferece o este de DNA gratuito. Sobre isso falarei em outro momento.

Planejar a vinda do filho é um primeiro ato de amor. Reconhecer o filho é consequência natural da responsabilidade.

No dia dedicado aos pais, gostaria de ter falado sobre o meu - Sr. Nilton Cavalcante Amorim, alagoano, guerreiro, sempre acreditou que o trabalho é que dignifica o homem . Não o fiz. Faço-o agora, no dia do seu aniversário de 75 anos. "Seo" Nilton saiu aos 17 anos de uma roça na região de Palmeiras dos Índios, para tentar vencer na vida na então Forquilha, que virou Paulo Afonso, onde a CHESF estava contratando para a construção das hidroelétricas. Baixinho, franzino, loiro e de olhos azuis, ficou na ponta dos pés na hora da seleção, para parecer um pouquinho maior. Passou no teste de altura no meio da multidão.

De peão, trabalhador braçal, certamente por ser falante ( tal qual eu) e trabalhador dos bons, conseguiu alcançar outros postos. Foi auxiliar de telefonista, auxiliar de eletricista, eletricista, técnico de eletrônica. Fez os cursos técnicos de eletrônica e eletrotécnica por correspondência pelo Instituto Universal. Dedicação e disciplina sempre foram a sua marca como profissional.

Com quase todos os 11 filhos do casamento com dona Nicinha já nascidos seo Nilton voltou a estudar. Fez o Admissão, ginásio, colegial - administração e contabilidade. Sonhava com engenharia, mas o sonho ficou sem ser realizado. Não dava para se transferir para o Recife, em Pernambuco, para fazer faculdade, porque lá não teria como manter família tão grande. Cá, em Paulo Afonso, tinha a vantagem de casa, água, luz, escola e saúde de graça. Seu custo era alimentar, vestir e financiar remédios e livros para as nove meninas e dois meninos que ajudou a reencarnar.

Infelizmente, para dona Nicinha, a mesma paixão que ele tinha pelo trabalho - e até por ela mesmo -, tinha por mulheres em geral. Nunca pode ver um rabo de saia sem se deixar atrair. Isso trouxe Delma - sua atual mulher, com quem convive há 30 anos - e pôs fim a um casamento de 24 anos. Trouxe também mais seis filhos - cinco meninas e um menino. Dezessete filhos resultam da sua potência sexual. Pelo menos estes são os que conhecemos.

Depois de muita dor, muita mágoa, hoje pode ver seus filhos - quase todos - conscientes de que somos irmãos, permitindo-se um abraço fraterno, de amor. Abraço de perdão entre as duas mulheres que tanto sofreram por amar um homem que nunca conseguiu ser de uma mulher só.

A forma de cuidar de seo Nilton é a da posse. Sua forma de amar e dar carinho é a da retribuição: ganha mais afagos e respeito quem lhe dá carinho e não se intimida com seu jeito leonino de ser.

Hoje, a perda quase total da sua visão o deixa mais dependente de todos. Para um ser auto-suficiente, depender dos outros - mesmo que seja dos seus filhos - é sofrimento.

Mas o seo Nilton, mulherengo como muitos e muitos homens, sempre foi e é um pai responsável. Ao seu jeito, se fez presente - e se faz. Papai para alguns, painho para os mais novos, o meu pai é daqueles que entende que filho é para toda a vida e não pode ser abandonado nunca.

A ele, hoje, o meu amor e minha gratidão por tudo que me ensinou.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Gritos de socorro não ouvidos

Hoje, os jornais trazem mais uma notícia de tragédia anunciada. Luciana dos Santos Muniz, de 21 anos, foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro Wagner Macedo Alves, de 29 anos. Os dois estavam separados havia três meses. O acusado informou que vinha tentando uma reconciliação mas que Luciana não aceitava . Ela já tinha registrado duas queixas na Delegacia da Mulher contra Wagner, mas conseguira audiência apenas para outubro.
Este é mais um grito de alerta, de pedido de socorro, que não foi ouvido pelas autoridades. Lembro-me que, ao dar cobertura jornalística a uma palestra da defensora pública Firmiane Venâncio, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria Pública, no Instituto Steve Biko, algumas alunas do pré-vestibular relataram outros casos como o de Luciana. As mulheres denunciaram, pediram socorro, mas nada foi feito. Elas foram assassinadas.
O grito de socorro não ouvido se repete em outras situações, que não necessariamente envolvam homem x mulher que têm ou tiveram relacionamento amoroso. Também ocorre com conflitos entre vizinhos, que podem, como sabemos, levar a tragédias.
Sou testemunha, e vítima, de um deste casos. Moro há sete anos em uma casa em Piatã. Há cerca de três ou quatro anos chegou uma moradora ( duas casas depois da minha) cuja família é composta de duas filhas e um neto ( todos adultos), três cachorros e... 60 gatos. Nossos dias tranquilos acabaram. Gatos invadem nossas casas e o mau-cheiro invade nossas narinas em qualquer horário: no café da manhã, no almoço, no jantar, na hora de dormir... quando chove, como tem chovido nesses dias, piora ainda mais.
Ainda tem mais. Sempre que some um gato somos - os vizinhos - acusados, aos berros, durante o dia ou de madrugada, de termos matado o animal. A vizinha que fica entre a minha casa e a dos gatos sofre, ainda, com ameaças à segurança do seu filho de 12 anos.
Em uma ocasião, no ano passado, a confusão e as ameaças foram tão graves que precisei tirar minha vizinha, vítima, da casa dela e trazer para a minha. Chamamos a polícia, que não veio. Meu marido e meu vizinho foram à Delegacia de Itapuã, mas não conseguiram registrar queixa. No dia seguinte fomos surpreendidos: a agressora conseguiu registrar queixa... como vítima. Eu e outros vizinhos fomos depor. Mas, misteriosamente, o processo sumiu ( a vizinha dos gatos tinha dito que não ia dar em nada). Exigimos a abertura de outro processo; novos depoimentos foram tomados. Processo sumiu novamente.
A situação não é fácil. O odor das fezes e da urina nos incomoda por mais de 500 metros ao redor da casa dos gatos. Os xingamentos da dona dos gatos continuam, sem horário certo para acontecer. Mas não sabemos mais a quem recorrer.
Quem pode ouvir nosso pedido de socorro?