domingo, 26 de agosto de 2007

Inclusão pela metade

Vejo tudo que é emissora de TV falando em inclusão. Para tentar visualizar essa proposta, a Rede Globo, por exemplo, acrescentou a LIBRAS - linguagem através de sinais para surdos e mudos - nas suas vinhetas de identificação de recomendação da faixa etária ao iniciar cada programa. Tal qual está ela atinge, sempre, os que sabem ler. O texto fica lá, escrito, e a moça fala, silenciosamente, através de sinais. O telespectador que tem deficiência visual ou que não é alfabetizado em nenhuma das linguagens não tem acesso à informação. Que inclusão é essa?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES

Recebi um e-mail, já repassado por outros, de um professor onde é retratada a vergonha do nosso país. Sabemos que a situação existe, mas fazemos de conta que é em outro país. Que tal confabular sobre a questão retratada pelo professor de física do interior da Bahia, incógnito? Mesmo anônimo, a questão é séria. Confira o desabafo e a campanha dele:

"Prezado amigo: sou professor de Física de ensino médio de um escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$ 650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$ 440,00. Será que alguém acha que com um salário assim, a rede ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, mas atualmente a regra é essa:
O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende e a escola aprova o aluno mal preparado.Incrível, mas é a pura verdade!

Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estômago do meu idealismo foi duro! Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$ 10,2milhões por ano.
São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$ 11.545. Na Itália, são gastos com parlamentares R$ 3,9 milhões, na França, pouco mais de R$ 2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$ 850 mil e na vizinha, Argentina, R$ 1,3 milhão.Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país por baixo 688 professores com curso superior !

Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será:
" TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES "

Poderia ter colocado no lema para 688 professores, mas coloquei a metade (344), pois assim, sobra uma verba para aumentar o nosso salário,que é uma vergonha...

Atenciosamente,

um professor de física do interior da Bahia"

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O que ser quando CRESCER?



Quando adolescente, sempre tive muito orgulho de ser natural de Paulo Afonso-BA. Quando zombavam, perguntando se a cidade estava no mapa, eu e outros pauloafonsinos respondíamos que não apenas estávamos no mapa - fazendo divisa com Alagoas, Sergipe e Pernambuco, mas éramos da " capital da energia", que enviava energia pra todo o Nordeste a partir das suas usinas hidroelétricas - PA I,II, III e IV e Apolônio Sales.

Hoje, depois de tantos anos, continuo tendo orgulho da minha terra e gratidão à Companhia Hidroelétrica de Paulo Afonso - CHESF, que permitiu a mim, a meus irmãos e a tantos amigos, o acesso a uma educação de qualidade. Nossos pais não pagavam mensalidades, apenas a farda e os livros. Tínhamos excelentes professores, educação física e profissionalizante de primeira qualidade. Infelizmente a nova geração de P.A. não tem mais esse benefício.

Lembrei do meu orgulho e ressalto-o aqui ao ler uma matéria do Folha On line do dia 31/07, onde é apresentada uma pesquisa feita pela empresa Teenager Assessoria Profissional com alunos do 3º ano do Ensino Médio de um colégio em São Paulo. Dos entrevistados no primeiro semestre deste ano, 32,54%, ainda estavam indecisos sobre a profissão que escolheria, e 24,26%, não tinham idéia do que prestar no vestibular. Uma diretora de escola diz, na matéria, que " Para os alunos que ainda estão entre algumas opções de profissão, o melhor é buscar informações sobre os cursos". Se fizer pesquisa em todos os colégios, o quadro deverá ser o mesmo.

Pois bem: no Colepa, Colégio do SPEI (CHESF), a partir do 1º ano do Ensino Médio (na época, chamávamos de básico), tínhamos aula de OE - Orientação Educacional com a professora Rocilda, onde fazíamos um teste vocacional e, a partir do resultado, pesquisávamos sobre as três profissões que tínhamos mais vocação ( o vestibular tinha três opções também). Olhe que naquele tempo a pesquisa era limitada a uns guias profissionais editados e distribuídos às bibliotecas, com atribuições e média salarial, entre outras informações. Hoje a coisa é muito mais fácil: pela internet não apenas se consegue essa informação como pode conseguir outras, com mais detalhes, através das inúmeras comunidades do orkut e outros grupos do gênero.

Não consigo entender porque tive ensinamentos tão bons há 29 anos e hoje, com a tecnologia a favor de todos, não se consegue o mesmo efeito. A mim não convence falar de que é muito cedo para escolher entre os 16 e 18 anos. Quando quis ser jornalista eu tinha 7 anos, acreditem. Claro que perto do vestibular fiquei dividida entre Direito e Arquitetura, mas o Jornalismo venceu. A Comunicação venceu e continua valendo para mim, profissionalmente.

Se o jovem tiver interesse, até testes vocacionais encontrará gratuitamente na web. É só parar de baixar música e vídeos um pouquinho, usar um pouco comunidade do Orkut e outros sites para buscar informações e descobrir coisas muito boas. Verá que dá pra fazer o que gosta, gostando do que faz.

Ciência do bem

Fico feliz quando vejo como a ciência tem evoluído e proporcionado melhor qualidade de vida para muita gente. Apesar de ter alguns de nós usando a inteligência ainda para o mal, notícias como a da BBC Brasil, sobre a Alemã que teve lápis retirado do cérebro após 55 anos, reforça a minha certeza de que a força do bem é maior. Margret Wegner que o diga.
Segundo a BBC Brasil, essa mulher, Margret, uma alemã de 59 anos, vivia há 55 com um pedaço de lápis (2 cm) no cérebro. Quando ela era criança, caiu de rosto em cima do lápis de 8 cm, que perfurou a bochecha e parte do lápis foi parar no cérebro, acima do olho direito. Margret sabe o quanto sofreu nesses anos todos com dores de cabeças dores e sangramento nasal.
Mas a ciência, usada para o bem, permitiu uma cirurgia que retirasse o resto do lápis encravado no cérebro da alemã. O médico Hans Behrbohmn disse que foi possível fazer a cirurgia com base em uma reconstrução em 3D do interior do crânio de Margret. A área era muito difícil de operar, mas as técnicas modernas fizeram da cirurgia um perigo calculado. Além de não sofrer com as dores de cabeça que a perseguiram por 55 anos, a paciente ainda vai recuperar o olfato, prejudicado por um tumor nasal. Palmas para os homens que têm coragem de usar suas inteligências para o bem.
Que Margret tenha aproveitado a oportunidade de aprender com as provações que teve que passar por conta do acidente da infância que a acompanhou por uma vida inteira. E você, como tem usado a sua inteligência? Tem procurado aprender com as provas, ou as pedras - como queira chamar - que são colocadas à sua frente diariamente?