sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Fechando no positivo

Estamos no finalzinho de mais um ano. Mais uma vez passaram voando os quase 365 dias. Tantas metas fiz. Tantas mudanças de planos tive. Tantos novos rumos surgiram. Muitas amizades mantidas. Várias amizades surgidas. Tanto trabalho planejado. Tanto projeto desenvolvido. Tantos outros empurrados para o novo ano. Tanto sonhos sonhados. Tanto amor vivido, compartilhado.
Meu saldo, como tem sido nas últimas décadas (já vivi quatro e meia), é positivo, mesmo que não tenha concretizado tudo o que idealizei. Não terminei meu livro; mas terei tempo para fazer. Não tive meus novos filhos; mas sei que virão de alguma forma, no tempo certo, nem que seja na próxima encarnação. Não toquei minha empresa; mas ainda poderei fazê-lo. Não tive férias; mas com certeza as terei. Vi a partida de vários amigos, mas acredito na vida após a morte. Continuo a caminhada com toda a minha família; nenhum deles partiu em 2007. Vi meu caso de amor com Roberto ser fortalecido a cada dia, enquanto vi amigos desistirem de caminhar juntos. Tive oportunidade de desenvolver novos trabalhos, aplicando o conhecimento acumulado ao longo dos anos.
Com certeza, 2007 foi positivo. Continuo me achando abençoada, amada e feliz. Se em 2008 for assim, já entro lucrando.
E você? Qual o balanço da sua vida.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Adeus a Jorge Lindsay

Hoje nos despedimos fisicamente de Jorge Lindsay. Vale a reflexão: o que estamos fazendo das nossas vidas? A morte é certa, algum dia. Mas se cuidarmos um pouquinho melhor de nós mesmos com certeza poderemos permanecer por mais tempo ao lado daqueles que amamos.

Vida de jornalista tem se tornado cada vez com menos qualidade. As pressões dos chefes - seja em redações ou em assessorias de imprensa - são cada vez maiores, sem o devido acompanhamento da subida do salário.

O que queremos pra nós? Aceitar as pressões, correr de um lugar para outro pra ter uma renda maior e fazer de conta que está tudo bem?

Lindsay partiu, mas a reflexão fica.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

O que fizemos aos nossos homens?


Quando criança, lá em Paulo Afonso (nordeste da Bahia), ouvia e acreditava nas histórias que mamãe contava sobre os "papa-figo" - homens e mulheres abastados de uma região de Pernambuco que sofriam de uma rara doença que lhes fazia crescer demasiadamente as orelhas, cujo remédio era comer fígado humano. Os "papa-figo" andavam em carros pretos, de vidros escuros, pegavam crianças que estavam sozinhas nas ruas, matavam-nas e retirava o fígado, deixando dinheiro a título de indenização. Nunca duvidei da veracidade das histórias de dona Nicinha e das minhas tias, pernambucanas de Pão de Açúcar, distrito de Pesqueira.


Não relembro meus medos e crenças infantis para falar de folclore e de lendas. Mas para mostrar como as mães têm uma importância fundamental na formação dos seus filhos. O que é dito é incutido, mesmo que algumas vezes de forma subliminar. É absorvido o "meu filho querido", o "bebê da mamãe", mas também o "seu peste", " desgraça"," menino ruim", etc.


Ontem, ao cobrir assessorados em Audiência Pública sobre segurança pública na Assembléia Legislativa da Bahia, ouvi de uma assessora da Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos que 96% dos detentos do sistema prisional e carcerário da Bahia são do sexo masculino. Fiquei assustada e me obriguei a uma reflexão. À noite, durante doutrinária no Instituto Espírita Boa Nova, lancei a seguinte reflexão para trabalhadores e assistidos: o que temos feito com os nossos homens? Como temos tratado nossos filhos, sobrinhos e netos? Onde erramos para que haja uma desproporcionalidade tão gritante no cometimento de crimes?


Com certeza não temos feito aos meninos-homens o que gostaríamos que nos fizessem. Não é só a questão do amor, do carinho, mas também do limite, da designação de tarefas, da formação do caráter, que implicarão em cidadãos conscientes da força interior que os fará vencer suas vicissitudes com garra e determinação, da necessidade de respeito ao próximo, da importância de se amar e se respeitar, de amar e respeitar para ser amado e respeitado.


Uma pessoa só não pode mudar o mundo, que se torna cada vez mais violento. Mas cada pessoa pode mudar o seu mundo interior; consequentemente, despertará quem esteja ao seu lado para a mudança.

Minha mãe acreditava que nos prender em casa impediria o ataque dos "papa-figo". Um contigente enorme da população acha que construir novos presídios e adotar a tolerância zero vai diminuir o índice de violência. Será? E quando os criminosos forem nossos próprios filhos, sobrinhos, netos, o que faremos?

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Sou mulher e não gosto de apanhar


Conte 7 segundos. Contou? Nesse momento uma mulher pelo menos foi vítima de um tapa por aquele que deveria lhe dar carinho.

Conte agora 8 segundos. Pronto? Uma mulher pelo menos acabou de ser queimada por seu cônjuge e uma foi ameaçada de espancamento.

Conte de novo; agora por 15 segundos. Tempo fechado: uma mulher está sendo impedida de sair de casa nesse momento e outra foi espancada.

Mais uma vez; agora conte 20 segundos. Nesse intervalo uma mulher foi ameaçada de levar um tiro por um namorado, marido, companheiro, amante ou ex tudo isso.

Esse relógio macabro foi apresentado hoje no final da manhã por Stela Taquele, que representou a ministra Nilcéia Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, na Audiência Pública realizada pela Comissão Especial dos Direitos da Mulher, na Assembléia Legislativa da Bahia. No Brasil, 43% das mulheres já sofreu algum tipo de violência doméstica e familiar.

Tem juiz, por aí, dizendo que mulher gosta de apanhar. Outro diz que o homem é superior e, portanto, pode submeter sua "fêmea" ao que quiser. Que mulher que apanha e não separa é porque gosta de apanhar mesmo.

Agora vamos confabular sobre isso. Tenho consciência que o buraco é mais embaixo. Que a grande maioria das mulheres se submete por um medo maior: seja o de ser assassinada por aquele por quem julgou ser amada algum dia; seja o de recomeçar a vida; seja o de não ter como sobreviver e fazer sobreviver os filho; seja por.... seja por.... são tantos os outros motivos, né mesmo?

Mas creio que é importante que nós, mulheres, acordemos para um fato: esses homens violentos, mau amantes e que se acham donos das suas mulheres foram criados por nós. Durante uma entrevista que fiz em 1996 para o jornal Tribuna da Bahia com Ana Montenegro - advogada, feminista e militante política falecida aos 90 anos, em março de 2006 -, ela me disse que o machismo nunca acabaria, porque a mulher-mãe, em sua maioria, é machista. Concordei com ela e continuo concordando.

Outra coisa: não apenas nós, mulheres, mas também os homens, precisamos acabar com a idéia de que amar é anular-se, é tornar-se um só. Amar é, antes de tudo, amar a si mesmo e depois aos outros. É ter auto-estima suficiente para acreditar na sua capacidade de viver só - se preciso for -, de evoluir intelectualmente, moralmente e espiritualmente. É ter certeza de que tem o direito de ser respeitada; tudo o que nos fazem foi permitido por nós em algum momento. Tá na hora de parar de achar que ciúme é prova de amor. Que violência ocasional pode temperar o tesão. Tá na hora de entender que exigir respeito e preservar a sua individualidade não é egoísmo, não é amar menos.

Não deixe, mulher, acontecer a primeira ameaça, nem o primeiro tapa. Não faça, homem, a primeira ameaça nem dê o primeiro tapa. Enquanto essa transformação não acontece, que a Lei Maria da Penha seja efetivada, já!! É uma grande ajuda para as vítimas e para tentar tratar a violência do agressor.


E a sua opinião, qual é?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ética no jornalismo



Já confabulei com vocês, em outra ocasião, sobre a ética e a moral na política. Hoje quero trocar umas idéias sobre a ética e a responsabilidade no jornalismo. Como vocês sabem, sou jornalista por profissão, com pouco mais de 20 anos de estrada. Confesso que, nos últimos anos, tenho ficado assustada com os rumos que o jornalismo - ou a imprensa, ou a mídia - vem tomando.

Na sede de informar, o jornalismo tem colocado a vida de pessoas em risco sem o menor constrangimento por parte do repórter, editor e dono do veículo de comunicação. Começamos pelas reportagens do cotidiano, puxando para a área de segurança: se um novo mecanismo de segurança é implantado em ônibus, por exemplo, os repórteres, com suas canetas ou suas câmeras, esmiúçam os detalhes e dão as dicas de localização de tudo para a sociedade. Todos os detalhes, inclusive os que colocam em risco a vida de cobradores e motoristas.

Sobre o jornalismo praticado pelas revistas semanais nacionais, então, nem se fala. Lembro-me que na segunda semana de setembro, ao ler na Veja a matéria com Bruno Lins - aquele que entregou Renan Calheiros e o ex-sogro Luiz Coelho -, fiquei estupefata. Ao falar sobre como Coelho guardava dinheiro, Diogo Escosteguy, que assina a matéria, não apenas descreve a mansão, mas também a cor, formato e localização do cofre dentro da casa. Nas entrelinhas li assim: " atenção, ladrões, esse cara guarda muito dinheiro dentro de casa e o roteiro é esse. Peguem-no." Um crime compensa o outro? Essa forma de fazer jornalismo é ética? É responsável? Acrescenta o quê à sociedade?

Fiquei indignada, ainda, ao ler matéria do A Tarde, na semana passada, quando uma manchete dizia que uma creche era usada como ponto de droga. No conteúdo na reportagem confiro que a creche, na verdade, já estava desativada há pelo menos cinco meses. Não era, portanto, uma creche, mas uma casa que já abrigou uma creche. Mas, para não perder o impacto sensacionalista, o repórter citou o nome da creche - como se estivesse ativa - e foi corroborado pelo redator no título e na chamada da matéria. Qual o objetivo disso? O que a tal creche que funcionava ali meses atrás tinha com o fato de a casa, que estava vazia, ser utilizada como ponto de uso de drogas? Por que colocar esse estigma sobre uma instituição? Mas uma vez pergunto: é ético esse tipo de jornalismo? É responsável? Acrescenta o quê à sociedade?

O jornalismo tem perdido um dos seus estilos - o principal- que é o que narra e descreve os fatos. Hoje, até os focas deixam de reportar os fatos para emitirem opinião; muitas vezes em textos compostos por escassos vocabulário e conteúdo.

Depois dizem que querem calar a imprensa, que todos têm direito à livre opinião, que isso, que aquilo. E a imprensa - e nós, jornalistas,mesmo os assessores de imprensa - não tem satisfação a dar à sociedade por sua falta de ética e responsabilidade? Por esses e outros motivos quero o conselho de jornalismo. Urgente.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Assessor de imprensa faz jornalismo, sim senhor.

O jornalista colombiano Javier Dario Restrepo, especialista em ética, ganhador do Prêmio Latino -americano de ética jornalística, ( outorgado pelo Centro Latino de Periodismo e Universidade Internacional da Flérica, em 1997), autor de vários livros sobre o tema e fundador da Comissão de Ética do Circulo de Jornalistas de Bogotá, diz em entrevista na revista Imprensa de setembro, que:


" o jornalismo é essencialmente público. Somos jornalistas para toda a
sociedade. A informação tem sua razão de ser. A sociedade, para ser livre, precisa conhecer a realidade. Há uma conexão muito estreita entre conhecimento jornalístico e liberdade. É a condição de liberdade que dá ao jornalismo toda a sua dignidade. O jornalista deve estar a serviço de toda a sociedade, não de uma parte. Quando o jornalista se coloca a serviço de uma empresa, recorta seu campo de ação e sua
dignidade. Se torna um propagandista. E a propaganda, por sua própria natureza, é a visão parcial da realidade. Jornalismo é a visão integral de toda realidade. O jornalista se degrada quando deixa estar serviço de todos e se coloca a serviço de uma empresa, um governo, partido político ou religião."
Continuo discordando de quem tem esse ponto de vista. Já há algum tempo muitos jornalistas, como eu, têm questionado se o seu trabalho e de tantos outros colegas em redações - rádio, televisão, jornal ou internet - está realmente a serviço da sociedade. Em muitos casos estão a serviço dos interesses do patrão. Ou a serviço da fofoca, seja ela política, artística ou outra. Exemplo: a cobertura dos poderes legislativos por parte dos jornais se limitam às questões políticas - e muitas politiqueiras. Poucas vezes são divulgados projetos de interesse da sociedade apresentados por deputados ou vereadores. A informação é sempre produzida e encaminhada como release para as redações, para que sirvam, ao menos, como pauta. A poucas questões é dada atenção.


Quem continua a pensar como o colega colombiano nunca pisou em uma assessoria de comunicação e não sabe como é feito o trabalho. O AI é um jornalista com multi funções - é pauteiro, chefe de reportagem, repórter, redator e editor. Tem que colher informação, cobrir eventos, sugerir pautas aos jornais, entrevistar não apenas o assessorado mais pessoas que participam dos eventos, atender os colegas das redações.... E isso não é fazer jornalismo?


Bom, pensando bem, é mais do que fazer jornalismo... é fazer comunicação. E que tem que ser bem feita, senão a sociedade pode ficar sem saber coisas que são do seu interesse, mas os donos dos veiculos de comunicação não deixam ser publicadas por interesse político, econômico ou picuinha pessoal. Os milhares de jornalistas que, como eu, fazem assessoria de imprensa, sabem muito bem o que digo. Milhares que estão em redações, também.


Tá mais é na hora de acabar com esse purismo e concentrarmos todas as nossas energias para lutarmos pela inclusão de Assessor de Imprensa como uma das funções do jornalista na lei que regulamenta nossa profissão. Enquanto isso não acontece, trabalhamos por cinco e ganhamos por, no máximo, um. Você pensa o quê? Você sugere o quê?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Digo não aos adolescentes no volante

Há alguns meses tem sido debatido no Brasil a possibilidade de redução da idade para tirar a carteira de motorista, hoje determinada em 18 anos. Não sei porque fico surpresa com essas confabulações. Muitos são contra. Outros tantos, a favor, principalmente os jovens de 16 e 17 anos que já dirigem clandestinamente, em seus próprios carros presenteados pelos pais.
Outra discussão também tem sido debatida com ardor há meses: a redução da maioridade penal. Muitos são contra; outros, a favor. O interessante é que uma grande parte das pessoas - e aí entram os pais - parece desvincular uma questão da outra, como se isso fosse possível.
Na Teoria original de Murphy, se existem duas possibilidades e alguém fazer algo e uma delas é errada, alguém vai errar. Se o adolescente é impulsivo, gosta de velocidade, de se exibir para os amigos e para as garotas, e sabe que não pode ser responsabilizado penalmente por algum acidente que provoque no trânsito, é claro que ele cometerá infrações.
De acordo com dados que colhi no Globo on line, pesquisa feita em abril deste ano pela Volvo, em parceria com a Perkons, fabricante de equipamentos de fiscalização, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (Sbot) e o Ministério da Saúde, 42% dos jovens que dirigem, atualmente, não têm carteira de habilitação. Na faixa entre 16 e 17 anos, 20% declararam que costumam guiar mesmo sem ter idade legal. Quem permite? Os pais, em sua maioria. Já vi casos em que o filho, ao completar 16 anos, recebe um carro dos pais, vai comemorar com um pega e os pais só o viram de novo morto. Dramático? Não, real.
A pesquisa aponta, ainda, que 21% dos entrevistados já se envolveram em acidentes. As principais causas são: desatenção ou imprudência do motorista (57%), excesso de velocidade (15%) e consumo de bebida alcoólica (9%).
Pelo que acompanho em Salvador, onde o trânsito não tem fiscalização nenhuma - pessoas dirigem sem cinto, com o braço para fora, em pé ou sentadas em cima de caminhões ou pick-ups, sinais são invadidos e ultrapassagens irregulares e violentas acontecem por minuto - legalizar a direção a menores de 18 anos é dar um atestado de morte a maioria deles e a milhares de transeuntes que estão nas calçadas andando ou esperando ônibus.
Sou contra, sim. Na minha casa, meu filho só dirigiu depois de tirar habilitação - depois dos 18 anos, é claro. Não porque ele fosse irresponsável, mas porque nós, os adultos, somos responsáveis. Que prevaleça o bom senso e a justiça. Se é pra liberar isso, que seja revista também a idade penal. Chega de impunidade no trânsito. Estou sendo radical? E você, o que acha sobre isso?

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

VERGONHOSA LISTA DE NOVOS IMORAIS

A cada dia ações imorais despontam pelos cantos dessa vida. Uma delas, VERGONHOSA, é a ação movida por ex-deputados e dependentes que entraram com ação na Justiça baiana solicitando a revisão de aposentadorias e a incorporação de benefícios por parte da Assembléia Legislativa. Até ajuda de custo, cota de combustível e outras cotas, pagas aos parlamentares em exercício do mandato, esse grupo quer; e o Tribunal de Justiça concedeu mandato de segurança permitindo. O valor da indenização é milionário: quase o valor da cota orçamentária anual da Assembléia Legislativa, que é de cerca de R$ 220 milhões.
Do jeito que as coisas acontecem, cabe refletir o que vem acontecendo conosco, seres humanos. Mas uma vez questiono para onde estão indo - ou para onde foram - a moral e a ética. Temos que nos conscientizar, nesse momento, que o dinheiro a ser pago a essas pessoas não é da Assembléia Legislativa, nem do Governo do Estado: ele é gerado pelos exorbitantes impostos que nos são cobrados; sairão, portanto, do nosso bolso. Serão retirados de investimentos em áreas prioritárias para a imensa parcela da sociedade baiana que carece de apoio estatal.
Pesquei no Blog do colega Raul Monteiro - www.politicalivre.com.br -, sendo a fonte principal o Jornal A Tarde, o nome daqueles envolvidos nesta indecente ação. Notícias apontam que o ex-deputado Domingos Leonelli comunicou oficialmente à Assembléia que não autorizou a ação em seu nome e que renuncia a qualquer benefício que seja gerado por ela. É bom saber quem quer tirar dinheiro do nosso bolsa de forma tão VERGONHOSA. Na lista, ex-deputados ( alguns inclusive falecidos, como Galdino leite e Gastão Pedreira) e dependentes.

Almir Araújo dos Anjos
Manoelito Ribeiro Teixeira
Arnaldo Murilo Leite
Adelmo José de Oliveira
Antônio Silva Fernandes
Cleraldo Andrade Rezende
Carlos Alberto Moreira Simões
Daniel Gomes de Almeida
Domingos Leonelli neto
Ernani de Oliveira Rocha
Edigar Dourado
Maria das Graças Oliveira
Antônio Menezes Filho
Cristiane Acrux Miranda
Carla Acrux Miranda
Carlos Alberto Cunha
Durval Gama Sobrinho
Dilson de Souza Nogueira
Ewerton Souza de Almeida
Fernando Mário Pires
DaltroFernando
Wilson Araújo Magalhães
Guttemberg Soares Amazonas
José Galdino de Aragão Leite
Geraldo de Almeida Ramos
Gastão Otávio Lacerda Pedreira
Horácio Matos Júnior
Henrique Weyll Cardoso e Silva
José Cândido de Carvalho Filho
Jurandy Cunha Oliveira
Jorge Calmon Moniz de Bittencourt
João Carlos Tourinho Dantas
Jayme de Souza Vieira Lima
Jayme Alfredo Lago Mascarenhas
Leônidas Rocha Cardoso
Luiz Pedro Rodrigues Irujo
Lourival Evangelista Costa
Márcio Oscar Martins Cardoso
MIguel Abraão Fahiel Filho
Marco Antunes Boiron Cardoso
Manoel de Almeida Passos Filho
Manoel Nunes de Cunha Régis
Maria José Flores Campos
Aderlinda Coelho de Carvalho
Oscar Cardoso de Silva
Oldack Carvalho Neves
Paulo Maciel Fernandes
Renato Augusto Pedreira
LeoniRaimundo Machado Cafezeiro
Rita Tanajura Batista Neves
Roque Aras Paulino
Franklin de Queiroz
Raimundo Sobreira Filho
Wilson Mascarenhas Lins de Albuquerque
José Leão Carneiro
Waldomiro Borges de Souza
João Emílio Oliveira Souza

domingo, 26 de agosto de 2007

Inclusão pela metade

Vejo tudo que é emissora de TV falando em inclusão. Para tentar visualizar essa proposta, a Rede Globo, por exemplo, acrescentou a LIBRAS - linguagem através de sinais para surdos e mudos - nas suas vinhetas de identificação de recomendação da faixa etária ao iniciar cada programa. Tal qual está ela atinge, sempre, os que sabem ler. O texto fica lá, escrito, e a moça fala, silenciosamente, através de sinais. O telespectador que tem deficiência visual ou que não é alfabetizado em nenhuma das linguagens não tem acesso à informação. Que inclusão é essa?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES

Recebi um e-mail, já repassado por outros, de um professor onde é retratada a vergonha do nosso país. Sabemos que a situação existe, mas fazemos de conta que é em outro país. Que tal confabular sobre a questão retratada pelo professor de física do interior da Bahia, incógnito? Mesmo anônimo, a questão é séria. Confira o desabafo e a campanha dele:

"Prezado amigo: sou professor de Física de ensino médio de um escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$ 650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$ 440,00. Será que alguém acha que com um salário assim, a rede ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, mas atualmente a regra é essa:
O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende e a escola aprova o aluno mal preparado.Incrível, mas é a pura verdade!

Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estômago do meu idealismo foi duro! Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$ 10,2milhões por ano.
São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$ 11.545. Na Itália, são gastos com parlamentares R$ 3,9 milhões, na França, pouco mais de R$ 2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$ 850 mil e na vizinha, Argentina, R$ 1,3 milhão.Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país por baixo 688 professores com curso superior !

Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será:
" TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES "

Poderia ter colocado no lema para 688 professores, mas coloquei a metade (344), pois assim, sobra uma verba para aumentar o nosso salário,que é uma vergonha...

Atenciosamente,

um professor de física do interior da Bahia"

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O que ser quando CRESCER?



Quando adolescente, sempre tive muito orgulho de ser natural de Paulo Afonso-BA. Quando zombavam, perguntando se a cidade estava no mapa, eu e outros pauloafonsinos respondíamos que não apenas estávamos no mapa - fazendo divisa com Alagoas, Sergipe e Pernambuco, mas éramos da " capital da energia", que enviava energia pra todo o Nordeste a partir das suas usinas hidroelétricas - PA I,II, III e IV e Apolônio Sales.

Hoje, depois de tantos anos, continuo tendo orgulho da minha terra e gratidão à Companhia Hidroelétrica de Paulo Afonso - CHESF, que permitiu a mim, a meus irmãos e a tantos amigos, o acesso a uma educação de qualidade. Nossos pais não pagavam mensalidades, apenas a farda e os livros. Tínhamos excelentes professores, educação física e profissionalizante de primeira qualidade. Infelizmente a nova geração de P.A. não tem mais esse benefício.

Lembrei do meu orgulho e ressalto-o aqui ao ler uma matéria do Folha On line do dia 31/07, onde é apresentada uma pesquisa feita pela empresa Teenager Assessoria Profissional com alunos do 3º ano do Ensino Médio de um colégio em São Paulo. Dos entrevistados no primeiro semestre deste ano, 32,54%, ainda estavam indecisos sobre a profissão que escolheria, e 24,26%, não tinham idéia do que prestar no vestibular. Uma diretora de escola diz, na matéria, que " Para os alunos que ainda estão entre algumas opções de profissão, o melhor é buscar informações sobre os cursos". Se fizer pesquisa em todos os colégios, o quadro deverá ser o mesmo.

Pois bem: no Colepa, Colégio do SPEI (CHESF), a partir do 1º ano do Ensino Médio (na época, chamávamos de básico), tínhamos aula de OE - Orientação Educacional com a professora Rocilda, onde fazíamos um teste vocacional e, a partir do resultado, pesquisávamos sobre as três profissões que tínhamos mais vocação ( o vestibular tinha três opções também). Olhe que naquele tempo a pesquisa era limitada a uns guias profissionais editados e distribuídos às bibliotecas, com atribuições e média salarial, entre outras informações. Hoje a coisa é muito mais fácil: pela internet não apenas se consegue essa informação como pode conseguir outras, com mais detalhes, através das inúmeras comunidades do orkut e outros grupos do gênero.

Não consigo entender porque tive ensinamentos tão bons há 29 anos e hoje, com a tecnologia a favor de todos, não se consegue o mesmo efeito. A mim não convence falar de que é muito cedo para escolher entre os 16 e 18 anos. Quando quis ser jornalista eu tinha 7 anos, acreditem. Claro que perto do vestibular fiquei dividida entre Direito e Arquitetura, mas o Jornalismo venceu. A Comunicação venceu e continua valendo para mim, profissionalmente.

Se o jovem tiver interesse, até testes vocacionais encontrará gratuitamente na web. É só parar de baixar música e vídeos um pouquinho, usar um pouco comunidade do Orkut e outros sites para buscar informações e descobrir coisas muito boas. Verá que dá pra fazer o que gosta, gostando do que faz.

Ciência do bem

Fico feliz quando vejo como a ciência tem evoluído e proporcionado melhor qualidade de vida para muita gente. Apesar de ter alguns de nós usando a inteligência ainda para o mal, notícias como a da BBC Brasil, sobre a Alemã que teve lápis retirado do cérebro após 55 anos, reforça a minha certeza de que a força do bem é maior. Margret Wegner que o diga.
Segundo a BBC Brasil, essa mulher, Margret, uma alemã de 59 anos, vivia há 55 com um pedaço de lápis (2 cm) no cérebro. Quando ela era criança, caiu de rosto em cima do lápis de 8 cm, que perfurou a bochecha e parte do lápis foi parar no cérebro, acima do olho direito. Margret sabe o quanto sofreu nesses anos todos com dores de cabeças dores e sangramento nasal.
Mas a ciência, usada para o bem, permitiu uma cirurgia que retirasse o resto do lápis encravado no cérebro da alemã. O médico Hans Behrbohmn disse que foi possível fazer a cirurgia com base em uma reconstrução em 3D do interior do crânio de Margret. A área era muito difícil de operar, mas as técnicas modernas fizeram da cirurgia um perigo calculado. Além de não sofrer com as dores de cabeça que a perseguiram por 55 anos, a paciente ainda vai recuperar o olfato, prejudicado por um tumor nasal. Palmas para os homens que têm coragem de usar suas inteligências para o bem.
Que Margret tenha aproveitado a oportunidade de aprender com as provações que teve que passar por conta do acidente da infância que a acompanhou por uma vida inteira. E você, como tem usado a sua inteligência? Tem procurado aprender com as provas, ou as pedras - como queira chamar - que são colocadas à sua frente diariamente?

terça-feira, 31 de julho de 2007

O Filho de Jesus


O papa Bento XVI, recentemente, indignou muita gente mundo afora ao declarar que cristãos são apenas os católicos. Cristão, pelo que tenho estudado, é aquele que segue os ensinamentos deixados por Jesus Cristo, sendo o maior " Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo". Jesus Cristo foi um líder - é um líder. E é comum que seguidores de líderes sejam cunhados com algum termo quer faça referência ao líder. Assim é com os budistas.


Na política acontece a mesma coisa. Os liderados por ACM eram (são) carlistas; tem (ou tinha) os waldiristas, vianistas, soutistas, lulistas...


Mas não quero confabular sobre política partidária. Portanto, voltemos ao tema Cristo. No final da semana passada surgiu uma nova teoria sobre o quadro " A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, foco de especulações em todo o mundo desde que o romancista Dan Brown baseou seu livro "O Código Da Vinci" na obra, argumentando em sua história que Jesus casou-se com Maria Madalena, tendo um filho com ela.

Agora, Slavisa Pesci, um especialista em informática e estudioso amador, afirma que a superposição de "A Última Ceia", com sua imagem espelhada, cria uma imagem contendo uma figura que parece um cavaleiro templário e outra pessoa segurando um bebê. Pesci disse a jornalistas que percebeu isso por acidente e garante que, a partir de alguns detalhes, pode provar que não está falando de coincidência, mas sobre cálculos precisos.

Na versão sobreposta, uma figura à esquerda de Cristo parece segurar um bebê nos braços, disse Pesci, mas ele não faz sugestões de que a criança possa ser filha de Cristo. Judas, que no quadro é mostrado à direita de Cristo, aparece em um espaço vazio no lado esquerdo na imagem sobreposta.

E Pesci também sugere que a versão sobreposta mostra um cálice diante de Cristo e ilustra quando Ele abençoou o pão e o vinho na ceia com seus apóstolos. O quadro original de Da Vinci mostra Cristo quando ele prevê que um entre seus apóstolos irá traí-lo.


Essa nova teoria deve ter deixado o Vaticano em polvorosa. Imagine que, além de Madalena ser mulher de Jesus, ainda teria um filho com ele? Bem, isso o livro o Código da Vinci já diz. No Instituto Espírita Boa Nova o coordenador Newton Simões tem abordado com frequência essa questão. E, se formos deixar a paixão religiosa de lado, veremos que o normal, àquela época, teria sido que Jesus fosse um homem casado. Afinal, tinha 33 anos. Entre os argumentos apresentados por Newton tem o de que, em uma época onde as mulheres não tinham realmente vez, os homens, principalmente os nobres, não deixariam suas mulheres andando pela rua com um homem solteiro. Os machistas de carteirinha podem entender bem isso.


De concreto, dentro de minha consciência, tenho o seguinte: Jesus Cristo foi e continua sendo um grande líder. Se foi casado e teve filhos, ou não, não faz diferença na admiração que tenho por ele. Bastam-me os ensinamentos por ele deixados. Demais, é só briga de religiões.

domingo, 29 de julho de 2007

Você é baiano ou bariano?

Muita gente pergunta se sou baiana ou pernambucana, principalmente ao saberem que minha carteira de identidade foi emitida pela Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco e que cursei jornalismo na Universidade Católica daquele estado. Sou baiana de Paulo Afonso, mas com um pé em Pernambuco - por minha mãe, Nicinha, ser de lá - e outro em Alagoas - por causa de meu pai, Nilton, alagoano brabo.

Quando eu morava em Recife (fiquei por lá seis anos), sempre que as pessoas sabiam que eu era baiana, diziam: " adoro a Bahia, as praias, o elevador Lacerda..." Percebia que elas ficavam um pouco desapontadas quando eu interrompia a divagação e dizia que eu era de Paulo Afonso. " Ah, mas você disse que era da Bahia". E eu repetia que era, mas não de Salvador. Aí era onde estava o "x" da questão. As pessoas achavam - e muitas ainda falam assim no Brasil inteiro - que a Bahia se resumia a Salvador.

Acho, aliás, que grande parte dos soteropolitano se sentiram assim nem que seja uma vez na vida - a Bahia é só Salvador. Meu filho emprestado, Cacá, quando começou a estudar, se perguntado se era baiano ele dizia que não: " sou soteropolitano". Muito orgulho de todos. Muitos nem sequer admitiam ser nordestinos. Hoje a coisa tá diferente, mas continuo encafifada com uma coisa: se nós baianos - e agora não falo só dos soteropolitanos - somos tão orgulhosos da nossa terra, porque muitos de nós, inclusive colegas jornalistas, ao escrever a sigla da Bahia escreve Ba, transformando-a de um imenso e lindo Estado em um elemento químico - o Bário? Vá lá que a imagem do Bário também parece uma festa (veja imagem abaixo), mas cada um no seu cada qual, é ou não é?



Os pernambucanos não trocam o seu Estado por padre - PE/Pe (abreviatura de padre). Os sergipanos, nossos vizinhos, não confundem seu Sergipe (SE) com o elemento químico Selênio (Se). Para os paraibanos, sua guerreira Paraíba( PB) não é Chumbo (Pb); tampouco os alagoanos trocam Alagoas (AL) por Alumínio (Al).

Aprendi, ainda no primário - hoje Ensino Fundamental - no Colégio Adozindo, com a professora Marlene, que as siglas dos estados e das regiões brasileiras são formadas por duas letras MAIÚSCULAS. Assim não fosse, nosso Nordeste (NE) seria confundido com o Neônio (Ne) e Minas Gerais (MG) com Magnésio (Mg). O Ceará (CE), com suas belas praias e sol o tempo inteiro certamente abomina ser trocado pelo radioativo Césio (Ce), aquele do acidente em Goiania, em 1987.

Tem mais: se quiserem trocar de nome, como estão fazendo, descuidadamente, muitos baianos, os catarinenses terão o Estado do Escândio (Sc), os paranaenses serão naturais de Prascodínio (Pr), os acreanos de Actínio (Ac) , os paraenses seriam de Protactínio (Pa) e os capixabas de Einstéinio (Es). Nossa cobiçada Amazônia não estaria mais localizada no Amazonas (AM), mas no Amerício (Am). Neste caso não sei se seria muito bom, porque os Estados Unidos das Américas poderia dizer que o nome é mais próprio ao seu país e quererem se apossar de vez daquelas terras.

Definitivamente, não quero deixar de ser nascida na Bahia (BA) para ter no meu registro de naturalidade Paulo Afonso - Bário (Ba).

Vamos combinar uma coisa de uma vez por todas. Siglas de estados se escreve com DUAS LETRAS MAIÚSCULAS. É UFBA, não UFBa. É Salvador - BA, não Ba. E se vocês garantem que não estudaram isso na escola, então realmente fui e continuo sendo uma pessoa privilegiada por ter passado por professores excelentes, que tinham coragem e prazer de ensinar, mesmo em escola pública. Estudei do pré-primário ( hoje educação infantil) até o 2º ano científico ( depois 2º grau e hoje Ensino Médio) no SPEI, escolas que a CHESF mantinha em minha terra natal.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

A previsão do gato Óscar

Você acredita que gatos podem prever a morte de pessoas? Já ouvi falar muito da sensibilidade dos bichamos, que eles sentem a morte do seu dono, coisa e tal. Mas nunca como contado em uma matéria que foi gerada pela agência EFE hoje pela tarde. Diz que um gato chamado Óscar, no estado de Rhode Island, nos Estados Unidos, pode prever a morte em poucas horas dos pacientes idosos que visita. A informação foi revelada por um médico geriatra na revista "The New England Journal of Medicine".

Conta que quando Óscar visita os residentes do Centro de Reabilitação para Idosos de Providence, o pessoal da clínica entra em ação, já sabendo que alguém morrerá nas próximas horas. Diz, ainda que, segundo o médico Oscar Sosa, o gato foi ao leito de mais de 25 residentes da clínica pouco antes de eles morrerem.

Na opinião do médico, o gato de 2 anos de idade "parece não cometer muitos erros e parece compreender que os pacientes estão a ponto de morrer".

Tem ainda o depoimento de Joan Teno, professora de saúde comunitária da Universidade Brown, que atende aos pacientes da clínica. Ela garante que "o gato sempre aparece nas últimas duas horas de vida dos pacientes".

Ninguém sabe explicar o que acontece. A professora não acredita que o felino tenha faculdades paranormais e sugere ser possível que haja uma explicação química para explicar as andanças do gato de pêlo cinza e branco, que passa a maior parte do tempo no terceiro andar, onde vivem os pacientes dementes.


E aí, você tem alguma opinião sobre o que pode justificar essas previsões do gato Óscar?

Loucos por perigo

Quando eu morava no Imbuí, a 13 anos atrás, gostava muito de ir no Empório. Naquela época, só um dos barracões funcionava, com forró e tudo. Depois, há uns 10 anos, os outros barracões foram abrindo espaços para barzinhos muito legais. No entorno do Empório, poucas casas. Tempos depois resolveram construir uns prédios no morro, por trás do Empório, que já estava ali, com sua música e sua agitação. As pessoas que foram comprando os apartamentos passavam na frente do local e viam, óbvio, que ali era um ponto de barzinhos. Mesmo assim compraram. Depois foram brigar com a Sucom para acabar com a música. Oxente, quem chegou primeiro?

Contei essa historinha só pra falar da situação dos aeroportos no Brasil. O trágico acidente do dia 17 escancarou as discussões sobre causas e culpados. Tam, governo, queda de Valdir Pires ( que vinha sendo batalhada por muitos há algum tempo), pista do Aeroporto de Congonhas... Em nenhum momento, entretanto, vejo a imprensa conduzir a discussão para um problema grave: a ocupação imobiliária no entorno dos aeroportos. Parece-me que os governos federal e estaduais não adotaram, em nenhum momento, e nem adotam agora, providências para impedir que a ocupação imobiliária cerque os aeroportos.

Congonhas, segundo andei pesquisando na internet, enfrenta debates desde a sua construção. Mas a força de interesses imobiliários e a falta de planejamento da cidade de São Paulo falaram mais alto que as autoridades da aeronaútica. Vejam uma foto que pesquei no site do aeroporto, ainda em 1947. Como vêem, a cidade não estava colada como está hoje. Mas os governos deixaram ela chegar, como se os aviões fossem de brinquedo e sempre sob controle.

Nesta última semana recebemos visita dos amigos Claúdio e Denise ( que estavam acompanhados de Heloísa e do pequeno Murilo), que moram em Bauru -SP. Eles disseram que em Garulhos a situação está ficando quase igual. Encontrei uma foto área recente do aeroporto. Confiram: no alto da foto, à direita, lá está a cidade colada, praticamente, com a pista.

Resolvi olhar o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas - SP, que vai entrar na distribuição dos vôos. A situação não é melhor. Lá, por incrível que pareça, as terras vizinhas foram loteadas e vendidas mais facilmente a partir do momento em que o aeroporto entrou em funcionamento. Esse povo é louco por perigo mesmo. é gostar muito de ver avião subindo e descendo, com aquele barulhozinho de nada. Essa foto é do Google.

Por fim, falo do Aeroporto 2 de Julho ( vixe, esqueci que mudou para Aeroporto Luis Eduardo Magalhães). Desde que o Instituto Espírita Boa Nova mudou de Itapuã para São Cristovão ( 2ª rua à direita depois do viaduto, sentido aeroporto), vi mais de perto como a ocupação imobiliária chegou junto do aeroporto. Nas reuniões do sábado, os aviões passam tão baixo e fazem tanto barulho que o palestrante tem que dar uma pausa a cada aeronave que desce. Se você está na praia de Ipitanga, vê a mesma coisa. Salvador e Lauro de Freitas, cidades conurbadas, fizeram, literalmente, um sanduíche do Dois de Julho. Vejam na foto que pesquei no Google como está a ocupação no entorno do nosso aeroporto.


E aí, será que os nossos governantes não vão fazer nada? Quais os cuidados que estão tendo com aeroportos novos, mesmo os pequenos? Na minha opinião, as pistas, OBRIGATORIAMENTE, devem ser seguras e ter sistema que evite a aquaplanagem, mas deve-se ser reservada muita área livre para planos emergenciais B, C e D na hora da aterrissagem. Muitas tragédias poderão ser, e poderiam ter sido, evitadas.

velho aos 40 anos


Todas as vezes em que ouço ou vejo referências a limites de idade para acesso a um concurso ou a dificuldade de alguém ter uma chance no mercado de trabalho por ter chegado aos 40 anos de idade, fico refletindo e constato o quanto as leis são injustas nesse país; em quanto aceitamos, inertes, as decisões dos legisladores e juristas que só desrespeitam o cidadão brasileiro.

Depois de receber um e-mail da colega jornalista Mery Bahia no grupo Sinjorba, que tratava de vagas para jornalistas em concurso da Aeronáutica, tive a curiosidade de ver o Edital. Antecipo, desde já, que concurso para Forças Armadas não me interessa, mesmo que a altura mínima exigida hoje para mulher seja de 1,55m ( quando tive interesse, na minha juventude etária, a altura exigida era de 1,60m e me cortou de cara, porque só tenho 1,56m - tampinha mesmo, mas muito atrevida). Um dos requisitos do edital é: " c) não ter completado 43 anos de idade até a data-limite de inscrição (20 de agosto de 2007) – candidatos nascidos a partir de 21 de agosto de 1964.

Com a minha mania de pesquisar sobre tudo que possa fundamentar meus argumentos, fui procurar se é legal impor limite de idade em concursos. No site www.concursosjuridicos.com.br encontrei um artigo que falava sobre isso. Sobre a base legal, encontrei o seguinte:
" No plano constitucional, existe vedação expressa a qualquer discriminação, em razão de idade, ao ingresso de servidor público em cargo da administração direta, autárquica ou fundacional (art. 39, § 3° e art. 7°, inc. XXX da CF). A Constituição também fixa o limite máximo de idade de setenta anos para o exercício de função pública, presumindo que o indivíduo não mais dispõe de condições para continuar no serviço público, em virtude da sua senilidade (art. 40. § 1°. inc. II da CF).
Conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal, para haver limitação de idade, é necessário expressa referência na lei, não podendo o Edital do concurso restringir o que a lei não limitou. (STF, RE 182432/RS). "
Sobre a ótica da exigência da natureza do cargo, capturei no mesmo artido a seguinte informação:
" Exigência pela Natureza do Cargo (art. 39, Constituição Federal):
De acordo com a Constituição ( art.39,§ 3°), a lei poderá estabelecer requisitos diferenciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir. o Ministro Carlos Velloso, do Supremo Tribunal Federal, diz que a lei pode estabelecer limite de idade desde que siga o princípio da razoabilidade, firmando limites mínimos e máximos de idade para ingresso em funções, empregos e cargos públicos, consonante os artigos 7°, XXX, 37, I, 39, § 3°.
Em recuso extraordinário o Ministro decidiu que, para inscrição na carreira do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, vinte e cinco anos e quarenta e cinco anos, é razoável, portanto, não ofensivo à Constituição. "
Mas veja só que curioso. O ministro Carlos Velloso decidiu que é razoável limitar a idade de acesso ao MP de Mato Grosso em 45 anos. O ministro tem 71 anos. Será que ele se acha incapaz, senil..? Afinal, ele tem 26 anos a mais que o candidato quarentão do MP.

Em seu ´´Tratado sobre a Velhice´´, datado de 44 A.C., Cícero realçou o papel importante dos idosos na administração do estado, afirmando que ´´os assuntos graves não se administram com a força ou o brusco movimento corporal, mas com a paciência, a autoridade e a ponderação. Tais qualidades não se perdem, mas, ao contrário, aumentam e se aperfeiçoam com a idade.´´ Essa linha de pensamento tem valido para aqueles que pleiteam algum cargo via eleição direta ou para os membros do Poder Judiciário. Infelizmente a importância e o valor da maturidade é esquecida nos demais setores.

Dei-me ao trabalho de abrir, uma por uma, as páginas na web dos senadores brasileiros. Dos 80 que estão no exercício do mandato, 27 não disponibilizam a idade - entre eles José Sarney e Jefferson Perez, que há muito passaram dos 45. Dos dos outros 52, nenhum poderia se inscrever no concurso da Aeronaútica, se assim almejassem e precisassem, como milhares de brasileiros precisam. Apenas três poderiam participar de um concurso como o do Ministério Público do Mato Grosso, onde o ministro Carlos Velloso achou RAZOÁVEL limitar a idade máxima de acesso em 45 anos.

Querem ver o resultados da minha pesquisa no Senado? Aí vai:

Entre 44 e 49 anos - 09

Entre 50 e 59 anos - 21

Entre 60 e 69 anos - 17

Acima de 70 anos - 06

Não declaram a idade - 27

Qual a minha conclusão depois dessa conversa tão longa? Pedir que todos reflitam. Porque a maturidade só é válida para presidentes, governadores, senadores, prefeitos, vereadores, ministros, juízes, desembargadores... Está na hora de exercermos pra valer a nossa cidadania. Se você, que já chegou aos 40 anos - ou está perto de chegar - e fica atormentado com a discriminação no mercado de trabalho, tem que cobrar dos seus representantes igualdade de direitos. Isso, claro, se você lembra em quem votou na última eleição. Não lembra? Então você é carta fora do baralho, só incluída quando é da conveniência de quem quer seu voto. Mas ainda dá tempo de acordar. Porque um ministro ou um senador pode estar apto ao trabalho aos 76 anos, como Romeu Tuma- ganhando muitoooo bem, por sinal - e o cidadão brasileiro aos 40 já é velho e tem que ser trocado por dois de 20 que ganharão muito pior ainda? Vamos acordar, gente.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Olhos fechados para as drogas


O desespero leva uma mãe, em Feira de Santana, a acorrentar seu filho adolescente adicto ( dependente químico). Pobre, moradora de uma favela ( que em Salvador, não sei porque, usam o nome de invasão) e, pelo visto, sem o apoio de família e amigos. Tivesse essa ajuda, ele não estaria recebendo maconha dos seus “ amigos”, que não o querem livre da droga. Sem emprego e sem dinheiro para pagar pelo seu vício, acumulou dívida com traficantes e está ameaçado de morte.

A Invasão da Jussara, onde mora esse jovem e sua desesperada mãe, fica ao lado do conjunto residencial Feira X, o maior da cidade, que é um dos locais de maior incidência de tráfico na cidade, segundo a Polícia Civil.

Aí eu me pergunto: se a polícia sabe que ali é um dos locais de maior incidência de tráfico na cidade, porque não age. Vai esperar que o problema se consolide e ganhe as mesmas proporções que nos morros do Rio de Janeiro? Em Salvador, os traficantes agem livremente em quase todos os bairros. Nas invasões conhecidas por Soronha e Suburbana, nas imediações do San Rafael, eles vendem de tudo, principalmente crack, a mais perigosa e que provoca maior dependência, segundo especialistas. Completamente controlados pelo crack, os dependentes vendem tudo o que ele ou sua família têm e depois roubam para comprar as pedras.

No Conjunto Residencial Recanto das Ilhas, os pais não sabem mais o que fazer: muitos jovens estão sucumbindo ao chamado do crack, que é vendido ali na rua, nos becos entre os prédios. Em Itapuã, as “ bocas” são de conhecimento de quase todo mundo, que silenciam com medo. Em outros bairros ocorre o mesmo. Outro dia cuidava do jardim da minha casa e ouvi dois meninos conversando na rua: " eu cheiro cocaína, fumo crack..hahaha", dizia um deles. Não resisti a curiosidade, subi na escada e olhei por sobre o muro. Senti um aperto no coração. Eram dois garotos de uns 13 ou 14 anos, com farda de uma escola pública localizada nas imediações da Vila da Aeronáutica (Piatã/Itapuã). A Polícia certamente sabe de tudo. Por que não age? Não é prender os usuários – esses precisam de tratamento. É prender os que vendem – estes sim, que não usam a droga; apenas as usam para acorrentar os jovens – primeiro oferecendo de graça, depois vendendo. São ofertas de viagens que nem sempre têm volta.

Estou aprendendo que a dependência química é uma doença e que precisa de tratamento. Mas o Poder Público tem feito pouco em relação a isso. O Cetad prefere trabalhar com a “ redução de danos”. Em outras palavras, que o usuários saiam de uma droga mais pesada e use uma mais leve. Se é doença, o adicto não pode usar nenhuma. É como o hipertenso, que deve evitar o sal; ou o diabético, que deve evitar o açúcar; como o alcóolatra, que deve evitar o primeiro gole. É uma doença sem cura, mas que tem recuperação e deve ser tratada como tal.

Segundo especialistas, a dependência química é tratável, embora não se possa curá-la. Seus sintomas podem ser detidos através da abstinência total de toda e qualquer substância química que altere o humor. Além da abstinência, a vulnerabilidade do dependente químico à recaída pode ser controlada através de mudanças permanentes no estilo de vida, atitudes e comportamento.

Se existem clínicas particulares, como o Centro de Tratamento Químico Vila Serena, que se propõe a orientar o dependente de drogas a reescrever sua história e se fortalecer para sair do vício, com um resultado positivo de cerca de 60%, porque o Poder Público não pode fazer o mesmo? Tanto dinheiro é desperdiçado. Tanto dinheiro desviado de suas funções. Vamos olhar um pouco para os milhares de jovens – seja de famílias carentes ou abastadas - que estão nas mãos de traficantes. Vamos cuidar também das famílias, co-dependentes, que perdem o rumo das suas vidas por causa do vício do seu familiar. Talvez assim possamos dizer que ajudamos o nosso país a reescrever sua história.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Em nome da ética


Confabulei em outras postagens sobre a questão da moral e da ética. Volto a falar sobre o tema agora. Não consigo entender porque as coisas no Brasil acontecem de forma tão diferente do que ocorre em outros países. Aqueles que ocupam cargos políticos se apegam aos seus mandatos com um sentido de posse tal que, mesmo em face de escândalos, não renunciam, exceto se ameaçados de cassação. Nesta lista temos muitos, inclusive políticos baianos.

Tenho acompanhado o caso do senador Renan Calheiros, que resiste apesar de estar com a cabeça afundada nas denúncias que ele diz mentirosas. Provas que anulem essas denúncias, entretanto, não parecem existir. O caso é grave e ridículo ao mesmo tempo, principalmente porque nem mesmo um relator para o processo do Conselho de Ética o Senado consegue.

Fiquei pensando cá com meus botões: “ como ocorreria esse processo em outros países”. Aí, fui pesquisar e achei várias historinhas no site BBCBrasil.com, que mostram que, em alguns casos, os envolvidos parecem ter um pouco, pelo menos, de brio. EM outros, a renúncia se deu por pressão. Confiram.

31 de janeiro, 2004
Um dos dois vice-presidentes do Peru, Raul Diez Canseco, renunciou dois meses depois de ele se afastar de seu outro cargo no governo, o de ministro do Comércio. Canseco é acusado de nepotismo, e sua saída ocorre a apenas dois dias de uma sessão no Congresso peruano, em que ele deve responder a perguntas dos parlamentares. Canseco teria usado sua influência para arranjar empregos para sua namorada e membros de sua família.

12 de agosto, 2004
O governador de New Jersey, James McGreevey, renunciou depois de confessar
publicamente que teve um relacionamento adulto e consensual com outro homem.)

Dezembro, 2004
Ex-ministro do Interior da Grã-Bretanha, David Blunkett, um dos políticos mais populares do Partido Trabalhista, renunciou em dezembro passado depois de ter admitido facilitar a aceleração de um visto para uma babá filipina que trabalhava para a ex-amante. O ex-ministro teve um caso de três anos com a jornalista da revista Spectator Kimberly Quinn, que é casada com o Stephen Quinn, editor da revista Vogue. ( JORNALISTA PARECE QUE VIROU ZONA DE PERIGO)

23 de Março, 2006
A líder do partido governista da Índia, Sonia Gandhi, renunciou ao seu cargo no Parlamento do país depois de ser acusada de quebrar a lei por receber salários de duas fontes públicas.

19 de fevereiro, 2007
O ministro da Imigração das Bahamas, Shane Gibson, renunciou por causa da polêmica em torno de seu envolvimento com a ex-modelo Anna Nicole Smith, que morreu no início de fevereiro. Fotos publicadas em jornais mostram o ministro e Smith vestidos e abraçados em uma cama. Críticos acusam Gibson de ter acelerado o processo de concessão de residência à ex-modelo no arquipélago caribenho.

17 de maio, 2007
A diretoria do Banco Mundial anunciou nesta quinta-feira que o presidente do banco, Paul Wolfowitz, vai deixar o cargo no final de junho. O chefe do Banco Mundial (Bird) estava sob forte pressão devido ao escândalo envolvendo o aumento salarial e a transferência de sua namorada, Shaha Riza. Ele vai sair da presidência no dia 30 de junho. (AQUI NÃO PARECE BEM RENÚNCIA, MAS DEMISSÃO SUMÁRIA)

29 de junho, 2007
O presidente de Israel, Moshe Katsav, apresentou formalmente sua renúncia ao cargo, um dia depois de ter admitido ser culpado de crimes de natureza sexual, incluindo assédio e atentado ao pudor.


Como podem ver, escândalos não são exclusividade dos políticos no Brasil. A diferença está na renúncia. Pelo bem da preservação da instituição Senado e da ética e moral no país, acho que Renan deveria renunciar. Junto com ele, todos aqueles que desrespeitam o decoro que exigem dos seus colegas, mas não cumprem a sua parte. Ou seja, aqueles que fazem o que tanto criticam nos outros. Certamente sobrariam poucos.

Pontinha de inveja

Boa notícia para os paulista. Tão boa que deixa a nós – consumidores de energia via Coelba – com uma pontinha de inveja. A Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel aprovou hoje a redução média de 11,83% nas tarifas da Eletropaulo, beneficiando 5,35 milhões de consumidores: os residenciais pagarão 12,66% menos na conta de luz; a indústria, menos 10,45%.
De acordo com o presidente da Aneel, Jerson Kelman (em entrevista à Folha On Line), a redução é reflexo da diminuição de encargos como a CCC (Conta Consumo de Combustíveis Fósseis), que subsidia a compra do óleo diesel usado em usinas do Norte do país. A queda nas taxas de juros, que barateou o custo de capital das empresas, também influenciou.
A revisão tarifária está prevista nos contratos de concessão com o objetivo de obter o equilíbrio das tarifas com base na remuneração dos investimentos das empresas voltados para a prestação dos serviços de distribuição e a cobertura de despesas efetivamente reconhecidas pela Aneel. É aplicada nas concessionárias de distribuição a cada quatro anos, em média.
Nós fomos contemplados, sim, a partir de abril, com aumento de 7,34%. E a Coelba só passará por revisão tarifária periódica em abril de 2008. Oxalá possamos ser beneficiados com percentual no mínimo igual ao que os consumidores paulista receberam. Até lá, cada um deve procurar economizar energia. Todo mundo ganha ( menos a Coelba, é claro!)

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Casseta sem humor

Algumas pessoas que me conhecem acham que sou bem humorada; outras, que convivem muito de perto, acham que nem tanto. Gostaria muito de ter o humor do meu querido pai, sêo Nilton Cavalcante Amorim(alagoano de Palmeiras dos Índios), que não perde uma oportunidade de fazer pilhéria, mas acho que saí mais ao jeito da minha mãe, dona Maria Cleonice "Nicinha" Amorim (pernambucana de Pesqueira), que leva as coisas mais a sério do que deveria. Já fui do tipo 80 ou 800 (sim, pra ver que extremos). Hoje me classificaria em 8 ou 500.
Este preâmbulo nada mais é senão para registrar a minha decepção - e INDIGNAÇÃO - com aqueles que fazem o Casseta e Planeta. Não é de hoje que já vinha perdendo o interesse pelo programa, que vem deixando o humor inteligente para se limitar ao humor de duplo sentido, sempre com o sexo no meio - ou no lado, ou na ponta, sei lá. Mas ontem, ao ver o quadro sobre o Personal Código Penal Tabajara, não acreditei. Como pode humoristas tão geniais descerem tanto e se dignarem a confundir humor com estímulo à baderna?
Sei que nosso país está de pernas pro ar; que é um caso atrás do outro de corruptos localizados, presos, soltos, e como sempre impunes. Mas isso não justifica que pessoas com um espaço na mídia, em horário tão valorizado, esqueça da responsabilidade que temos - profissionais da comunicação e do engtretenimento - com as palavras e incentive o desrespeito às leis.
Recentemente, no Instituto Espírita Boa Nova, debatemos sobre o cuidado que devemos ter com qualquer tipo de divulgação: desde aquela fofoquinha sem supostas consequências, até reportagens na televisão, que têm um poder subliminar de fazer com que as pessoas repitam palavras e atos que vêem e ouvem. Assim como o pensamento, a palavra tem muita força. Aliada à imagem, então, é poderosa. Não fosse assim as igrejas não estariam cada vez mais ocupando espaços na televisão para atrair fiéis incautos.
Lamento, mas não consegui ver humor nesse quadro do Casseta e Planeta. Não consegui mover um músculo no sentido de, pelo menos, esboçar um sorriso. Não adiantou meu marido dizer:"É só brincadeira...".
Estimular violência, agressividade, irresponsabilidade não é humor. Exceto se for humor negro.

sábado, 16 de junho de 2007

Casamento e funeral juntos?


Como já disse em outras confabulações e no meu perfil, sou espírita. Como tal, entendo que, após a morte, o espírito se desliga do corpo e pode até ficar junto dele. Mas, se sepultado ou cremado o corpo, o espírito permanecerá onde estiver o seu tesouro, seja qual for esse tesouro. Por entender isso, tão bem debatido por Newton Simões no Instituto Espírita Boa Nova, fiquei surpresa e, confesso, um pouco chocada, com a notícia que li no www.g1.com . Vou transcrevê-la para você. Pensei que na Índia eles tivessem uma outra concepção de espiritualidade. A mãe do noivo poderia estar ali, segundo a doutrina Espírita. Bom, como parece fazer parte da tradição deles.... mas que é estranho é. Ou não é?


" Sanjeevi Rajan, um malaio de 28 anos, se casou com sua noiva, Sasikalah, em cerimônia realizada junto com o funeral da mãe dele, que morreu sem realizar o sonho de ver o casamento do filho. As duas cerimônias foram realizadas segundo os ritos hindus, já que as duas famílias são de raízes indianas. Assim, o "thali" (adorno floral indiano), que estava nas mãos da morta, foi depois colocado por Sanjeevi no pescoço de sua noiva, como manda a tradição.
De acordo com o jornal "The New Straits Times", a mãe, de 47 anos, queria muito assistir ao casamento, marcado para 30 de junho. Mas, no domingo, ela morreu de um ataque cardíaco, enquanto fazia compras para o casamento em um shopping na Índia.
O corpo foi transportado para o velório na sua casa, em Port Klang (Malásia). O viúvo pediu então aos noivos que cumprissem a última vontade da morta e se casassem durante o funeral. Eles aceitaram a proposta.
"Eu gostaria de casar no templo no dia 30 de junho, mas minha mãe estaria lá. Pelo menos agora, minha mãe está aqui", disse o noivo. "Hoje é ao mesmo tempo o pior e o melhor dia da minha vida", completou ele.

Quem tem sonhos eróticos?


Segundo notícias da France Presse publicadas na Folha On line, estudo divulgado nesta semana no Canadá mostram que homens e mulheres têm a mesma quantidade de sonhos eróticos, mas as fantasias sexuais são diferentes. O pesquisador foi o professor adjunto do departamento de psicologia da Universidade de Montreal, no Canadá, Antonio Zadra, que apresentou os resultados de sua análise no "Sleep 2007", a conferência anual para cientistas do sonho, pesquisadores e representantes da indústria, em Minneapolis.

O estudo diz que as mulheres tendem a fantasiar com astros de cinema, do rock, políticos ou amantes passados e presentes; os homens tendem a imaginar relações com várias parceiras, em público ou em locais desconhecidos. Ambos tiveram a a mesma quantidade de sonhos eróticos. As coisas definitivamente mudaram, uma vez que, em estudo realizado em 1960, havia sido concluído que os homens sonhavam muito mais com sexo que as mulheres.
Mas, uma coisa importante o estudo mostra, na minha leitura: nem só de sexo ou sonho erótico vivem homens e mulheres. Foram entrevistados para o estudo 64 homens e 109 mulheres, que registraram seus sonhos durante um período de duas a quatro semanas. Com certeza bons sonhadores, porque conheço muita gente que nunca lembra do que sonhou ou se sonhou. Não é esse o meu caso: sonho muito, meus sonhos são coloridos e lembro nitidamente da maioria deles. Pois bem, os voluntários registraram 3.500 sonhos, dos quais apenas 8% com teor erótico.

Se fizermos uma regrinha de três rapidinho, veremos que homens e mulheres estão com seus sonhos ocupados com outras coisas. Vejamos. Cada um dos 173 entrevistados teve 20,23 sonhos no período de 15 dias a um mês. Desses, apenas 1,62 eróticos. Se fôssemos medir a libido por aí, o resultado seria pífio. A matéria não diz a faixa etária dos pesquisados, mas acredito que o índice da prática do sexo difira do de sonhos eróticos. Assim, o resultado poderia significar, nas entrelinhas, que homens e mulheres estariam resolvendo melhor sua vida sexual, sem necessidade de o inconsciente despertar suas carências nos sonhos ? Sim, porque entendidos de sonhos dizem que eles (os sonhos) "são representações de nossos pensamentos, sentimentos e outros conteúdos de nossa consciência com que viemos nos ocupando ontem ou dias antes" . De duas uma: ou os pesquisados estão com vida sexual muito boa ou muito ruim.
E você? Com que frequência tem sonhos eróticos? No meu caso nem sei dizer: nunca parei pra contar. Além disso, tem coisas que prefiro fazer a sonhar.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Um dia para o amor.



Esta confabulação escrevi no Dia dos Namorados e, por algum erro meu, não consegui publicá-la. Descobri agora (vixe, maria!) que estava salva como rascunho. Coloco-a, então, para leitura de vocês. 15/06/2007
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Hoje acordei sem vontade de procurar ou saber de notícias. Não quero saber de operações da PF, não quero saber de CPIs que não servem pra nada, exceto para fazer política, não quero ler sobre declarações daqueles que não têm moral para cobrar atitudes no país porque nunca tiveram coragem de tomar suas próprias atitudes quando na berlinda.


Hoje acordei, como na maioria dos meus dias, feliz. Aquela felicidade serena, gratificante, que enche seu peito de amor, muito amor. Felicidade por abrir os olhos preguiçosamente, girar o corpo no mesmo ritmo preguiçoso, entrelaçar pernas e braços com aquele a quem amo, dar e receber um beijo carinhoso em cada olho e ficar ali, ainda dorminhocos, declarando silenciosamente o nosso amor.


Sinto-me leve e plena em meus quase 45 anos, com uma história de amor de 30 anos, intercalada por uma distância de vidas opostos de 10 anos. Há quase 18 estamos juntos; há 17 renovamos o nosso amor no dia dos namorados e há 5 confirmamos o nosso compromisso civilmente. As contingências da sociedade também se fazem necessárias.


Nosso amor tem sobrevivido a vários presidentes, aos seus planos econômicos, às crises políticas onde o sujo fala do mal lavado. Juntos, temos construído um amor sólido, de companheirismo, de amizade, de tesão. Seguimos à risca a sugestão dos orientais de escolher como companheiro alguém que gostemos de conversar para, na velhice, quando não mais tivermos forças para o sexo, tenhamos o amigo.


Nesse dia, Dia dos Namorados, não poderia deixar de confabular com vocês sobre o amor. Ele existe, acreditem. E é possível, também. Mas desistam aqueles que acham que para amar os dois têm que se tornar um só. O amor é feito de duas pessoas, com suas individualidades, suas personalidades e seus desejos; com o respeito e a tolerância; com a vontade de estar junto mesmo sendo diferente, embora não tão diferentes - algo em comum sempre terão. É assim que eu procuro ser com o homem que amo. Seu nome: Roberto.

Eleições para diretores escolares


No período em que fiz Assessoria de Comunicação em São Sebastião do Passé pude ver que, quando um gestor tem perfil democrático ele implanta programas e medidas que fortalecem a democracia e o serviço público. Lembrei do prefeito Zezito Pena - hoje, ex-prefeito - por conta da briga das escolas com o governador Jacques Wagner, exigindo a eleição direta dos diretores. Lá em São Sebastião do Passé, uma cidade com 40 mil habitantes e que por birra dos governos anteriores não integra oficialmente a Região Metropolitana de Salvador - apesar de estar a 58 km da capital, eleições diretas nas escolas é uma realidade há 10 anos. cada mandato tem dois anos, com direito a uma reeleição. As regras foram estabelecidas logo no primeiro ano do primeiro mandato de Zezito.

Realmente, é importante a eleição direta, porque tem a participação da comunidade escolar (professores, funcionários, alunos e pais) e implica em maior responsabilidade para o(a) diretor(a). Mas não dá para deixar de questionar: se lá em Passé tem isso há uma década e o governo do Estado sabia disso, porque nunca foi implantado o sistema pelo governo anterior? Por que a comunidade escolar nunca exigiu isso tão veementemente? Por que só agora a eleição tem que ocorrer, e de forma assim tão imediata? Por que Wagner prometeu? Sei não, mas parece uma orquestra com maestro oculto... Qual a sua opinião?

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Boa nova para mulheres desempregadas

Uma boa notícia para as mulheres. Segundo matéria publicada na Folha On line desta quinta-feira, 14/06, o presidente Lula assinou ontem um decreto, publicado no Diário Oficial da União de hoje, que altera a regra atual do salário-maternidade, pago pela Previdência Social. O decreto estende o benefício às seguradas que foram demitidas, a pedido ou por justa causa, ou que deixaram de contribuir.
Antes, as seguradas só tinham direito ao benefício enquanto mantivessem a relação de emprego ou enquanto contribuíam com a Previdência. A partir do decreto, terão direito ao salário-maternidade se o nascimento ou adoção do filho ocorrer no chamado período de graça, que pode variar de 12 a 36 meses após a demissão.
Não sei é se será uma boa notícia, a longo prazo, para o INSS. Afinal, o Instituto Nacional do Seguro Social concede, em média, 36 mil salários-maternidade por mês. De janeiro a junho deste ano foram mais de 181 mil benefícios. Desses, 43 mil ainda estão sendo pagos. Já foram liberados R$ 75,8 milhões para esse auxílio. Em 2006, foram R$ 171,6 milhões. E, reclamam sempre os governantes, falta dinheiro... está no vermelho. Como será então?

Ralo da BR-110


Será que a Polícia Federal não está desenvolvendo nenhuma operação sigilosa, ainda na área de obras públicas, que envolva a BR-110, que liga Salvador a minha terra natal, Paulo Afonso? Algo de muito errado vem acontecendo há mais de 30 anos por aquelas bandas. Enquanto a ligação de PA com Recife sempre teve asfalto - na maioria das vezes de excelente qualidade - feito pela CHESF, o trajeto para a capital baiana sempre foi um inferno. Na primeira vez que vim a Salvador, em 1979, tive que descer do ônibus nas imediações de Cícero Dantas e andar na lama, com mala e tudo, para fazer baldeação. Ou seja, os passageiros com destino a Salvador trocavam de ônibus com os que estavam com destino a Paulo Afonso.

Aqui estou há 18 anos e um mês e a história é sempre a mesma. Em um período, conserta-se rodovia. Viajamos alegres e tranquilos para visitar a família. Seis meses depois, tão bom foi o asfalto que temos que reduzir velocidade para não quebrar o carro em alguma cratera pós curva ou no declive. Lá se foi a estrada... lá se foi o dinheiro. Aliás, o dinheiro já tinha ido há muito tempo, uma vez que o asfalto não passou de um recapeamento ralo que não resiste a uma chuvinha ou ao peso dos caminhões que por lá circulam. É um ralo longo e profundo.

Tenham certeza que eu ficarei muito feliz se nas apurações dessas operações da PF acharem um fiozinho que ligue o provável roubo que tem ocorrido pelos 450 (ou será 470) km que ligam minha atual moradia com minha terra natal.

Ditadura aprovada?

Falamos incessantemente da liberdade de expressão. Ela é essencial. Mas não deixa de me espantar a agressividade estampada na nota publicada no Correio da Bahia de hoje, 14/06, sobre a indenização que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça aprovou para a viúva e os filhos de Lamarca. Vejam o texto: " A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça resolveu premiar a família de um assassino, o ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, morto em 1971 no sertão da Bahia, depois que abandonou o Exército e se tornou terrorista para estabelecer uma ditadura socialista no Brasil. Sua viúva e os dois filhos vão embolsar, cada um, R$100 mil no ato, e a viúva, além disso, uma pensão vitalícia de R$12,1 mil mensais, o equivalente ao soldo de um general. Se brincar, logo a comissão vai mandar pagar também indenização aos descendentes da amante do terrorista, Iara Avelberg, que se matou durante um cerco policial no bairro da Pituba, em Salvador. O curioso é que até hoje a família do rapaz de 20 anos, que servia à Polícia Militar de São Paulo, e que por Lamarca foi assassinado, não recebeu um tostão. ". Será que defendem, realmente, indenizações para famílias dos algozes da ditadura? Qual a sua opinião sobre isto?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Aplicar a lei sem olhar a quem


A Polícia Federal do Brasil parece que agora tomou gosto pelas investigações. É uma operação atrás da outra. Só nesse último momento foram duas: furacão e navalha. O engraçado é que ouço por onde ando pessoas dizerem:" Esse é o governo da corrupção". Será mesmo?

Lembro que há cerca de nove anos, quando o governo federal começou a desenvolver campanhas de prevenção ao câncer do colo do útero, as pessoas ficaram assustadas com os altos índices de vítimas divulgados pela imprensa. Elas diziam: " Meu Deus, o que está acontecendo? Por que tantas mulheres estão tendo câncer? Deve ser o hormônio nos frangos." Não tinha aumentado o número de vítimas. Levar os exames até as mulheres fez com que se identificasse mais casos; só isso. Antes muita mulher morria sem nem ter feito um preventivo. E nem sabia que tinha câncer.

Faço essa comparação porque, na minha opinião, as situações são parecidas. Não é este governo que é mais corrupto ou menos corrupto; é a polícia federal que tem recebido carta quase branca para agir e identificar corruptos, inclusive dentro da sua própria corporação, como é o caso dessa mais recente operação, a navalha. Mesmo que ainda haja a tentativa de controle político da ação da PF, nenhum governo deu tanta autonomia a esse órgão. Mesmo que a navalha esteja quase cega...

Uma coisa, porém, é certa: quem tem um pouco de ética e de brio dentro de si, fica triste ao ver que a corrupção tem se alastrado tal qual câncer antes da descoberta da cura. Por isso que é fundamental que o Brasil tenha coragem de cortar o mal pela raiz, seja a erva daninha delegado, deputado, senador, ministro, procurador, prefeito, governador, presidente ou apenas um zé eleitor.

É fazer o certo e aplicar a lei sem olhar a quem.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Celibato: contra ou a favor?


Aproveitando a presença do Papa Bento XVI no Brasil, a Folha On Line faz enquete com seus leitores sobre a obrigatoriedade do celibato. Até o momento em que votei, pouco mais de 5 mil pessoas já tinham se posicionado: 71% contra e 29% a favor. Eu estou incluída no grupo do contra.

Na enquete é informado que estudo do Vaticano aponta que, em 40 anos (1964 a 2004), 69 mil padres abandonaram a batina para se casar. Desses 16% se arrependeram e retornaram ao sacerdócio.

Votei contra. Nessa questão, não mudei de opinião ao longo dos anos. Acho que fazer parte de uma família é fundamental para o amadurecimento das pessoas e para o exercício de transformação. Como um padre celibatário poderá entender os conflitos comuns na vida de uma família? Nunca consegui entender em que um casamento atrapalharia um sacerdote. As outras igrejas permitem, e até estimulam, o casamento dos pastores. O próprio Pedro - a quem a Igreja Católica coloca como o primeiro Papa - era casado. Casamento não tira a pureza do espírito.

Sou a favor do casamento - seja ele oficial ou não. No casamento você pode exercitar o amor, o carinho, o diálogo, a cumplicidade, a solidariedade, a lealdade, a amizade e sexo de excelente qualidade. Também pode exercitar a renúncia e o silêncio nas horas em que ele é necessário. Eu disse "pode", porque nem todas as pessoas casadas se dispõem a esse exercício e culpam o casamento pelas "nóias", angústias e faltas que carregam dentro de si. "Pode" implica em escolha. E por que os padres não podem ter direito a essa escolha?

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Eu e o Papa

A cada dia vamos constatando como nosso pensamento muda, como muda também o nosso comportamento. Tenho acompanhado a cobertura da visita do Papa Bento XVI ao nosso País e percebo que os meus valores em muito foram transformados.
Em 1980 (então com meus 18 anos), durante a primeira visita do Papa João Paulo II, eu morava no Recife. Como tiete fui para o Estacionamento Joana Bezerra (muito grande e aberto) ,acompanhada do meu amigo pauloafonsino Sérgio Vital; tínhamos que ver o Papa. Saímos cedinho para tentar um lugar próximo ao palco, levando em uma mochila frutas, água mineral e biscoitos. Afinal, não tínhamos hora pra voltar e nem dinheiro para comprar lanche. Naquele momento eu ainda me dizia católica e ia para a missa todos os domingos. Ver o maior representante da Igreja Católica era muito emocionante. Foi muito emocionante.
Depois, já em Salvador, em 1991, fiquei novamente emocionada. Desta vez eu acompanhava a vinda do Papa João Paulo II como profissional da imprensa. Foi muito bom aquele momento. Podem rir, mas guardo até hoje o crachá de identificação que me aponta como repórter da Tribuna da Bahia.
Voltando ao ponto inicial: porque e em que mudei? Mudei no modo de ver o Papa. Não sei se porque o atual não tem o mesmo carisma (na minha opinião) de João Paulo II ou porque hoje estudo a doutrina espírita. Não o vejo como "aquele que vai trazer a paz"; talvez como aquele que traga mensagens de paz. Permitir e trazer a paz para onde vivemos é uma responsabilidade nossa, individualmente. Nem mesmo é a responsabilidade de Deus. O que cada um de nós vem fazendo para garantir a paz, a começar pelo seu lar?
Não sinto emoção com a sua presença, mas entendo aqueles que estão emocionados. Que cada um, contudo, tenha a coragem de seguir o seu coração e fazer a sua parte para garantir a paz.